12 dezembro 2018

O MASSACRE DE BATANG KALI

Já aqui demonstrei neste blogue por mais do que uma vez a minha admiração, acompanhada do meu desdém, pela forma como os britânicos deturpam hipocritamente a sua História quando os factos se mostram desagradáveis para a sua reputação. O caso que hoje evocarei, ele situa-se no quadro de uma guerra colonial que os britânicos travaram na Malásia entre 1948 e 1960. Mas, como as designações são muito importantes, neste caso, não terá havido uma guerra colonial, mas apenas uma «emergência», ficção que ainda hoje perdura (acima). Porém e tirando a nomenclatura, e como «emerge» da crueldade da fotografia central, o que ali se passou assemelhou-se em quase tudo às guerras de retardamento da retirada que outras potências europeias travaram naquelas mesmas paragens da Ásia, como aconteceu com os franceses na Indochina (1946-54) e os holandeses na Indonésia (1945-1949). Até nos aspectos mais sangrentos das acções de subversão e contra-subversão, como é o caso dos massacres perpetrados pelos combatentes sobre a população civil. O que nos transporta até ao dia 12 de Dezembro de 1948, cumprem-se hoje 70 anos. Quando um pelotão de soldados britânicos dos Scots Guards ocupou a aldeia de Batang Kali no estado de Selangor e ali executou 24 aldeões, queimando depois a aldeia, que era povoada por chineses e, por isso, considerada muito mais permeável à subversão. Episódios como este terá havido, infelizmente, milhares em todas as guerras com aquelas características. Mas o que merece o destaque deste massacre é a atitude hipócrita, sempre sob a aparente cobertura do primado da lei, que as autoridades britânicas adoptaram nos 70 anos que se lhe seguiram. Havia testemunhas, havia uma proclamada disponibilidade dos britânicos em reanalisar o assunto e depois, há os resultados: em 42 anos, de 1970 a 2012 (veja-se abaixo a referência ao 'massacre'), conseguiu-se sempre concluir (oficialmente!) que não se conseguia concluir coisa alguma.

Sem comentários:

Enviar um comentário