11 fevereiro 2012

OS SUCESSOS ONOMATOPAICOS DOS FESTIVAIS DA EUROVISÃO


Uma das canções co-vencedoras do Festival da Eurovisão de 1969 foi a da concorrente inglesa Lulu cujo título era um esclarecedor Boom Bang-a-Bang.

Seis anos depois (1975) foram os holandeses de um conjunto chamado Teach-In que venceram o certame com uma canção instrutivamente intitulada Ding-a-Dong.

Passados nove anos, em 1984 a vitória foi para os suecos do conjunto Herrey´s com Diggy-loo Diggy-lei numa homenagem ao seu compatriota Cozinheiro nos Marretas

Mas a melhor canção onomatopaica de sempre terá sido a esquecida participação monegasca de 1967, cantada por Minouche Barelli e apocalipticamente intitulada Boum-Badaboum

CONSIDERAÇÕES BOBÓNICAS* SOBRE OS ANTÚRIOS

Digam-me o que disserem, continuo a achar que não são precisos prodígios de imaginação para se perceber porque é que, mesmo sendo muito coloridos, não se devem oferecer antúrios a ninguém… Muito menos a uma senhora…
* Bobónico: adjectivo extraído de Bobone, Paula (1945- ), socialite portuguesa, autora de vários livros sobre etiqueta e boas maneiras.

10 fevereiro 2012

A MINHA NAMORADA ATÉ FALA ESTRANGEIRO

Ver portugueses a empregar o inglês para se referirem a citações atribuídas a franceses é algo que me parece inexplicável. Como norma destas situações, ou se recorre ao idioma original ou então à versão devidamente traduzida. Recorrer a um terceiro idioma só pode ser levado à conta de um requinte pretensioso. Mas de um pretensiosismo saloio, como aquele que foi evocado por Carlos Tê quando criou a letra para A Minha Namorada Até Fala Estrangeiro

OPERÁRIOS, CAMPONESES, SOLDADOS E MARINHEIROS

É possível que já me tenha referido ao tema no blogue. Mas quando Pedro Santana Lopes atirou na cara de Fernando Rosas a sua condição de antiga vanguarda esclarecida dos tempos do PREC é impossível não nos recordarmos o quão obtusas eram afinal as vanguardas desse período, a ponto de usarem o linguajar apodrecido da Revolução de 1917 (acima: Operários e Camponeses, Soldados e Marinheiros, Unidos Venceremos!) mas sem se aperceberem o que as sociedades haviam evoluído nesses 57 ou 58 anos.
Eles eram murais e manifestações e cartazes apelando a operários e camponeses (acima), que esqueciam a importância crescente do sector terciário, o dos serviços, que já então representava mais de um terço de todos os trabalhadores portugueses… Ou então eram canções e discos dedicados aos soldados e marinheiros (abaixo) de exércitos e armadas de uma outra era, antes do aparecimento da aviação e da constituição da Força Aérea como um terceiro ramo autónomo das Forças Armadas…

A TIA DO FERNANDO ROSAS

Fernando Rosas costuma aparecer disfarçado na televisão com o seu cabelo branco farto e os suspensórios, que são tudo sinais de uma personalidade bonacheirona que ele não tem. Aliás, considero-o uma personalidade suficientemente dissimulada para nem me ter atrevido a adivinhar de que forma ele teria decorado a letra do hino O Oriente é Vermelho nos seus tempos épicos de maoismo no MRPP…

Quanto a Pedro Santana Lopes, o Pedro foi um péssimo primeiro-ministro mas tornou-se uma excelente estrela televisiva, com aquela dose de imprevisibilidade que congrega audiências. Serão audiências de um tipo não particularmente denso quanto ao intelecto mas são das expectáveis num programa que tem por anfitriã uma verdadeira tia (das legítimas que dizem: Então é assim!) na pessoa de Constança Cunha e Sá.

A HERANÇA DE LUIS XVII

Luís XVI foi guilhotinado em 21 de Janeiro de 1793. Claro que esta cabeça acima não é a original mas apenas uma reprodução baseada na sua máscara funerária e que está em exibição no Museu de cera de Madame Tussaud. Mas, na sua faceta de faz-de-conta é singularmente apropriada para ilustrar a tradição de ficção que se gerou a partir daquele acontecimento. Recorde-se que à data da sua execução, os poderes reais de Luís XVI haviam desaparecido como consequência do estabelecimento da República francesa em Setembro de 1792.
No seguimento, os exilados monárquicos proclamaram rei o único filho do executado com o nome de Luís XVII (acima, um retrato seu de 1792). O pretenso rei tinha então oito anos – o que não era inédito em monarcas – mas encontrava-se prisioneiro desse mesmo regime republicano que executara seu pai. Comprovando-se que nem mesmo como símbolo a criança era um activo politicamente importante, ainda hoje está envolta em controvérsia a data e as circunstâncias da sua morte, que terá ocorrido mais provavelmente em Junho de 1795.
O que é importante é que seu tio (acima), quando se tornou efectivamente rei de França em 1814, tomou o nome de Luís XVIII. E com isso criou-se uma espécie de precedente, o da entronização de monarcas virtuais, politicamente irrelevantes. É assim que depois do fim do regime absolutista francês em 1830 e da deposição de Carlos X, houve um Luís XIX (1836-1844) e um Henrique V (1844-1883), reis sem trono de uma França que foi sucessivamente uma monarquia constitucional, uma república, um império e novamente uma república.
A moda não só se propagou aos países vizinhos como se veio a generalizar o uso de outros títulos virtuais para além do próprio rei. É assim que, a partir da descendência de um príncipe português cujas pretensões históricas ao trono de Portugal foram, no mínimo, controversas (acima – Miguel I, o pretendente vencido da Guerra Civil de 1828-1834), descubro a história de uma pretensa infanta de Portugal que é sua neta. Descubro até que a senhora, que comemorou o seu centenário, tem uma história pessoal interessantíssima

Porém, tenho que a expressão infanta de Portugal (infante é um filho legítimo de um rei) tem uma definição precisa e uma seriedade que provavelmente não deveria ser desgastada em pretensões. Nem sei se os simpatizantes monárquicos se apercebem das consequências destas hipérboles. Fazem do passado uma história de faz-de-conta e não daquilo que foi, o que apenas ridiculariza e diminui a sua causa. Por exemplo, esta infanta de Portugal, passou os primeiros 37 anos da sua vida a ser infanta de um Portugal onde nunca estivera…e que já era então uma república!

09 fevereiro 2012

DOIS LIVROS A PROPÓSITO DO SCHULZ

Os livros de História sobre a Segunda Guerra Mundial costumam ser uma demonstração prática de como as grandes decisões históricas são o atributo dos grandes protagonistas: as grandes potências. Nesses e noutros livros abrangentes, as referências que possam ser dedicadas aos outros intervenientes – os pequenos países – costumam ser episódicas e/ou feitas de passagem. E então livros que lhes sejam especificamente dedicados aos pequenos países são uma raridade.
Estas duas raridades acima e abaixo têm por tema as participações da Hungria e da Finlândia na Segunda Guerra Mundial. A localização geográfica de ambos fez com que se tornasse impossível a sua neutralidade no épico embate germano-russo pela posse do Heartland (como era definido por MacKinder). Os dois pequenos países aliaram-se à Alemanha nesse embate (a partir de Junho de 1941) e seguiram-na sem um entusiasmo particular durante a época das suas vitórias
Mas o que torna os livros educativos para a situação que se vive actualmente na Europa é o período das derrotas alemãs (de 1943 a 1945) e como ambos aqueles países procuraram preservar a sua autonomia estratégica diante de uma Alemanha cada vez mais fraca e cada vez menos tolerante. Como se percebe pela leitura dos livros do cerco de Budapeste (implicitamente) e das opções militares da Finlândia (mais explícito), os finlandeses foram mais bem sucedidos.
Foi por isso que, após a Guerra, a Finlândia permaneceu uma democracia a sério enquanto a Hungria se tornou numa democracia… popular. E quando um Schulz nos critica por querermos recuperar essa autonomia estratégica após décadas de empenho num processo que agora se reconhece esgotado (acima), creio que se deve encarar os designios do tal Schulz com bonomia e invocar outros Schulzs de outras épocas de um processo que parece ver-se repetido (abaixo)…

PS - A reacção em Portugal ao discurso do Schulz foi tão unanimemente crítica que está mesmo a pedir uma crónica com a opinião original do Vasco...

08 fevereiro 2012

A DEMOCRACIA CUBANA

Há fotografias que estão mesmo a pedir aquele título, mas também há expressões que estão mesmo a pedir precisamente esta imagem. É o que acontece neste caso. Associar o regime cubano com democracia é um exercício que mesmo os comunistas portugueses já só empregam como recurso dialéctico extremo – e quando o fazem pode tornar-se numa paródia… O cadastro do desrespeito pelos direitos humanos em Cuba é tão eloquente que fala por si...
Pois, esta fotografia do italiano Max Cardelli a uma fachada de um prédio de Havana é essa tal Democracia Cubana. A subversão daquilo que é o plano horizontal e vertical torna-se numa excelente metáfora das distorções semânticas que estrangulam as liberdades elementares por detrás da dialéctica. E o estuque decrépito, exibindo manchas, ferragens e cimento outra excelente metáfora de um regime anquilosado que já ultrapassou os cinquenta anos de duração...

07 fevereiro 2012

AI BATE O PÉ, BATE O PÉ, BATE O PÉ...OU TALVEZ NÃO

Alberto João Jardim parecia preparar-se para mais uma das suas sessões públicas, mandando recados pelos jornais para reforçar a sua posição negocial (repare-se como era a Madeira que mantinha o braço-de-ferro com Vítor Gaspar), quando Pedro Passos Coelho mandou o seu recado: se o governo regional insistia em arrastar as negociações, não se ensaiava nada de o deixar entrar numa ruptura de tesouraria… E a Madeira, que sabe com quem fazer farinha, em vez de bater o pé, calou-se…

A PETIÇÃO

Ter-se-ão passado talvez duas semanas desde que foi colocada uma petição on-line a pedir a demissão do Presidente da República (acima). Foi um must informativo, não houve órgão de informação que não desse dela conta, com as sucessivas notícias a evidenciarem a progressão do número de assinaturas que a petição registava, como se se tratasse de um movimento de massas cibernáutico. Terá dado jeito na altura, para dar mais força à notícia, mas a prazo veio a revelar-se um erro ter dado assim tanto destaque à quantidade de assinaturas… O tempo prosseguiu mas o número das assinaturas daqueles que pretendem que Cavaco Silva se demita ainda não atingiu a marca dos 40 mil. São 39.809 na altura em que escrevo.

E, não haja um novo surto de disparates presidenciais em que Cavaco se finja um carenciado vitima da crise (acima) ou não sejam possíveis as reassinaturas, a dinâmica do movimento parece ter-se esgotado. Quantificando os resultados alcançados, o número de assinaturas actual equivaler-se-á (se não for mesmo inferior) às votações que o MRPP costuma tradicionalmente recolher nas eleições legislativas nacionais… E, considerada a promoção que a petição recebeu, para não falar do tratamento benigno que a comunicação social lhe terá dispensado, não creio que seja excessivo considerar estes números como um indicador razoável da influência que a opinião publicada tem sobre a nossa opinião pública - a verdadeira…

06 fevereiro 2012

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE «ESPESSURAS»

Passe o facto de se tratar de um truísmo, apetece-me relembrar constantemente que jornais, revistas e livros costumam ter espessuras diferentes. Àquele mesmo assunto que num jornal se dedica apenas um punhado de colunas, numa revista pode ser tratado numa dúzia de páginas e um livro já o faz desenvolvendo-o por alguns capítulos. Sobre o assunto, tratar-se-á obviamente de patamares de informação totalmente distintos, embora possa haver – entre os jornalistas, então, é frequentíssimo… – quem não se aperceba da hierarquia.
Acontece que esta estrutura estruturalmente democrática – e também um pouco anónima – dos blogues, pela simplicidade das mensagens e pelo valor que se atribui ao estilo literário, tende a dificultar a identificação da espessura de quem aqui se pronuncia sobre qualquer assunto. O meio não é, por isso, culturalmente exigente, mas o bónus é que me tem permitido assistir aqui a verdadeiras discussões e polémicas assimétricas que clamam ironicamente pela ressurreição daquela expressão tão esquecida: a ignorância é muito atrevida!

A RAPARIGA DA DEGTYARYOV

De entre as soluções mais imaginativas que os desenhadores de armas conceberam para colocar os carregadores de munições, conta-se a do tambor disposto na horizontal. Mas não houve muitas armas com sucesso que a incorporassem. A mais antiga foi a Lewis (acima), uma metralhadora de concepção anglo-americana que entrou ao serviço do exército britânico em 1914, popularizando-se durante a Primeira Guerra Mundial.
Outra metralhadora onde se recorreu à mesma solução, ficando com a mesma silhueta característica (acima), foi a DP-28 de origem soviética, aparecida precisamente em 1928 e popularizada durante a Segunda Guerra Mundial, onde se tornou mais conhecida pelo nome do criador (Degtyaryov), ou então pelo tratamento carinhoso de gira-discos numa alusão que eu creio dispensará explicação. E conhece-se ainda mais um caso…
Mas esse, ao contrário dos outros, é de uma pistola-metralhadora virtual, usada pelo Capitão Haddock no Voo 714 para Sidney, e que nunca saiu da prancheta (acima). Confesse-se afinal, que este preâmbulo se destina a explicar as razões porque, a esta fotografia abaixo de Valeria Lazareva, tirada num daqueles inúmeros monumentos da Rússia que evocam a Grande Guerra Patriótica, lhe dei o título de A Rapariga da Degtyaryov.

05 fevereiro 2012

NÃO É FÁCIL SER-SE VERDE

Com estes dias que correm e este encadeamento das notícias, às penas comuns de se ser português, somam-se a de ser ainda menos fácil ser-se verde, conforme se lamenta cantando o sapo Cocas, o original, que, enquanto canta no vídeo de cima, se deixar ver na fotografia abaixo a ser manipulado pelo seu criador Jim Henson (1936-1990), muito anos antes do próprio e dos restantes Marretas se tornarem propriedade dessa máquina de facturar constituída pelos Estúdios Disney…

03 fevereiro 2012

QUEM VÊ CARAS NÃO ESCUTA VOZES...


My Baby Just Cares for Me cantado por Nina Simone (1933-2003) fotografada por David Redfern (1936- ).

QUE É FEITO DO RESTAURADOR OLEX?...

O Fernando Frazão teve a amabilidade de publicar no seu blogue a reprodução de uma conversa que mantivemos por correio electrónico. Vai-se a ler e, mesmo para mim, um dos intervenientes, ficou-me a sensação que um dos tópicos mais interessantes que resulta da dita conversa terá sido o historial do Restaurador Olex. O que me suscita uma pergunta suplementar: que é feito do dito Restaurador?
Segundo o site da marca: A fórmula original do Restaurador Olex foi descontinuada em Outubro de 2005, devido à transposição para o direito interno português das Directivas Comunitárias 76/768/CEE, de 27 Julho e 2004/93/CEE, de 21 de Setembro (Decreto-Lei 142/2005 de 24 de Agosto), que proíbem o uso de acetato de chumbo na composição de produtos cosméticos.
Tal facto, deu origem ao (Novo) Restaurador Olex que é uma fórmula melhorada, sem acetato de chumbo; para conseguir os melhores resultados, devem seguir as nossas instruções e conselhos. É reconfortante saber que o Restaurador Olex, agora renovado, continua, alternando (acima) com o Petróleo Olex, a escurecer a cabeça de todos aqueles portugueses preocupados com o embranquecimento dos seus cabelos

02 fevereiro 2012

…AO ESTILO DE VAN GOGH

Esta fotografia foi tirada numa daquelas típicas manhãs russas de Inverno, quando a temperatura andava pelos 22ºC negativos... Na Base Aérea de Kubinka, a 60 km a Oeste de Moscovo, um Sukhoi SU–27 dos Cavaleiros Russos (Русские Витязи – Russkiye Vityazi), a esquadrilha acrobática da Força Aérea russa, preparava-se para descolar quando a fotografia foi tirada. As ondas de calor saídas dos escapes dos dois motores do Sukhoi em contacto com a temperatura ambiente produzem esta deformação da paisagem que é digna do estilo daqueles quadros da fase demente de Vicente Van Gogh (abaixo: Trigal com Ciprestes – 1889).

O LABREGO

Conhece-se o título oficial da fotografia acima (Monsieur Constant) e o ano em que foi tirada (1951), mas não consigo descobrir que foi o seu autor. Está-se no átrio de entrada de um prédio francês e vê-se a tradicional porteira ao fundo. Mas a fotografia é dominada pela presença de Monsieur Constant, de bigode curto e uma fisionomia talhada a traços grosseiros que transporta qualquer artigo de origem genuinamente campestre, como se deduz pela indicação de Auvergne nos sacos de papel que transporta. A fotografia é tanto específica quanto estranhamente genérica, dos desenraízados na urbe: uns 25 anos antes e a fotografia enquadrar-se-ia com toda a naturalidade na paisagem lisboeta, com o Senhor Constante a ser protagonizado por um daqueles imigrantes galegos que então abundavam na capital.

01 fevereiro 2012

A BATALHA DA COLINA 488

Em 13 de Junho de 1966, o comando da 1ª Divisão de Fuzileiros dos Estados Unidos havia disposto oito pelotões de reconhecimento nas posições elevadas situadas ao longo do vale de Hiêp Dúc (acima). A sua missão era controlar o tráfego das unidades norte-vietnamitas que utilizavam esse vale para se infiltrar no Vietname do Sul (veja-se o mapa abaixo). Durante alguns dias, aqueles pelotões haviam orientado o fogo da artilharia e os ataques aéreos norte-americanos, interditando aquilo que há muito se tornara num corredor de infiltração tradicional dos norte-vietnamitas. Presentes em força, estes últimos decidiram desalojar as pequenas unidades norte-americanas das posições que ocupavam.
Um desses pelotões, composto com 18 homens e ocupando a posição da Colina 488, atrasou-se a retirar e viu-se cercado por um batalhão norte-vietnamita ao cair da noite de 15 de Junho. A Batalha da Colina 488, uma batalha clássica de infantaria veio a travar-se durante toda essa noite, opondo a dúzia e meia de fuzileiros que se reagruparam no cimo da colina contra as centenas de norte-vietnamitas que a tentaram conquistar. Na manhã seguinte o pelotão continuava ainda a resistir no cimo da colina, apesar de todos os seus membros estarem ou feridos (12) ou mortos (6). Crucial para o desfecho, apesar da chegada da noite, o apoio de fogo que a Força Aérea continuara a prestar aos sitiados.
Ao retirarem, os atacantes haviam deixado 42 mortos no terreno. Promovida exageradamente a batalha, tornou-se oportuna como propaganda interna, nomeadamente pela analogia com a Batalha do Álamo durante a conquista do Texas (1836). Todos os 18 intervenientes foram condecorados: um com a Medalha de Honra (a mais elevada condecoração dos Estados Unidos), quatro com a Cruz Naval e treze com a Estrela de Prata. O episódio representava também um bom exemplo da situação táctica mais desejada pelos militares norte-americanos: começar por incomodar as rotinas das forças norte-vietnamitas para as forçar ao confronto e finalmente aniquilá-las com a sua superioridade de poder de fogo.
As Selecções do Reader’s Digest de Agosto de 1968 (acima) ainda dedicavam uma rubrica à narrativa dessa batalha, qualificando-a mesmo de inesquecível(...), mas por essa altura, depois das imagens da Ofensiva do Tet (Fevereiro de 1968) que haviam invadido, via televisão (abaixo), os lares americanos, já muitas dúvidas se haviam levantado sobre a pertinência da intervenção dos Estados Unidos no Vietname. O filme Platoon (realizado vinte anos depois) termina com uma batalha que é tacticamente muito semelhante àquela que se verificou ao redor da Colina 488; porém, num contraste com muito significado, no filme os soldados norte-vietnamitas vencem e rompem o perímetro de segurança…

31 janeiro 2012

«(ONLY THE) DIAMONDS ARE FOREVER»



A fotografia data de 1999, a autora é Brigite Lacombe, e reúne num tête-à-tête literal duas modelos britânicas de sucesso embora separadas por uma geração. À esquerda Twiggy já mostrava os 50 anos que então tinha enquanto Kate Moss se ficava por metade disso... Como cantava Shirley Bassey num sucesso musical de um filme de 007, no auge dos anos de sucesso de Twiggy (1971), só os diamantes é que são eternos

30 janeiro 2012

OS SOFISTICADOS

António Mega Ferreira é uma das pessoas que, tendo uma boa imprensa, têm-na tão boa que se chega a tornar ridícula. Para exemplo, houve um artigo recente do Público, assinado por Cláudia Carvalho, em que o despropósito nos chega a fazer rilhar os dentes. Descreve a transição da presidência da Fundação Cultural de Belém de Mega Ferreira para Vasco Graça Moura, mas, aquilo que não parece passar de uma cortesia como qualquer outra em circunstâncias idênticas, é descrito em termos tais – para não mencionar já o acompanhamento fotográfico (acima)... – que a cena vira uma cerimónia, um paradigma da sofisticação cultural dos dois intervenientes…