30 abril 2006

DE UMA HIPÓTESE REBUSCADA A UMA CONCLUSÃO PREOCUPADA

Admitamos, por hipótese, que a direcção do BPI já se apercebeu que não se conseguirá opor directamente à OPA que o BCP lançou sobre o seu próprio banco. Mas é claro que, estando em jogo o que está em jogo, a luta travar-se-ia até ao fim.

Admitamos que, por causa disso, começou a desviar as áreas de confronto para outros aspectos mais periféricos, como considerações sobre o perfil do principal dirigente do BCP, Paulo Teixeira Pinto, ou sobre o nível das remunerações dos administradores do banco que os elegeu para presa.

Claro que, se assim tivesse acontecido, a fonte primária desta última notícia teria de aparentar ser o mais neutral possível, de forma a conferir-lhe um máximo de credibilidade, num país muito propenso a atribuir valor acrescentado ao que vem lá de fora. Depois tratar-se-ia do efeito de ressonância na informação nacional.

Se isto se estivesse a passar, seria muito instrutivo verificar qual a capacidade de mobilização da informação de um banco nacional de uma dimensão média quando julga estar em jogo algo que os seus dirigentes julgam fundamental para a sua sobrevivência.

Se um banco de média dimensão pudesse criar toda essa confusão, pode-se especular o que uma grande organização ou uma associação de grandes organizações poderiam fazer em caso de ameaças aos seus interesses que considerassem vitais. Poderiam lançar uma campanha para derrubar um governo?

3 comentários:

  1. Excelente pergunta. Todas as respostas (que me ocorrem) são inquietantes!

    ResponderEliminar
  2. Porque não?
    Bastaria um "investimento" no controlo da Comunicação Social, como se prova (e reprova!) no caso Berlusconi. À primeira tentativa resultou e à segunda... foi por pouco!

    ResponderEliminar
  3. Assim a modos que um Balsem..édia.

    ResponderEliminar