15 novembro 2006

OS PROTAGONISTAS DA HISTÓRIA e outros que também a fizeram…

Mesmo entre aqueles que estejam mais familiarizados com as histórias da História da Segunda Guerra Mundial, tenho algumas dúvidas que consigam reconhecer de imediato a figura acima retratada. No entanto, posso contá-lo entre a dúzia de pessoas que melhor mostra ter compreendido, pelo cargo que ocupava e pela sua capacidade intelectual, todos os problemas estratégicos associados à Segunda Guerra Mundial enquanto ela estava a decorrer.

Chama-se Alan Francis Brooke, foi o Chefe do Estado-Maior Imperial britânico (CIGS, no acrónimo no idioma original) de Dezembro de 1941 até ao fim da Guerra em 1945. Entre as curiosidades associadas à sua pessoa contam-se o facto de descender de uma família irlandesa (do norte protestante), de ter nascido em França, onde viveu até aos 16 anos (o que fez dele um perfeito bilingue em inglês e francês) e de ter deixado um diário de memórias do período da Segunda Guerra, o que me permitiu ser tão assertivo nas considerações do parágrafo anterior.

Lendo os seus Diários de Guerra (na sua versão mais completa de 2001) tem-se dela uma visão e uma compreensão verdadeiramente distinta daquilo que consta em muitos outros relatos. Percebe-se como, apesar de ter estado num papel subalterno, foi o cronograma das campanhas militares estabelecido pelos britânicos – da responsabilidade de Alan Brooke – que prevaleceu na frente da Europa ocidental, depois da entrada dos americanos na guerra: Norte de África, Sicília, Itália e só depois o grande desembarque em França, na Normandia.

Mas o que, não sendo o mais importante, constitui indiscutivelmente o traço mais marcante do seu livro de memórias são os comentários severíssimos que Alan Brooke vai fazendo a respeito dos grandes protagonistas da História da época que encontra – e ele encontrou-os a quase todos…- que estamos habituados a ver idolatrados nas outras versões oficiais da mesma História, nomeadamente o caso do primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Quase se torna impensável imaginar como o Reino Unido se encontrou dos lados dos vencedores como uma figura como aquela que é descrita a dirigi-lo!

Mas, noutros aspectos, Alan Brooke é ainda mais britânico e mais inflexível do que o seu primeiro-ministro, na teimosia em recusar-se a aceitar que, por força dos factos, os lugares de maior relevo da hierarquia militar conjunta teriam de estar reservados a norte-americanos como Eisenhower. Já li o livro, já ofereci o livro, continuo a recomendar a leitura dos Diários de Guerra de Alan Brooke para quem pense já ter lido tudo sobre aquele período, que nos mostra como os grandes protagonistas e as grandes decisões podem ser, por vezes, de uma extrema importância e de uma banalidade enfadonha.

2 comentários:

  1. Nenhum Império gosta de deixar de o ser. Os britânicos não hão de ser diferentes.

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  2. Permita-me, caro João Moutinho, sugerir-lhe a alteração dos tempos dos verbos da sua segunda frase para "os britânicos não foram diferentes".

    Actualmente, quem pensar em termos de Império no Reino Unido já não é nostálgico, é apenas lunático.

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