19 de Novembro de 1919. Por uma primeira vez o Tratado de Versailles é discutido no Senado dos Estados Unidos. O Senado (96 membros) possuía uma maioria republicana (enquanto o presidente Woodrow Wilson era democrata) e os senadores distribuíam-se, grosso modo, por três grupos: os que estavam dispostos a ratificar o Tratado (quase todos democratas e sintonizados com o presidente), os denominados irreconciliáveis (sobretudo republicanos mas também alguns democratas do Sul), que nunca votariam favoravelmente a sua ratificação, e os reservacionistas moderados (todos republicanos), um bloco pequeno (9 senadores) mas influente, que se dispunham a vir a ratificar o Tratado de Versailles desde que a adesão norte-americana contivesse algumas cláusulas de reserva. Aquela ratificação iria necessitar de um consenso, já que precisaria de uma maioria qualificada de ⅔ (64 senadores), só que Woodrow Wilson, que participara pessoalmente em Paris em muitos aspectos da elaboração do Tratado, mostrava-se indisponível para contemporizar com a facção dos reservacionistas, encabeçada pelo decano do Senado, o senador Henry Cabot Lodge do Massachusetts. Foi a proposta deste último, contendo quatorze reservas ao Tratado de Versailles que foi votada, e que foi derrotada há cem anos, pela oposição combinada dos democratas alinhados com o presidente Wilson com os irreconciliáveis. Foi uma vitória pírrica do presidente. Preso à cama em consequência de uma apoplexia que o deixara paralisado do lado esquerdo, fica a dúvida se Woodrow Wilson estaria na posse inteira das suas faculdades quando se engajou neste enfrentamento político do qual não podia esperar resultados positivos. No final, os Estados Unidos não ratificaram o Tratado de Versailles, nem na versão linear desejada por Wilson, nem na versão com reservas apresentada por Lodge.
19 novembro 2019
A INAUGURAÇÃO DO MUSEU DO PRADO
19 de Novembro de 1819. É considerada a data da abertura ao público do Museu do Prado. O Google também escolheu o dia para evocar o bicentenário.
18 novembro 2019
ASTÉRIX - A ZARAGATA (III)
Talvez por se estar a aproximar a época, apetece dizer que o carácter previsível da festa de aniversário de Abraracourcix, conjuntamente com os formalismos que o acompanham, fazem lembrar os jantares de Natal da empresa.
CEREJEIRA, O CARDEAL PATRIARCA
18 de Novembro de 1929. Quase a completar os 41 anos, Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977) é nomeado patriarca de Lisboa. Demonstração da elevada consideração em que é tido no Vaticano, logo no mês seguinte é elevado à dignidade de cardeal pelo papa Pio XI (foto acima). Até 1946, e apesar das nomeações de Pio XI e de Pio XII, o cardeal português permaneceu o cardeal mais novo do colégio de cardeais. Durante o período de vigência do Estado Novo (1933-1974), as suas aparentes relações próximas com Salazar (abaixo) serviram, durante muito tempo, de demonstração de uma cumplicidade íntima entre a Igreja e o Estado. A investigação histórica de há uns dez anos para cá, tem, contudo, demonstrado que talvez não fosse bem assim, que os conflitos entre as duas partes foram muito bem dissimulados, naquele jeito que os príncipes da igreja tanto gostam.
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17 novembro 2019
ASTÉRIX - A ZARAGATA (II)
Uma das raras vezes em que os autores atribuem um mérito a Júlio César: tem o sangue-frio para não se deixar manipular por Detritus.
16 novembro 2019
ASTÉRIX - A ZARAGATA (I)
A pretexto da publicação do último álbum de Astérix, A filha de Vercingétorix, a nostalgia atacou-me e, durante os próximos quinze dias, ao ritmo de três pranchas diárias, vou recuperar um dos clássicos da série, A Zaragata (La Zizanie, no original) de 1970, e que eu conheci pela primeira vez no Verão de 1972 nesta mesma versão que aqui exibo. Tullius Detritus (é a personagem que acima se vê, esfregando as mãos entre Astérix e Obélix e que tem o condão de fazer grassar a discórdia à sua volta) é uma das criações geniais de René Goscinny. Muitas vezes depois vim a encontrar pessoas que emulavam aquela caricatura.
15 novembro 2019
O PRP FOI UMA ORGANIZAÇÃO DE MAFIOSOS
15 de Novembro de 1979. O PRP (Partido Revolucionário do Proletariado) executa um dos seus membros por causas que a notícia apenas deixa à especulação. (Uma especulação potenciada pela identificação da vítima na notícia como tesoureiro da organização). O que não era especulativo era a forma como os operacionais (revolucionários proletários) haviam abatido a vítima, com um processo de execução que não se distinguia de modo nenhum de um ajuste de contas entre mafiosos: três tiros a pouca distância. Só que, ao contrário do que costuma acontecer com as execuções entre mafiosos, no caso do ex-tesoureiro do PRP nem uma só fotografia do assassinato aparecia no jornal*... O assassinato foi um assunto rápida e activamente esquecido, suplantado no interesse jornalístico pela campanha eleitoral que começara. Passaram-se entretanto quarenta anos e deve ser por isso que Isabel do Carmo, dirigente carismática e de topo do Partido Revolucionário do Proletariado - Brigadas Revolucionárias e que naquela época estava justamente presa por terrorismo contra o Estado Democrático, anda extremamente esquecida destas características mafiosas dos membros do partido (chamemos-lhe assim...) e das brigadas que dirigiu. É pacífico reconhecer agora que foi uma péssima ideia ir recrutar a ralé para fazer a revolução. Mas os jornalistas de agora também são culpados de a entrevistarem sem esclarecerem o assunto, deixando-a esquecer-se desses pormenores. Ela não pôs a hipótese de matar ninguém, mas houve quem pusesse mais do que a hipótese por ela.
* Pode-se estabelecer um contraste directo entre esta cobertura e a que o mesmo Diário de Lisboa havia dado três meses antes a um outro ajuste de contas mafioso, só que aí entre operacionais do MDLP de extrema direita, outro clã de escroques. O jornal deu-lhe um título muito mais destacado, muito mais desenvolvimento da notícia, que se prolongou até pela edição do dia seguinte, com fotografias, etc.
14 novembro 2019
QUANDO O REGIME COMUNISTA CHINÊS ANUNCIOU QUE IRIA RESPEITAR A INTEGRIDADE DE MACAU
14 de Novembro de 1949. Desta vez o Diário de Lisboa podia falar daquilo que até aí fora um tema tabu na imprensa: o destino de Macau perante o avanço das tropas comunistas. Podia fazê-lo porque as notícias se apresentavam positivas, o que era um alívio para o governo português, que assistia impotente ao desenrolar dos acontecimentos. Os «chefes comunistas» faziam declarações em que se mostravam dispostos a respeitar a fronteiras das duas colónias (Hong-Kong e Macau), embora, mais adiante, se percebesse que isso tinha o preço das administrações coloniais não apoiarem as forças nacionalistas: «Os aviões e navios nacionalistas não podem reabastecer-se em Hong-Kong», lia-se no desenvolvimento da notícia, escamoteando mais uma vez que essa restrição acontecia também com Macau. Mas, a envergonhada discrição portuguesa a respeito de todo o problema, contrastava, com vantagem, com uma atitude exagerada de confrontação dos britânicos (abaixo), que, de tão exagerada, nem chegava para convencer os informados entre a sua própria opinião pública.
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13 novembro 2019
O JORNALISMO E AS PREFERÊNCIAS PELOS ARTISTAS
Ao contrário da do Diário de Notícias e da do Observador, a notícia do Público é sobre Carlos do Carmo, apesar do nome daquele que irá ser hoje agraciado com o Grammy ser José Cid. As preferências pelos artistas deviam coisa independente de noticias, mas quem escreve sobres estes assuntos no Público é que não percebe a diferença...
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O PRÍNCIPE HANS ADAM II
13 de Novembro de 1989. Com a morte do pai, o príncipe Hans Adam II (1945- ) torna-se o soberano do Liechtenstein. A versão traduzida do nome do monarca, a preferida pelos puristas, tem uma ressonância um pouco cacofónica: João Adão II. É sempre interessante aproveitar estas efemérides para falar de países que, pela sua pequena dimensão, costumam ser pouco noticiados e, por isso, são pouco conhecidos. Aprecie-se abaixo o que pode acontecer quando, num concurso de cultura geral, se pergunta qual o nome da capital...
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12 novembro 2019
O AFUNDAMENTO DO TIRPITZ
12 de Novembro de 1944. Afundamento do couraçado Tirpitz num fiorde norueguês. Irmão-gémeo do Bismarck, mas muito menos famoso do que ele, o grande navio representou, como alvo, um grande entretém da Royal Navy, que não descansou enquanto não o afundou. Quando o conseguiu, neste dia de há 75 anos, já a questão da supremacia naval no Atlântico deixara de ser tema e os combates (terrestres e decisivos) na Frente Ocidental já se desenrolavam há uns bons cinco meses (desde o dia D) e já se haviam deslocado para bem perto da fronteira alemã. Feita uma apreciação distanciada, o Tirpitz terá representado mais, afundado, para a moral dos britânicos, do que como máquina de guerra para os alemães.
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A PROMULGAÇÃO DA LEI DA MODERNIZAÇÃO DOS SERVIÇOS FINANCEIROS NOS ESTADOS UNIDOS
12 de Novembro de 1999. A Administração Clinton promulga uma lei anteriormente aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos e que contempla a liberalização das actividades bancárias que estivera restrita a operar, até então, em três ramos distintos: banca comercial, banca de investimentos e seguradoras. A Lei recebeu a denominação coloquial dos seus três proponentes, o senador Gramm do Texas e os representantes Leach do Iowa e Bliley da Virgínia (na fotografia, por essa mesma ordem, da esquerda para a direita). Foi um daqueles acontecimentos que não mereceu o amplo destaque noticioso que as consequências do mesmo mereceriam. A Lei Gramm-Leach-Bliley era um desejo de há muito do lóbi bancário e vinha revogar restrições estabelecidas pelo mesmo Congresso em 1933, quando da Grande Depressão. Na época, e perante a falência de inúmeros bancos e seguradoras, e como os porões de um navio a alagarem-se, julgara-se conveniente tornar estanques os vários ramos da actividade financeira, procurando com isso acautelar as consequências do colapso encadeado das instituições financeiras. Há 20 anos considerou-se que isso já se tornara numa longínqua ameaça, que perdera o sentido. Prematura conclusão: a crise do subprime do Outono de 2008, menos de 10 anos transcorridos, virá a demonstrar quanto a especulação descontrolada no sector do imobiliário norte-americano se podia propagar ao resto de um sistema bancário que, por causa das fusões, passara a ser formado por instituições tão grandes. Por se terem tornado tão grandes, deixara de existir a hipótese de as deixar colapsar, impondo-se a intervenção do Estado para as salvar - com isso, consagrar-se-á a expressão "too big to fail", que abaixo vemos a ser empregue como título num filme de 2011 a respeito deste enorme paradoxo moderno.
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11 novembro 2019
A «INSPIRAÇÃO» DA LEI DE IMPRENSA EM ESPANHA
A edição de há cinquenta anos do Diário de Lisboa incluía um desenvolvido artigo (pp. 3/4) a respeito da lei de imprensa que então vigorava em Espanha. O autor do texto era Adelino Amaro da Costa, que viria a ser vice-presidente do CDS dali por cinco anos, nessa altura em que escrevia ainda com 26 anos. A lei de imprensa espanhola, que fora aprovada três anos e meio antes, por proposta de Manuel Fraga Iribarne, era então tida como um embrião de abertura do regime (franquista), já que suspendera a censura prévia, a obrigatoriedade de apresentar as publicações antes da sua edição, como então ainda acontecia em Portugal. Mas «a abertura para a liberdade de expressão» (para recuperar a expressão empregue por um entusiasmado, mas ingénuo Adelino Amaro da Costa), já era muito pouco e muito tarde para salvar a reputação da abertura marcelista. O que não aparecia escrito no artigo era que o caminho que viera a ser trilhado em Espanha chegara a um beco sem saída: o próprio Manuel Fraga abandonara o governo duas semanas antes, e o diário «Madrid», cuja entrevista com o director serve de suporte ao entusiasmado artigo acima de Amaro da Costa, irá ser encerrado pelas autoridades espanholas dali por dois anos. Para jovens ambiciosos próximos da Opus Dei, como era o caso de Adelino Amaro da Costa, não era nada fácil preconizar reformas para os dois regimes monolíticos da península naqueles tempos - sobretudo porque as poucas que se tentavam implementar ou ficavam no papel ou retrocediam...
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10 novembro 2019
AS REACÇÕES DIPLOMÁTICO-JORNALÍSTICAS AO ATENTADO A ADOLF HITLER
10 de Novembro de 1939. Quem lesse as páginas centrais da edição desse dia do Diário de Lisboa ia ter uma panorâmica alargada do que haviam sido as reacções diplomáticas e jornalísticas das diversas capitais ao atentado que tivera por alvo Adolf Hitler. Não surpreende que os alemães destacassem as mensagens de apoio que haviam sido recebidas do seu principal aliado, a Itália. Menos previsíveis mas mais compreensíveis, pensando a delicadeza da posição holandesa na cena internacional, eram as felicitações que haviam enviadas pela soberana holandesa, Guilhermina. Canónicas, as felicitações do papa Pio XII vindas do Vaticano. Quanto aos americanos, socorriam-se de uma formalidade para não se pronunciarem sobre o assunto. Enquanto isso, a ausência de comentários em Madrid constituía uma verdadeira surpresa. Comentários esses, que abundavam em Londres, descartando as acusações que Berlim fizera aos britânicos e aos judeus e atribuindo a autoria do atentado, caso ele não tivesse sido encenado, aos próprios oposicionistas alemães. Esse mesmo género de comentário, foi causa da apreensão de um jornal socialista em Bruxelas, as autoridades belgas terão temido que os alemães se aborrecessem. Quanto à opinião da outra esquerda, a totalitária, em Moscovo exprimia-se «pesar e indignação» pelo atentado, acompanhados da «satisfação» por Hitler ter «escapado ao mesmo».
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09 novembro 2019
UM DESMENTIDO CANHESTRO, COMO SÓ OS COMUNISTAS SE ATREVEM A FAZER
Corre o mito urbano que a queda do Muro de Berlim ocorreu sem que o Neues Deutschland, o jornal oficial do regime e do partido comunista alemão, tivesse noticiado nada. Quem se quisesse inteirar do que acontecera na própria capital da República (dita) Democrática Alemã no dia seguinte ao da queda do Muro, não iria encontrar nem uma única referência ao assunto (edição da esquerda) na primeira página daquele jornal. Mas, como é bom de ver, qualquer marxista-leninista arranja uma explicação, por mais canhestra que seja, para o facto: como os acontecimentos ocorreram bastante tarde, a edição já fora para a gráfica. E ninguém se lembrou de publicar uma edição especial, para não abusar do descanso dos trabalhadores! No dia seguinte, e desmentindo o mito urbano que corre, a edição do dia 11 de Novembro do Neues Deutschland (acima, à direita) já dá destaque de primeira página ao que acontecera dois dias antes, conforme se percebe pelo quadradinho assinalado a vermelho... Agora mais a sério: é sempre revigorante assinalar um dos dias da DERROTA de uma GRANDE MENTIRA!
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UEDS - A SIGLA DA «ESQUERDA CHIQUE» DE HÁ QUARENTA ANOS
9 de Novembro de 1979. Em antecipação às eleições legislativas intercalares que se iriam realizar no próximo dia 2 de Dezembro, o Diário de Lisboa fazia a apresentação dos cinco jornalistas que iria destacar para acompanharem as campanhas das principais formações políticas. Logo a ordem como as apresentava, esquecendo a representatividade parlamentar, assemelhava-se a um endosso: começava pelo PS (que fora o partido mais votado e que obtivera 107 lugares nas eleições de 1976), passava para o PCP à sua esquerda (40 lugares), guinava à direita com a AD (coligação entre o PSD e o CDS, com 73 + 42 lugares e as segunda e terceira maiores representações parlamentares), para guinar outra vez para a extrema esquerda, onde se situava a quarta e penúltima formação que iria ser acompanhada por um jornalista do DL, a UDP (com 1 único deputado). Fora desta lógica ilógica dos partidos com representação parlamentar, aparecia a UEDS, uma formação política recente, constituída por dissidentes de esquerda do PS, que o jornal considerara merecedor de uma atenção especial, apesar de ela nunca ter sido submetida a votos. Mais do que isso: nas páginas interiores daquela mesma edição, multiplicavam-se as notícias sobre iniciativas da, e patrocínios à, UEDS. Como então era assaz comum, circulava até um manifesto de apoio àquela formação em que os que o assinavam eram para ser todos considerados intelectuais. Quarenta anos passados, muitos desses subscritores já faleceram mas podem-se ali encontrar nomes da esquerda chique que ainda nos são familiares de outras esquerdas chiques, como é o caso de Boaventura Sousa Santos. Foi uma aposta jornalística deste jornal (mas não só, já que foi acompanhada por muita da opinião publicada) que não vingou: no dia da verdade a UEDS recolheu uns parcos 43.300 votos (0,7%). Desnecessário dizer que não elegeu nenhum deputado. O eleitorado concedeu uma humilhação final ao faro político dos entendidos (ainda não havia politólogos...) ao darem votações superiores a duas formações políticas com quem eles não engraçavam nada, o PDC de extrema-direita (72.500 votos - 1,2%) e o MRPP de extrema-extrema-esquerda (53.300 votos - 0,9%). Ainda havia que esperar mais 20 anos para que a esquerda chique (e de que os jornalistas gostassem...) entrasse no parlamento.
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08 novembro 2019
AS NOTÍCIAS DO DIA EM QUE TENTARAM ASSASSINAR ADOLF HITLER
8 de Novembro de 1939. As notícias daquele dia (jornal da esquerda) eram dominadas pela iniciativa conjunta dos soberanos dos Países Baixos (Guilhermina) e Bélgica (Leopoldo III), num apelo à paz que era endereçado aos três países beligerantes: (por ordem alfabética) Alemanha, França e Reino Unido. (É espantoso lembrar que uma Guerra que virá a ser classificada de Mundial envolvia nessa altura tão poucos países...) Na própria página que a noticiava, um artigo ao lado perguntava cinicamente se «a iniciativa de Haia fo(ra) sugerida pelo (III) Reich ou pelo receio duma próxima ofensiva?» (desse mesmo Reich, subentenda-se) Todavia, a verdadeira notícia desse dia 8 de Novembro de 1939 ainda não acontecera quando o Diário de Lisboa chegara às bancas ao fim da tarde. Nessa noite, Adolf Hitler escapará a um bomba que fora colocada na cervejaria de Munique onde se celebrava o aniversário do seu putsch de 1923. A bomba causou 8 mortos e provocou 63 feridos, mas falhou o seu alvo (fotografia abaixo). A edição do dia seguinte do mesmo Diário de Lisboa esqueceu por completo o «ramo de oliveira» belga-holandês do dia anterior e concentrava toda a sua atenção em noticiar o atentado e especular sobre quem quisera assassinar Adolf Hitler. Continuando (ou retribuindo?) o cinismo do dia anterior, lia-se num subtítulo que «na Holanda ha(via) quem responsabiliz(ass)e a "Gestapo"». Hoje sabe-se quanto o gesto dos dois monarcas se viria a revelar inconsequente: ambos os países serão invadidos e ocupados pela Alemanha a partir de Maio de 1940.
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07 novembro 2019
A MINHA DIVERGÊNCIA QUANTO À RAZÃO PRINCIPAL PARA A NOSSA NÃO CONVERGÊNCIA
A pretexto de assinalar os trinta anos da queda do Muro de Berlim, o Le Monde publicou um artigo muito interessante onde se evidenciam as diferenças que continuam a substituir entre as duas antigas Alemanhas. Um encadeado de mapas, que cobrem indicadores sociais e económicos que vão da crença em Deus ao número de automóveis em circulação mostram uma discrepância nítida e ainda actual entre wessies e ossies. Mas o gráfico e mapa que mais me interessaram naquele artigo foi este que exibo acima e que mostra a diferença de rendimentos entre as duas Alemanhas. Mais do que a sua subsistência, o facto de que essa diferença (média) se tem vindo a ampliar: era um pouco superior a 2.000 € em 1997 e é de 3.600 €, de acordo com os últimos dados disponíveis (2016). Nitidamente, nestes últimos 30 anos, as antigas regiões da RDA não têm convergido com as do resto da Alemanha. E esta é uma conclusão pertinente para justapor a um estudo do Banco de Portugal que foi apresentado há menos de um mês por Carlos Costa (abaixo) em que se apresentavam uma data de causas - ineficiência do sistema judicial, reduzida dimensão das empresas, fraca qualidade da gestão empresarial, baixo investimento em inovação - para que a economia portuguesa não convergisse «com a Europa».
Pois bem, tão disparatado me parece ser o excesso de auto-indulgência quanto, neste caso de Carlos Costa, será o excesso de auto-martirização. As razões apontadas por Costa parecem-me importantes, mas serão as primordiais? É que, neste caso da Alemanha, o sistema judicial é até o mesmo, e com o desaparecimento da fronteira interna, a questão da dimensão das empresas, da sua gestão e da sua política de investimentos tornaram-se comuns aos dois lados: praticamente todas as antigas empresas estatais da RDA foram compradas por congéneres da Alemanha Federal. As explicações de Carlos Costa não podem explicar o que justifica o facto de a antiga RDA permanecer substancialmente mais pobre do que a antiga RFA. E será que essas explicações serão o factor principal para aquilo que acontece em Portugal? Tenho muitas dúvidas. Talvez porque a Alemanha unificada e, por maioria de razão, a União Europeia, sejam estruturas que não têm quaisquer preocupações em assegurar a tal de convergência entre quem a compõe. Não será bonito de reconhecer, mas é verdadeiro: se os alemães de Oeste não se preocupam com a convergência de rendimentos dos seus compatriotas do Leste porque o hão-de fazer com estrangeiros como nós? Que tal Carlos Costa encabeçar as suas análises com essa sã evidência? Por ser politicamente incorrecta? É que assumir isso não interferiria com a atitude que devemos adoptar para tentar ultrapassar o nosso atraso mas, ao menos, deixamos de andar a dizer asneiras... Recorde-se que o muro de Berlim caiu há trinta anos e que Portugal aderiu à CEE há trinta e três.
A INAUGURAÇÃO DO MUSEU DE ARTE MODERNA DE NOVA IORQUE
7 de Novembro de 1929. Inauguração do Museu de Arte Moderna (mais conhecido pelo acrónimo MoMA) de Nova Iorque. Acima, pode apreciar-se o catálogo dessa inauguração, que, por ironia, teve lugar pouco mais de uma semana depois do histórico colapso da Bolsa daquela mesma cidade.
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