24 setembro 2009

…POR UM ENGANO DA NATUREZA…

Uma das melhores apresentações pessoais de sempre, que poderá explicar muitos dos equívocos em que o nosso Mundo vive, aparece na primeira página do álbum Lucky Luke contra Joss Jamon, em que, na apresentação do bando do segundo, aparece uma personagem de seu nome, Sam, o lavrador, que, por um engano da natureza, foi beneficiado com uma cara de homem honesto.
Foi mesmo há pouco que me voltei a lembrar desses enganos da natureza quando, numa ronda pelos blogues e lendo o que lá vai pelo Abrupto, mais uma vez constatei que só mesmo por engano da natureza é que quem apresenta assim argumentos tão demagógicos e facciosos como os que lá se podem ler é que pode ter aquele aspecto de intelectual reflectido e ponderado

5 comentários:

  1. Este género de pose, fingida de espontaneidade, é muito usada em fotografia mas não menos em televisão onde resulta muito pior ainda. É uma caricatura grosseira da pose em pintura. Julgo que haverá cursos de pós-graduação sobre o assunto, mas como muitas vezes acontece, está-se mesmo a ver que o rei vai nu.

    É ver como figuras de grande prestígio mundial, se prestam às exigências de realizadores frustrados que os fazem entrar no gabinete e sentar-se "a trabalhar" com a maior "naturalidade", fingindo que não há câmaras e tripés e projectores de luz e gente estranha espalhados pela sala... A culpa não é dos actores, no caso, mas sobretudo dos jornalistas - como tantas vezes acontece. Eles que, por sua vez, estão sempre dispostos a desconstruir as formalidades do seu próprio trabalho.

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  2. Desculpe voltar mas faltou-me concluir que no caso de Pacheco Pereira se junta num só, sem ser nenhum, o actor e o jornalista.

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  3. O que se passa com o Pacheco Pereira é que muita da nossa sociedade pertencente à "direita liberal" se revê nele. Considerando-o uma personagem mais ou menos etérea que não pode falhar, uma espécie de voz da consciência.

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  4. Não há melhor que um profissional do sector como o António Marques Pinto para, para além da ironia explícita de se parecer como não se é por um engano da natureza, dar o realce que eu pretendia à ironia implícita deste poste: a fotografia descaradamente posada de José Pacheco Pereira.

    Para quem transformou a denúncia da adulteração da realidade que é feita pelos jornalistas numa das suas "causas célebres" é enternecedor vê-lo ali obediente como um cordeirinho, a participar num faz de conta idêntico ao das noivas de antigamente onde não faltava, na reportagem de casamento e antes de sair de casa, a tradicional fotografia a fingir que estavam a falar ao telefone com o noivo...

    Mas refira-se que, como muito bem assinala o António Marques Pinto, na esmagadora maioria das vezes as poses como a de José Pacheco Pereira e a das noivas ao telefone nem são culpa dos próprios. O que aqui é irónico é que o lúcido, clarividente, experimentado e distanciado José Pacheco Pereira, depois de lhe aconchegarem o ego, cai na mesma armadilha que caíam as embevecidas noivas no "dia mais feliz da sua vida"...

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  5. É provável que seja como diz João Moutinho, mas será expectável que, à custa de tantos exemplos, a nossa sociedade pertencente à "direita liberal" se aperceba que a “espécie de voz da consciência” por vezes vem de uma consciência delirante.

    O que José Pacheco Pereira tem escrito sobre estes últimos acontecimentos vai ao arrepio do que doutrinalmente ele denunciara sobre as relações entre o poder e a imprensa e a atitude só se compreende por causa da identidade dos protagonistas, Cavaco Silva e Fernando Lima no caso.

    Ora, para emitir opiniões sortidas sobre um mesmo assunto, pró, contra e ainda uma terceira, em crónica, desvalorizando a sua importância, existe o Vasco Correia Guedes (vulgo Vasco Pulido Valente), que até escreve melhor que José Pacheco Pereira.

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