30 setembro 2014

AS MEDALHAS DO GENERAL

Em o 20º de Cavalaria, uma aventura de BD de Lucky Luke (Morris & Goscinny), aparece um general que, embora personagem secundária, se notabiliza pela sua coragem e capacidade de decisão, mas também por perder medalhas do uniforme com uma regularidade impressionante no decorrer da história. Quanto á fotografia abaixo, essa foi tirada na Academia Militar em Novembro de 1991 e parece ter por personagem principal o seu comandante, o General Almeida Bruno, à data – e muito provavelmente ainda hoje – o oficial general mais condecorado do Exército português. Quem conhece as condecorações militares portuguesas é capaz de reconhecer a sua nata, o colar de Oficial da Ordem da Torre e Espada, a Medalha de Valor Militar de Prata com palma, duas Cruzes de Guerra de 1ª e 2ª classes, havendo certamente outras mais, o distinguido não usaria decerto as suas outras condecorações para não correr o perigo de as ir semeando pelo caminho como o general do Lucky Luke.
A fotografia acaba porém por ser irónica de uma outra maneira, porque dando o centro e o destaque ao medalhado, fá-lo rodear por figurantes que lhe reduzem o estatuto e com isso, implicitamente, talvez as virtudes de tanta valentia. A começar pela presença do lado esquerdo de um Cavaco Silva, primeiro-ministro radiante que ele sim, parecia ostentar uma outra Torre e Espada virtual pendurada ao pescoço por causa da reeleição com nova maioria absoluta que acabara de conseguir nas eleições do mês anterior (6 de Outubro de 1991). Do outro lado um octogenário (mas ainda muito bem conservado) Marechal António de Spínola, sob proposta do qual, enquanto comandante-chefe na Guiné, três das quatro condecorações acima referidas haviam sido conferidas. Quase precisamente por detrás, vê-se ainda Fernando Nogueira, Ministro da Defesa Nacional e com ele a consagração da submissão do poder militar ao poder político democrático. Num remate final, já no âmbito exclusivamente castrense, por detrás de Cavaco Silva e sem medalhas visíveis para comparação identifica-se o General Loureiro dos Santos, o Chefe de Estado-Maior do Exército e superior hierárquico de Almeida Bruno.

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