10 julho 2022

O «CAMPEONATO» DA PREOCUPAÇÃO

Esta disputa encenada entre o governo e a presidência, a procurar ver quem exibe mais preocupação diante da opinião pública pelo que se antecipam que venha a ser a agenda mediática da próxima semana é sumamente ridícula. Os dois marcam-se «à zona», e quem assiste à cena não pode deixar de pensar tratarem-se de uns palhaços. Será que Marcelo e Costa levarão a coreografia ao ponto de se deixarem fotografar e filmar de mangueira na mão?

A verdade é que num país a sério - e eu gosto de considerar que somos um desses - as capacidades de resposta a crises devem estar concebidas para não dependerem em nada da presença de chefes de Estado e de governo. E as pessoas não são parvas, as coisas às vezes correm-lhes (felizmente!) mal: aprecie-se abaixo o exemplo concreto do primeiro-ministro australiano Scott Morrison quando da sua visita a uma área ardida em Janeiro de 2020.

A PRIMEIRA TRANSMISSÃO TELEVISIVA VIA SATÉLITE

O satélite Telstar-1 é descrito como uma bola de praia um pouco maior mas bastante mais pesada (77 kg). O seu lançamento para o espaço há precisamente 60 anos (10 de Julho de 1962) foi o marco que assinalou a possibilidade das primeiras transmissões televisivas intercontinentais. No caso e não por acaso a transmissão processou-se entre a América do Norte e a Europa. No quadro da Corrida Espacial, os Estados Unidos ainda se encontravam por esta altura atrás da União Soviética, mas esta era uma oportunidade soberana para demonstrar que havia campos dessa exploração espacial em que a sua tecnologia já se superiorizara à dos rivais. Foi só depois desta data histórica que o conceito de transmissão televisiva em directo passou a ser globalizado, indiferente às distâncias, questão de uma mera fracção de segundos de atraso entre o que víamos que estava a acontecer em Tóquio quando comparado com o que acontecia em Roma. Olhando para as imagens abaixo das primeiras recepções, não deixará de provocar um certo sorriso irónico e nostálgico entre os veteranos da televisão dos anos 60 recordar a diligência inglória como ali se tenta ajustar a imagem, como tantas vezes terá acontecido com os seus próprios televisores lá de casa. Diga-se ainda que o acontecimento foi pretexto para o aparecimento de um êxito musical intitulado precisamente Telstar (mais abaixo).


A MORTE DE UM GENERAL AMERICANO NO VIETNAME

10 de Julho de 1972. Antes da invasão russa da Ucrânia de 2022, a morte de oficiais generais em combate era um fenómeno raro. Suficientemente raro para ser noticiado com destaque. Esta notícia, que assinala a morte do brigadeiro general norte-americano Richard Tallman de 47 anos (e não 48 como consta da notícia), especifica que, até aquela altura, os Estados Unidos haviam perdido no Vietname dez oficiais generais, seis deles em combate e quatro em acidentes. Os nomes da lista começam em Novembro de 1967 e prolongam-se pelos quatro anos e meio seguintes, precisamente o período em que o contingente de tropas norte-americanas no Vietname foi mais elevado. Não se sabia então, mas Tallman viria a ser o último daquela lista de seis oficiais generais americanos caídos em combate no Vietname em quatro anos e meio. Este ritmo contrasta com os números computados até agora entre o exército russo na invasão da Ucrânia: oito oficiais generais russos caídos em combate na Ucrânia em quatro meses e meio.

09 julho 2022

PROSADORES ANÓNIMOS, MAS INSPIRADORES

Se o tema for a a complexidade da identificação do género, há que admirar a concisão do autor anónimo do aviso à esquerda, quando em comparação com o desnecessariamente alongado artigo de opinião escrito por José Pacheco Pereira no Público de hoje, a propósito precisamente desse tema. Em primeiro lugar, mulheres são as do sexo feminino. E em segundo lugar, há dois sanitários e é óbvio quem vai aonde. Quem se quiser pôr com as mariquices de satisfazer as intimidades daquelas sexualidades todas, esses que construam a meia dúzia(?) de casas de banho públicas necessárias para tanta heterogeneidade de género...

O ADIVINHO (XV)

NÃO SE PODE DIZER QUE FOSSE UMA GRANDE SURPRESA...

...o conteúdo do discurso que o secretário-geral Walter Ulbricht proferia a 9 de de Julho de 1952, por ocasião da abertura da 2ª Conferência do SED (o SED era o partido dirigente da Alemanha Oriental; resultara da fusão forçada dos partidos comunista - KPD - e social-democrata - SPD - e onde a posição dos dirigentes do primeiro era obviamente preponderante). Dizia Ulbricht nesse discurso que acima vemos em foto, que, avaliadas as condições políticas e económicas da classe operária alemã naquele momento e considerando o amadurecimento da sua consciência de classe, a edificação do socialismo passava a ser possível na Alemanha Oriental, que «as grandes ideias do socialismo iriam ser realizadas finalmente na terra de Marx e Engels». Copiando os cânones soviéticos, a aposta para o desenvolvimento económico seria feita na indústria pesada e a produção agrícola devia ser colectivizada. E, como Stalin ainda era vivo, seria completamente impensável que o discurso de Ulbricht terminasse sem uma grande referência expressa ao georgiano: «Cabe a todas as forças progressistas aprender a construir o socialismo a partir da experiência da luta do Partido Comunista da União Soviética (bolcheviques) e do grande Stalin!» Estas coisas, por muito ridículas que hoje nos pareçam, existiram. Convém lembrá-lo também. Os discursos de Walter Ulbricht eram profusamente publicados e difundidos mas raramente escutados. Quando jovem, ele tivera difteria e, como consequência, tinha uma voz de falsete, irritantemente esganiçada, o que não era compaginável com estas suas proclamações pela «construção do socialismo» (Aufbau des Sozialismus).

08 julho 2022

COMO OS JORNAIS PODIAM ORGANIZAR O SEU NOTICIÁRIO PARA O TORNAR MAIS INTERESSANTE

É uma pena que os próprios jornais, que até dispõem das notícias originais, não façam aquilo que acabei de montar acima, um mosaico reunindo notícias do Público desta última semana, todas respeitantes a Mário Ferreira (note-se como ele aparece sempre referido nos títulos). Na mais antiga (esquerda), ficamos a saber que as empresas de Mário Ferreira são de «interesse nacional» e que o Banco de Fomento as vai capitalizar. Na segunda ficamos a saber não só que essa recapitalização é «estratégica», como também que a maioria dos capitais (52%) irão para essas tais empresas de Mário Ferreira. No dia seguinte, numa reviravolta que não sei se poderemos classificar também de estratégica, ficámos a saber que havia suspeitas de fraude fiscal por parte dessas ditas empresas de «interesse nacional». Havia buscas à sua documentação. E, na última notícia, era o omnipresente Mário Ferreira que era constituído arguido por «camuflar» lucros em certas operações de grande vulto, e assim evadir-se ao pagamento do respectivo IRC. Resulta engraçado o mosaico, embora reconheça que, lendo-o de enfiada, dá muito mau aspecto não contribuir devidamente para os fundos públicos quando se tem lucros, ao mesmo tempo que, por outro lado, se dera mostras inicialmente de ir tentar sacar o máximo desses fundos públicos ao Banco de Fomento... 

O ADIVINHO (XIV)

AS BODAS DE DIAMANTE DA HISTERIA DOS DISCOS VOADORES

8 de Julho de 1947. Nas duas últimas semanas, os Estados Unidos haviam entrado numa histeria noticiosa por causa dos discos voadores. A edição do Diário de Lisboa daquele dia continha uma pequena notícia de primeira página dedicada ao fenómeno das observações, que não eram acompanhadas de comprovação material do que se dizia ter sido observado. Mas, desconhecido dos leitores, esta data vai também ficar conhecida pelo aparecimento do mais famoso caso de discos voadores: o de Roswell

07 julho 2022

A DEMÊNCIA «KUBRICKIANA» DE BORIS JOHNSON

Ao desencantar esta última manobra política de última hora, de se demitir do cargo político, mas procurando preservar o governamental, Boris Johnson dá sugestões de um preocupante desequilíbrio mental, a fazer-nos lembrar algumas personagens perturbadas dos filmes de Stanley Kubrick (Alex, Leonard "Gomer Pyle", Jack Torrance). Observado fleumaticamente, tudo aquilo que está a acontecer politicamente em Londres só se reveste daquela embaraçosa amplitude porque Boris Johnson aparece convencido de que pessoalmente goza de um tal estatuto de impunidade, que a ele não se aplicam as regras tradicionais da política britânica, mesmo num país tão tradicionalista como o Reino Unido. Num país em que a tradição parlamentar estabelece que a rejeição de uma proposta governamental nos Comuns compromete automaticamente a sobrevivência do executivo e do seu chefe, Boris Johnson aparece-nos a brincar com a ideia de poder permanecer por mais três meses no nº10 de Downing Street, sem qualquer perspectiva de receber apoio parlamentar! É delirante, só equivalente a Donald Trump e à sua recusa em aceitar os resultados eleitorais de uma eleição, apenas porque a perdeu (e assim não vale!...). Para mim é inexplicável esta tendência mediática moderna de tentar dar uma aparência de normalidade política a comportamentos que só se explicam pelo que não pode deixar de ser um desequilíbrio mental. Noutras circunstâncias é penoso; nestas, para além disso, pode ser perigoso...

O ADIVINHO (XIII)

O ENXERTO DE PORRADA QUE ALGUNS AGENTES DO KGB ARREARAM NO JORNALISTA PORTUGUÊS CARLOS FINO

7 de Julho de 1982. Uma das notícias desse dia foi uma agressão pela polícia soviética de que havia sido vítima o jornalista Carlos Fino em Moscovo. O assunto tinha alguma repercussão, dado que Carlos Fino era uma cara familiar à maioria dos portugueses, já que ele desempenhava as funções de correspondente da RTP naquela cidade, de onde enviava trabalhos com alguma regularidade a respeito da actualidade soviética (acima). Carlos Fino instalara-se originalmente em Moscovo através das conexões com o Partido Comunista Português de que era/fora militante. Era também correspondente em Moscovo de outros órgãos de comunicação social portugueses. E o episódio por que passara fora particularmente violento: fora inicialmente detido, agredido, transportado para um centro de detenção e novamente agredido, mesmo depois de invocar a sua condição de jornalista estrangeiro acreditado junto das autoridades soviéticas que o haviam detido. Se o episódio é sério, já o é muito menos os esforços que vemos desenvolvidos pela comunicação social pró-comunista portuguesa para minorar a gravidade do incidente. Uma hipocrisia que é agravada pelo facto de, na circunstância, os factos se apresentaram ao contrário da narrativa dominante entre os comunistas. O Diário de Lisboa do dia seguinte faz esta habilidade (abaixo) de fazer preceder a notícia da agressão a Carlos Fino por uma outra, de uma iniciativa de uma organização de jornalistas considerada uma «extensão de Moscovo» (OIJ - Organização Internacional de Jornalistas) que enviara um telegrama ao primeiro-ministro português de «profunda inquietação» por «cinco jornalistas da Televisão portuguesa» serem «alvos de acusações injustificadas pela sua actividade profissional e» estarem «ameaçados de despedimento». Notoriamente, essa «inquietação» pelo processo administrativo aos «cinco jornalistas da Televisão portuguesa» recebera prioridade de tratamento informativo sobre o enxerto de porrada que o KGB pregara a outro jornalista dessa mesma Televisão portuguesa. Eloquente, do ponto de vista da desinformação. Mas até mesmo a própria notícia que dá conta daquilo que acontecera a Carlos Fino vale a pena ser parcialmente reproduzida para ser intercalada com alguns comentários pertinentes dando realce a esse continuado esforço de desinformar.
A agressão de que foi vítima em Moscovo o jornalista português Carlos Fino, conforme noticiámos na nossa edição de ontem (mentira: não haviam noticiado...), continua a suscitar reacções e protestos, provenientes das mais diversas origens. Depois do sindicato dos jornalistas, que lamentou a agressão e fez votos para que o jornalista se restabeleça rapidamente, embora aguarde pormenores de ambas as partes acerca do sucedido para tomar posição (é preciso ser equidistante: se calhar, ainda se poderia vir a descobrir que Carlos Fino merecera levar porrada...) (...) Carlos Fino seguiu ontem à tarde para Helsínquia, onde provavelmente terá que ser operado ao testículo direito, seriamente lesionado em resultado de duas joelhados nos órgãos genitais aplicadas por um funcionário da policia soviética (qual das polícias? A milícia? O KGB? Não havia ainda qualquer nota oficial emitida pelas autoridades soviéticas? E porque não?).A intervenção cirúrgica tornou-se quase inevitável, em virtude de um agravamento do estado de saúde do jornalista nas últimas horas. (ora cá está um detalhe que iria atrasar "sobremaneira" aqueles primeiros votos de rápido restabelecimento formulados pelos seus camaradas do sindicato...)

Carlos Fino viria a estar internado mais de duas semanas num hospital de Helsínquia, manifestando, no caso, ele que até fora para a União Soviética por ser comunista, uma preferência muito pouco ortodoxa pela medicina praticada nos países capitalistas (ou seja, depreende-se que, para Carlos Fino, Marx e Engels seriam pessoas muito respeitáveis, mas os seus tomates não tinham nada a ver com ideologia, eram um assunto para ser levado verdadeiramente a sério...).

06 julho 2022

O BORIS JOHNSON ORIGINAL, O «NOSSO BORIS JOHNSON PIONEIRO» DE HÁ 18 ANOS, E A INICIATIVA PREMENTE DE LUÍS MONTENEGRO DE IR «RECUPERAR» ESTE ÚLTIMO PARA O PSD

É quase impossível assistir a todas as vicissitudes que têm acompanhado o desempenho de Boris Johnson no seu cargo de primeiro-ministro britânico, sem nos lembrarmos do precedente de há 18 anos que foi protagonizado em Portugal por Pedro Santana Lopes. Num e noutro caso, havia broncas todas as semanas. Era (e é) uma animação noticiosa que não se traduzia em eficácia governativa.
E é dominado por essa associação óbvia que me pergunto qual terá sido a urgência de Luís Montenegro em convidar o mesmo Pedro Santana Lopes a regressar ao PSD. O homem é um dos embaraços maiores da história do partido e foi-se embora de sua livre vontade. Recebeu uns míseros 40 mil votos em todo o país, nas últimas eleições a que se apresentou. Será assim tão importante e tão urgente ir buscá-lo?
A ponto de Santana Lopes se armar em caro e soprar a notícia para os jornais?...

O ADIVINHO (XII)

O BRASIL, ESSE GRANDE PAÍS, ONDE O QUE ACONTECE NUMA CIDADE NÃO INTERFERE COM O QUE ACONTECE NAS OUTRAS

6 de Julho de 1922. O destaque das notícias desse dia ia para o grandioso acolhimento que os aviadores portugueses Gago Coutinho e Sacadura Cabral haviam recebido na cidade de São Paulo. Pormenor adicional, que era noticiado um pouco mais abaixo, eclodira uma tentativa de golpe de Estado no Rio de Janeiro, que era então a capital brasileira. A revolta fora sufocada, embora tivesse sido preciso - e isso a notícia já não dizia - bombardear o forte de Copacabana para expulsar os insurrectos. Um século depois foi precisamente essa mesma Copacabana, no Rio de Janeiro, que assistiu à banhoca de praia de Marcelo devidamente acompanhado do ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva (que isto dos banhos de praia é uma actividade muito cultural!). Se a dupla festivaleira era essa (por analogia à dupla dos dois aviadores), a questão protocolar do cancelamento do almoço na longínqua Brasília com o presidente brasileiro afigurou-se-me um assunto tão colateral para as notícias portuguesas, quanto o foi a intentona de há cem anos.

05 julho 2022

UMA INDEPENDÊNCIA SEM CERIMÓNIAS

5 de Julho de 1962 e terminando um ciclo de evocações associadas aos acontecimentos que conduziram à independência da Argélia, refira-se, à despedida, como essa independência se fez sem quaisquer cerimónias. Como se lê na notícia acima, Christian Fouchet, que fora nos últimos três meses e meio o alto-comissário francês na Argélia, apanhou o avião e foi-se embora. Por norma, como relembrámos aqui muito recentemente em relação aos britânicos ao sair de Hong-Kong, as potências coloniais faziam questão de partir em estilo. Contudo, houve outras vezes em que as circunstâncias políticas e também militares não permitiram nem recomendavam grandes cerimónias. Aconteceu a Portugal no caso angolano, a 11 de Novembro de 1975. Já havia acontecido aos britânicos no Iémen em 30 de Novembro de 1967. E, como se comprova acima, houvera este caso inicial dos franceses na Argélia em Julho de 1962. A grande diferença será que, tanto franceses e ingleses serão excelentes a abafar estes episódios - se não os apontarmos, como aqui estamos a fazer, nem se dá por eles. Entre nós, pelo contrário, parece ser virtude denunciá-los quando acontecem connosco. O caricato é quando a crítica é ainda rematada pelo desabafo: «Só neste país...»

O ADIVINHO (XI)

HÁ 90 ANOS SALAZAR TOMAVA POSSE COMO PRESIDENTE DO CONSELHO

5 de Julho de 1932. Há precisamente noventa anos Salazar tomava posse como presidente do Conselho, acumulando com a pasta das Finanças. Uma das curiosidades menos conhecidas sobre a presença de Salazar à frente do governo é que, apesar de ter ocupado o cargo por mais de 36 anos (de Julho de 1932 até Setembro de 1968), ele apenas chefiou três executivos: este primeiro durou menos de um ano, desde Julho de 1932 até Abril de 1933, por causa da transição do regime de ditadura para o regime constitucional da Constituição de 1933; houve um segundo que durou menos de três anos, entre Abril de 1933 e Janeiro de 1936; e o terceiro, pelo contrário, manteve-se em funções desde Janeiro de 1936 até à demissão em Setembro de 1968: mais de 32 anos e meio! Do elenco deste último, o único membro constante foi só mesmo o chefe de governo. Ministros do Interior, por exemplo, houve oito, o que, feitas as contas, até foi uma rotação relativamente calma, pois corresponde a uma ocupação média do cargo por quatro anos. Foram anos em que tudo acontecia muito devagar.

04 julho 2022

QUANDO A FESTA DO AVANTE! ERA À «IDA PARA FÉRIAS» E NÃO NA «RENTRÉE» DE PRINCÍPIOS DE SETEMBRO

Ele há tradições que parecem ser de sempre... e simplesmente não são. Há precisamente 40 anos, 4 de Julho, princípio das férias, os comunistas realizavam o comício de encerramento da sua festa do Avante!, naturalmente centrado no discurso de Álvaro Cunhal. Não interessa o que disse, o tempo veio demonstrar que, tanto na forma como no conteúdo, Álvaro Cunhal era mau comunicador, daí o epíteto de cassete. O que importa é recordar que, no dia seguinte, e com uma deferência expectável, o Diário de Lisboa lá dedicava uma página (quase) inteira à mensagem que o PCP pretendera passar antes do pooovo ir de férias. O resto ia para o anúncio dos novos indicativos dos CTT/TLP.   

O ADIVINHO (X)