16 fevereiro 2020

IRLANDA: NÃO, NÃO TERÁ SIDO A ECONOMIA, ESTÚPIDO.

(frase que alegadamente terá ajudado Bill Clinton a vencer as eleições presidenciais americanas de 1992)
A entoação como a Euronews noticia acima os resultados saídos das eleições irlandesas, que tiveram lugar a 8 de Fevereiro passado, não consegue esconder o desagrado de Bruxelas (de quem o canal é uma espécie de porta voz oficioso). Em primeiro lugar porque Bruxelas não gosta de desfechos nebulosos e este é precisamente um deles, com os três partidos mais votados acumulando ⅔ dos lugares do parlamento e o restante ⅓ polvilhado entre quatro outras formações políticas e ainda um número nada despiciendo de independentes (são 12% dos deputados); e em segundo lugar, porque a formação que veio a reconhecida como vencedora em votos, o Sinn Féin, é um partido que, por causa do seu passado de associação com o IRA, não goza de muita popularidade no Berlaymont. Todavia, a complexidade da situação política saída das eleições não consegue esconder que os resultados foram uma derrota para os dois partidos tradicionalmente predominantes da política irlandesa. Tanto o Fine Gael, no governo, quanto o Fianna Fáil, na oposição, perderam votos e deputados. E contudo, e isto é que é o que importa frisar neste poste: não deviam... Os indicadores económicos da Irlanda são muito bons (abaixo): a taxa de desemprego cifra-se nos 4,8% e anda a descer consecutivamente há oito anos, quando o país esteve em crise e foi um Pig connosco e o crescimento económico foi de 5% o ano passado, depois de ter alcançado os 7,8% em 2017. Quem nos dera a nós, portugueses, chatear o Costa por causa de números de macroeconomia como estes... E, no entanto, os irlandeses deram uma tareia (eleitoral) a Varadkar (o outro primeiro-ministro europeu de ascendência indiana): o seu partido elegeu menos 30% dos deputados que elegera há 4 anos, apesar da aparente prosperidade que os indicadores abaixo significariam. Que é que terá acontecido? Que justificará o que parece ser um voto de protesto no que parece ser um caso de sucesso económico?
Como começa a ser, infelizmente, tradicional, parece que os cientistas políticos foram mais uma vez um fiasco nas suas análises. As sondagens só começaram a mostrar resultados com alguma aderência com a realidade revelada pelas urnas mesmo à última da hora (e eu já deixei de acreditar em tanto eleitorado impulsivo quando há eleições à vista...). E depois tornou-se preciso explicar o sucesso do Sinn Féin, que mais do que duplicou a sua votação em relação às últimas eleições a que concorrera, as autárquicas de Maio de 2019. Houve quem fosse buscar as explicações à questão de reunificação irlandesa colocada sob o novo prisma do Brexit. A explicação afigura-se talvez demasiado elaborada, perante explicações mais prosaicas que incidem, não sobre o ritmo de crescimento da riqueza mas sobre a sua redistribuição. Os irlandeses ganham muito bem: têm um rendimento per capita que, estatisticamente, é o triplo do nosso. O problema é o que eles conseguem fazer com o que ganham, dado que, por exemplo, se os seus rendimentos cresceram 13% desde a crise de 2013, o preço da habitação na capital (Dublin) subiu 62% no mesmo período (para comparação, os nossos números para o mesmo período são 9% e 15%, respectivamente). Conclusão: os jovens irlandeses não têm como alugar ou comprar uma casa. E não por acaso, descobriram agora os cientistas políticos, o Sinn Féin destaca-se nas votações recebidas entre os irlandeses mais jovens, entre a faixa etária dos 18 aos 24, mas também na seguinte, dos 25 aos 34 anos. O irónico da situação é que os cânones económicos tradicionais não têm resposta para isto: a economia irlandesa é uma das mais abertas do Mundo e tem sido, aliás, um dos emblemas dos propagandistas da globalização. Aqui não parece funcionar aquele slogan do menos Estado, melhor Estado. Se calhar há Estado a menos, há regulação a menos, e há quem esteja chateado com isso...

15 fevereiro 2020

O ESCÂNDALO DAS DOAÇÕES DA CDU («SPENDENAFFÄRE»)

15 de Fevereiro de 2000. Wolfgang Thierse, que era então o presidente do Bundestag, aplica uma multa de 41 milhões de marcos à CDU, em consequência de múltiplas irregularidades detectadas na prestação das contas do partido ao parlamento. Tratava-se de um processo complexo a respeito do financiamento da CDU, processo que que acabou envolvendo as figuras de maior vulto do partido, nomeadamente o antigo chanceler Helmut Kohl e também o seu sucessor à frente da CDU, o nosso conhecido (e muito estimado cá em Portugal...) Wolfgang Schäuble. Na Alemanha o processo veio a ficar conhecido como o Escândalo das Doações (Spendenaffäre). Neste dia de há vinte anos e de uma forma expedita, o presidente Thierse (que pertencia ao SPD, rival da CDU), em vez de enviar uma nota de cobrança ao partido prevaricador, reteve o valor correspondente à multa, na transferência das dotações federais que eram devidas aos partidos políticos. De uma penada a CDU recebeu menos 41,3 milhões de marcos daquilo que os seus responsáveis financeiros estariam a contar (um montante correspondente a 28,1 milhões de euros aos preços actuais). Como comentava então Angela Merkel numa notícia de jornal: «foi um dia difícil para a CDU». Era um completo «understatement» que, como perceberemos adiante, continha uma boa dose de cinismo. A cobrança coerciva da multa rebentara de uma penada com a tesouraria da CDU. E, com aquela brutalidade tipicamente germânica, passava-se o recado a quem parecia que não o queria ouvir: no dia seguinte, Wolfgang Schäuble, que passara os dois meses anteriores a assobiar para o ar enquanto os detalhes sobre o seu envolvimento directo no assunto se acumulavam, demitiu-se finalmente da liderança da CDU. Para suceder a Schäuble apresentou-se Angela Merkel, eleita para o cargo em 10 de Abril de 2000 na conferência de Essen, com 897 em 935 votos (96%). A CDU iniciou uma batalha legal para a recuperação do dinheiro da multa que só terminou em 2004. Por essa altura, Angela Merkel ainda tinha que esperar mais um ano até vir a ser eleita, finalmente, chanceler. Como todas as histórias de financiamento partidário, também esta terminou com aquela sensação de oblívio e de que o assunto fora propositadamente descurado. Muito ajudará a essa sensação amarga a constatação de que é Wolfgang Schäuble que desempenha agora as funções de presidente do Bundestag, as que há vinte anos eram as de Wolfgang Thierse...

14 fevereiro 2020

O PONTO AZUL-CLARO

14 de Fevereiro de 1990. É a data em que foi tirada a fotografia acima. O pontinho no meio do negro envolvente é o planeta Terra, observado a uma distância um pouco superior a 6 mil milhões de quilómetros, o equivalente a 40,5 Unidades Astronómicas (a distância média da Terra ao Sol). A autora da fotografia foi a sonda Voyager 1, naquela altura já há vários anos reformada da sua missão principal aos planetas Júpiter (1979) e Saturno (1980). Terá sido ideia do astrónomo Carl Sagan a utilização das câmaras de bordo, ainda operacionais, para realizar esta fotografia, não pela sua valia científica (nula), mas pelo seu valor simbólico, da nossa pequenez perante o Cosmos.
A fotografia celebrizou-se com o nome de O Ponto Azul-Claro (Pale Blue Dot, no original*) e foi esse mesmo título que Sagan adoptou para o livro que publicou alguns anos depois (acima, a versão portuguesa, publicada pela Gradiva, data de 1995), onde a primeira história do primeiro capítulo - intitulado você está aqui - é precisamente a desta fotografia, feita há precisamente trinta anos. Ali se lê que a transmissão para a Terra dos 640 000 pixels que contém cada uma das 60 fotografias então feitas, demorou depois três meses e meio a recuperar, porque cada um desses pixels, mesmo viajando à velocidade da luz, demorava mais de cinco horas e meia a cá chegar.
* Um exemplo de que as traduções da Wikipedia podem ser de uma mediocridade confrangedora é ver que a entrada sobre este assunto tem o título de «Pálido Ponto Azul»...

13 fevereiro 2020

QUANDO UM MINISTRO DAS FINANÇAS SE DEMITE AO FIM DE DOIS MESES NO CARGO NÃO É PARA SE DESCONFIAR?

Espero que os ingleses sejam mais espertos do que nós, e que se investigue com mais profundidade do que apenas estas superficialidades com que a comunicação social está a ser alimentada, para que a opinião pública se assegure das verdadeiras razões porque um ministro das Finanças se demite ao fim de há apenas dois meses ter sido reconduzido no cargo (ocupou o cargo por sete meses no total). Foi tudo apenas uma questão de escolha de assessores? E o problema demorou dois meses a eclodir? Acredite quem quiser... A comunicação social britânica está cheia de conversa de merda e explicações pitorescas, deflectindo as atenções do facto de que esta remodelação governamental teve lugar uns escassíssimos dois meses depois de Boris Johnson ter ganho as eleições e formado um novo governo... Que porra, isto é ingenuidade (ou inépcia) a mais para se aceitar a um primeiro-ministro, se ele já chefiava o governo antes disso. Ele bem podia ter escolhido logo as pessoas adequadas da segunda vez que formou governo, não?

Lembremo-nos que algo muito parecido do que acabou de acontecer no Reino Unido com Boris Johnson e Sajid Javid, já aconteceu aqui há uns quinze anos em Portugal com José Sócrates e Luís Campos e Cunha (embora, nesse caso, a demissão tivesse ocorrido quatro meses depois da posse do governo). À época, a conversa da nossa comunicação social (abaixo) era precisamente a mesma da britânica agora: nada mudara, estava tudo porreiro, e ninguém quis valorizar o incidente; quando a verdadeira verdade se veio a saber, anos depois, já era muito tarde e já (quase) todos nos havíamos arrependido amargamente. Note-se que não estou a sugerir que Boris Johnson seja um escroque; estou apenas a recomendar aos jornalistas britânicos que descubram as verdadeiras razões porque Javid se quer demarcar desde já daquilo que Johnson se propõe fazer - algo que eu, pelo menos, tenho uma certa dificuldade em perceber. Mas eu, também, não sou inglês... mas confesso que não dei a devida atenção aos avisos sobre José Sócrates. 

A PRIMEIRA BOMBA NUCLEAR FRANCESA

13 de Fevereiro de 1960. A França realiza o seu primeiro ensaio nuclear no deserto da Argélia. Era o quarto país com possibilidade de passar a dispor de armamento nuclear. Como se se tratasse de uma espécie de compensação pelo atraso em relação aos Estados Unidos (1945), União Soviética (1949) e Reino Unido (1952), depois dos primeiros impactos mundiais da notícia do ensaio, especificou-se que a potência alcançada com a detonação (o equivalente a 70 mil toneladas de TNT), correspondia ao triplo das potência alcançadas pelas primeiras explosões das outras três potências nucleares. A França podia estar atrasada mas começara com mais energia.

O PRESIDENTE WOODROW WILSON DEMITE O SECRETÁRIO DE ESTADO ROBERT LANSING

13 de Fevereiro de 1920. A pouco mais de um ano do fim do seu segundo mandato o presidente norte americano Woodrow Wilson (1856-1924) demite sem quaisquer cerimónias o seu secretário de Estado Robert Lansing (1864-1928). Dois dias antes, Wilson pedira a Lansing que se demitisse por sua própria iniciativa. Lansing, porém, mostrou-se renitente, já que ele era a figura de maior destaque da administração a defender a posição que o presidente deveria ser substituído no cargo pelo vice-presidente Marshall, depois de Wilson ter sofrido uma apoplexia quatro meses antes. Debilitado e semi paralisado, todos os contactos com o presidente passaram a ser centralizados pela mulher Edith, e as relações funcionais entre os membros seniores da administração ressentiram-se disso. As cartas em que Wilson solicitava a demissão de Lansing eram de uma frontalidade tão agressiva e tão diferente da sua conduta política passada, que apenas reforçavam as suspeitas de que o presidente era agora um mero peão da vontade da  mulher: «Sinto que é o meu dever aceitar a sua resignação. (...)  Estou extremamente desapontado (...) poupar-nos-ia a um embaraço, senhor secretário, se abandonasse o seu actual cargo e me concedesse a oportunidade se escolher alguém para o ocupar cujas opiniões se ajustem mais àquilo que eu penso.» Era um pretexto: ao longo dos seus dois mandatos, Wilson sempre desenvolvera a sua política externa pessoal, ignorando altaneiramente a actividade do departamento de Estado. Os dois homens nunca haviam sido próximos (não encontrei nenhuma fotografia on-line dos dois, apenas este desenho acima) e que a questão principal em causa era a da lealdade política percebe-se pela escolha do sucessor de Lansing, Bainbridge Colby, alguém que não percebia nada de política externa, mas que era de uma devoção quase canina a Wilson. Mas coisa outra é questionar a legitimidade do presidente americano em despedir quem lhe apetecer. Wilson, apesar de balhelhas (ainda chegou a equacionar a hipótese de concorrer a um terceiro mandato e encarregou Bainbridge Colby de iniciar a corrida presidencial!), tinha toda a legitimidade de despedir Lansing, assim como hoje, cem anos passados, Trump possui essa mesma legitimidade de despedir quem ele quiser da sua administração. E de a ter preenchida quase só com pessoas com o perfil de Bainbridge Colby. Não vale a pena porem-se com censuras: quem é que os mandou, aos americanos, elegerem-no para a Casa Branca? Agora aguentem-se.

12 fevereiro 2020

OS DESPEITADOS

12 de Fevereiro de 1950. Na última página do Diário de Lisboa reúnem-se, em curiosa coincidência, duas notícias destacando comentários de Charles de Gaulle e de Winston Churchill. O primeiro «revelara num discurso como contaria chegar ao poder», o segundo «prescrevia remédios para os males de que sofria a Inglaterra». Depois de terem aparecido como o símbolo da vitória das suas respectivas nações no final da Segunda Guerra Mundial, haviam-se seguido cinco anos de agruras em que os respectivos países os haviam esquecido, relegando-os para a oposição (Churchill) ou para a reserva moral (de Gaulle). É o despeito que une as duas notícias e os dois protagonistas, embora a História, que costuma ser tão ingrata, neste caso tenha sido excepcionalmente simpática para ambos, permitindo-lhes o ambicionado retorno ao poder. Churchill mais cedo, logo em Outubro do ano seguinte (1951), enquanto de Gaulle teve que esperar pela crise de Maio de 1958.

11 fevereiro 2020

LIBERTAÇÃO DE NELSON MANDELA

11 de Fevereiro de 1990. Libertação de Nelson Mandela de uma prisão sul-africana situada perto da cidade do Cabo. Estivera preso durante 27 anos. Foi um acontecimento coberto pela televisão norte-americana em directo e assim, implicitamente, tornou-se um acontecimento (televisivo) de dimensão mundial. Em Portugal, também a RTP o transmitiu em directo. Só no dia seguinte (11 de Fevereiro foi um Domingo), a comunicação social mais vetusta pode acompanhar o acontecimento. O Diário de Lisboa desenvolveu-o por quatro páginas e escolheu dar-lhe um retoque de exotismo africano, recorrendo a uma expressão de uma das línguas nativas da África do Sul («Amandla») que, por sinal, os leitores portugueses nunca haviam ouvido e não conheciam, e que, por sinal, o jornal traduziu mal*.
* Estes expedientes informativos de profunda densidade antropológica, adoptando palavras que convidam o leitor a tornar-se num iniciado, estavam destinados a um futuro tão brilhante quanto fugaz. Recordemos apenas dois exemplos: o do próprio Nelson Mandela, tratado recorrentemente por Madiba (e muitos outros nomes exóticos), ou então Yasser Arafat, cuja sede do seu poder na Palestina era a Mukataa e os israelitas cercavam-no na Mukataa.

OS ABATISES DO NOSSO TEMPO

Durante o período das guerras em África, ficaram conhecidos por abatises (uma palavra originalmente francesa) aqueles obstáculos (normalmente troncos de árvore de grande porte) que os guerrilheiros colocavam ao longo das vias rodoviárias para dificultar o trânsito das viaturas das tropas portuguesas. Não causavam baixas, não se ganha uma guerra só com isso, mas eram uma chatice. E os que as colocavam sabiam disso e, por isso mesmo, colocavam mais. Esta era das redes sociais criou uma coisa que se reveste da mesma estrutura moral dos abatises: refiro-me a uma espécie de fauna que, lendo o que os outros escrevem, se especializou em colocar comentários desagradáveis e sempre e só desagradáveis nas caixas previstas para esse fim. Até podia ser que, muito de vez em quanto e em vez de um (comentário) tronco atravessado na estrada, colocassem dois ou três por cima da depressão de um pequeno curso de água (inócuos ou perturbadoramente elogiosos), para facilitar a circulação. Mas não. Parece não ser essa a ideia, a de ser equilibrado e distribuir tanto críticas quanto elogios, ainda que esparsos. A ideia é ser mesmo e só «amigo da onça». Ampliando a analogia, também não se adivinha entre os autores destes comentários desagradáveis uma preocupação por aí além em acompanhar os esforços (as respostas e críticas que os seus comentários suscitam) para resolver os incómodos que causam, como acontecia com os autores dos abates de árvores à beira da estrada. Ou seja, tudo se parece limitar à tarefa de chatear outros, só pelo prazer de se notabilizar chateando-os. Mas com uma diferença alicerçal: os guerrilheiros que colocavam os troncos consideravam-se em guerra contra o exército português; os autores destes abatises virtuais do século XXI estão em guerra com o resto dos frequentadores do meio, o que é uma estupidez.

10 fevereiro 2020

NAPOLEÃO III SEM SER RETOCADO

Luís Napoleão Bonaparte (1808-1873), mais conhecido por Napoleão III, Imperador dos franceses desde 1852, numa fotografia tomada em 1857, onde ele, aos 49 anos, já goza do estatuto imperial. Contudo, talvez porque a fotografia fosse então só uma técnica e estivesse ainda na infância da arte, aquilo que resulta não beneficia particularmente a augusta figura: o elaborado bigode, que deveria terminar em duas agulhas laterais, aparece assimétrico, a barbicha, descomposta, lembra algodão desfeito, e o cabelo mostra-se empastado com umas pontas rebeldes, curiosamente reminiscente do estilo hoje popularizado por Donald Trump. Mas é o olhar e os olhos de Luís Napoleão que tornam a fotografia mais interessante, porque vão contra os cânones da representação das grandes figuras históricas dessa segunda metade do Século XIX. No olhar, apontado à objectiva, adivinha-se um tédio cansado e os olhos, apesar da fotografia ser a preto e branco, adivinham-se de um azul claro, uma surpresa para quem ia buscar a sua legitimidade hereditária aos Bonaparte, a uma família oriunda de um local emblemático da Europa meridional, mediterrânica e de tez escura, como é o caso da ilha da Córsega.

UNANIMIDADE PARA QUE TE QUERO...

10 de Fevereiro de 1940. Em Paris, a Assembleia Nacional, reunida à porta fechada em sessão secreta sobre assuntos respeitantes à Guerra em curso, produz uma votação onde é alcançada a unanimidade dos deputados presentes (534 votos!). O teor secreto da sessão não permite esclarecer qual terá sido o conteúdo do que foi submetido a votação, mas, os jornais parisienses primeiro, e depois os do resto do Mundo simpático para com a causa aliada, são unânimes em saudar a unanimidade dos deputados franceses. Valha a verdade que, para se alcançar esta unanimidade, a Assembleia Nacional francesa se purgara entretanto dos seus deputados comunistas mais internacionalistas (leia-se: obedientes a Moscovo), já que Moscovo e Berlim eram então aliados. Mas, minudências à parte, a unanimidade dos parlamentares franceses causara uma excelente impressão, tanto em Londres, como mais longe, em Washington D.C., lê-se na notícia acima. Desconhecido de todos, o governo de Édouard Daladier, o herói deste dia de há oitenta anos, iria cair pouco mais de um mês depois, a 20 de Março de 1940...

09 fevereiro 2020

AS FAMOSAS LISTAS DE COMUNISTAS DO SENADOR MCCARTHY E QUEM SE OPÔS A ELAS

9 de Fevereiro de 1950. Num discurso proferido numa discreta reunião de mulheres republicanas que teve lugar na pequena cidade de Wheeling (Virgínia Ocidental), o senador norte-americano Joseph McCarthy usa pela primeira vez o expediente de pegar numa folha de papel enquanto comenta: «Embora não tenha aqui tempo para nomear todos os membros do Departamento de Estado que são membros do partido comunista ou de de círculos de espionagem, eu tenho aqui, na minha mão, uma lista de 205 nomes - uma lista de nomes que são conhecidos pelo Secretário de Estado e que, no entanto, ainda continuam a trabalhar e a definir políticas naquele Departamento.» Com este gesto coreografado, que ele irá repetir consecutivamente nos anos que se seguirão (fotografia acima) com pequenas nuances (nomeadamente quanto ao número de nomes suspeitos e quanto às instituições infiltradas...), mas sempre com a mesma acusação, abriu-se a era daquilo que veio a ser conhecido na América pelo "Macarthismo". Mas terá sido preciso muito mais do que um senador ambicioso e sem escrúpulos para que o Macarthismo tivesse existido. Primo, foi preciso que a opinião pública dos Estados Unidos não quisesse aceitar os factos da política internacional, nomeadamente que a sua supremacia mundial, que parecia (e era) indisputada no final da Segunda Guerra Mundial, passara a sê-lo pela Rússia e na China, uns meros cinco anos depois.
Mas foi também preciso uma enorme dose de cobardia dos poderes institucionais dos Estados Unidos para não afrontarem o popular discurso do demagogo que apontava bodes expiatórios internos a torto e a direito, alguns plausíveis, outros absurdos, cobardia essa que passou por todos os ramos dos poderes, o executivo (os presidentes Truman e Eisenhower acobardaram-se), o legislativo (os colegas do Congresso também) e o judicial (os tribunais quase nada fizeram, quando não cooperaram mesmo com as perseguições). A narrativa que mais tarde se veio a adoptar para recontar o que aconteceu ao longo do período, com os seus heróis, como Ed Morrow e o seu Boa Noite e Boa Sorte, tende a passar em claro que o Macarthismo perdurou por uns pujantes quatro anos, período durante o qual o senador chegou a ser eleito para presidir a uma das comissões do Senado, estatuto que ele usou, naturalmente, para melhor promover a sua agenda. O oportunismo e a cobardia políticas não são, por isso, um fenómeno de hoje da política americana (veja-se o cartoon abaixo, o elefante representa o partido republicano). Não é de estranhar assim, que sejam excepções muito excepcionais aquelas que se levantam hoje no partido republicano contra o presidente eleito pelo seu ticket. A História, lá mais para diante, ainda vai dar uma reviravolta ao que agora se passa e Mitt Romney ainda passará a herói, mas para o momento corrente, ele é o vilão.

08 fevereiro 2020

POIS EU (ao contrário do título abaixo) ACHO QUE JOSÉ MIGUEL JÚDICE É UM «ADIANTADO MENTAL» EM TODAS AS MATÉRIAS...

Se os jornalistas não fossem a merda que são, faria todo o sentido que, em pleno congresso do PSD, onde se confirma a liderança de Rui Rio, os jornalistas fossem chatear (até à medula!) José Miguel Júdice para o confrontar com as baboseiras que ele andou a proferir há seis meses, antecipando-lhe (a Rio) um futuro muito breve como líder do PSD. Tratou-se de um erro de análise (de palmatória!) e a não resposta ou a resposta evasiva de Júdice seriam, só por si, uma notícia tão interessante e de merecer o mesmo destaque que estas suas antevisões. Se a SIC Notícias (acima) e o Observador (abaixo) acham que as opiniões de Júdice são tão interessantes e de considerar, o interesse jornalístico pela figura só aumenta quando, o tempo, como acontece neste caso, faz com que as antevisões se revelem redondamente erradas. E está muito longe de ser a primeira vez que isto acontece. Mas seria para colocar essas perguntas ao seu convidado que lá deveria estar Clara de Sousa no programa em que a senhora, solícita, com ele contracena, e não para ser uma espécie de compère do número artístico do mágico (Júdice) em que a jornalista se limita a abrir muito os braços e a entrar para um caixote para ser metaforicamente serrada lá dentro. Eu não me canso de me intrigar com os mecanismos ocultos que perpetuam estes completos cretinos no circuitos intelectuais da opinião publicada.

«BRASSERIE LIPP»

É por brasserie Lipp que costuma ser designada a fotografia acima, tirada em 1969 pelo famoso fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson. A brasserie Lipp, situada no boulevard de Saint-Germain, é uma daquelas referências da Paris turística. E como acontece normalmente quando o caso é esse e a reputação se basta a si própria, uma consulta ao tripadvisor informa-nos que a qualidade do estabelecimento, especialmente o serviço e o atendimento, são uma merda (abaixo uma fotografia actual da brasserie). Mas, apesar do título, o seu avançado é apenas o local e o pretexto da fotografia, cujo tema é um indiscutível choque de gerações. Há décadas a separar as duas mulheres sentadas e essa distância é visível em quase tudo o que as rodeia. Desde o mais óbvio, aquilo que vestem (a mini saia versus o chapéu), à forma rígida ou descontraída como se sentam, ao que pediram (a mesa desimpedida da mais nova versus a mesa cheia da outra). Distinguem-se também pelo jornal que lêem, o Le Figaro versus o (mais difícil de decifrar pela disposição...) Le Monde. E por fim há a atitude, um olhar de soslaio e passível de múltiplas interpretações da mais velha na direcção da mais nova que, de dedo na boca, como que acentuando uma certa infantilidade da postura, parece absorta ao que a rodeia. Os cabelos tapam-lhe os olhos, ao contrário da sua colega de foto, interessa menos o que ela está a ver do que o facto de ser vista. Trata-se de um momento no tempo muito bem captado por Cartier-Bresson: hoje calharia à segunda, com os seus setenta e tal anos, a competência de olhar à sua volta, enquanto a representante da modernidade se fixaria no ecrã do telemóvel.

07 fevereiro 2020

A GUERRA PARA A QUAL DONALD TRUMP PEDIU UM ARMISTÍCIO

7 de Fevereiro de 1970. A notícia é pequena e discreta, inclusa no fundo da página 17 do jornal do dia, e nela se dá conta que o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, num discurso que fizera na noite anterior em Chicago, pedira «a mobilização total dos governos federal e locais e da indústria dos Estados Unidos para se desencadear uma guerra contra a poluição da água e da atmosfera. (...) Nixon fez estas observações a seguir a uma conferência do seu novo conselho de qualidade do meio ambiente, na qual participaram os governadores dos quatro estados fronteiriços ao lago Michigan.» Em 1970 as questões ambientais apresentavam-se como uma novidade e não muito importante, se atendermos ao destaque dado à notícia, embora se perceba que a presidência dos Estados Unidos estivesse em cima das tendências políticas para o futuro. Mas o que torna portentosa esta discreta notícia com cinquenta anos é o contraste que constitui a atitude do presidente Richard Nixon quando comparada com a do seu longínquo sucessor Donald Trump, que há uns escassos dois dias proferiu um solene e extenso discurso de uma hora e vinte ao país sem que fizesse uma referência que fosse à questão ambiental. Recuperando a expressão de Richard Nixon em todo o seu engajamento bélico, a Guerra que ele desencadeou há cinquenta anos foi agora interrompida por um armistício pedido por Donald Trump.

06 fevereiro 2020

NEM TUDO VALE A PENA PARA TENTAR VENDER MAIS UM LIVRO

Não é preciso assistir a muito mais do que dois minutos do programa para se perceber que «o mestre em estratégia» tem ali tanto cabimento quanto uma viola num enterro. Ao preço a que são remunerados os direitos de autor e considerando as probabilidades maiores que zero que ele terá de vender um livro, que seja, em consequência da sua presença num programa tão idiota, digamos que Abílio Lousada se terá disposto a receber para aí uns dois euros - e nem esses são garantidos! - para ir fazer um completa figura de parvo num programa de TV. Programa esse que, como acima se constata, é de uma superficialidade idiota em quase todos os aspectos: desde o apresentador Fernando Alvim aos restantes convidados que, esses sim, estarão no sítio certo para se promoverem. Quanto ao mestre, o intelectual que não faz lá falta nenhuma, lembremo-lo que, para se ser um bom estratega, teria tido que pensar a campanha antes de a desencadear. Estes convites para programas deste género costumam ser mais um conforto para o ego do autor do que um verdadeiro instrumento de promoção das suas obras.

OS PRIMEIROS TEMPOS DE VERDADEIRA COOPERAÇÃO ESPACIAL, DEPOIS DO FIM DA GUERRA FRIA

6 de Fevereiro de 1995. No quadro de uma ampla colaboração espacial entre russos e americanos, o programa Shuttle-Mir, que só se começara a concretizar depois do fim da Guerra-Fria, havia tido lugar o primeiro voo tripulado norte-americano (vaivém Discovery) que se encarregaria de posicionar nas proximidades da estação espacial russa Mir. Saídos de Cabo Canaveral na madrugada de dia 3 de Fevereiro, foi só no dia 6 - ou seja, há precisamente vinte e cinco anos - que as duas naves se aproximaram o suficiente para que se comprovasse a imagem acima do emblema da missão STS-63. A próxima fase, que envolveria finalmente a atracagem de um vaivém espacial com a estação espacial, só se viria a realizar numa missão posterior, a STS-71, realizada em Junho desse mesmo ano. Apesar de se perceber que, apesar das aparências, a rivalidade de décadas não iria desaparecer de um momento para o outro, era salutar observar estes situações concretas de cooperação no espaço. A ironia da situação, vista a esta distância de tempo, é que então eram os americanos que se ofereciam para transportar os cosmonautas russos para órbita, já que as suas naves Soyuz só podiam transportar 3 tripulantes de cada vez, e os vaivéns americanos tinham uma capacidade muito superior (como se lê acima, nesta missão viajavam 6 astronautas, um dos quais russo); actualmente, e porque cancelaram os vaivéns sem que dispusessem de uma alternativa operacional, os americanos estão dependentes dessas mesmíssimas naves Soyuz para colocarem os seus astronautas em órbita...

05 fevereiro 2020

O MASSACRE DE NOVYE ALDI

5 de Fevereiro de 2000. Novye Aldi é uma localidade dos arredores de Grózni, capital da Chechénia, uma das Repúblicas adjacentes à Federação Russa. Foi aí que há precisamente vinte anos ocorreu um massacre de população civil, inscrito no quadro da Segunda Guerra da Chechénia então em curso. Nos dois meses que antecederam o massacre (Dezembro de 1999 e Janeiro de 2000), travara-se uma batalha convencional em que as unidades russas cercavam a capital chechena, defendida pelos separatistas. O poder de fogo russo superiorizara-se. As suas salvas de artilharia haviam caído sobre a cidade e os arredores, desertificando-os e causando vítimas entre a população civil que permanecera. Novye Aldi, por exemplo, que teria uns 27.000 habitantes antes da guerra, estava reduzida a umas 2.000 pessoas e havia perdido outras 60 pessoas apanhadas pelos obuses russos. Mas aquilo que veio a acontecer em 5 de Fevereiro foi diferente. Trazendo infelizes reminiscências das descrições que os civis alemães faziam da chegada dos soviéticos em 1945, também aqui as primeiras unidades russas a chegar a Novye Aldi em 4 de Fevereiro eram compostas por soldados combatentes e disciplinados. Só que, no dia seguinte, eles abandonaram a localidade e continuaram a sua progressão até ao centro de Grózni. Como acontecera em 1945, atrás das unidades bem enquadradas é que vinha o restolho. O restolho era composto maioritariamente por homens de uma força policial originalmente constituída para combater o terrorismo e que aqui se destacaram por serem militarmente uns parasitas e humanamente uns trastes: roubos, pilhagens, destruição gratuita (aprecie-se a casa a arder em fundo), violações e execuções de civis. No computo global, e mencionando apenas os mortos, terão sido cerca de 80. Só que estamos na Rússia: os russos não costumam ligar nenhuma a estas coisas dos massacres e os ocidentais, que ligam, também não ligam muito porque se trata de um massacre entre russos, que têm uma língua que ninguém entende no resto da Europa (abaixo), e as vítimas são chechenos, que até são muçulmanos. Resultado: não tem assim muito interesse nem utilidade política. Ninguém chateia os gajos do PC com isto. Aconteceu há precisamente vinte anos.

OS «COELHOS» QUE DEFENDEM DONALD TRUMP E TÊM VERGONHA DE O ASSUMIR

É o episódio mediático do dia. E, porque um video como o acima corre o risco sério de ser retirado quando, daqui por um punhado de semanas, nos esquecermos do que nele se exibe, convém aqui descrevê-lo: começa pelas cenas do início da cerimónia do discurso sobre o Estado da União que costuma ser tradicionalmente proferido pelo presidente dos Estados Unidos nesta altura do ano. E porque esse discurso é pronunciado diante das duas câmaras do Congresso (Senado e Representantes), por detrás de Donald Trump vêem-se os presidentes dos dois órgãos: o vice-presidente Mike Pence (Senado) e a congressista californiana Nancy Pelosi (Representantes). Ambos batem palmas até que o presidente se vira para trás e lhes entrega duas cópias dos discurso que irá proferir, quando Trump ignora a mão estendida de Pelosi. Sensivelmente uma hora e vinte depois, quando Trump conclui o discurso e se chega à ocasião dos aplausos, Pelosi aproveita a ocasião em que as câmaras e as atenções estão centradas no orador para, por detrás dele, se levantar (como Pence também faz, mas aplaudindo) e rasgar ostensivamente as folhas que lhe haviam sido entregues por Trump no início da cerimónia. Por ser tão inédito, e porque os interesses mediáticos se pautam pelas aparências e não pela substância, o gesto ofuscou tudo o que se poderia comentar a respeito do discurso sobre o Estado da União. O que se constata também é que, quando Trump sai da redoma em que sempre o encerram e quando é obrigado a contracenar com intervenientes que não se intimidam com a sua brutalidade (já aconteceu outras vezes com Pelosi, mas também já aconteceu com Emanuel Macron), as coisas têm tendência para correr mal à coreografia da respeitabilidade que a Casa Branca deseja que exista sempre ao redor do presidente dos Estados Unidos...
Mas reconheçamos que tudo isto são problemas da responsabilidades dos americanos que a eles e só a eles compete dirimir. O que me entretém neste episódio do dia é outra coisa, atitude tipicamente nossa, no oportunismo como já me deparei com um, dois, três coelhos que parecem ter saído da toca para se manifestarem indignados com os papéis rasgados por Nancy Pelosi. Qualifico-os por coelhos porque habitualmente conseguem permanecer proeminentes na paisagem das redes sociais, mas selectivos sobre o que opinam, e, sobre a actualidade americana, comprovadamente desprovidos de opiniões firmes a respeito de episódios sucessivos que transformaram num enorme embrulho a presidência de Donald Trump. Apareceram hoje, mostrando desta vez firmeza, mas na condenação do gesto da presidente da câmara dos Representantes. É uma outra maneira de defender Donald Trump, que os coelhos porventura pensarão ardilosa, sem se exporem ao ridículo de o defender directamente, atacando apenas quem o confronta. Encontrei-os, aos três coelhos, sem os querer achar, que a época da caça ao bicho está fechada. É que, ainda por cima, a dois dos três que encontrei, descobrira-os entusiastas mas efémeros apoiantes de Luís Montenegro à presidência do PSD no mês passado, outro assunto sobre o qual, agora e com a aproximação do congresso do partido, também não têm saído da toca... São os comentadores que têm sempre razão porque quando a não têm, cobardemente tentam dissimular-se com a paisagem. (adenda: dois cartoons políticos a respeito do incidente e da forma como foi acolhido) 

Ainda a propósito, Nancy Pelosi - a caminho de completar 80 anos - é já suficientemente veterana para poder ter estado presente em momentos de outros discursos sobre o Estado da União do passado, com outros presidentes republicanos, e que correram bastante melhor. Apesar da ocasião em que quis convencer a opinião pública que não odeia Donald Trump, parece por demais evidente que Nancy Pelosi detesta e despreza o actual ocupante da Casa Branca... e o sentimento é recíproco. 

04 fevereiro 2020

UM CINQUENTENÁRIO LEMBRANDO QUE A CEE NUNCA TEVE O PASSADO IDÍLICO QUE HOJE SE EVOCA

4 de Fevereiro de 1970. O reverenciado Tratado de Roma já estava em vigor há mais de doze anos quando os ministros dos seis países originais conseguiram alcançar um acordo para a livre circulação de um produto agrícola tão prosaico quanto o vinho. Como de costume, num mecanismo que Portugal virá a conhecer por dentro, as regras de excepção da CEE aplica(va)m-se a quase todos os produtos onde, pela própria natureza do clima, os países meridionais têm vantagens comparativas na sua produção, produzindo em melhor qualidade e preço do que os países do Norte da Europa. Neste caso do vinho, e numa CEE ainda restrita aos seis membros originais, era - naturalmente - a Itália que se queixava do proteccionismo de franceses e alemães e que à época aproveitara o desejo dos parceiros em aprovar um novo regulamento financeiro para a agricultura, para fazerem uma chantagem descarada. Bem sucedida para o comércio do vinho e prometida para o do tabaco. O edifício europeu está edificado sobre uma data de golpadas do mesmo género e é por isso que dá pena que o Reino Unido, que tantas golpadas deu, desperdice agora esse capital abandonando a organização.