16 setembro 2006

AINDA AS MAJESTADES

Ainda a propósito da distinção entre ser-se monárquico e sê-lo em prol de um determinado candidato a monarca, vale a pena recordar um episódio passado em 1873, quando, na Assembleia Nacional francesa e no seguimento da dissolução do II Império, havia uma maioria absoluta de deputados monárquicos, apoiantes dos Bourbons, da casa de Orleães ou dos Bonapartes.

As duas primeiras correntes monárquicas chegaram a entender-se em restabelecer a monarquia francesa, apoiando as pretensões de Henrique, conde de Chambord, que era o candidato legitimista (Bourbon) e que não tinha descendência, transitando depois a sucessão naturalmente para Luís Filipe, que era bastante mais novo, tinha filhos e era o candidato da casa de Orleães.

Infelizmente para a causa monárquica em França, o conde de Chambord, como que vivendo numa espécie de redoma e dando provas da maior obtusidade política, depois de passados já 84 anos da grande Revolução ainda não se mostrava disposto a aceitar a bandeira tricolor nem a Marselhesa como símbolos nacionais da nação francesa…

Pensando na obtusidade, mas também na saúde frágil do conde, acabou assim por aparecer a III República francesa, onde o tempo de duração estabelecido para o mandato do presidente – que se desejava que fosse único – era anormalmente longo (sete anos), equacionando também no fim do mandato as hipóteses do candidato bonapartista que teria por essa altura também atingido a maioridade.

A continuação desta história está cheia de paradoxos. O conde durou para além do término do primeiro mandato presidencial (1883). Quem morreu entretanto foi o príncipe Napoleão. E esta III República, que nasceu assim como uma espécie de interregno do Reino de França, foi o regime que, ainda hoje, mais tempo durou na França desde 1789 (1870-1940). Quanto ao septenato presidencial só recentemente foi reduzido sob Jacques Chirac.

Quanto à capacidade dos políticos franceses se embrulharem em disputas mesquinhas ela permanece rigorosamente intacta 133 anos depois daqueles acontecimentos. Sigam-se as intrigas internas entre os socialistas para disputar a nomeação presidencial à Ségolène Royale, apesar desta aparecer destacadíssima nas sondagens… Sigam-se os golpes baixos que de Villepin e Sarkózy andam a trocar debaixo da mesa do governo a que ambos pertencem…

1 comentário:

  1. "Laissez faire, laissez passer!"

    O mais interessante é que não fazem ou, quando fazem, fazem mal!

    O mais grave é que não lhes passa... e, com a posição que têm na Europa, esta doença infecta toda a (pouca) credibilidade da U.E.!

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