27 dezembro 2008

O TAO

Aqueles que escrevem e se pronunciam com extremo rigor mas de assuntos que não costumam ser abordados frequentemente, quando lhes adicionam ainda por cima um estilo e um vocabulário de alguma forma hermético, tendem a ser considerados, além de brilhantes, um pouco como profetas e aquilo que dizem e escrevem costuma ser levado à conta de oráculos
Há quem, nestes momentos festivos em que se tem popularizado demais o envio de SMS congratulatórios, não queira fazer má figura perante tais vultos da erudição e, vai daí, peça emprestado a outros profetas do passado alguns dos seus pensamentos para enfeitarem o seu SMS com votos de boas-festas, como se procurassem não se desmerecer aos olhos do destinatário…
Fica um pouco excessivo, mas torna-se ainda mais ridículo quando esses pensamentos vêm escritos em inglês, como se o pensador, e será o caso, por exemplo, do filósofo chinês Lao-Tse (Século VI a.C.), tivesse tido algum contacto com o idioma de Shakespeare… Em rigor, no SMS há que atribuir os textos (traduzidos em português) a Lao-Tse (ou Lao Zi) ou então no original a 老子…

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