06 setembro 2007

HERMANN

Como muito bem gostava de lembrar a minha amiga Hilde, a Bélgica, para além do flamengo e do francês, também é um país de língua alemã, por causa de uma pequena minoria germânica que habita nos cantões de Eupen, Malmedy e Saint-Vith que se situam no Leste do país e que foram transferidos para a soberania belga depois da Primeira Guerra Mundial. Hermann Huppen, nascido em 1938 no cantão de Malmedy, pode ser considerado assim o alemão da escola franco-belga da BD.
O Hermann de que me tornei fã foi daquele que fez dupla com Greg nas aventuras de Bernard Prince e de Comanche. Mais do que o desenho, o que mais me atraiu no seu estilo foi a dinâmica da narrativa dos seus trabalhos, como se se tratassem de aventuras de uma excelente série de televisão, mas aproveitando a fluidez do tempo que a BD proporciona para permitir, por exemplo, que Bernard Prince e Barney Jordan (acima) se excedessem na categoria das ironias que proferiam, mesmo quando nas situações mais enrascadas…
Confesso que o que sempre me intrigou nas histórias de Comanche foi a rapidez como pistoleiro de Red Dust (acima), quando os seus coldres estavam precisamente virados ao contrário do que acontecia com os seus rivais, o que apenas deveria dificultar ainda mais a manobra de sacar o revólver… A continuação da saga mudou progressivamente o estilo da história, além do desenho (abaixo), fez com que a destreza de Red Dust perdesse a importância até que ele se transformou num verdadeiro anti-herói e afinal esse pormenor dos coldres já não interessava nada…
O mérito será tanto de Greg como de Hermann, mas as personagens secundárias das histórias que fizeram em parceria contar-se-ão entre as mais sólidas dos heróis da BD. Um Barney Jordan, por exemplo, que abafou Bernard Prince (uma espécie de Tintin, menos virtuoso) será o capitão Haddock a sério, desprovido dos infantilismos de Hergé. Também Red Dust se tornou num cow-boy dilacerado (e condenado…) pelas suas proezas do passado, numa antecipação da personagem de Clint Eastwood em Unforgiven.
As histórias de Hermann, escritas e desenhadas pelo próprio a partir da década de 80, perderam o meu interesse (Jeremiah ou As Torres de Bois Maury). Ainda é possível ver o que ele consegue criar quando associado a um excelente argumentista como Van Hamme no soberbo álbum Lua de Guerra. Mas onde Hermann se revela um artista impar é no desenho de cenas de síntese como a de cima, que se torna quase num quadro pela capacidade de retirar qualquer traço de violência ou erotismo àquele acto sexual, substituindo-o apenas pela expressão crua do poder…

1 comentário:

  1. A minha banda desenhada favorita de Hermann e Greg era mesmo a Comanche. Às vezes também lia o Bernard Prince. Nunca diria que aquele último desenho que colocaste era do Hermann :o
    Hummm... Está mudado, não? Que evolução! Ou que ignorância a minha lol

    Beijinhos :)

    Cristina Loureiro dos Santos

    ResponderEliminar