21 janeiro 2010

A OPERAÇÃO RHODES DE HÁ 40 ANOS ATRÁS

Serão poucos os que, perante os mapas, reparam nas pequenas ilhas que existem a Norte do Mar Vermelho, junto à Península do Sinai, à entrada dos golfos do Suez e de Acaba. Não foi assim há muito tempo que aquelas paragens se contavam entre os locais mais quentes de todo o Globo, um maná noticioso (depois do bíblico que alimentou a tribo de Moisés) para as agências noticiosas à conta do conflito entre egípcios e israelitas.
Hoje, esses tempos parecem estar esquecidos, e a ilha principal, que se chama Shadwan (está assinalada na fotografia mais acima), tornou-se conhecida por causa das paisagens subaquáticas das águas que a rodeiam, que são uma verdadeira referência mundial para os praticantes de mergulho, não só por causa da limpidez das águas, da fauna e da flora, mas também por causa das estruturas de antigos navios que ali naufragaram (abaixo).
A maioria dos cascos que ali jazem são de pacíficos navios comerciais que terminaram bruscamente as suas viagens por causa de erros de navegação – as águas a Oeste da ilha Shadwan estão perigosamente cheias de recifes traiçoeiros. Mas há precisamente 40 anos, a 22 de Janeiro de 1970, a ilha viu-se subitamente transposta para a frente de combate da chamada Guerra de Desgaste (1967-70) que então era travada por egípcios e israelitas.
Os segundos haviam ocupado a Península do Sinai (pertencente aos primeiros) durante a Guerra dos Seis Dias (acima), conflito que se converteu depois na referida Guerra de Desgaste. Uma das questões relevantes nessa nova fase era o reforço do equipamento militar dos dois adversários, numa espécie de corrida aos armamentos, fornecidos por cada uma das superpotências. Os Estados Unidos auxiliavam Israel e a União Soviética o Egipto.
A preocupação principal dos israelitas era a manutenção da mesma superioridade aérea que lhe dera a vitória em 1967. Todos os equipamentos que os soviéticos forneciam aos egípcios que a pudessem desafiar eram objecto do seu particular interesse. E quando precisavam de saber mais, roubavam-nos. Unidades de operações especiais atacavam furtivamente, para desmontar os equipamentos e levá-los para Israel para estudo.
A primeira operação com esse objectivo, baptizada de Operação Rooster, teve lugar em 26 e 27 de Dezembro de 1969, quando se deu o roubo de um sistema de radar P-12 de origem soviética como o da fotografia acima. A segunda terá ido a Operação Rhodes, a tal que teve lugar na ilha de Shadwan a 22 de Janeiro de 1970. Até hoje, a única fonte a confirmar a operação foram os porta-vozes israelitas através de um comunicado…
Passados 40 anos ainda permanece um denso nevoeiro à volta daquilo que terá acontecido. Foram duas unidades de elite do exército israelita, o Sayeret Matkal (emblema acima) e o Shayetet 13 (naval), que atacaram as instalações militares e a guarnição da ilha, onde se contava um radar que monitorizava as movimentações israelitas. Não se sabe quais seriam os objectivos da operação. Mas de certeza que não tinham nada a ver com mergulho subaquático

1 comentário:

  1. Creio que era, apenas e só, uma maneira barata de "comprar" material de guerra difícil de encontrar no mercado...

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