Muito mal andam os assessores de imagem do PSD, se a sua proposta visual para este Verão é uma reedição em colorido daquilo que fora o modelo de boné popularucho do seu ex-parceiro de coligação, mas já há uma meia dúzia de anos. Desconfio que nem o boné propriamente dito, nem o colorido do mesmo ajudarão Pedro Passos Coelho a ir recuperar quaisquer dos 730 mil eleitores que ambos perderam nas eleições de Outubro passado. Nem mesmo se António Costa passar a comparecer aos eventos partidários de barrete de encantador de serpentes em cor açafrão, porque para além da imagem estará a haver um erro de mensagem do PSD: o tacticismo que os faz encostar-se a Bruxelas está a fazê-los esquecer-se do poder da mensagem nacionalista.
24 julho 2016
O QUE A EUROPOL ESCREVE NÃO AJUDA OS JORNALISTAS A VIVER
Eu não me sinto habilitado a validar a qualidade e o rigor da informação que a Europol produz. Mas sinto-me habilitado a constatar quanto algumas passagens dos seus relatórios não parecem ajudar a vender notícias. Eis algumas passagens que destaquei de um relatório da Europol que foi tornado público esta semana:
a) ...apesar do estado islâmico ter reivindicado os últimos ataques, nenhum dos quatro (últimos ataques) parece ter sido planeado, com apoio logístico, ou diretamente executado pelo estado islâmico.
b) ...não há nenhuma prova que sugira que o atacante de Nice se considerava membro do estado islâmico. Foi relatada a sua radicalização num muito curto espaço de tempo e o seu consumo de propaganda «jihadista» nos dias anteriores ao ataque. No caso de Würzburg, as notícias são da existência de uma bandeira feita à mão no quarto do agressor (...) (porém a sua) filiação no grupo não é clara.
c) Isto em contraste com as reivindicações claras do estado islâmico de responsabilidade no ataque de Novembro de Paris e de Março de Bruxelas, ao estabelecer que os atacantes eram membros enviados para realizar os atentados...
E percebe-se perfeitamente porque é que o aparecimento de tal relatório passou quase perfeitamente desapercebido. Ou então deu-se relevo a outros conteúdos, menos substantivos mas mais assustadores. E percebe-se também porque cessaram subitamente as notícias a respeito das conexões islâmicas aceleradas de Mohamed Bouhlel, e o foco das novas notícias sobre o atentado de Nice regressou à tradicional troca de acusações políticas... Ao chegar-se aos acontecimentos de Munique, a própria comunicação social já se terá apercebido que as suas audiências estão um bocado fartas de tantas conexões islâmicas não concretizadas.
UM TRADICIONAL BOM DIA DE VERÃO QUE DEIXA DE O SER SOB AS ANGÚSTIAS DOS AVISOS EM COR DE LUZES DE SEMÁFORO
Convencionalmente, o dia que começa é (seria...) para ser considerado um prometedor dia de praia. Por (ou apesar d)isso, deve haver muitas pessoas a ir para a praia. Isto costumava ser assim desde que me lembro. A comunicação social, contudo, conseguiu transformar o que sem ela seria um dia promissor e divertido numa outra coisa, dramática. Avisa-nos que há não sei quantos distritos que estão sob aviso amarelo por causa do calor (aviso do IMPA) e, por causa desses avisos, ainda há pouco um jornalista na televisão descompunha uma transeunte que se expunha ao Sol numa piscina a ponto de esta se sentir compelida a justificar-se que se besuntara com protector solar. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IMPA), a instituição criada em 2012 que é responsável(?) por produzir os tais avisos coloridos que a comunicação social reproduz com volúpia, notabilizar-se-á pela sua inutilidade: o aviso amarelo é o terceiro mais grave numa escala de quatro (também poderia estar escrito: apenas um grau acima da normalidade...) significa risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica (não se poderia ser um pouco mais concreto no significado da coisa?...). Apetece perguntar como é que a sociedade se terá organizado e sobrevivido até ao aparecimento e à difusão dos avisos coloridos de tão celebrado Instituto?
23 julho 2016
PELO CINQUENTENÁRIO DO PORTUGAL 5 - COREIA DO NORTE 3
Há precisamente cinquenta anos disputou-se o Portugal - Coreia do Norte, jogo dos quartos de final do Mundial de Futebol disputado em Inglaterra. Tornou-se um jogo memorável porque a selecção portuguesa reverteu um resultado desfavorável de 0-3, que vigorava aos 25 minutos de jogo, para uma vitória final por 5-3 - com 4 golos de Eusébio. Mais recentemente, há cerca de dois anos e meio e a pretexto da morte de Eusébio, o jogo recebeu uma ressurgência de notoriedade quando José Sócrates o transformou na sua estrada de Damasco que o converteu ao benfiquismo. Azar o dele que o seu depoimento fosse inverosímil, descrevendo-se a ir para a escola numa tarde de um Sábado de Verão como o de hoje (talvez não tão quente...). O frufru que então se desenvolveu em sua defesa, transforma a data também no cinquentenário virtual de uma grande patranha.
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PELO QUADRAGÉSIMO ANIVERSÁRIO DA TOMADA DE POSSE DO PRIMEIRO GOVERNO CONSTITUCIONAL
À cerimónia comemorativa promovida por António Costa em São Bento compareceu Mário Soares num Mercedes bem mais luxuoso e sofisticado do que o Mini que originalmente o transportou, lembrado pela foto acima, originalmente publicada no Expresso e então interpretada por aquele semanário como uma mensagem de austeridade socialista. Ricos tempos esses de ingenuidade democrática...
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A MULTIMILIONÁRIA E O MATEUS ROSÉ
Uma forma de se constatar o lado perverso do Correio da Manhã é observando a perseguição que o jornal dedica a Amélia de Jesus, uma antiga mulher a dias que há três anos ganhou 40 milhões de euros (líquidos de impostos!) no Euromilhões. Onde é que já vão os cuidados que os órgãos da comunicação social daquela altura puseram na preservação da identidade da felizarda, quando de uma sua peregrinação a Fátima em agradecimento... Meses decorridos, Amélia de Jesus, provavelmente também por uma vontade deslumbrada de si própria, tornou-se uma presença rotineira nas páginas do celebrado matutino - seja por ter destruído (e substituído) um Maserati num acidente de viação, seja por se submeter a tratamentos caríssimos que a fizeram perder dúzias de quilos. Continuamente disposta a exibir-se para aquele jornal e prova do sucesso dos tratamentos, aqui acima a vemos feliz, loura, a parecer uma cópia contrafeita daquelas tias de Cascais com peles de ameixa seca, numa exibição de sofisticação - ele é uma tisana, um guardanapo de pano, um copo de vinho de pé alto - apenas maculada pela escolha do vinho, um reles Mateus Rosé. Se é verdade que o dinheiro compra tudo, é também verdade que o dono da carteira tem que aprender primeiro aquilo que é importante comprar... Mas parece-me que existe neste encadeado de artigos uma certa intenção do Correio da Manhã em explorar um certo despeito colectivo em relação a alguém a quem o dinheiro deu a felicidade que o dinheiro pode propiciar.
22 julho 2016
EVEN MORE «MODERN TIMES»
Charlie Chaplin (1889-1977) não viveu para viver estes tempos ainda mais modernos do que os que o haviam originalmente inspirado a realizar o filme homónimo. Mas, oitenta anos depois, parece-me que estamos em nova época em que Chaplin já mereceria um herdeiro que leve a sua crítica mordaz um pouco mais além, porque as diatribes comportamentais parecem superar-se.
Após a incorporação da insolência dos toques de telemóvel em pleno concerto de música (repare-se no vídeo acima e como o artista parodia a insolência, ridicularizando o proprietário do telemóvel), temos agora um modelo de conferências de imprensa pós-moderno, em que a atenção de um dos jornalistas se dispersa entre o comunicado que está a ser lido pelo porta-voz... e o pokemon go.
OS VERDADEIROS CALVIN & HOBBES
A RTP 3 apresenta todos os dias, num sistema que creio que seja de rolamento, um pequeno programa destinado à promoção de livros, cada programa uma obra selecionada. A de hoje era dedicada a Calvin & Hobbes de Bill Watterson. Em seis minutos falou-se resumidamente de Calvin, o miúdo travesso de seis anos que é o protagonista das histórias e do seu boneco inseparável, que é também o seu amigo imaginário, o tigre Hobbes. Houve tanto sentimento que seis minutos não chegaram para referir que o nome das personagens principais se ia inspirar em João Calvino (Calvin em inglês), um chatérrimo teólogo francês do Século XVI e em Thomas Hobbes, um filósofo inglês do Século seguinte, se possível ainda mais aborrecido que o anterior. A formação académica de Bill Watterson, o autor, em ciência política (apesar dele se ter tornado profissionalmente num cartunista) não será estranha à sofisticação daquelas escolhas. Que, apesar de constarem da Wikipedia, passaram ao lado dos profissionais encarregues da produção do programa - um trabalho de pesquisa medíocre de preguiçoso porque, mesmo na eventualidade de se pensar que o espectador médio não saberia quem fora Calvino e Hobbes seria precisamente função de quem produz o programa explicar quem haviam sido. É o lado pedagógico da televisão, é o que justificará a postura intelectual. Mas não. É tão triste que até se torna fraca consolação descobrir que no Brasil ainda pode ser pior: o tradutor, na ousadia da sua ignorância, decidiu-se a mudar o nome do tigre...
21 julho 2016
UMA ESTRELA CADENTE NO CÉU ESTRELADO DO AZUL EUROPEU
Yanis Faroufakis foi uma estrela cadente no céu estrelado do azul europeu. Apesar do frenesim dos holofotes mediáticos, ficou demonstrado que politicamente não valia nada. Alexis Tsipras teve que se desfazer dele. O fracasso não o torna um pensador desinteressante - nesta conversa abaixo, tida há cerca de três meses com Noam Chomsky em Nova Iorque ele tem a habilidade de transformar a construção europeia desde o fim da Guerra-Fria num encadeado de equívocos das ambições de expansão política - dos alemães, mas também dos franceses. Nem tudo será assim tão simples como o ouvimos descrever, mas é interessante ouvi-lo, por ser uma versão dos acontecimentos que não costuma ouvir-se defendida quando os pensadores europeus se reúnem e que, treta por treta, parecem também ao ouvinte comum mais verosímil que as versões híper-ortodoxas que por lá se ouvem, como esta de hoje de Carlos Moedas.
CONTRA SUBVERSÃO
Imagens de anteontem de Malatya, cidade do sudeste da Turquia, onde haverá um livreiro, uma livraria e, sobretudo, uns livros que também terão estado envolvidos no golpe de estado...
PELO ANIVERSÁRIO DE UMA TESE REDONDAMENTE ERRADA
Não é só o vinho do Porto que agradece com o envelhecimento. Há certas intuições que só despontam com o tempo, caso desta acima, que ontem celebrou o seu aniversário. De uma certa maneira, não se pode dizer que Vital Moreira não tem faro político. Tem é que se agir em conformidade: tudo o que ele antecipar, assuma-se que vai acontecer o contrário...
A RESPOSTA NÃO TEM QUE SER OBRIGATORIAMENTE MAIS EUROPA - IMAGINEM A LEI BOSMAN APLICADA A MINISTROS DAS FINANÇAS
Sir Charles Rivers Wilson (1831-1916), foi um obscuro funcionário britânico do Século XIX, notável pelo facto de se ter tornado o ministro das Finanças do Egipto em 1878. Como se depreende, a sua primeira prioridade não seriam os interesses dos egípcios, mas os dos credores do fortemente envidado Tesouro egípcio. Reconheça-se que o Egipto do Século XIX não era bem um país a sério; no balanço, reconheça-se que o Portugal do Século XXI, pela evolução dos acontecimentos, também se arrisca a não o ser num futuro próximo. Olhando para aquele passado, é impossível não descartar um futuro Portugal em que o titular da nossa pasta das Finanças venha a ser, como aconteceu com Rivers Wilson, um estrangeiro. Que viesse de um país que ofereça garantias aos credores: há por aí tanta gente preocupada com os interesses deles... Pode arrepiar alguns de nós, mas reconheça-se que um desses estrangeiros (de um país civilizado) pode ser mais eficaz que um Vítor Gaspar (bom rapaz, mas muito lerdo), e, à laia da ironia, reconheça-se que esta pode ser uma outra maneira de ver as vantagens da celebérrima Lei Bosman, se aplicadas às Finanças públicas em vez do futebol. Mas, se ironizo e não troço, é porque tenho de levar a sério aquilo que não queria levar a sério: proclamações como as feitas ainda à pouco pelo presidente Marcelo, que a resposta só pode ser mais Europa, e não menos Europa. É que, vejam, a mim não me incomoda por aí além ver um Benfica a entrar em campo sem um único jogador português, mas um alemão - por exemplo... - a mandar no lado nascente do Terreiro do Paço, encanita-me. Como as coisas andam, nem mesmo no papel que ele tanto gosta de cheerleader, aceito que qualquer presidente português se possa permitir passar cheques em branco à Europa. Já bastou o que bastou dos tempos da dupla Cavaco Silva - Passos Coelho.
19 julho 2016
«AUTHENTIC MEXICAN FOOD»
Democracia tem de ser isto. À priori, as pessoas deviam perceber quando as promessas são disparatadas por não serem exequíveis. Se houver quem, mesmo assim, não as compreenda, então talvez o humor os ajude a lá chegar (caso do anúncio acima). Se, mesmo assim, o humor não produzir qualquer efeito então o melhor será, antes de insultar os eleitores insensíveis e a sociedade em geral, reexaminar a alternativa: talvez ela não seja tão obviamente melhor quanto o pensamento dominante o proclama - veja-se o caso do brexit, e pense-se no charme de Hillary Rodham Clinton...
DISSERTAÇÕES SOBRE «COMPAGNONS DE ROUTE»: DO MODELO CLÁSSICO DO SÉCULO PASSADO ATÉ AO DA MODERNIDADE DO SÉCULO XXI
Confesso que nunca percebi a presunção de os designar, aos originais (acima), por compagnons de route, aquele recurso ao francês para designar os simpatizantes comunistas mais intelectuais (ou mais pretensiosamente intelectuais...) que preferiam não ser reconhecidos como militantes disciplinados do partido. Talvez a disciplina estrita não se combinasse bem com os atributos da actividade intelectual. Há que reconhecer que o efeito amplificador do conjunto, gravitando à volta, mas não fazendo formalmente parte do núcleo, conferia-lhes, aos compagnons de route, um efeito de ressonância que ampliava a imagem dos próprios e a mensagem do núcleo. Já ouvi a expressão adoptada e validada muito depois disso por José Pacheco Pereira (que é o doutor em comunismo cá em Portugal), mas continuo a insistir que o conceito de comunista envergonhado e a expressão original terão aparecido na Rússia depois da Revolução de 1917 - poputchik ( попутчик) - e que a adopção da versão em francês em vez do russo original (ou então em vez da ainda mais despretensiosa tradução para o português) é um daquelas expressões de sofisticação que, por ironia, acaba desmentida pelos factos - quem é mesmo sofisticado deveria saber que a expressão fora roubada pelos franceses aos russos. Se a expressão é controversa, aqueles a quem ela se aplicava não o foram menos. Divagando por aqui e ali, algo dispersos e muitas vezes evitando ser assertivos nos assuntos mais correntes, nos momentos cruciais encontrávamo-los a (quase) todos na mesma trincheira e do mesmo lado, porque a filosofia de base era comum, por muito encapotada que a sintonia pudesse ser. Habilidosamente, não se defendia a invasão do Afeganistão pela União Soviética em 1979 (por exemplo), mas também não se a condenava; a veemência guardava-se para outros países que cometiam gestos hediondos desse género - os Estados Unidos no Vietname, por exemplo. Como então se dizia: o caso das invasões feitas pela União Soviética era mais complexo, precisava de uma análise mais aprofundada - que nunca chegava a conclusão alguma.
Lembrei-me mais recentemente das argumentações rebuscadas e retorcidas desses poputchiks do comunismo, quando alguém próximo de mim se manifestava surpreendido pelo que lhe parecia ser a inflexão da jornalista Helena Garrido em defesa das posições sancionatórias da Comissão Europeia. E surpreendi-me a pensar que a queda do Muro de Berlim extinguiu uma espécie de poputchiks para fazer surgir uma outra espécie nova, a dos poputchiks (ou compagnons de route) do liberalismo. No confronto entre vários modelos económicos e como alguém descreveu - e bem - de há uns dois anos para cá, o confronto não é entre a ortodoxia alemã (uma espécie de supply-side economics levada ao extremo...) e outras correntes de opinião, mas sim entre essa ortodoxia alemã e a realidade. A força da argumentação da ortodoxia alemão não derivará da pujança da sua arquitectura lógica mas tão somente da densidade política e económica de Berlim. Mas terá sido essa realidade que levou poputchiks como Helena Garrido a dissociarem-se progressivamente dos insucessos acumulados pela governação da coligação PSD/CDS sob a égide da troica. Mais de seis meses passados, contudo, o cerne da discussão voltou a recentrar-se, assumido o fiasco, naquilo que interessa. E a questão primordial será a da ideologia inspiradora do modelo económico para a União Europeia. Que, para estes poputchiks modernos do Século XXI, pode ser mais liberal ou pode ser menos liberal mas não pode ser outra coisa senão liberal - da mesma forma que no exemplo acima o que se permitia discutir era apenas o grau de benignidade do comunismo. Ora a Europa a que Portugal aderiu em 1986 era uma Europa suficientemente aberta para permitir a coexistência de vários modelos económicos. A de 2016 parece já não ser assim. Não sendo, é de equacionar a hipótese de tornar a sê-lo. E se não é de equacionar tal hipótese parece-me motivo para repensar a nossa permanência na União. Os poputchiks podem monopolizar a comunicação social mas não me impressionam.
Primeira imagem, na fotografia de cima e na primeira fila, da esquerda para a direita: José Manuel Tengarrinha, não identificado, Silas Cerqueira, António Vitorino de Almeida; na fotografia de baixo e também na primeira fila, pela mesma ordem: José Saramago, Piteira Santos, Rosa Colaço, Lopes Graça, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues.
Segunda imagem, da esquerda para a direita e de cima para baixo, os poputchiks modernos: Rui Ramos, Paulo Baldaia, Camilo Lourenço, Helena Matos, José Gomes Ferreira, André Macedo, José Manuel Fernandes, Helena Garrido, David Diniz, João Marques de Almeida, João Carlos Espada e Fátima Bonifácio.
18 julho 2016
O JIHADISMO TAMBÉM INCLUI A CONVERSÃO ESPIRITUAL ACELERADA
Daniela Santiago, a jornalista da RTP autora do texto acima, também se convenceu muito rapidamente: parece estar muito mais avançada do que as investigações oficiais. Na Segunda Feira começa-se a deixar crescer a barba, no Sábado está-se pronto para um atentado suicida. Se bem reparei aos seus aparecimentos mais recentes na televisão, tenham atenção ao Pedro Adão e Silva que está a deixar crescer a barba...
COM PAPAS E BOLOS...
No caso do atentado de Nice, o período de 24 horas que se seguiu ainda permitiu que o apuramento do que acontecera enveredasse por uma de duas opções: a tese do desequilibrado ou a da conspiração islâmica. Depois o primeiro-ministro Valls desautorizou o seu ministro do Interior Cazeneuve e impôs a segunda. Depois daí tornou-se obrigatória, porque regressar à primeira tornar-se-ia numa derrota política do governo francês. O problema é a dificuldade em acreditar no que nos querem impingir. Lembram-se de Aznar e da tentativa de associar a ETA aos atentados de Madrid?...
Na Turquia, pelo contrário, o governo não parece precisar de descobrir ou encobrir a verdade, a impressão que dá é até que ele sabe muito mais do que aquilo que confessa saber. Pelo menos, possuir uma lista de 2.745 magistrados para demitir não parece coisa que esteja guardada numa gaveta da mesinha de cabeceira e que apareça assim de um dia para o outro para pôr em execução. Torna-se pior quando o pretexto próximo para o fazer foi a existência de uma intentona militar - cujos oficiais responsáveis tardam em ser identificados. Enfim, com papas e bolos se enganam os tolos.
17 julho 2016
DA FICÇÃO À REALIDADE TELEVISIVA: DE UM JOSÉ SEVERINO (EU É MAIS BOLOS, NÃO É?...) FEITO RADIOTELEGRAFISTA, AO OFTALMOLOGISTA CONVIDADO PARA FALAR DE ARTRITE REUMATÓIDE
Esta Sexta-Feira (dia 15) que passou, e quando os canais de informação se dispunham a tratar em profundidade dos assuntos mais em destaque (o atentado de Nice, as sanções europeias a Portugal), foram surpreendidos com o anúncio da tentativa de golpe de Estado na Turquia. Dando mostras do engenho que caracteriza a televisão portuguesa e da polivalência do comentador português típico, os telespectadores nem devem ter dado conta - eu não dei... - que os especialistas em estúdio não haviam sido originalmente convidados para falar daquele tema. Saíram-se muito bem. Por alguma razão haverá uma certa dificuldade em traduzir a palavra bitaite(s) para outros idiomas.
«KILLED BY POLICE»
Ao pesquisar informações sobre o ritmo dos acidentes com autoridades policiais nos Estados Unidos deparei-me com este site acima, Killed by Police. Não sei quem o elabora mas o resultado parece-me suficientemente bem documentado para merecer a divulgação. Porque o que lá consta, impressiona. Quando escrevo e desde o princípio do ano, morreram 630 pessoas em diversos incidentes com forças policiais nos Estados Unidos. É uma média superior a três mortos por dia que se acentua até desde os últimos anos - houve 1.111 mortos em 2014, 1.208 em 2015. Para ter uma outra perspectiva do significado destes números, há que os reduzir à escala portuguesa: equivaleriam a 41 mortos por ano. Não posso pôr as mãos no fogo pela capacidade de escrutínio da nossa comunicação social, mas suponho que as nossas forças policiais não se comportam da mesma maneira. E para comparação repare-se a atenção dedicada às 25 mortes por ano provocadas pela violência doméstica. Mas, para além da violência, há a questão dos grupos sobre a qual ela incide. Se consultarem a lista, hão de reparar que em vários (mas não em todos) os casos existe uma fotografia do falecido. Nos 48 casos de pessoas que morreram já este mês, existe uma foto em metade deles (24). Vendo-as, pode concluir-se que 9 (37,5%) dos falecidos com foto eram afro-americanos, enquanto a proporção de negros na população norte-americana é três vezes inferior a isso (12,8%). Acho que não vale a pena dizer mais nada - o que me intriga, é a petulância das alfândegas deles, convencidos que todos os cidadãos dos países do resto do Mundo querem ir viver para aquele paraíso. Se as nossas polícias matassem umas 40 pessoas por ano suponho que todos andaríamos também a fugir à polícia e nem imagino o que seria se o risco triplicasse por se ser negro...
16 julho 2016
O «SCRIPT» DO TERRORISTA ISLÂMICO QUE NÃO PODE TER PERTURBAÇÕES MENTAIS
Depois do horror da tragédia de Nice há algo que me incomoda nesta insistência (muito mais do que razoável) para que o perfil do assassino (Mohamed Bouhlel, acima à esquerda) se conforme à descrição de radical islâmico que todos(?) parecem esperar dele. Há os factos, um muçulmano não praticante, os indícios de alguém mentalmente perturbado e há sobretudo a comparação com outras grandes carnificinas provocadas por outros desequilibrados mentais (acima à direita, Andreas Lubitz, o co-piloto alemão que se despenhou causando 150 mortes) onde, quiçá por causa da nacionalidade desses outros causadores de grandes tragédias, não chegou a haver espaço para grandes especulações sobre terrorismo. Não fosse a seriedade da questão e apeteceria ironizar com tudo isto, perguntando se ainda é possível aos magrebinos residentes em França padecerem de doenças mentais e terem comportamentos associais? Porque o comportamento colectivo desta opinião publicada em resposta ao que parece ter sido um fenómeno desses, em vez da procura da verdade, parece-me ser a indução na opinião pública de uma atitude (ainda mais) preconceituosa em relação a todos os magrebinos. As consequências disso podemo-las apreciar quase quotidianamente nos Estados Unidos quando nos apercebemos que, formados nesse cadinho, terá de haver alguma razão particular para que os polícias locais matem acidentalmente muito mais negros que brancos...
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