Falta pouco mais de um mês para que George W. Bush ceda o cargo de presidente dos Estados Unidos ao candidato eleito Barack Obama. Essencialmente, suponho que ninguém da gigantesca comunidade da informação internacional continuará genuinamente interessado na sua pessoa mas ainda é cedo demais para fazer um balanço sério do que representaram os seus oito anos à frente do país que ainda é o mais poderoso do planeta.15 dezembro 2008
O SAPATO
Falta pouco mais de um mês para que George W. Bush ceda o cargo de presidente dos Estados Unidos ao candidato eleito Barack Obama. Essencialmente, suponho que ninguém da gigantesca comunidade da informação internacional continuará genuinamente interessado na sua pessoa mas ainda é cedo demais para fazer um balanço sério do que representaram os seus oito anos à frente do país que ainda é o mais poderoso do planeta.
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14 dezembro 2008
REVOLUCIONÁRIOS DE 1975 (Número Reservado a Especialistas)
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OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 6
Era uma fatalidade que a Adesão de Hyderabad, já mencionado atrás como o maior dos Estados Principescos com 214.000 km² e mais de 16 milhões de habitantes (e 21 salvas de canhão!), viesse a causar problemas. Por um lado porque era um daqueles casos em que a religião do monarca (designado por Nizam) não coincidia com a da maioria da população; por outro, porque a própria dimensão do Estado lhe conferiria uma massa crítica que o tornava muito menos permissivo às pressões e outros golpes baixos que o Congresso veio a utilizar nas circunstâncias descritas anteriormente.O Estado de Hyderabad poderá ser descrito como foi o de Bhopal, só que numa escala 10 a 20 vezes superior. Um monarca muçulmano auxiliado por uma classe dirigente também muçulmana e urbana (estimada em 10,6% da população total) dirigiam um Estado predominantemente povoado por hindus, que se localizava nas regiões centrais da Índia, sem saída para o mar. E mesmo antes da Independência já se antecipava que todas as regiões que lhe eram adjacentes, de forma directa ou por assinatura da Adesão iriam pertencer à Índia. Contudo, o Nizam deixou passar a data sem se pronunciar…
De forma activa, o Nizam contratou aquele que seria provavelmente o melhor advogado britânico da época, Sir Walter Monckton (entre os clientes mais distintos de Monckton contava-se Eduardo VIII por ocasião da sua abdicação em 1936). Apesar da sua fama de forreta, neste caso o Nizam não se poupou a despesas e, nesta actividade diplomática junto do establishment britânico, também não se inibiu de cobrar favores que prestara no passado, como era o caso, por exemplo, da fragata Nizam da Marinha Australiana, que fora construída em 1940 e cuja construção fora paga parcialmente por si...
À época considerava-se que o Nizam detinha a maior fortuna do Mundo. Mas não era apenas a sua fortuna pessoal e sim a prosperidade do próprio Estado que financiava os seus meios de defesa. Essa era a outra vertente da manobra do Nizam: um Exército estadual que possuía 3 regimentos blindados e 1 regimento de cavalaria tradicional e 11 batalhões de infantaria, todos dotados de artilharia, num total que rondava os 22.000 efectivos*. Significativamente, 55% deles eram muçulmanos (muitos oriundos de outras regiões da Índia) e essa percentagem subia para 72% entre os quase 1.800 oficiais.Tão importante quanto os meios de defesa, e desencorajando a utilização das pressões económicas por parte da Índia independente, Hyderabad era auto-suficiente em termos alimentares e era abastecedor das indústrias indianas em algodão, oleaginosas, carvão e cimento. Em troca, precisava de sal e produtos petrolíferos. E a manobra diplomática protagonizada por Sir Walter Monckton prosseguiu: quando pressionado pelo Vice-Rei, Lord Mountbatten, a aderir à Índia o advogado retorquia que o Nizam podia deixar a sua posição conciliadora – a independência – pela radical – aderir ao Paquistão!...
A verdade é que a localização de um Estado de Hyderabad independente mesmo no seu centro (como se pode observar - a amarelo - no mapa acima) era um verdadeiro entrave para a Índia. Por outro lado o Estado também tinha os seus pontos fracos. Alguns nem ao próprio Congresso interessava explorar – a delegação local do partido chamava-se Hyderabad State Congress e fora fundada em 1938. Era o caso da heterogeneidade cultural da maioria popular hindu: nos 16 distritos que compunham o Estado o telugu era o idioma maioritário em 8 deles, o marathi em 5 e o kannada em 3.Havia um outro ponto fraco que, não o podendo explorar, outros o podiam explorar pelo Congresso: a extrema desigualdade da distribuição das terras (só o Nizam possuía 10% de todas elas!). O agente de pressão nesse caso foram os comunistas do CPI** e uma reforma agrária armada que eles desencadearam baseados na experiência maoista contemporânea da China e em que a grande maioria dos proprietários desapropriados eram muçulmanos. A comunidade muçulmana reagiu com o total apoio do governo do Estado, armou-se e formou milícias (abaixo) designadas pelo nome de Razakars.
A conjugação de todos estes acontecimentos fazia com que o tempo passasse, a situação de Hyderabad permanecesse num impasse mas sem que o clima social se acalmasse. Em Junho de 1948, 10 meses depois da Independência, Lord Mountbatten abandonou o cargo de Governador-Geral da Índia escrevendo uma exortação ao Nizam para que ele se decidisse a assinar a Adesão à Índia. E o clima de instabilidade que se instalara continuava a assegurar um duplo fluxo contínuo de refugiados – hindus a abandonar Hyderabad e muçulmanos das regiões vizinhas a ali se refugiarem.Se a exortação de Mountbatten caiu em ouvidos surdos, a sua saída de cena deixou os indianos, a começar por Vallabhbhai Patel, mais à vontade para o que, na perspectiva deles, tinha que ser feito... A ampla manobra diplomática do Nizam acabara por falhar, os antigos amigos não lhe haviam dado cobertura, o máximo que ele conseguira fora um acordo para a preservação da situação vigente à data da retirada britânica (Standstill Agreement), que fora assinado em Novembro de 1947, mas, para os indianos, esse estatuto excepcional para o Hyderabad não se podia continuar a perpetuar.
O pretexto invocado foi a dificuldade que as autoridades indianas estavam em lidar com o progressivo fluxo de refugiados que estavam a fugir de Hyderabad para a Índia, pretexto destinado a ter uma repetição muito mais conhecida dali a 23 anos***. Em 13 de Setembro de 1948, 13 meses depois da Partição, as unidades militares indianas invadiram Hyderabad, numa acção baptizada Operação Polo. Dia 17 à noite, o Nizam anunciou por um discurso na rádio a sua rendição. Significativamente, apesar do idioma do Estado de Hyderabad ser o urdu, quem o escreveu para o Nizam, fê-lo para que ele o lesse em inglês…
(Continua)
* Para comparação, refira-se que os efectivos portugueses presentes em Goa, Damão e Diu em Dezembro de 1961 não chegavam a 4.000.
** Partido Comunista Indiano.
*** Voltará a ser invocado por ocasião da Terceira Guerra Indo-Paquistanesa e de libertação do Bangladesh (Dezembro de 1971).
13 dezembro 2008
GERARD LAUZIER (1932-2008)
O CLUSTER DE ARVERNE
OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 5
O Estado Principesco de Junagadh, situado na região natal do Mahatama Gandhi e de Vallabhbhai Patel, o Gujarate, era mais pequeno e menos próspero do que aqueles que foram referidos até aqui – apenas 15 salvas de canhão! Em termos mais concretos eram aproximadamente 400.000 habitantes (dos quais cerca de 82% eram hindus) em quase 9.000 km² de extensão. Como curiosidade, refira-se que era o Estado que fazia fronteira com a praça portuguesa de Diu. E possuía um monarca de religião muçulmana, um Nawab, devidamente aconselhado pelo seu chefe de governo, o Dewan.Ao contrário do Maharaja de Jodhpur, quando dos acontecimentos de 1947 o Nawab de Junagadh era um monarca veterano, e ocupava o trono desde a infância (1911). Com 47 anos de idade, o Nawab Muhammad Mahabat Khanji III era também conhecido por uma das suas excentricidades: a sua predileção por seus cães (acima), a quem propiciava um tratamento invejável. Mas o burlesco desse facto – depressa aproveitado pelo Congresso para o desacreditar – não nos pode fazer esquecer a legitimidade das suas pretensões quanto ao futuro do Estado de que era soberano: assinar a Adesão de Junagadh ao Paquistão!
Na realidade, quando dos acontecimentos do Verão Quente de 1947, o Nawab até estava de férias na Europa e o governo estava entregue ao Dewan, um político sindi, próximo da Liga Muçulmana, de seu nome Sir Shahnawaz Bhutto (acima, com a família), que os leitores facilmente referenciarão se o der como o avô paterno da recentemente assassinada Benazir Bhutto. Seguindo as suas sugestões, o Nawab depois de regressar de férias manteve-se em silêncio apesar de todas as pressões a que foi sujeito, até anunciar na véspera do dia da Independência (14 de Agosto) que pretendia aderir ao Paquistão.E tirando a questão da maioria hindu, que era um problema moral mas não formal (o monarca era soberano para decidir qual o país a que pretendia aderir), não havia mais nada que a Índia pudesse invocar para contrariar essa adesão. Embora estivesse separado fisicamente do resto do Paquistão e rodeado por outros Estados Principescos que haviam optado pela Índia, Junagadh possuía vários portos numa costa extensa (abaixo) que se localizavam a uma distância aceitável (325 milhas) do principal porto paquistanês, Karachi. Recorde-se que o resto do Paquistão também estava dividido em Ocidental e Oriental…
A própria recepção paquistanesa à intenção de Junagadh foi, inicialmente, moderada. Para Jinnah, Junagadh poderia servir como uma eventual moeda de troca no quadro negocial mais vasto das rectificações a processar na fronteira indo-paquistanesa depois de Agosto de 1947 mas, de uma forma realista, os domínios do Nawab não passavam de um grande enclave cujas possibilidades de defesa militar, se a tal extremo fosse preciso chegar, eram nulas(*). Só passado um mês, em 13 de Setembro, e sobretudo por causa do que se estava a passar em Caxemira é que o Paquistão aceitou a Adesão de Junagadh.A manobra de resposta escolhida pelos indianos foi a de arranjar um governo de Junagadh no exílio (em Bombaim), chefiado por um sobrinho de Gandhi, Samaldas, que era de lá natural. E no ambiente da época, a concorrência dessa autoridade paralela à administração, com uma pressão militar discreta (abaixo) acabou por desmoralizar as autoridades legais, a começar pelo Nawab, que em Outubro acabou por partir para o Paquistão acompanhado da família e de uma dúzia dos seus cães favoritos. A 9 de Novembro de 1947 foi o Dewan que entregou formalmente a administração de Junagadh à Índia.
Para conferir um ar de legitimidade à anexação, três meses depois (20 de Fevereiro de 1948), a nova administração organizou um plebiscito consultando as populações sobre o futuro do Estado. O resultado foi uma previsível vitória da opção indiana mas que, de tão esmagadora, acabou por se tornar embaraçosa para os organizadores: de entre os 190.870 votantes apenas 91 (ou seja uns míseros 0,05%) se pronunciaram a favor da Adesão ao Paquistão... Quanto ao Nawab, como um daqueles monarcas europeus depostos, a sua causa continua de pé através dos sucessores, como se pode ver nesta página da internet.
(Continua)
(*) Foi pena que Salazar não tivesse tido essa mesma percepção em relação aos enclaves que constituíam a Índia Portuguesa.
12 dezembro 2008
OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 4
A razão para o que o Estado de Jodhpur apareça nesta lista de Estados Principescos cuja adesão foi acidentada acabou por nunca ter uma explicação satisfatória. Jodhpur era um Estado cujo Maharaja tinha direito a 17 salvas de canhão. Era relativamente extenso, com 93.000 km², embora tivesse uma baixa densidade populacional pelos padrões indianos: cerca de 2,5 milhões de habitantes em 1941. A sua localização precisa na Índia pode ser observada no mapa abaixo e tratava-se de um Estado cuja existência era bastante antiga: as primeiras referências escritas a ele datavam do Século XIII.
Além disso, como a maioria da população e o monarca eram de confissão hindu, não se antecipava grandes dúvidas quanto ao país a que o Estado iria aderir quando da Independência, apesar do facto de que uma parte do Estado ser adjacente ao Sindh, onde existia uma maioria muçulmana, o que fazia prever que por ali passaria parte da futura fronteira entre a Ìndia e o Paquistão. A surpresa desencadeou-se quando o Maharaja Umaid Singh faleceu súbita e inesperadamente com apenas 44 anos em Junho de 1947, tendo sido sucedido pelo seu filho Hanwant Singh, então com 24.Vai ficar para sempre por esclarecer quem – o Nawab de Bophal, de que se falou anteriormente, é um dos suspeitos principais… – terá entusiasmado o jovem Maharaja a explorar a situação fronteiriça do seu Estado para sondar Muhammad Ali Jinnah e a Liga Muçulmana sobre as condições que eles teriam para lhe oferecer na eventualidade de uma Adesão do seu Estado ao Paquistão. Diz a lenda que na reunião que tiveram a esse respeito Jinnah terá entregue uma caneta e uma folha em branco para que o jovem Hanwant Singh escrevesse as suas condições…
A atitude podia ser vista como a consequência da imaturidade de um monarca jovem, que queria tratar um assunto de estado como uma transacção comercial, mas o Partido do Congresso não estava disposto a encarar o assunto com bonomia e as pressões para que o jovem Maharaja mudasse de atitude foram imensas. Mais importante para outros casos mais complexos que vieram a acontecer, o gesto de Jinnah fomentou desconfianças em Vallabhbhai Patel, o dirigente que tratava desta questão do lado do Congresso, que a Liga poderia agir sem razoabilidade, ao tentar aliciar um estado maioritariamente hindu.O problema acabou por se resolver com o Maharaja a assinar a esperada Adesão à Índia mas não sem antes haver uma cena durante a cerimónia da assinatura, que se desenrolou na antecâmara do Gabinete do Vice-Rei e em que Hanwant Singh sacou de um revólver e o apontou à cabeça do secretário que lhe apresentou o documentou a assinar dizendo: - Eu não aceitarei as vossas ordens! Enfim podemos levar todo o incidente à conta de alguém que, para além de se mostrar imaturo perante as responsabilidades, possuía um forte sensibilidade ao sentido cénico, tendo por hobby, aliás, a magia…

(Continua)
11 dezembro 2008
REVOLUCIONÁRIOS DE 1975 – 3
As declarações acima são atribuídas a Jorge Correia Jesuíno (acima), oficial da Armada e Ministro da Comunicação Social dos IV e V Governos Provisóriso* (do dois chefiados por Vasco Gonçalves de Março a Setembro de 1975) e responsável por uma proposta legislativa que pretendia criar uma Comissão de Análise**. Deve ter sido um dos momentos altos da semântica revolucionária, em que, eliminada a Comissão de Censura a 25 de Abril de 74, se instauraria um ano depois uma outra, que não censurava, apenas analisava…
** Comissão de Análise dos Meios de Comunicação Social de seu nome completo, seria constituída por seis militares e teria por finalidade ajuizar da existência de práticas condenáveis e aplicar sanções pecuniárias.
OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 3
Bhopal era e continua a ser, de entre as cidades importantes da Índia, a mais central (acima). Ao mesmo tempo era a capital de um Estado Principesco com o mesmo nome de uma importância de 19 salvas de canhão – idêntica à de Travancore. Contudo, Bhopal, apesar de ter uma área idêntica (cerca de 18.000 km²) a Travancore, era um Estado muito menos povoado – tinha apenas 730.000 habitantes em 1931. Sobretudo o que distinguia os dois Estados em 1947 era o facto de Bhopal possuir um soberano muçulmano (designado por Nawab), apesar da maioria da população ser hindu.Todavia essa distribuição da população por confissão não era homogénea: os muçulmanos encontravam-se em maioria nos centros urbanos e os hindus nas regiões rurais. Ainda hoje, na Bhopal moderna, que cresceu para uma população de 1,5 milhões de habitantes e é a capital do Estado indiano de Madhya Pradesh, 38% da população é muçulmana, o que é uma proporção três vezes superior à média nacional. Durante o período do Estado Principesco os muçulmanos predominavam na administração, tanto mais que o idioma empregue, a par do inglês, era o persa e o urdu (abaixo).
Mas o que tornava a História de Bhopal mais exótica foi a sucessão de mulheres que ocuparam o trono e exerceram o poder de facto entre 1819 e 1926: Qudsia (1819-1837), Sikander Jahan (1844-1868), Shahjahan (1868-1901) e Kaikhusrau Jahan (1901-1926)*. Em 1947, quando se colocou o problema da Adesão do Bhopal, o Nawab era o filho da última, Hamidullah Khan. Era conhecido pela sua antipatia para com o Congresso, não só do ponto de vista comunitário-religioso como também do ponto de vista político, a quem lhe desagradava as tendências socialistas, especialmente Nehru.A realidade é que a geografia não ajudava nada às pretensões de Hamidullah Khan: o Estado de Bhopal, para além da maioria demográfica de hindus, estava situado bem no interior e numa região que naturalmente viria a pertencer à Índia. As dificuldades por si colocadas acabaram mais por ser de carácter protocolar do que realmente substantivas: pediu, por exemplo, que a data limite para assinar a Adesão fosse excepcionalmente alterada no seu caso em mais dez dias. Recusaram-no, mas o Vice-Rei teve a cortesia de guardar o documento assinado no seu cofre durante esses dias adicionais…
À margem da História principal, vale a pena dizer que de Bhopal houve depois um forte movimento de emigração de quadros extremamente qualificados para o Paquistão depois da Partição e da Independência. Uma das emigrantes foi a própria filha mais velha e herdeira do Nawab, Abida, que emigrou com a família para Karachi em 1950. A sucessão do título passou então para a filha mais nova, Sajida. Outra família muçulmana de Bhopal que também emigrou por essa altura (1952) foi a de Abdul Qadeer Khan, aquele que virá a ser considerado o pai da bomba atómica paquistanesa…
(Continua)
* Na Europa, só nos Países-Baixos é que se passará um fenómeno semelhante: depois da Rainha Guilhermina (1890-1948), seguiu-se a sua filha Juliana (1948-1980) e agora a sua neta Beatriz (1980- ).
10 dezembro 2008
REVOLUCIONÁRIOS DE 1975 – 2
O PREC tem mais do que um episódio clímax que assinale a saturação da maioria da população com os aspectos excessivos de que ele se estava a revestir. Em termos de proclamações ideológicas a saturação terá sido o discurso proferido em Almada por Vasco Gonçalves em Agosto de 1975 (imagem inicial); em termos de tolerância quanto aos métodos usados para a luta política essa saturação terá sido o cerco à Assembleia Constituinte em Novembro (imagem acima); e em termos institucionais a saturação terá sido a cerimónia do Juramento de Bandeira do Ralis (vídeo abaixo) a 21 de Novembro de 1975.
Vale a pena contar os detalhes da cerimónia, presidida (não sei se o conceito terá cabimento numa atmosfera tão igualitariamente revolucionária…) pelo Chefe do Estado-Maior do Exército da altura, General (graduado) Carlos Fabião e contou com a presença insigne de elementos da Coordenadora das Comissões de Trabalhadores e Moradores da Zona do Ralis, um dos quais, a Operária Têxtil Lurdes, também discursou aos soldados: Cabe-me a honra, pela primeira vez concedida a uma operária deste país, de vos dirigir umas palavras no dia em que prestais juramento de bandeira.
Acima, pode-se ler o texto do juramento então prestado pelos soldados do Ralis. Para os revolucionários a fórmula do juramento parecia ser tão importante que merecia a sua impressão para divulgação. Para os que não eram revolucionários o texto pareceu tão insólito que mereceu a sua preservação até à actualidade… Encarregado de toda aquela cenografia encontrava-se o então Capitão Diniz de Almeida, herói do 11 de Março de 1975 (abaixo ao centro), hoje Psicólogo Clínico e Dentista no Cadaval, mandatário concelhio da candidatura de Jerónimo de Sousa nas últimas eleições presidenciais.OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 2
Cronologicamente, o primeiro Estado Principesco a divergir em relação à solução ou Índia ou Paquistão nem o fez por razões religiosas. Travancore tinha 18.000 km² e 3 milhões de habitantes e situava-se na ponta sudoeste da península indiana no extremo meridional da Costa do Malabar. Embora a maioria da população local fosse hindu, a região será a mais cosmopolita do ponto de vista religioso de toda a Índia: no actual Estado de Kerala que resultou da junção de Travancore com as regiões adjacentes, 56% da população são hindus, 25% são muçulmanos e 19% são cristãos.Embora não fosse um dos Estados Principescos mais importantes (o Maharaja tinha direito apenas a 19 salvas de canhão…), Travancore possuía um percurso histórico peculiar: havia vencido uma armada holandesa em 1741, na Batalha de Colachal, uma das raras vezes, depois da chegada de Vasco da Gama (1498), em que um país asiático vencera uma potência europeia até à Batalha de Tsushima (1905). Pormenor curioso: o Almirante vencido, o flamengo Eustáquio de Lannoy acabara por ficar na Índia ao serviço do vencedor, modernizando-lhe a Marinha e o Exército.
Aquele que se tornara o homem forte de Travancore a partir de 1936 também era, de uma certa forma, um estrangeiro. Apesar do seu nome complexo, Chetpat Pattabhirama (C.P.) Ramaswami Aiyar era um advogado de sucesso, completamente ocidentalizado, que nascera em Madrasta, região de cultura tamil. Originalmente colaborara com o Partido do Congresso (fora seu secretário, conjuntamente com Nehru, no período 1917-18) mas inflectira na sua carreira para uma atitude mais colaborante com os britânicos. Fora já com o seu título de Sir que aceitou o cargo que o Maharaja lhe ofereceu.Sir C.P. (abaixo), como passou a ser conhecido, no melhor estilo britânico de abreviar um nome demasiado complexo para pronunciar, tornou-se assim o Dewan (chefe de governo) de um Estado onde o Maharaja não se mostrava particularmente entusiasmado em exercer o poder. Como um advogado atento, logo desde Fevereiro de 1946, Sir C.P. antecipara quais seriam as consequências legais do abandono da Índia pelos britânicos: o Estado de Travancore readquiriria o estatuto de independência que gozara até 1795, data da assinatura do Tratado que firmara com a Companhia das Índias Orientais…
Apesar da forte influência local do Congresso e também do Partido Comunista Indiano, apesar das pressões vindas de Nova Deli, onde se contavam também as do Vice-Rei Lorde Mountbatten, o Dewan mostrava-se inflexível na sua determinação de que Travancore a partir de 15 de Agosto de 1947 seguisse um caminho distinto do da Índia e do Paquistão, tanto mais que haviam sido descobertos depósitos de monazita, que era o material de onde se extraía o tório, um elemento radioactivo, então considerado um elemento fundamental para as pesquisas nucleares e de interesse estratégico.Num dos episódios menos conhecidos e também menos heróicos da História da futura Índia, tudo se veio a resolver em seu proveito entre 25 e 30 de Julho de 1947. A 25 Sir C.P. foi vítima de um atentado e esfaqueado na cara e no corpo, tendo sido operado de emergência. O recado foi bem compreendido e foi o próprio C.P. convalescente que recomendou ao Maharaja de Tranvacore que ele assinasse a Adesão cinco dias depois. Sir C.P. sobreviveu mas abandonou o cargo passadas três semanas. Veio a morrer como um gentleman, adormecido no cadeirão de couro do seu clube, em Londres…
09 dezembro 2008
OS ESTADOS PRINCIPESCOS DA ÍNDIA – 1
No seguimento dos recentes acontecimentos de Bombaim, vale a pena ir ao passado retirar algumas pequenas histórias e ensinamentos sobre a questão da comunidade muçulmana da Índia que poderá ter desencadeado aqueles acontecimentos. Claro que o momento marcante da Índia moderna (e aqui entenda-se a designação no sentido amplo do subcontinente) é o da Independência e Partição de 15 de Agosto de 1947, quando o Império, construído sob a égide britânica, alcançou a independência ao mesmo tempo que se dividia em duas grandes nações: a Índia e o Paquistão.A questão da Partição irá permanecer para sempre controversa. Depois da leitura de alguns livros sobre o tema, parece-me que se podem sistematizar as acusações para o acontecido em três categorias distintas: a de que os dirigentes do Partido do Congresso (especialmente Gandhi) subestimaram por tempo demasiado as pretensões de Jinnah e da Liga Muçulmana; a de que Jinnah se veio a revelar um tal obcecado com o poder que inviabilizou a obtenção de um acordo entre as duas comunidades; a de que os britânicos se aproveitaram cinicamente das rivalidades para melhorarem a sua posição negocial.
Provavelmente haverá fundamento em todas as três acusações… Mas o que nos poderá interessar agora foi um argumento usado pelo Congresso contra a Liga por altura da Partição: a de que a constituição do Paquistão só resolveria parcialmente o problema que a Liga invocava: quase 30% dos 115 milhões de muçulmanos com que o Império então contava (em 1947) continuariam a viver em regiões que viriam a fazer parte da nova Índia independente… Mas esse será o paradoxo da Partição que é mais conhecido; o outro, o dos Estados principescos é-o menos, por isso vale a pena falar dele.Uma parcela (30% do território e 24% da população) do Império das Índias não pertencia verdadeiramente aos britânicos sendo administrada indirectamente pelos seus representantes administrativos. Denominados em conjunto por Princely States of India (Estados Principescos da Índia), a primeira curiosidade a seu respeito é a da sua quantificação: é que as fontes não se entendem sobre quantos havia… O número que costuma ser mais usado é 565, mas há quem refira 521 ou 641, há outras fontes que se mostram cuidadosamente imprecisas, e a precaução manda-nos utilizar a notação 500+…
Havia a questão das características heterogéneas desses Estados Principescos, desde o maior, que era Hyderabad (no centro do mapa acima), que representaria, quer em área (214.000 km²), quer em população (16 milhões de habitantes), um pouco mais do dobro de Portugal, até aos mais pequenos, que eram típicas grandes propriedades latifundiárias de algumas centenas de hectares e uns escassos milhares de habitantes que, por um qualquer erro histórico, haviam ficado com o atributo da soberania. Mas, com mais potencial para tratamento jornalístico do que os estados, eram os próprios Príncipes…Claro que em 500+ príncipes havia imensas possibilidades para monarcas excêntricos. Em Esta Noite a Liberdade, Lapierre e Collins, dedicaram todo um capítulo (Os elefantes, os Rolls e os Maharajas) às idiossincrasias de alguns dos monarcas mais castiços do Raj. Mas não havia necessidade… Mesmo no protocolo estabelecido pelos próprios britânicos existia um sistema, tão exótico quanto ridículo, de os hierarquizar pelo número de salvas de canhão a que tinham direito quando de uma cerimónia, desde as 21 devidas ao Nizam de Hyderabad ou ao Maharaja de Mysore até às 3 de um Nawab de Mija-na-escada…
Ora um dos paradoxos mais desconhecidos associados à Partição de 1947 é que, dado o estatuto de que gozavam sob tutela britânica, e respeitando escrupulosamente o ponto de vista do Direito Internacional, todos aqueles 500+ soberanos teriam direito a pronunciarem-se por ocasião da cessação dessa tutela: ou escolhiam que o seu Estado se integrasse na Índia, ou no Paquistão, ou então pela reaquisição da Independência. Em rigor, o Império correu o risco de desmoronar e o facto de esse risco ser hoje apenas uma nota é uma boa medida do sucesso dos esforços feitos para a integração dos Estados Principescos.Mas, mesmo que o processo (designado por Accession – Adesão) tenha decorrido de uma forma excelente (com 99% de sucessos!) sempre restaram uma meia dúzia que decorreram de forma acidentada. Como seria de esperar, as excepções aconteceram precisamente entre os Estados Principescos de maior dimensão. Vale a pena contar a história dessas excepções, especialmente, como já acima referi e dada a oportunidade dos acontecimentos de Bombaim, a dos casos em que monarcas muçulmanos voluntariosos procuraram na época forçar a adesão dos seus Estados maioritariamente hindus ao Paquistão…
08 dezembro 2008
A HARMÓNICA DE “ONCE UPON A TIME IN THE WEST”
Embora não seja a canção principal do filme, é a música Man with a Harmonica de Ennio Morricone que acaba por dominar a banda sonora de Once Upon a Time in the West (1968), filme realizado por Sergio Leone. É ela que acompanha a cena final do duelo entre o bom, Charles Bronson, e o mau, Henry Fonda.Observando aquela famosa cena de Western Spaghetti (acima), chega a tornar-se engraçado (além de paradoxal…) o cuidado cavalheiresco que é dedicado à coreografia dos duelos numa sociedade que, ao mesmo tempo, parece mostrar um total desinteresse por todos os outros valores - incluindo o da vida humana…
Mas aquilo que acaba por nos ficar impregnado é aquele preâmbulo dominado pelo solo lancinante e sofrido da harmónica (acima) que nos leva a simpatizar instintivamente com Charles Bronson, apesar da sua quase absoluta falta de expressividade…
REVOLUCIONÁRIOS DE 1975 – 1
Do lado esquerdo desse grupo, o oficial de boné debaixo do braço e óculos escuros na mão é o capitão Duran Clemente, que todo o país virá a conhecer a 25 de Novembro nos ecrãs da RTP mas com barba e envergando camuflado (veja-o nesse outro look na fotografia mais abaixo) embora houvesse algo de paradoxal naquele aspecto tão combativo num oficial que pertencia a um serviço como o de administração militar…
Pelo contrário, as referências como combatente do oficial que aparece imediatamente ao seu lado esquerdo mas um pouco mais para atrás, e que parece estar a olhar para qualquer coisa divertida que acontece à sua direita são verdadeiramente impecáveis: trata-se de capitão Matos Gomes e a insígnia da sua boina indica que pertencia ao Regimento de Comandos. Dali por um par de semanas abandonaria aquela unidade por a considerar reacionária…
Do lado oposto da fotografia, também reflexivo, o pensativo fumador de charuto é o coronel Varela Gomes. A sua reputação revolucionária vinha desde o Golpe de Beja de 1961. Expulso do Exército, atravessará assim todo o período da Guerra Colonial (1962-74) sem se aperceber das mutações que ele estava a sofrer, só tendo sido reintegrado depois do 25 de Abril. Ficou com a reputação de ter sido o último a dar-se por vencido a 26 de Novembro de 1975…
Constatação que o Exército naquelas Assembleias também se democratizara em relação ao antigamente comprova-se pela presença casualmente central de um aspirante a oficial também reflexivo (e também revolucionário, deduzir-se-á…) que dá uma passa profunda no seu cigarro ao caminhar entre Duran Clemente e Varela Gomes, enquanto parece acompanhar os dois oficiais revolucionários mais antigos nas suas inquietações…
E, por outro lado, a fotografia é demonstrativa que há coisas que parecem não conseguir mudar. Apesar da Armada ser à época considerado o mais revolucionário dos três ramos das Forças Armadas, o seu tradicional formalismo parece permanecer vivo na pessoa do oficial da Armada à esquerda, um guarda marinha que parece pedir lume a um oficial fuzileiro e que é, de todos à vista, o único que aparece de farda branca, a rigor…
No extremo direito, um alferes alourado, de óculos escuros e boina na mão, parece caminhar apressado, como se fosse fugir à objectiva do fotógrafo. Tem todo o aspecto do oficial miliciano típico e podemos interpretar a sua pressa como não querendo fazer parte daquela fotografia…

Adenda de 10Set2013: Graças às informações disponibilizadas por Duran Clemente na sua página de facebook, fica-se a saber que o aspirante reflexivo se chamava José Conduto (já falecido) e que o alferes apressado se chama Luís Gottschalk e que afinal teria imenso gosto em aparecer na fotografia...
07 dezembro 2008
JOSÉ LELLO, A MULA DA COOPERATIVA E A ANDOUILLETTE
Dada a quadra que está a chegar, vale a pena recordar as circunstâncias em que José Lello terá começado por atingir alguma notoriedade pública. A especialidade de Lello, que acabou por lhe dar uma reputação de indivíduo muito espirituoso, era a de escolher livros como prendas de Natal para os seus colegas da classe política. A piada estava nos títulos dos livros escolhidos, recentes e que continham sempre alguma referência que se associava facilmente ao político prendado. A lista tinha piada e repetiu-se no Natal seguinte, no seguinte e no seguinte…
A certa altura A Lista do Lello tendeu a tornar-se mais uma tradição natalícia, assim no estilo da aparição do Max a cantar A Mula da Cooperativa (acima) no Natal dos Hospitais: de tão repetido aquilo já não tinha piada nenhuma mas toda a gente sorria para mostrar quanto estava bem disposto… Depois disso, em cada intervenção mediática de José Lello, pelo seu estilo, não consigo evitar lembrar-me da definição de política de Édouard Herriot (1872-1957): A política é como a “andouillette”: deve cheirar sempre um pouco a merda, mas não em demasia.
* La politique, c'est comme l'andouillette. Ça doit sentir un peu la merde, mais pas trop. A andouillette (na fotografia acima) é um enchido tradicional francês feito com bocados de tubo digestivo de porco ou de vaca recheados. Como se depreende da citação, mesmo depois de cozinhado, tem um aroma específico…
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- PAI! ESTOU A TENTAR PASSAR POR INGÉNUO…
Desde o princípio que a conduta de Dias Loureiro em reacção ao escândalo do BPN em que ele se viu envolvido me tem intrigado. Há todo um conjunto de gestos que ele podia ter feito, melhor dito, devia ter feito, e não fez. Um exemplo: mandariam as regras da boa educação que ele tivesse falado previamente a António Marta, informando-o da sua intenção de tornar pública a sua versão da conversa que eles haviam tido em 2001. Se tivesse sido assim, conhecendo de antemão a reacção de Marta, poderia ter evitado o desmentido. E mesmo se continuasse a querer tornar a sua versão pública, apesar do desmentido do interlocutor, poderia tê-lo feito antecipando o que se seguiria… É inacreditavelmente inábil!Para todos os efeitos, o desfecho daquilo que venha a acontecer futuramente, tanto mediática quanto judicialmente, a Dias Loureiro já está amarrado a Cavaco Silva. O próprio Dias Loureiro será o único conhecedor cabal da exposição em que se poderá encontrar. Mas só uma dose incomensurável de ingenuidade de Dias Loureiro é que o poderá ter feito acreditar que se conseguiria manter incólume à ofensiva de investigações jornalísticas que se iriam seguir às notícias do escândalo do BPN. Os resultados dessas investigações aí estão, fornecidas em doses diárias como os capítulos das telenovelas, como os jornais as gostam de rentabilizar e como elas costumam produzir mais efeito de desgaste…
06 dezembro 2008
MAIS CONVERGÊNCIAS À ESQUERDA…
Em finais de Agosto de 1975, estava o PREC ao rubro, e apareceu a notícia que houvera um conjunto de oito organizações revolucionárias que decidiram, em conjunção com o MFA e órgãos autónomos do poder popular, formar uma Frente, denominada Frente de Unidade Revolucionária (FUR). No comunicado conjunto que a anunciava, escrevia-se também que se havia decidido constituir um secretariado provisório para a coordenação de uma ofensiva comum contra a reacção e pelo avanço do processo revolucionário.
Entre as oito organizações que compunham inicialmente a referida FUR (1º de Maio, FSP, LCI, LUAR, MES, MDP/CDE, PCP e PRP-BR) notava-se a ausência de qualquer organização de inspiração maoista (FEC(M-L), MRPP, PUP ou UDP) assim como o aparecimento de uma organização que eu nunca ouvira antes falar em 16 meses de revolução (1º de Maio) e que a iria atravessar tal qual (em vez de uma estrela...) um cometa revolucionário, pois 24 horas depois de integrar a FUR abandoná-la-ia para nunca mais dar notícias de si…
Menos de uma semana passada sobre a constituição da FUR (1 de Setembro), o PCP parecia pressentir a alteração da correlação de forças dentro da organização onde verdadeiramente tudo se decidia (as Forças Armadas) e abandonava a unidade revolucionária alguns dias antes da queda de Vasco Gonçalves (5 de Setembro), descomprometendo-se na sua posição negocial para as fases seguintes da revolução. No entanto, dentro da FUR havia-se deixado ficar a sua outra encarnação, o MDP/CDE, também dirigida por militantes seus…
Durante os quase três meses que se seguiram – entre os princípios de Setembro até ao 25 de Novembro de 1975 – o PCP continuou a conseguir a proeza de conseguir estar em todo o lado simultaneamente mas sem se comprometer verdadeiramente com lado nenhum: por um lado, estava representado no VI Governo Provisório com um ministro (Veiga de Oliveira, na pasta das Obras Públicas) ao mesmo tempo que acompanhava, senão mesmo dirigia, através da FUR, os movimentos que o contestavam: abaixo, lembre-se o cerco à Assembleia Constituinte...
A 26 de Novembro de 1975, todas as organizações que haviam sido parte integrante da FUR, mais algumas que dela não faziam parte (UDP), além de outras siglas que haviam sido entretanto desencantadas (como os SUV - Soldados Unidos Vencerão!) seriam consideradas como tendo estando, indiscutivelmente, do lado vencido no dia anterior. O PCP nem por isso...
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