12 dezembro 2006

ALGUNS SÍMBOLOS DA GUERRA-FRIA – 3

JOGOS OLÍMPICOS
A primeira vez que Estados Unidos e União Soviética se encontraram nuns mesmo Jogos Olímpicos foi em 1952, quando eles se realizaram em Helsínquia, na Finlândia (em baixo). Sendo, por uma grande distância, os países desenvolvidos que contavam com mais população, foram os seus atletas os que, naturalmente, mais medalhas ganharam nas diversas competições que compunham o programa dos Jogos.
E foi um encontro renhido. No final dos Jogos, os norte-americanos haviam ganho 76 medalhas e os soviéticos 71, iniciando simultaneamente uma disputa e uma controvérsia sobre a forma de avaliar quantitativamente essa disputa: se pelo número de títulos (medalhas de ouro), se pelo número total de medalhas, se por um critério misto (que aqui preferirei), ponderando o valor das medalhas de ouro (3 pontos), prata (2) e bronze (1).

Por qualquer daqueles critérios, os Estados Unidos venceram o primeiro embate para virem a ser batidos pela União Soviética nos dois Jogos Olímpicos seguintes, realizados em Melbourne (1956) e Roma (1960). A reacção norte-americana apareceu em Tóquio (1964), onde o resultado foi muito equilibrado, com uma vitória soviética em medalhas (96-90), mas americana em títulos (36-30) e pontos (188-187), e sobretudo no México (1968) onde venceram em todos os parâmetros: 107-91, 45-29 e 225-181.

A reacção soviética nos Jogos Olímpicos seguintes (Munique 1972) também não deixou lugar a dúvidas: 99-94, 50-33 e 226-191. A novidade desses Jogos Olímpicos realizados na Alemanha consistiu na emergência de uma terceira potência, alemã, que não a anfitriã República Federal mas antes a vizinha República Democrática, do campo socialista, que, mau grado a sua escassa população (16 milhões), levou a conquista de medalhas olímpicas ao nível de uma ciência.
Questão de prioridades. Enquanto a sofisticação dos seus automóveis se ficava, e se iria deixar estar por muitos anos e bons, pelos famosíssimos Trabant, o caparro das nadadoras da República Democrática Alemã (RDA) – em cima, duas das gaiatas – não deixava dúvidas quanto ao seu potencial desportivo para ganharem todas as medalhas e baterem todos os recordes mundiais em disputa. Havia a questão da voz grossa das nadadoras mas, como (muito bem) respondeu o seu treinador, elas estavam lá para nadar, não para cantar…

Em Montreal (1976), a disputa já foi a três, com vitória soviética e um segundo lugar norte-americano muito ameaçado pelos alemães de Leste: 125-94-90, 49-34-40 e 264-197-195. Por causa dos boicotes, os Jogos Olímpicos de Moscovo de 1980 (ausência norte-americana) e de Los Angeles de 1984 (ausências soviética e alemã-democrata) não tiveram a disputa da Guerra-Fria sublimada em medalhas. Jogando em sua casa, cada superpotência ganhou o seu turno quase sem contestação.

No reencontro, que veio a ocorrer na Coreia do Sul, em Seul em 1988, a vitória voltou a ser soviética e o segundo lugar pertenceu indiscutivelmente à RDA, atirando os Estados Unidos para um humilhante terceiro lugar: 132-102-94, 55-37-36 e 273-211-197. Mais humilhante ainda, foi do Ocidente que veio o mais mediático caso de doping: Ben Johnson, vencedor dos 100 metros no Atletismo, apanhado com esteróides anabolizantes
Subitamente, nos Jogos Olímpicos seguintes (Barcelona 1992), a Guerra-Fria já tinha acabado…Como numa grande despedida nostálgica, a equipa do antigo espaço soviético concorreu agregada, sob a designação Equipa Unificada – devia ser das únicas coisas unificadas que ainda restavam à União Soviética… - para no final ainda bater as equipas norte-americana e alemã (entretanto unificada) na conquista de medalhas e títulos.
O capitalismo tinha triunfado e atletas descaradamente profissionais participavam pela primeira vez nos Jogos Olímpicos – como era o caso da equipa norte-americana de basquetebol recrutada da NBA – encerrando uma polémica acerca de um assunto que durante tantos anos dera vantagem aos atletas dos países do campo socialista, que eram todos tecnicamente amadores, embora, pelas prestações demonstradas, se visse claramente que não faziam mais nada na vida senão treinar…

1 comentário:

  1. Treinar e chupar pastilhas suspeitas, receber reforços hormonais, etc.
    Nada que o nosso futebol ignore. Talvez surja outra Carolina que desencadeie alguma "Seringa Dourada", quem sabe?
    Desde os velhinhos chás às profaminas e outras "inas", há mil histórias por contar.
    Senhor Procurador Geral desta estranha República, já que está com a mão na massa, por que não convidar o "doping" para a dança?
    Pense nisso...

    ResponderEliminar