02 janeiro 2019

ULTIMA THULE: JÁ HÁ FOTOS; JÁ SE COMPÔS UMA MUSICA; E JÁ SE ESCREVERAM AS TRADICIONAIS ASNEIRAS QUANDO A NOTÍCIA É SOBRE ASSUNTOS CIENTÍFICOS

Conforme fora programado e (muito) propagandeado, a sonda New Horizons (que se celebrizou pelas primeiras fotografias de Plutão) já realizou a aproximação (3.500 km) a um muito pequeno corpo celeste (com cerca de 32 km de diâmetro, apenas) que tendo vindo a ser oficiosamente denominado por Ultima Thule, para efeitos de promoção mediática desta fase da missão. A notícia publicada pelo Diário de Notícias dá conta disso ou, como se lê no subtítulo acima, dá conta que «já há fotos do lugar mais distante do sistema solar» (por acaso, não é...) e que «Bryan May (dos Queen) compôs (um)a música». Já agora, permitam-me acrescentar (mantendo uma tradição jornalística quando as notícias versam sobre ciência), a jornalista Valentina Marcelino também contribuiu para o acontecimento com a sua ignorância e as suas asneiras. Como a que acima sublinhei, inventando temperaturas abaixo do zero absoluto!!! Será que a senhora jornalista percebe o que se entende por zero absoluto? Duvido. Pergunta-se: para que é que põem uma pessoa completamente ignorante a redigir uma notícia sobre um assunto sobre o qual nada entende? Mas o pior nem é isso; o pior é o desdém como não são incorporadas as rectificações das chamadas de atenção de quem ainda se dá ao trabalho de lhes apontar os erros na caixa de comentários (abaixo).

01 janeiro 2019

OS «SAUDOSOS» DISCURSOS DE ANO NOVO DO ALMIRANTE AMÉRICO THOMAZ

2 de Janeiro de 1969. Enterrado numa das páginas mais discretas do interior da edição do Diário de Lisboa repousa a pièce de résistance do discurso de Ano Novo que fora pronunciado no dia anterior pelo presidente da República, almirante Américo Thomaz, nessa altura devidamente transmitida pela rádio e pela televisão e que agora era reproduzido pelos jornais. O aspecto da página (que hoje qualificaríamos por wall of text de apresentação desencorajante) transmite a essência, o interesse e a vivacidade da comunicação presidencial, para mais vinda de um locutor que todos reconheciam fraco, tanto na forma, quanto no conteúdo. Cinquenta anos passados, já são poucos os que têm memória de como os discursos de época desta época eram insuportavelmente chatos.

31 dezembro 2018

IMAGENS DE 2018 - O TURISMO DE GALOCHA

Veneza, 30 de Outubro. Um par de turistas asiáticas exibe-se exuberantemente com as suas compras na emblemática Praça de São Marcos que está inundada e onde a água a atinge uma altura acima do joelho. O comércio local tenta reagir como pode às circunstâncias, criando um conjunto de imagens bizarras que percorreram mundo.

A QUEDA DE UMA DITADURA E A EMERGÊNCIA DE OUTRA


31 de Dezembro de 1958. O presidente (e ditador) cubano Fulgêncio Batista (1901-1973) anuncia a sua renúncia ao cargo durante a festa do réveillon. A cena foi recriada em 1974 no filme O Padrinho II (acima), onde se enfatizam as celebrações populares e onde, pela capacidade de antecipar os acontecimentos, se deixa a insinuação que aquela revolução que iria colocar de seguida Fidel Castro no poder, fora acompanhada de perto, senão mesmo financiada, pelo próprio Padrinho, Michael Corleone. Um Fidel Castro (1926-2016) que - nunca é demais recordar! - irá estabelecer uma outra ditadura e permanecer pessoalmente no poder em Cuba pelos próximos cinquenta anos.

30 dezembro 2018

JOSÉ GOMES FERREIRA, QUANDO PÕE OS ÓCULOS,...

...É PORQUE SE PREPARA PARA DAR SOLUÇÃO AO PROBLEMA!
AQUI ABAIXO TEMOS JOSÉ GOMES FERREIRA COMO COMANDANTE DOS BOMBEIROS...
E NESTE OUTRO "BONECO" TEMOS JOSÉ GOMES FERREIRA COMO ENGENHEIRO CIVIL...
HAVERÁ ELE ASSUNTO SOBRE O QUAL JOSÉ GOMES FERREIRA NÃO MANDE O SEU "BITAITE"?...
 Afinal, a SIC Comédia não desapareceu totalmente; dissolveu-se em formato rebuscado na SIC Notícias... 

28 dezembro 2018

A HISTÓRIA DE UMA GRANDE MENTIRA E DE UMA «PEQUENA» EVIDÊNCIA GEOGRÁFICA

Felizmente, depois de ter corrido grandes perigos, Portugal parece ter escapado por agora ao fiasco europeu dos comboios de alta velocidade, e isso apesar do empenho de José Sócrates e dos seus governos. A Europa até se podia dispor a financiar a quase totalidade do investimento (95%, diziam eles...), mas os resultados de exploração de quem os tinha (como a França) mostravam inequivocamente quanto o risco era enorme de que tudo não resultasse em mais uma - dispensável - catástrofe financeira. Era uma daqueles prendas que, mesmo que nos fosse dada, havia de sair-nos cara... Hoje, parece um assunto encerrado ou, quanto muito e por razões de decoro, pontapeado para voltar a ser discutido com os espanhóis no dia de são nunca à tarde. Ainda há um punhado de meses, o novo líder do PP espanhol, Pablo Casado, mostrou a sua (menos) valia política (mesmo acabado de eleger), ao adicionar o assunto do TGV Lisboa Madrid ao encontro que teve com Rui Rio (que lhe respondeu, naturalmente e como Costa havia feito com Rajoy, mandando o assunto para o tecto). Note-se que um dos equívocos mais patentes quando se tratou deste assunto entre os seus entusiastas em Portugal e em Espanha era a nuance do discurso, com os espanhóis, prosaicos, a falar da ligação por TGV entre Lisboa e Madrid, e os nossos, visionários, a quererem ligar-se «às capitais europeias». E é a propósito desse equívoco que vale a mostrar uma daquelas evidências geográficas, que se baseia até num mapa do Ministério do Fomento espanhol onde estão realçados aqueles que eles consideram ser os principais eixos da sua rede viária doméstica (acima). Os meus acrescentos são duas setas pretas no canto superior direito, que destacam os dois eixos principais das ligações de Espanha com França, contornando a cordilheira dos Pirenéus que as separam. Sendo o eixo de Ocidente o mais próximo de Portugal, será por aí que se devem estabelecer as nossas ligações mais rápidas com as capitais europeias (plural): não apenas com Madrid, mas sobretudo com Paris, Bruxelas, Londres, Berlim, Roma... Mas agora repare-se nos três corredores de aproximação (vindos do Porto, de Lisboa e Faro) que eu tracei, vindos de Portugal: nenhum deles passa por Madrid. As nossas mais eficazes ligações terrestres com a Europa não passam - nunca passaram... - por Madrid. Todavia, na perspectiva do outro lado, uma perspectiva que até é mais castelhana que espanhola, o que para eles é prioritário é completar até ao mar a conexão que, no mapa acima, vinda de Madrid, se detém em Badajoz, reforçando com isso a centralidade madrilena. Como acima se pode observar, para eles, Madrid representa o centro de toda a conectividade de Castela com os litorais (e nós somos mais um). Por isso, em toda esta embrulhada história dos TGV, cujo principal traçado nunca ficou bem definido, se a ideia é fazer (mais) um TGV de Lisboa a Madrid a preocupação é deles e a prioridades é deles - já que, até agora, os prejuízos inerentes a todas as outras ligações também o foram... Estamos bem assim. Mas sobretudo, antes de voltarem a discutir o assunto, não o façam no ar e olhem para os bonecos!

O QUE PODERIAM SER MANCHETES TÍPICAS ADEQUADAS À ÉPOCA...

...a quadra é parca em notícias, predominam os balanços do ano e as entrevistas de fundo, a Carolina Patrocínio está ocupada com as crianças (dela), e só está disponível António Lobo Antunes, que até tem ar de avozinho mas nunca gostou muito delas (crianças), e que até pode ter uma compilação de pensamentos muito interessantes expressos em entrevistas ao longo do ano que finda...

27 dezembro 2018

A MAIS ICÓNICA FOTOGRAFIA DO NOSSO PLANETA

Se são muitos, porventura milhões, os que recordam aquela que será a mais icónica fotografia do nosso planeta, fotografado por um dos membros da tripulação da Apollo VIII na véspera de Natal de há cinquenta anos, serão bem poucos, talvez menos de meia dúzia, os que recordarão que a cena havia sido antecipada (com um retoque de humor...) por Jo-El Azara e Vicq, os autores de Taka Takata, num dos números da edição da revista Tintin (francesa) de Agosto de 1967.

COMO SE SE TRATASSE DE UM «TIJOLO POLÍTICO»...

Se calhar, olhando para a justaposição destas duas notícias acima, alguma razão assistiria àqueles que, há seis anos, queriam encerrar a maternidade Alfredo da Costa... Foi só uma ideia que me ocorreu. Mas o que tornará todo este último episódio da falta de anestesistas verdadeiramente ridículo é a mudança das atitudes: aqueles que eram os mais exuberantes contestatários de há seis anos (comunistas e bloquistas), agora não se dá por eles em discreto silêncio, e são aqueles (pafistas), que deveriam ter saído nessa altura em defesa da solução do encerramento, que agora parecem protagonizar as críticas mais severas a uma situação num hospital cuja solução preconizada pelo seu governo havia sido a do seu encerramento. Esta permuta de papéis, tão comum em política, é coberta por uma comunicação social que mostra não ter memória do que aconteceu na semana passada (nem disposição para a ir buscar...). Assim sendo, vale a pena atribuir alguma seriedade à discussão pública sobre o destino da maternidade Alfredo da Costa? Ou o assunto não passará de uma espécie de tijolo político que se arremessa a quem está no governo ao sabor das circunstâncias?

26 dezembro 2018

THERESA MAY A ATRAVESSAR A PASSADEIRA DE ABBEY ROAD


É engraçado quanto os assessores de imagem se esforçam por criar uma cenografia que faça esquecer os incidentes da edição anterior do evento, mas, por deficiência óbvia da protagonista, surgem novos incidentes memoráveis, a ter que cuidar para uma próxima edição - caso venha a existir...

25 dezembro 2018

A PRIMEIRA EMISSÃO DO 2º PROGRAMA DA RTP

25 de Dezembro de 1968. A RTP inicia as suas transmissões regulares do seu segundo programa, que era emitido em frequências de UHF (ao contrário do primeiro, que era emitido em VHF). Isso fazia com que muitas televisões já instaladas, por não disporem de meios de captação das frequências mais elevadas, não estivessem habilitadas a captar as emissões do novo programa. Além disso, exigia-se a instalação de uma antena exterior suplementar. E, acentuando a especificidade do novo programa, até a mira técnica que fora instalada para a sintonização (acima) era inteiramente distinta da do primeiro programa. Porém, significativo - só se percebeu depois... - de que as aparências eram mais do que a substância e de que o invólucro não corresponderia ao conteúdo, a emissão inaugural do programa (abaixo) começou pela transmissão em simultâneo do telejornal que passava no primeiro programa!
Não se pode dizer que constituísse uma alternativa ... Durante esta primeira semana de lançamento, conforme se pode ver pela programação pré anunciada nos jornais da época, a duração das emissões raramente ultrapassaria as duas horas e meia de emissão diária, e onde a meia hora inicial era o obrigatório telejornal conjunto com o primeiro programa. O resto da emissão dedicava-se a repetições de programas que já haviam sido emitidos. Do ponto de vista prático, e durante os primeiros anos que se seguiram, receber as emissões do segundo programa foi algo que era importante dizer que se tinha, não era para usufruir. Só alguns anos depois é que o segundo programa começou a transmitir alguma programação, pouca, que não fora transmitida previamente, mas houve que esperar uma década (até 1978) para que se concretizasse a ideia de o constituir como um canal autónomo.

A INVASÃO VIETNAMITA DO CAMBOJA

25 de Dezembro de 1978. Depois de três anos e meio de uma hostilidade progressivamente crescente, em que o último ano se regera até por uma conflitualidade militarmente assumida, o Vietname decide-se a pôr fim às relações agitadas que vinha a manter com o Camboja, invadindo este último país. A campanha militar que se seguiu, uma invasão canónica protagonizada pelos vietnamitas, pode ser sintetizada e simbolizada pela fotografia acima: dois prisioneiros cambojanos na frente da foto (o da direita usa o krama, o lenço identificativo dos khmers vermelhos) são conduzidos pelo meio de uma plantação por dois soldados vietnamitas armados (no da esquerda reconhece-se o tradicional capacete norte-vietnamita). A vitória dos invasores - como se pode ver pelo vídeo abaixo - demorou apenas um par de semanas: a 7 de Janeiro de 1979 eles haviam conquistado Phnom Penh, a capital cambojana, onde instalaram um governo composto por cambojanos, mas obediente às suas directivas. Mas esses episódios iriam ser apenas o começo de um novo conflito sangrento que se iria prolongar por mais dez anos, em que as novas autoridades e o Vietname, agora como força ocupante, iriam ser contestadas por uma guerrilha patrocinada pela China e - numa certa vindicta - pelos Estados Unidos. Ao longo desses dez anos (1979-1989), centenas de milhar de conscritos vietnamitas passaram pelo Camboja como tropas de ocupação, num rodízio que, apenas por ser desconhecido no Ocidente, não deixa de ser menos real nos seus traumas e consequências. Com a clarividência adquirida nestes 40 anos, tratou-se de uma guerra onde se confrontaram os maus... e os péssimos.

Mas isso é apenas parte da história de há 40 anos que aqui se quer contar. Outra parte tem a ver com a forma como a imprensa comunista (e não só) de então tentava digerir acontecimentos que escavacam toda a narrativa romântica como se concluíra a história da Guerra do Vietname. Esta última acabara num happy end, com a queda de Saigão e a vitória dos mais fracos versus o ogre norte-americano. Só que a História continua, e a continuação deu em expor as clivagens nacionalistas e ideológicas entre as várias facções vencedoras. Se os conflitos entre países capitalistas eram apenas uma consequência da natureza malévola desses regimes e se os conflitos entre países capitalistas e socialistas tinham a limpidez cristalina de quem eram os bons e de quem eram os maus, para um jornal como o Diário de Lisboa de 26 de Dezembro de 1978 (não havia edição no dia de Natal), noticiar a invasão de um país socialista (Camboja) por outro país socialista (Vietname) era uma atrapalhação dialéctica. É assim que vemos o assunto a ser remetido para uma página interior (p.12), misturado entre assuntos avulso e com menor destaque que a instauração da lei marcial na Turquia ou a aprovação de um novo plano económico na China. E repare-se que, mesmo salvaguardando os exageros, normais nestas ocasiões, o Vietname anunciava então a morte de 400 soldados inimigos como um indicador da violência dos combates. Porque o período noticioso (natalício) é rigorosamente o mesmo, e as paragens geográficas próximas, tome-se para referência o destaque noticioso que está a ser dado a um número semelhante de mortos provocados pelo tsunami na Indonésia...

24 dezembro 2018

«STILLE NACHT, HEILIGE NACHT» (NOITE FELIZ)


24 de Dezembro de 1818. Há precisamente 200 anos. aquela que será a mais popular canção de Natal da actualidade tinha a sua estreia mundial na Missa do Galo de uma capela de uma remota paróquia austríaca, situada na fronteira com a Baviera. A todos os que vão acompanhando estas evocações diárias, mas descompassadas em tema, de acontecimentos mais ou menos históricos, endereço os meus votos de um Natal Feliz.

O ACIDENTE DE ALMEIDA SANTOS

Há cinquenta anos, numa das suas páginas interiores, onde se noticiavam os acontecimentos locais, o Diário de Lisboa dava conta de um «choque de automóveis ocorrido próximo da Polana, em Lourenço Marques» (Moçambique), de onde saíra bastante ferido o futuro dirigente socialista António Almeida Santos, que fora suturado com «mais de duzentos pontos no crânio e nas faces». Uma indicação que o advogado oposicionista era uma figura local suficientemente relevante para que o seu acidente se tornasse numa notícia na metrópole.

(OUTRAS) FANTASIAS DE NATAL


Só durante a idade da inocência de outros tempos é que as Fantasias de Natal podiam ser anunciadas na TV sem que as redes sociais viessem complementarmente lembrar-nos em imagens, em que é que podiam consistir os formatos dos bonecos depois de despojados das pratas envolventes: um sujeito tão simpático quanto o Pai Natal pode transfigurar-se num pénis de chocolate!

23 dezembro 2018

HERBERT HOOVER NO BRASIL

23 de Dezembro de 1928. Com a despedida do Rio de Janeiro (que era então a capital do Brasil), Herbert C. Hoover, então o presidente eleito dos Estados Unidos, dá por terminada a visita de cortesia que realizara a alguns países da América Latina. Hoover aproveitou os quatro meses que mediariam entre a sua vitória eleitoral de 6 de Novembro de 1928 e a sua tomada de posse, que viria a ter lugar (como era tradicional) em 4 de Março de 1929, para realizar um périplo por dez países latino-americanos que lhe tomou um mês e meio, no que se pode considerar ter sido um vasto trabalho diplomático prévio, assim como uma demonstração de boa vontade entre os países considerados à época como tradicionalmente pertencentes à esfera de influência norte americana. Vale a pena evocar este episódio antigo de noventa anos enquanto se pergunta, nas circunstâncias presentes e com o actual presidente, em que consistirá a boa vontade e em que estado estará a esfera de influência norte americana... O presidente eleito realizou a segunda parte da sua digressão a bordo do couraçado USS Utah conforme se pode ver na fotografia abaixo. A comitiva chegou aos Estados Unidos a 6 de Janeiro de 1929.

22 dezembro 2018

SE AINDA NÃO COMPROU O PERU DE NATAL...

...tem esta proposta assustadora, quase canibalesca, de o levar para a mesa com o formato de ursinho de peluche. A £15 o urso. Quem é que não quer trinchar e comer um ursinho infantil feito de carne de peru?... A entrega não abrange Portugal e felizmente ainda não devemos ter por cá empreendedores que façam ursinhos de postas de bacalhau...

O HINO RESSUSCITADO DOS «COLETES AMARELOS» PORTUGUESES

Vão... sem mim, que eu... vou lá ter...

O «PREC» DA AMÉRICA

Há três anos Donald Trump dizia precisamente tudo ao contrário daquilo que hoje está a dizer sobre o encerramento do governo (government shutdown). A completa incoerência deste presidente já nem sequer merecerá o destaque que mereceria se o presidente fosse normal, embora esta dinâmica da produção de notícias politicas nos Estados Unidos - ele há demissões de generais na Casa Branca ao ritmo de uma por semana - (1) (2) - nos faça recordar em exuberância os nossos tempos do PREC de 1975, só que nesta versão é o Otelo que ocupa a presidência e até pode usar armas nucleares... (um aspecto que tem sido cuidadosamente esquecido).

21 dezembro 2018

O PRIMEIRO PRESIDENTE DA V REPÚBLICA FRANCESA


21 de Dezembro de 1958. Um colégio eleitoral de um pouco mais de 80.000 grandes eleitores procede à eleição daquele que virá a ser o primeiro presidente da V República francesa. Concorrem três candidatos e o grande vencedor é o incontornável Charles de Gaulle que recebeu 62.400 votos, o correspondente a uns conclusivos 78,5%. Os candidatos comunista (13,0%) e socialista (8,5%) receberam votações marginais. O colégio de grandes eleitores é uma vasta e heteróclita colecção de dignatários republicanos que inclui os parlamentares (deputados e senadores), os membros dos conselhos regionais e das assembleias das possessões ultramarinas e sobretudo dezenas de milhares de autarcas que constituíam a maioria dos 81.764 cidadãos com direito a voto. Esta iria ser a última vez que as eleições presidenciais se iriam disputar com este figurino. Uma alteração à constituição, aprovada por referendo em Outubro de 1962, viria a fazer com que a eleição presidencial se passasse a disputar por sufrágio universal, o que aconteceu pela primeira vez em Dezembro de 1965.