04 dezembro 2013

LECLERC

Já aqui tive oportunidade de me referir aqui no blogue várias vezes a Philippe de Hauteclocque (1902-1947), mais conhecido pelo seu pseudónimo de guerra de Leclerc, um general francês da Segunda Guerra Mundial que corporiza a imagem de uma certa França combatente que, ao arrepio do que foi a atitude da esmagadora maioria dos franceses, não se rendeu em 1940. A biografia acima não terá sido assim para mim uma iniciação. Mas foi uma revelação: nas suas 700 páginas descobre-se um oficial de cavalaria no mau sentido da expressão, um egocêntrico arrogante, um egoísta antipático, um arrivista (mau grado a nobreza do seu sangue azul) que ascendeu ao generalato com 40 anos mais por força das circunstâncias de ter feito a opção correcta (por de Gaulle) no momento certo do que propriamente pelos seus méritos como comandante combatente – ironicamente, ao bom estilo do Antigo Regime derrubado em 1789. Não por acaso, 70 das 700 páginas são dedicadas à narrativa e à investigação do desastre de avião que o matou aos 45 anos – Sá Carneiro tinha apenas mais um (46) quando do seu. Os mitos têm tendência para se assemelhar…

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