09 setembro 2015

«GOD SAVE THE QUEEN»

O tempo vinga-se. No dia em que a rainha Elizabeth II bate o recorde de longevidade do reinado da sua trisavó Victoria, que fora até agora o mais duradouro de todos os monarcas britânicos, é pacífico constatar quanto os Sex Pistols e o punk da segunda metade da década de 70 foram afinal um fenómeno tão recheado de atitude quanto vazio de consequências. Tanto assim que a fotografia acima do vocalista Sid Vicious (de Roberta Bayley), cheio de cortes auto infligidos e de viola baixo ensanguentada, seria suficiente para os evocar, dispensando-se o som (os sucessos da banda não serão propriamente memoráveis pela sua estética musical...), não fosse o pretexto de se ir buscar hoje um dos seus grandes sucessos musicais, intitulado apropriadamente God Save the Queen (1977). Ouvi-los a repetir o refrão de no future, no future torna-se ridículo quando se percebe o que o futuro tinha reservado para o futuro de outras gerações naquele e noutros países... Por algum motivo haverá um plantão contínuo de imigrantes plantado em Calais à espera de ir para aquele país sem futuro...

God save the queen
The fascist regime
They made you a moron
Potential H-bomb

God save the queen
She ain't no human being
There is no future
In England's dreaming

Don't be told what you want
Don't be told what you need
There's no future, no future,
No future for you

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
'Cause tourists are money
And our figurehead
Is not what she seems

Oh God save history
God save your mad parade
Oh Lord God have mercy
All crimes are paid

When there's no future
How can there be sin
We're the flowers in the dustbin
We're the poison in your human machine
We're the future, your future

God save the queen
We mean it man
We love our queen
God saves

God save the queen
We mean it man
And there is no future
In England's dreaming

No future, no future,
No future for you
No future, no future,
No future for me

No future, no future,
No future for you
No future, no future
For you

08 setembro 2015

O DEBATE ENTRE COELHO E COSTA

Como se constata pelas imagens, está criada uma enorme expectativa à volta do debate que terá lugar amanhã à noite entre Pedro Passos Coelho e António Costa. Como é costume nestas ocasiões, a corrida às bilheteiras para o presenciar ao vivo provocou a formação de extensas filas, como se se tratasse de uma final de um jogo de futebol, onde as pessoas permanecem durante horas de espera.

PENA


Ontem, comemorou-se o 193º aniversário da Independência do Brasil, o que torna mais interessante a publicação deste vídeo do Porta dos Fundos. Mais lá do que cá, mas também por aqui de forma mais discreta e porque o sistema não consegue ter mão neles, os juízes hão de as fazer tantas que vão (estão a?) criar saudades dos generais.

O REAPARECIMENTO MEDIÁTICO DE MIGUEL MACEDO

Porque assinalei aqui que ele havia desaparecido do radar desde princípios de Julho (acima), é da mais elementar justiça assinalar dois meses depois o reaparecimento mediático do ex-ministro Miguel Macedo. O Correio da Manhã dedica-lhe uma atenção periférica (abaixo) mas agora a sua cara acompanha a notícia (embora Macedo apareça equiparado em espaço a uma bebedeira colectiva numa cadeia...) e a explicação original, algo ingénua e infantil, de que os problemas judiciais que afligiam Macedo se deveriam ao altruísmo amigo do antigo ministro foi entretanto abandonada.
A página da edição de hoje do Correio da Manhã e a proporção do espaço que aparece alocado aos escândalos de um ex-primeiro-ministro e aos de um ex-ministro faz-me lembrar aquele ditado espanhol que pretendia que era maior a distância de estatuto social entre o Rei e os Grandes de Espanha do que entre esses grandes senhores da nobreza e os mais humildes dos seus servos. Aí, no estilo, o Correio da Manhã faz escola e rasga novos caminhos: o facto de ter descoberto recentemente que a piscina de José Sócrates era aquecida está a criar um novo paradigma noticioso.
Além de forçar os repórteres do Correio da Manhã - e da concorrência... - a regressarem à casa de Ricardo Salgado - outro preso domiciliário célebre - de termómetro em punho, para se certificarem da temperatura da água da piscina do banqueiro (que ainda agora se desconhece ser quente ou fria), outros implicados célebres como Macedo, mesmo não tendo piscina, não se livrarão de uma inquirição pertinente sobre a utilização das águas quentes em suas casas: qual é a marca do esquentador de Miguel Macedo?

07 setembro 2015

«POR QUE É QUE OS PAÍSES RICOS DO GOLFO NÃO SE DISPÕEM A ACOLHER REFUGIADOS SÍRIOS?»


A pergunta do título, copiada directamente de um artigo do Diário de Notícias é tanto oportuna quanto pertinente, apesar dos esforços de pessoas como o funcionário kuwaiti do vídeo acima que, alegadamente (não sei árabe para conseguir controlar as suas palavras, tenho que fazer fé na tradução), nos explica os vários motivos por que o Koweit não deve albergar refugiados sírios. Mas também há que reconhecer que a falta de vontade parece recíproca: ali não os querem receber, mas os refugiados, ao contrário do que está a acontecer na Europa, também não parecem dispostos a forçar a situação para serem acolhidos por aquelas paragens.
Uma das conclusões que se pode tirar desta crise é que, neste caso com os refugiados vindos dos países predominantemente muçulmanos, se parecem repetir os ecos de outrora da Guerra-Fria, quando os refugiados dos países comunistas não se queriam refugiar noutros países comunistas, preferindo vir viver para os países ocidentais. Também agora, o desejo dos muçulmanos que o podem parece ser o de virem viver para o Ocidente, apesar de tudo o que os possa atrair nos países da sua civilização. Não prestamos a estas constatações a atenção que mereceriam, mas a superioridade do nosso modelo de sociedade comprova-se por elas.

DE NARIZ NO AR

Pode ter vezes em que a concentração das atenções gerais num qualquer assunto que se populariza surge por acaso e não é da responsabilidade de alguém em particular...
...mas a grande maioria das vezes não me parece ser isso que aconteça. Porque é que ninguém se tem preocupado até agora com a temperatura da água da piscina da casa de Ricardo Salgado?...

06 setembro 2015

OS GRANDES MESTRES DE ONDE VALE A PENA COPIAR

Durante este fim-de-semana uns quantos milhares de utilizadores do facebook (as redes sociais, na terminologia estereotipada da comunicação social) partilharam este texto que, não o estando explicitamente, parece atribuível a José Pacheco Pereira. Só que, apesar do conteúdo o datar com precisão para algum momento depois do anúncio da saída de José Sócrates da cadeia de Évora para prisão domiciliária, não encontrei, nos vários sítios por onde e para onde José Pacheco Pereira costuma escrever, o original do texto, apenas esta página duplicada que se foi espalhando (de forma viral, para ir buscar mais uma vez a dita terminologia) sem verificação de origem. Levantei a questão no mesmo facebook onde se viram milhares a recusarem-se a pôr o dedo no ar (leia-se o conteúdo do texto), perguntei a quem o tinha propalado se acaso tinham tido acesso à indignação original, o tempo tem passado e os indícios acumulam-se que se estará na presença de uma falsificação, que o texto não terá sido escrito por José Pacheco Pereira, o que é afinal uma ironia tremenda num texto onde, ao subscrevê-lo, nos pretendemos mostrar de sobreaviso quanto às manipulações judiciais sobre a agenda mediática e política. Não caímos nessa, mas se José Pacheco Pereira acabar por não se acusar, é porque caímos noutra...
Bem sei que não se adquire muita popularidade nas redes sociais acusando a vizinhança de negligência e ingenuidade, mas, a ter acontecido esta farsa de atribuir a José Pacheco Pereira algo que ele não escreveu, há que reconhecer que, se não pusemos o dedo no ar para umas coisas, pusemo-lo ingénuos por causa de um texto que dizia aquilo que queríamos ouvir. O quadro acima intitula-se Mulher Lendo Música e foi pintado entre 1935-40 por um falsário holandês chamado Han Van Meegeren, copiando o estilo de Johannes Vermeer, um pintor do Século XVII. Como os apelos deste nosso amigo anónimo que a tantos terá enrolado, Van Meegeren não copiava os quadros originais de Vermeer, inspirava-se neles para criar novas versões dos mesmos temas de Vermeer.

Adenda do dia seguinte: José Pacheco Pereira veio a confessar no seu blogue... não ser o autor do texto em causa. Estes erros colectivos, distribuídos por muitos (membros das redes sociais), tornam-se um desconforto disseminado. Mas é com eles que se chega a perceber a ideia despótica do desabafo atribuído a Calígula, de que a plebe de Roma devia ter um só pescoço para que pudesse ser cortado de um só golpe.

TV NOSTALGIA – 81 (Capitão Kloss, a série de que até o Mário Castrim dizia gostar)


Capitão Kloss era uma série polaca que foi estreada na televisão portuguesa em 29 de Julho de 1975. A acção decorria durante a Segunda Guerra Mundial. O protagonista era um agente duplo, patriota polaco, que se fazia passar por oficial alemão dos serviços de informações. E toda a acção decorria de acordo com os cânones marxistas-leninistas do regime polaco de então: até a música da introdução era dialéctica, com um ritmo e uma orquestração para a acção e outro para o romance. Melhor que isso, só mesmo a bênção comentada de Mário Castrim.
Mário Castrim (que, ao contrário da TV, não me desperta nostalgia nenhuma) era um cronista de televisão notável por raramente falar de televisão. E nas poucas vezes que o fazia, dizia sempre mal. O que torna a crónica acima, do Diário de Lisboa de 30 de Julho de 1975, no dia seguinte à estreia, preciosa pela sua raridade. Só lhe foi preciso ver um episódio de Capitão Kloss para perceber que ali estava uma série excelente, uma solicitação à inteligência do espectador. Porque a do cronista ficara hipotecada às circunstâncias das suas simpatias ideológicas...

«PEDIU, AGORA MESMO, UM COPO DE ÁGUA!»


Ainda a propósito da pizza e da atenção zelosa que se dedica ao que come José Sócrates lembrei-me da cena de O Pai Tirano que ocupa os primeiros minutos do vídeo acima: - «Pediu, agora mesmo, um copo de água!» E o copo lá foi, de bandeja e guardanapo fanado ao que estava mais a jeito, que "esta é da fervida!" como precisou a Dona Emília que, para o caso, até usurpara o lugar da Laura, a sopeira. Mas essas deferências já não se parecem nada com o caso de José Sócrates, para quem até a pala batida por um polícia se tornou assunto de controvérsia. A irracionalidade do comportamento colectivo é, porém, a mesma.

05 setembro 2015

A PIZZA QUE SÓCRATES NÃO CHEGOU A COMER


Este é o momento em que o entregador de pizzas chega ao prédio onde está José Sócrates para a entregar - de extra-queijo, pepperoni... e é só. - e se depara com um feroz comité de jornalistas, sequioso de pormenores. São três minutos e meio que certamente irão ficar na História do jornalismo televisivo em directo em Portugal. É uma cena esclarecedora para quem se dispuser a ficar esclarecido: vê-se um elemento típico desse povo em nome do qual se costuma justificar fazer este género de jornalismo a mostrar-se verdadeiramente assustado com o que lhe está a acontecer - o que é que se passa aqui? Pede por mais do que uma vez que desliguem as câmaras. Ignoram-no. Há o detalhe da encomenda estar insuficientemente endereçada e que é explorado pelos jornalistas à exaustão. Sente-se que, se a pizza tivesse também cogumelos, haveria pelo menos mais meio minuto de reportagem. O jornalismo respeitável esclarece-nos posteriormente que o homem afinal não conseguiu entregar a pizza. A polícia não deixou, se calhar tinha um lima lá dentro. Mas o que se imagina é o dia seguinte e o momento de reportagem que não será - de interromper a programação regular da CMTV! - quando alguém tiver de trazer os sacos do lixo à rua... Ai dele(a) se não trouxer os lixos separados!

WINSTON CHURCHILL: AS FOTOGRAFIAS OFICIAIS E AS OUTRAS

A vaidade de Winston Churchill era incomensurável. Aliava-se a ela a necessidade da máquina de propaganda britânica não beliscar a imagem daquele que era seu primeiro-ministro e Líder de Guerra. Este duplo par de fotografias mais abaixo pretende realçar o contraste entre aquilo que era e aquilo que a propaganda da época mostrava que havia sido.
O primeiro jogo de fotos foi tirado em Moscovo em Agosto de 1942. Na fotografia oficial de Churchill com Estaline (obviamente, a de cima), até se notam os retoques desenhados nos retratados, tão característicos da escola soviética da altura, famosa por fazer desaparecer os inoportunos das fotografias. A fotografia oficiosa mostra-nos uma outra coisa, um Churchill afivelando um sorriso cauteloso ao lado de um Estaline que, em contraste, o exibe franco, mas de que se desconhecem as circunstâncias que o farão sorrir, que bem poderão ser à custa de Churchill...
Uma outra perspectiva para além da relação com os aliados é a relação de Churchill com os subordinados, que se pode apreciar no segundo jogo de fotos, feito em Junho de 1944, quando da visita de Churchill à Normandia, uma semana depois do Desembarque. O parceiro de Churchill é Alan Brooke o Chefe do Estado-Maior Imperial (exército), um dos subordinados mais próximos com quem Churchill desenvolveu uma das mais profícuas mas também mais tumultuosas relações durante a Segunda Guerra Mundial (1941-45).
Se a foto oficial é das canónicas, com a dupla promovendo-se – afinal, Alan Brooke tornara-se num oficial de gabinete... – com a sua presença na frente de combate que é simbolizada pela tenda de campanha em fundo (os oficiais generais operacionais - provavelmente Montgomery e outros - foram cortados da foto), a oficiosa é um instantâneo no mar, durante a viagem de ida ou de regresso, onde Alan Brooke (que se identifica apesar de estar de costas) aproveita a ocasião para dizer a Churchill algo que não é visivelmente do seu agrado...

04 setembro 2015

O BUICK DE MISTER SPOCK

Ao contrário dos cuidados que procuro ter, não sei data nem local nem quem foi o autor da fotografia, não sei de que modelo de Buick se trata, nem verifiquei se o actor Leonard Nimoy é mesmo o dono do automóvel. Mas reconheça-se que o título que lhe arranjei - O Buick de Mister Spock - tem uma sonoridade capaz de nos despertar a atenção. Deve ser um certo sentido promocional que se adquire para transformar personagens de ficção (como o senhor Oliveira de Figueira) em notícias de jornal.

DEPOIS DOS TRANSPORTES, SEGUIR-SE-ÃO AS REFEIÇÕES?


Há uns dias foi notícia uma cena filmada na área de chegadas do aeroporto onde um grupo de taxistas procura impedir um automóvel (um UBER) de prosseguir viagem. Se esse problema da legalização e regulamentação do UBER se parece arrastar sem solução à vista, ele também terá um tremendo potencial para se alastrar a outros sectores de actividade, como se depreende da notícia de hoje do jornal Le Point, onde se regista a denúncia do sindicato hoteleiro e restaurador francês de que já existirão uns 3.000 restaurantes de luxo clandestinos em França, cuja promoção e funcionamento se assemelha ao do UBER. Propondo refeições requintadas na ordem dos 80 euros por cabeça, a estimativa alarmista do presidente daquele sindicato é de que a oferta subirá para 20.000 restaurantes do género nos próximos 3 a 5 anos. E certamente a ideia chegará – se não chegou já – aos outros países da Europa como Portugal. Ora cá está uma notícia que poderá vir a resolver a acesa polémica política a respeito do IVA da restauração: é que estes restaurantes de luxo de novo formato não vão pagar IVA nenhum...
Regressando ao conflito que opõe os taxistas ao UBER, percebem-se as razões de cada parte e (pelo menos no meu caso) até se compreendem ambas. O mau da fita é o Estado que foi apanhado regulamentando a actividade do transporte de passageiros sem flexibilidade para se adaptar rapidamente às novas actividades e sem meios para conseguir exercer a sua autoridade de forma eficaz (nunca o conseguira de resto: a péssima reputação dos taxistas fala por si). Mas admitamos que o tenta. O que se fará no caso da restauração clandestina? A ASAE invade-nos a casa para verificar se usamos luvas e toucas na cozinha? O que se constata é que, para que o Estado possa mostrar resultados na aplicação dos regulamentos em actividades tão elementares como estas, as nossas sociedades ter-se-ão que transformar nas distopias antecipadas por Orwell ou Huxley . O que até é menos improvável do que se possa pensar à partida, pois, no que diz respeito à fiscalidade e em Portugal, anda-se a caminhar galhardamente nessa direcção. Sim, porque se, como se lê em certas notícias, a receita arrecadada com a cobrança de coimas e penalidades (...) tributárias mais do que duplicou nos primeiros sete meses (deste) ano, ou o ano passado se estava a ser de uma negligência incompetente, ou este ano se está a levar tudo à frente qual cilindro compressor...

03 setembro 2015

...UMA CERTA FORMA DE «OBSERVAR» O «FUTURO DA GRÉCIA»

Seguir a evolução da situação política na Grécia pela perspectiva do Observador equivale à imparcialidade da experiência de se acompanhar um jogo no estádio da Luz mas comentado por um membro da claque dos Superdragões. O facciosismo antibenfiquista seria tão disparatado que era bem capaz de dispor até quem fosse do Sporting a acabar a torcer pelo Benfica (no caso, pelo Syriza). À laia de exemplo, a sondagem que, na notícia de hoje que aparece acima à direita e que dá derrota ao Syriza, é afinal apenas uma de entre várias sondagens efectuadas¹, e à derrota, dá-a mas por 0,3% - 0,3%! Isto é mesmo jornalismo do estilo nunca-há-penaltis-na-grande-área-do-futebol-clube-do-porto.
¹ Veja-se, a propósito, o artigo que publicou anteontem o radical Wall Street Journal a esse respeito.

WORLD WRESTLING ENTERTAINMENT, INC.

No primeiro debate entre Jerónimo de Sousa e Catarina Martins, se os dois participantes não estiveram bem, estiveram ao menos no direito deles de não se disputarem . Foi um desconsolo para quem lhes concedeu a visibilidade no pressuposto que o tempo concedido se tornaria num espectáculo.
Como não correu de acordo com o script (o mediador bem se terá esforçado para que houvesse animação), a sanção não tardou, mostrando à evidência que os objectivos dos actores políticos e dos agentes mediáticos nem sempre coincidem - e, se calhar, serão poucos os eleitores que apreciam o wrestling.

02 setembro 2015

O QUE EU AINDA NÃO VI ESCRITO SOBRE O PROBLEMA DOS REFUGIADOS QUE APOQUENTA A SENHORA MERKEL

Em 2007 a BBC publicou um artigo sobre o problema das migrações de africanos em busca da Europa. E já lá estava praticamente tudo aquilo que serve para descrever a actual crise dos refugiados (acima): as rotas, os destinos, os pontos de infiltração, a dimensão dos fluxos, mesmo quais as tarifas praticadas por quem transportava. Só que nesse artigo a porta de entrada para a Europa parecia ser predominantemente uma: a Espanha, e aí provavelmente a audiência mediática mobilizável por José Luís Zapatero, o primeiro-ministro espanhol na época, não se compararia à de Angela Merkel quando agora se lamenta e pede a solidariedade dos seus parceiros europeus.
Um mapa das migrações actualizado para 2015 (do Washington Post) já nos mostra muito mais focos de atrito, muito deles (a vermelho) já bem dentro das fronteiras da União. Não é apenas a tão falada fronteira da Hungria com a Sérvia (note-se como os migrantes não estão interessados em instalar-se na Grécia...), são também as fronteiras entre a Itália e a França e entre a França e o Reino Unido. Durante anos e pela sua localização geográfica, os países da Europa do Sul serviram de buffer states absorvendo uma parte do impacto dessas migrações. Só que, depois de 2008, o descalabro económico desses países (os PIGS) arruinou-lhes a reputação como destino das correntes migratórias e os alvos dessas correntes concentram-se agora todas no núcleo mais próspero da União Europeia.

No nosso caso concreto, só para exemplo e daquela altura para cá, deixámos de acolher brasileiros e ucranianos para passar a expedir portugueses. Por isso deveria ser com um certo sorriso irónico ao canto da boca que deveríamos ouvir as palavras de Angela Merkel (acima), ameaçando reinstalar as fronteiras dentro do Espaço Schengen, apelando para o estabelecimento de uma política comum quanto à definição dos direitos de asilo dos refugiados e para a sua repartição mais equitativa pelos outros países da União. Depois destes últimos anos mais azedos, torna-se refrescante ver que os alemães também gostam, quando lhe convém, de apelar à solidariedade europeia. Mas, como diz o nosso ditado popular, nem sempre se pode ter sol na eira e chuva no nabal.

O TRABALHO COLOSSAL

Deve ser um dilema saber o que o governo pode fazer à notícia sobre a estimativa do saldo do deficit orçamental apurado pela UTAO. Por um lado o número em si (4,9%) é indicativo que a execução do orçamento está a correr mal: o objectivo é chegar aos 2,7% no fim do ano. Mas, por outro lado, quando se compara este deficit com os que haviam sido herdados do governo socialista no primeiro semestre de 2011 (8,3%) e o que fora legado em herança por Vítor Gaspar até ao primeiro semestre de 2013 (7,1%), Maria Luís Albuquerque até parece estar a obter resultados verdadeiramente colossais (nesta versão que é implicitamente autorizada pelo próprio Vítor Gaspar).

ASTERÓIDE CAIRÁ NA TERRA ENTRE 22 E 28 DE SETEMBRO DE 2015. JÁ NÃO VAI HAVER ELEIÇÕES!


Um asteróide enviado por Deus (quem outro para pregar tal malandrice?), cairá na Terra entre 22 e 28 de Setembro, para punir os infiéis e tem local para cair: Porto Rico, na América Central (ora bolas, coitados dos porto-riquenhos! – se o bom Deus estivesse atento e fosse mesmo para punir os infiéis, então caía em cima da cidade de Palmira, onde eles andam a comportar-se indecentemente...).Quem alerta é Efraim Rodriguez que se intitula profeta e diz ter recebido uma mensagem vinda dos céus e que prenunciou que a Vida como nós conhecemos acabará. E quem dará cabo em (sic) tudo é Deus, por meio de um asteróide. O profeta Efraim Rodriguez, (pimba, uma vírgula à Duarte Marques!) tem vários vídeos de aviso postados no Youtube. Ele diz que a queda do asteróide causará terremotos e tsunamis na costa Leste dos Estados Unidos, no México, na América Central, e também na América do Sul e poucos sobreviverão. (Boa nota: o profeta esqueceu-se de nós, que estamos na Europa, se calhar ainda escapamos... ou então é o profeta que é fraco em geografia). O profeta chegou a pedir para o presidente Barack Obama e a NASA para (sic) emitirem um alerta as pessoas para que as pessoas possam sair das áreas que serão afectadas. A NASA soltou comunicado oficial (soltou? - para mim o verbo soltar associa-se à ideia de que aquilo que se solta estava preso – seja um parafuso ou um traque) negando a possibilidade, afirmando que “não existe a possibilidade de nenhum objecto de grande porte atingir a Terra nos próximos anos”. Todos os dias aparecem previsões do fim do mundo na internet, uma hora alguém vai acertar e o que ele profetizou pode acontecer e coincidir com suas previsões. E você acredita que um asteróide poderá atingir a Terra em Setembro deste ano? (Ao Passos Coelho dava-lhe jeito que sim, mas só se tivesse a certeza que iria perder as eleições...) Se acredite então evite as praias nos dias 22 e 28 de Setembro (a não ser que seja o Garrett McNamara - imagem abaixo). Não fiz esse vídeo com a intensão (sic) de fazer acreditar que um asteróide atingirá a Terra (pois o Passos Coelho faz vídeos com a intenção de fazer acreditar - veja a compilação no fim).
Não acreditem nos profetas sem antes julgar suas profecias. E falem dois ou três profetas, e os outros julguem (I Coríntios 14:29). Amados não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus. Porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo (I João 4:1). Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção (Deuteronómio 18:22).

01 setembro 2015

«REFORMAS ESTRUTURAIS» (por contraponto aos «Avanços da Revolução»)

Há 40 anos também havia uma grande preocupação com as reformas estruturais de âmbito laboral. Só que o entusiasmo em vez de ser reformista era revolucionário e em vez de incidir em medidas que visavam facilitar o despedimento de trabalhadores, centrava-se em medidas visando o saneamento de patrões e outros quadros. Se há assuntos em que é difícil explicar as diferenças, aqui a dificuldade é explicar as semelhanças funcionais, por causa da simetria da propaganda e dos alvos das duas ideologias políticas que parecem tão distintas. A notícia foi retirada do Diário de Lisboa de 30 de Agosto de 1975.

AS ADAPTAÇÕES NECESSÁRIAS PARA PERPETUAR UMA «LOVE STORY»


Mesmo que as histórias de amor costumem ser consideradas intemporais, algo teria de ter mudado forçosamente nesta Love Story, que foi um sucesso cinematográfico e musical há 45 anos, para ela se adaptar à actualidade: a dentição frontal de Ali McGraw. Hoje não é aceitável que uma menina bonita tenha os dentinhos assim tão desacertados. A música é de Francis Lai. A fotografia de Art Kane.