09 junho 2006

SE UM ELEFANTE INCOMODA MUITA GENTE

Deixa-me perplexo a argumentação que já li aí pela blogosfera que incita Abel Mateus a pedir a sua demissão da presidência da Autoridade da Concorrência (AdC). Não imaginava que Abel Mateus fosse assim tão relevante, tal qual como aquele elefante da canção infantil, houvesse dois e incomodaria muito mais.

Sendo o parecer que havia sido emitido pela AdC a respeito da operação de aquisição das AutoEstradas do Atlântico pela BRISA perfeitamente claro, a decisão do ministro da economia Manuel Pinho de não o tomar em consideração assume os contornos e os custos que uma decisão puramente política deve ter.

Mais. Penso que seria politicamente saudável e uma manobra inteligente se o ministro viesse a público explicar as razões da decisão de permitir a concentração de meios na BRISA, da mesma forma que explicou a rejeição do projecto da refinaria no recente episódio com Patrick Monteiro de Barros.

Não por qualquer questão hierárquica (o que é descabido), mas pelo reconhecimento da crua realidade que o prestígio e a credibilidade que Abel Mateus e a AdC foram construindo superam em muito o de Manuel Pinho e a sua equipa do ministério da economia. Para o destes últimos, recordemos apenas todos os episódios embrulhados dos projectos da Ota e do TGV.

Pedir que Mateus se demita nestas circunstâncias (por despeito, supõe-se), até pode parecer uma daquelas manobras canhestras patrocinadas por quem pretende que o seu afastamento se venha a efectuar num breve futuro, de forma a AdC não vá atrapalhar operações que já estão em curso... Um compatriota nosso, que acha que nós só devemos gostar dos monopólios... portugueses!
Ou, mantendo o registo infantil da canção: Se um elefante incomoda muita gente… então é altura de pedir a sua demissão…

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