17 julho 2023

BARBAROSSA 1941 A GUERRA ABSOLUTA

Comprei-o por impulso na FNAC de Cannes porque nesta versão de bolso custava apenas 19,90€. Porém, Le Livre de Poche é apenas uma alcunha, porque o livro tem quase 1.900 páginas e tomou-me quase dois meses de leitura. Mas está lá tudo o que terá sido a concepção e preparação da invasão alemã da União Soviética. E também lá está a descrição, assaz detalhada, do primeiro semestre de operações que culminou no fracasso alemão às portas de Moscovo.

«TODOS NÃO SOMOS DEMAIS» PARA REANIMAR AS SAUDADES POR UM ESCROQUE

Depois de anteontem o Expresso o ter ido recuperar, pela sua opinião, num caso em que essa opinião é, obviamente, parcialíssima, creio não ser demais, embarcar nessa mesma vaga nostálgica e ir recuperar outros momentos caricatos de extremada simpatia por aquele ex-primeiro-ministro-com-amigos-muito-amigos-que-lhe-pagavam-as-contas-todas.
O que eu quero enfatizar nesta invocação pirosa, é que parece haver quase sempre um grupo de imbecis cheios de dinamismo capazes de promover as causas mais absurdas como é o caso da de José Sócrates. Coisa diferente é dar visibilidade mediática a essas iniciativas e depois mantê-las em agenda. E isso já não é da responsabilidade de meia dúzia de palermas desafinados e sem qualquer gosto musical. Esse patrocínio é feito pelos activistas dos órgãos de comunicação social.

O COLONIALISMO A FINGIR QUE NÃO ERA COLONIALISMO

17 de Julho de 1923. Quase todos os funcionários filipinos do executivo colonial das Filipinas (que eram então uma colónia dos Estados Unidos) renunciaram em protesto contra as acções do governador-geral, o americano Leonard Wood (acima, à esquerda). Wood era um militar de 62 anos e tivera aquilo que mais se assemelharia com uma carreira colonial num país que fingia que não tinha colónias: fora governador numa das províncias filipinas (Moro), também fora governador-geral em Cuba, e tornara-se em Outubro de 1921 o governador-geral das Filipinas. O titular do cargo possuía o poder executivo e também a capacidade de vetar as decisões do poder legislativo - que esse fora entregue, para efeitos cosméticos, aos filipinos. Mas a conduta de Leonard Wood desagradou profundamente às elites políticas filipinas, que eram as que, de facto, faziam funcionar a administração (colonial) do país. Logo no seu primeiro ano no cargo (1921-22), Wood exerceu o seu direito de veto sobre 16 leis, o que era um contraste com o que se passara durante o extenso mandato do seu antecessor que, nesses 8 anos (1913-21), apenas vetara 5 documentos. O pretexto para a apresentação da demissão colectiva do executivo foi um choque de vontades entre governador-geral e secretário do Interior (o filipino José Laurel) a respeito da demissão de um oficial de polícia de Manila chamado Ray Conley. Conley era de origem americana e o governador anulou a sanção. Laurel demitiu-se e, com ele, todo o resto. E é assim que se chega a esta crise política de há cem anos. Manuel Quezón, que seria então, como presidente do senado das Filipinas, a figura mais elevada das suas elites políticas, enviou um extenso telegrama para Washington d.c., apelando ao presidente americano, na época Warren Harding. O que se veio a verificar é que o peso político de Leonard Wood valia muito mais do que uma confrontação com as elites locais filipinas: afinal, Leonard Wood havia sido um dos candidatos fortes à nomeação republicana para as eleições presidenciais de 1920! Enquanto as Filipinas não passavam de uma colónia americana a que os americanos haviam concedido um simulacro de autonomia. Apesar da revolta que o desautorizara, Leonard Wood continuou a ser o governador-geral das Filipinas por mais 4 anos, até à sua morte em 1927.

16 julho 2023

OS ESCROQUES TAMBÉM TÊM OPINIÃO, MAS...

...mas considero que haverá muito mais pessoas habilitadas a dar opiniões de relevo sobre o que aconteceu esta semana, para além dos escroques a braços com a justiça. Sobretudo porque não reconhecemos a imparcialidade a respeito do assunto sobre o qual opinam. Esteve muito mal o Expresso em dar esta relevância à opinião - mais do que previsível - de José Sócrates (não podia ser Luís Filipe Vieira, porque esse ninguém acreditaria que pudesse escrever um parágrafo que fosse...). A Sócrates ou aos outros que se sabe de antemão que são parte directamente interessada em criticar os desmandos judiciais. Embora tenha ficado claro do incidente que a mescla que se pretenda fazer entre Rui Rio e José Sócrates me pareça ser meramente circunstancial. Algo que o artigo publicado pelo Expresso nada faz para destrinçar. Como se comprovou pelo acompanhamento noticioso das buscas a casa de Rui Rio e à sede do PSD, os problemas da incompetência e da ineficácia do aparelho da justiça, são ampliados pela cumplicidade do aparelho da comunicação social.

VERGONHA ALHEIA

16 de Julho de 2018. Na Cimeira de Helsínquia, que reúne Donald Trump e Vladimir Putin, o comportamento público deferente, mesmo servil, do primeiro diante do segundo envergonhou-nos a (quase) todos, pela figura vergonhosa protagonizada por terceira pessoa, aquilo a que se chama vergonha alheia. O russo tratou o americano com uma sobranceria de quem tinha diante de si um completo cretino. O que não deixa de ser verdade, e por isso mais doloroso de suportar.

15 julho 2023

JÁ LHES TERÁ PASSADO O INSTINTO REFLEXO?...

Como se percebe, estas imagens já têm cinquenta anos, 28 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Confesso a minha curiosidade em saber o que aconteceria hoje em dia, diante de provocação idêntica, já sem a desculpa das reacções reflexas dos kameraden, veteranos de guerra...

A NOVA ESTRELA DO BOAVISTA E A VERDADEIRA "ESTRELA" DO BOAVISTA

15 de Julho de 1983. O destaque da página desportiva dos jornais ia para a transferência do centro campista internacional João Alves do Benfica para o Boavista. O jogador já estava em fim de carreira (à época terminava por volta dos 31/32 anos, muito mais cedo do que actualmente). Mas a transferência era promovida como «a mais cara (...) do futebol português». Mas, quanto à pergunta sobre qual o valor que teria sido pago pelo Boavista, sobre isso o presidente dos axadrezados, Valentim Loureiro, evadia a resposta e não mencionava um valor preciso, para que se pudesse comprovar aquilo de que se gabava. Era o seu "estilo" (aldrabão), um "estilo" que se mostrava muito eficaz em dar ao jornalismo futebolístico aquilo que eles mais queriam: conversa (e não factos). Na notícia abaixo, Valentim Loureiro e as suas declarações aparecem mais destacadas do que as do próprio craque, que é, mesmo que esteja no término da sua carreira, o objecto da notícia. Quanto ao presidente do Benfica (Fernando Martins), esse não dissera nada.

14 julho 2023

AQUILO QUE SE PODIA LER NA PRIMEIRA PÁGINA DO EXPRESSO DE HÁ CINQUENTA ANOS

14 de Julho de 1973. A edição daquele Sábado do jornal Expresso, mostrava como o novo semanário, em apenas seis meses, parecia estar a mudar a imprensa portuguesa. Na sua primeira página destacavam-se pelo menos quatro assuntos delicados, três deles em que se adivinhava que seriam temas em que a censura gostaria de intervir. O primeiro e principal era o caso do massacre de Wiriyamu, publicitado pela imprensa britânica em vésperas da visita de Marcello Caetano àquele país (partiria no dia 16). Outro tópico que também não se costumava ver acompanhado com tal destaque de primeira página era o da acção da polícia política, a D.G.S. Neste caso a notícia fora a libertação, «sob uma caução de dez contos», de dois estudantes que haviam sido presos por causa dos acontecimentos estudantis do princípio de Maio. Um terceiro assunto delicado era o dos conflitos laborais. Dois dias antes ocorrera um desses «incidentes» nas instalações da TAP no aeroporto de Lisboa (foto abaixo). A notícia pouco esclarecia sobre o que acontecera (notava-se que fora cortada pela censura), mas aparecia em primeira página, conferindo importância ao assunto apesar da truncagem. Por fim, ainda em primeira página, mas não preocupando tanto os censores como qualquer das notícias anteriores, o jornalista José Manuel Teixeira perguntava-se se a Oposição se tornaria a cindir para as eleições marcadas para finais de 1973, como já acontecera nas eleições de 1969 (entre a CDE e a CEUD). A pergunta subentendia algo de retórico, já que, por esta altura, se percebera quanto a via eleitoral seria irrelevante para a reforma do regime. Mas a verdade é que o Expresso de 1973 abordava em lugar de destaque uma data de assuntos incómodos.

13 julho 2023

O VERDADEIRO JORNALISMO DE EXCELÊNCIA - OU O VERDADEIRO POLÍTICO MENTIROSO SEM VERGONHA

Em mais um episódio da saga que tem estado a desencantar os britânicos, soube-se hoje ao princípio da tarde, que Boris Jonhson não concedeu o acesso às suas conversas no WhatsApps aos membros da comissão de inquérito sobre o covid-19, porque, alegou ele, «se esqueceu do código» do antigo IPhone. Depois de muita relutância do próprio, o IPhone já devia ter sido entregue (por imposição judicial) até às 14H00 da passada Segunda-Feira. Só que a reputação do antigo primeiro-ministro é tal, que houve um comentador de uma rádio local - James O'Brien, veja-se mais abaixo - que antecipou, com antecedência, qual seria a desculpa de BoJo para evitar ceder o conteúdo das mensagens que o comprometerão durante a pandemia. Isto é mais do que bom jornalismo, é jornalismo de antecipação, aquele que dá as notícias antes de elas acontecerem! Gostava de ter disto por cá: tenho inveja, já que primeiro-ministro completamente desacreditado já temos, na pessoa de José Sócrates.

A DESCOBERTA DO SISTEMA DE GRAVAÇÃO QUE AGRAVOU O CASO WATERGATE

13 de Julho de 1973. No quadro das investigações relacionadas com o Caso Watergate, um assessor da Casa Branca revelou, pela primeira vez a um dos investigadores do senado americano, a existência de um sistema de gravação activado pela voz para registo das conversas tidas na sala oval (o gabinete de trabalho do presidente dos Estados Unidos). Ao contrário do que depois se elaborou escandalizadamente sobre o assunto, a existência de tais dispositivos não era nada de especial: por exemplo, Lyndon Jonhson, o antecessor de Richard Nixon na Casa Branca, mandara instalar um dispositivo semelhante para registo das suas conversas telefónicas. O mandado instalar por Nixon era diferente e melhor apenas por causa da evolução tecnológica. Mas o importante para o Caso Watergate era ficar-se a saber que, afinal, haveria registos que esclareceriam os depoimentos contraditórios que haviam surgido ao longo das investigações do Caso. Como forma de pressão sobre uma cada vez mais relutante Casa Branca, três dias depois, a 16 de Julho, o assessor foi inquirido durante uma audiência televisionada sobre a existência do tal sistema para que o confirmasse diante da opinião pública. O passo lógico seguinte foi fazer o juiz que estava encarregado do inquérito pedir ao presidente um conjunto de nove gravações relevantes para confirmarem (ou então desmentirem...) o testemunho de um conselheiro da Casa Branca que entretanto se demitira denunciando a conduta da Casa Branca (John Dean). Os obstáculos que Richard Nixon levantou para a cedência de tais gravações (uma das quais, veio-se a descobrir depois, fora parcialmente apagada por acidente...) é que serão a causa visível que conduzirá à fragorosa queda de Richard Nixon em Agosto de 1974.

12 julho 2023

COMO UMA CÉLULA A DESLOCAR-SE NUM MEIO LÍQUIDO

Isto são imagens dos gaiteiros a (tentar) abandonar a praça central de Pamplona por ocasião da abertura das festas de San Fermin deste ano (que estão ainda em curso, até 14 de Julho). O curioso da cena é que os seus barretes vermelhos contrastam com o azul dos coletes da polícia que está encarregue de os proteger e, por sua vez, ambos contrastam com o branco dos foliões. Visto à distância, a deslocação (lenta) da banda (vermelha), cuja formação e contornos vai variando conforme os esforços dos protectores (azuis), num meio envolvente dominado pela cor branca, faz lembrar aquelas imagens de microscópio, quando uma célula se desloca vagarosamente por um meio líquido. Vale a pena recordar que a primeira visita do escritor americano Ernest Hemingway a estas festas (o maior responsável por as popularizar mundialmente) foi em 1923, há precisamente 100 anos.

1993 A.W.

Assim como há datas muito antigas para as quais se acrescenta a expressão a.C. (antes de Cristo), se calhar não seria mal pensado acrescentar a expressão a.W. (antes do Wifi) para as datas a uma distância superior a 25 anos (...para aí 1998). Como se pode apreciar pelo letreiro acima, ele há nostálgicos dessas outras eras, em que era muito complicado duas pessoas estarem sentadas a uma mesma mesa de café, de frente uma para a outra, mas, mesmo assim, ignorando-se reciprocamente...

11 julho 2023

QUANDO OS COMUNISTAS «DERAM UMA (ESPÉCIE DE) OPORTUNIDADE À PAZ» - 2

Ainda a propósito do festival «Dêem uma oportunidade a Paz», e da controvérsia sobre que género de Paz é que se estaria a dar a oportunidade, a dissimulação sobre quem estaria por detrás da iniciativa não era sequer sofisticada. Entre as propostas apresentadas em 11 de Julho de 1983 pelas habituais agências de viagem especializadas em excursões aos países do bloco Leste, constava o dito festival em Tróia, «uma semana, tudo incluído, 12.500$00!!!!», o que representava cerca de ⅓ do preço de uma «viagem especial», também por uma semana e a sair no mesmo dia, à RDA (República Democrática Alemã). A Agiturismo (era assim que se denominava a agência) tinha uma oferta diversificada de turismo ideológico, dedicado a mais do que uma geração de revolucionários. Como um gato escondido que deixou o rabo à vista, aquele pacifismo do festival tinha muito mais aspecto de foice e martelo do que de pomba.

10 julho 2023

O CISMA SINO-SOVIÉTICO

10 de Julho de 1963. Em Moscovo, a delegação soviética e a chinesa encontravam-se para ver se se podia sanar o conflito ideológico sino-soviético. O engraçado, quando apreciado a esta distância de 60 anos, é constatar que as delegações eram encabeçadas pelos nossos conhecidos Mikhail Suslov e Deng Xiaoping. Quanto às expectativas, eram muito baixas. O artigo terminava antecipando que «um rompimento das negociações não deve mesmo constituir motivo de surpresa». E não constituiu.

A INVASÃO DA SICÍLIA

(Republicação aumentada)
10 de Julho de 1943. Há precisamente 80 anos os Aliados desencadeavam o desembarque e a invasão da Sicília. No mapa acima, os norte-americanos são representados a azul-claro, os britânicos a roxo; do outro lado, o dispositivo italiano está representado a cor de laranja, as unidades alemãs presentes na ilha, a cor de rosa. Designada globalmente pelo nome de Husky, foi cronologicamente a segunda grande operação anfíbia da Segunda Guerra Mundial na Europa, depois dos desembarques no Norte de África (Operação Torch). Mais uma vez, como acontecera com a Operação Villain no Norte de África, quis-se reforçar a componente anfíbia do desembarque com o apoio em profundidade de unidades aerotransportadas. E, mais uma vez, apesar dos meios se terem multiplicado nesses oito meses, os resultados foram medíocres. Por causa disso, hoje não se fala praticamente do assunto, e daí a pertinência de aqui o evocar. Realizaram-se quatro operações, duas delas norte-americanas e duas britânicas. As duas primeiras têm a virtualidade de não aparecerem referidas sequer na Wikipedia, nem mesmo na página dedicada à própria 82.ª Divisão que as realizou(!). Mas, noutros locais, pode-se descobrir algum detalhe do que aconteceu, num dos casos os 144 aviões de transporte foram vítimas do fogo amigo da própria frota que apoiava o desembarque e que os confundiu com bombardeiros inimigos, abatendo 16% dos aviões que transportavam os paraquedistas. A formação das esquadrilhas desfez-se, e não terá sido por culpa dos passageiros que apenas 25% dos efectivos previstos se puderam depois encontrar sobre o objectivo. Quanto ao que aconteceu às unidades aerotransportadas britânicas, e ao contrário da evasiva americana, até existem páginas na Wikipedia que são dedicadas à Operação Fustian (envolvendo paraquedistas) e Ladbroke (com tropas lançadas em planadores). Os números relativos a esta última são eloquentes: dos 147 planadores que foram largados para atingir os objectivos no interior da Sicília, 47% foram largadas demasiado cedo e acabaram por cair no mar e apenas 8% atingiram as proximidades dos objectivos para que haviam sido destinados. Não é difícil perceber que, ao preceder-se à avaliação do desempenho das operações aerotransportadas durante a Operação Husky, se concluísse e se formasse uma facção a favor de que se deixasse de investir nelas, que se haviam revelado extremamente caras tanto em termos humanos quanto materiais, e tudo isso para a obtenção de resultados medíocres. Era a opinião do próprio Eisenhower, mas não era a opinião do seu superior, o chefe de Estado Maior George Marshall em Washington DC, que via naquelas novas formações o elemento de propaganda de tropas de elite de que qualquer exército em guerra não pode prescindir. Qual a utilidade das verdadeiras operações aerotransportadas, separar essa utilidade da existência de tropas paraquedistas como unidades de elite dos exércitos, são assuntos que ainda hoje se discutem com muito pathos e pouco logos. Mais do que apenas esta controvérsia táctica, para uma descrição dedicada à invasão:

09 julho 2023

COMO UMA GALA DA TVI...

Estes eventos governamentais de fim de semana assemelham-se estranhamente àquelas festas de gala que as televisões transmitem de quando em vez para aumentar o share. Porque não se diz nada de interessante, o importante é o trajo. António Costa concita as atenções das audiências assim como Cristina Ferreira. A repetição deste modelo de festa comprova que ele há uma audiência para estas coisas, embora o auditório não se manifeste e depois se ouçam muito mais os comentários depreciativos daqueles que as não viram. Ou então ouvem-se os comentários atentos daqueles que as viram, mas para mostrarem o que correu mal durante a cerimónia. Quando se lê acima que o primeiro-ministro diz estar "focado" nas pessoas é claro que essas pessoas que constituem o «foco» do primeiro-ministro são as que vêm estes seu conselho de ministro informal, independentemente do que lá aconteça de interessante - normalmente nada, fala-se da ausência das gravatas. As outras - como eu - estão à espera que Joana Marques ou Ricardo Araújo Pereira um dia lhes anunciem, num dos seus programas humorísticos, que ele (António Costa) se distraiu e comentou uma das demissões do seu governo.

O MARCO DE OURO

9 de Julho de 1873. Guilherme I, Imperador da Alemanha (que apareceria no reverso da moeda acima), decreta, após aprovação do Bundesrat e do Reichstag, a Lei da Cunhagem (Münzgesetz), que define o marco de ouro como a moeda imperial de referência, em substituição das oito moedas nacionais que haviam circulado até então na Alemanha. Esta União Monetária representava um passo significativo na unidade económica-financeira do recente (1871) Império Alemão. O Marco de ouro ir-se-ia tornar moeda de curso obrigatório a partir de 1 de Janeiro de 1876 (veja-se abaixo). Qualquer semelhança com aquilo que assistimos nas últimas décadas em relação ao €uro não terá sido mera coincidência.

08 julho 2023

PRÉMIO «A VIDA DOS POBREZINHOS É UM MISTÉRIO» DESTE FIM DE SEMANA...

... é atribuída, com todo o mérito, ao director adjunto do Expresso David Dinis. No caso de uma parcela substancial da população portuguesa, em que solução alternativa ele estará a pensar no caso de não ser seguro recorrer ao SNS este verão?... Ou está a propor-nos uma solução ao jeito da de Maria Antonieta: no caso de não haver pão, eles que comam brioches?...

UMA FOTOGRAFIA DIFERENTE DE UM GRANDE NAVIO DE GUERRA

8 de Julho de 1948. Se raras são as imagens das partes que costumam estar submersas dos grandes navios de guerra, muito mais raras são aquelas que foram recolhidas em alto mar como esta. O navio (que assim não é reconhecível...) é o couraçado norte-americano USS New York, que naquela época já era veterano da Primeira e da Segunda Guerra Mundial. Depois do fim desta última, considerando a sua antiguidade, e porque a US Navy possuía uma frota completamente renovada, fora transformado em navio alvo. É depois de uma sessão como navio alvo, ao largo das ilhas Hawai no Pacífico, que esta fotografia lhe foi tirada, quando o grande navio (mais de 170 metros de comprimento, quase 30.000 toneladas de deslocamento) se preparava para soçobrar. Durante os seus tempos áureos, o USS New York tivera uma guarnição de 1.042 oficiais, sargentos e praças.

07 julho 2023

OS GRANDES EXAGEROS DOS ADVOGADOS

Não sei porque carga d'água a bastonária resolveu invocar o nome de Mário Soares ao dar o exemplo de grandes advogados que fundaram a democracia. Fundador da democracia ele foi indiscutivelmente, mas como secretário-geral do PS. Agora classificá-lo como um grande advogado?! Francisco Salgado Zenha é um nome que, inquestionavelmente, preencherá aqueles dois atributos, só que é um nome que não vale a pena evocar nos dias que correm, porque infelizmente perdeu a ressonância. Entre os nomes conhecidos, poder-se-ia acolher, eventualmente, o nome de Jorge Sampaio. Agora, fazê-lo em relação a Mário Soares, dando-o como grande advogado, actividade onde ele foi uma figura despretensiosamente menor, é perfeitamente estapafúrdio. É de advogado: entre o rigor, a verdade e o exagero grandiloquente, adivinhem para onde vai a preferência?