19 abril 2015

COMO UM PLANO QUINQUENAL DE STALINE

Sintoma da necessidade propagandística de robustecer números de crescimento económico que são (comparativamente) anémicos, quando a audiência é (mais) acolhedoramente acrítica – estava-se numa convenção de autarcas sociais-democratas... – pareceu possível burilá-los para que o primeiro-ministro conseguisse anunciar algo de substantivo: 9,2% - mas atenção, a alcançar em quatro anos, o que nos faz lembrar um plano quinquenal soviético, mas pouco ambicioso, já que os legítimos estabeleciam metas de crescimento económico de 37 a 40%! Suspeito que a equipa da propaganda governamental é tão jovem e ingénua que deve achar que o expediente já foi suficientemente esquecido para já poder ser reaproveitado...
Adenda ainda a propósito do crescimento anémico da economia portuguesa: Se compararmos as previsões para os próximos dois anos feitas pelo FMI para as economias portuguesa e grega, tem-se as previsões de crescimento de 1,6% (2015) e de 1,5% (2016) em Portugal, mas de 2,5% (2015) e de 3,7% (2016) na Grécia... É verdade que os estudos prospectivos do FMI não se notabilizam pela sua acuidade e que, no computo global, a situação financeira portuguesa é substancialmente melhor que a grega, mas porque é que nos fica a impressão que, fossem as previsões de crescimento económico ao contrário, isto é, as de Portugal francamente melhores do que as da Grécia e a nossa propaganda governamental faria destaque disso, em vez de omitir a comparação como acontece? As comparações com a Grécia aparecem e desaparecem conforme as conveniências, apesar de tantos analistas e do escrutínio da comunicação social...

2 comentários:

  1. Creio que estará aqui a faltar uma nova adenda: Já há um outro plano de crescimento mais optimista! Alguém mais mandou as previsões do FMI às urtigas e esmerou-se em ultrapassar os números do Governo, bem como os da Grécia...

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