24 outubro 2017

«NO COUNTRY FOR WIDOWS»

O título é uma alusão a um famoso filme dos irmãos Cohen, mas os filmes que quero evocar são os da série policial cómica The Naked Gun, onde a personagem do tenente Frank Drebin (interpretada pelo actor Leslie Nilson) se notabilizava pela forma completamente insensível como interrogava as viúvas das vítimas dos homicídios em investigação. Destroçava-as com uns comentários tão cruéis, que a cena se tornava cómica, de um humor negro (abaixo). O triste é que, nesta analogia, Donald Trump, parecendo-se estranhamente com ele, não é um Frank Drebin, nem as viúvas dos militares são, no seu caso, de ficção. E é muito difícil aceitar razões rebuscadas para que esta viúva, em particular, tenha dito o que disse a respeito do resultado do telefonema presidencial, a não ser pelo facto tão elementar de ser chocante e verdadeiro. Apesar do esperado desmentido, creio que já nem se põe o problema sobre quem estará a dizer a verdade a respeito do que aconteceu. Porque é até essa profundidade que neste momento desceu a respeitabilidade do titular da Casa Branca. Pareceu-me particularmente significativo um parágrafo como se remata uma das notícias a respeito do incidente:


John Kelly, recorde-se, é o general que, assumindo o cargo de chefe de gabinete de Donald Trump desde há três meses, era o prometido para «pôr ordem na casa» (Branca). Reconheça-se que muita coisa já se nota em consequência do seu trabalho, embora a medição do seu sucesso se faça sentir, paradoxalmente, pela redução do barulho à volta da actividade presidencial. Naquela sua citação acima e sem estar a mentir descaradamente como Trump faz, John Kelly contorna a questão explicando aquilo que Donald Trump fora incumbido de transmitir à viúva... mas não conseguiu. Se ao menos o homem possuísse outras virtudes, ser um hiperactivo como o nosso... Mas assim é confrangedor ter um presidente executivo que, abaixo do que se exige a um monarca, nem serve para apresentar pêsames decentemente.

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