06 dezembro 2015

EXPERIÊNCIAS POLÍTICO-SOCIOLÓGICAS

A 6 de Dezembro de 1933 (comemoram-se hoje 82 anos) terminava a Proibição nos Estados Unidos. A Proibição (era tão impopular que nem era preciso especificar que se referia às bebidas alcoólicas) tornou-se numa daquelas experiências político-sociológicas que, como se veio a comprovar pelo tempo, se saldaram por um desastre colossal em qualquer daqueles campos (político e sociológico), episódio hoje enterrado nos cartapácios da História e que se recorda a contragosto. Nem importa lembrar que a Constituição dos Estados Unidos precisou de sofrer uma adenda por causa deste assunto (a 18ª) e que recebeu uma outra adenda (21ª) revogando a precedente. Estou com curiosidade em ver o que acontecerá ao ambiente de confronto social que foi cultivado nestes últimos quatro anos (de 2011 para cá), entre os trabalhadores do sector público e os do sector privado , entre os activos e os reformados, entre os novos e os velhos, para antecipar aquilo que daqui por uns anos subsistirá dessa conflitualidade que, a certa altura, nos pareceu tão divisiva da sociedade portuguesa. Será genuína e manter-se-á, ou atenuar-se-á porque afinal nos foi inculcada pela máquina do poder em exercício? Se o foi, o processo terá responsáveis e rostos, como os teve a Proibição.

1 comentário:

  1. Os responsáveis materiais serão esses, mas os responsáveis morais e inspiradores da impiedosa agenda ideológica e de classe aplicada por aqueles primeiros são bem outros: vindos dos MBAs da “Católica” ou da “Nova” e influenciados por blogues como “O Insurgente”, “Corta-Fitas”, “31 da Armada” e outros menos relevantes, chamam-se Carlos Moedas, Manuel Rodrigues, Miguel Morgado, Hélder Rosalino, Sérgio Monteiro, Bruno Maçães e, se se quiser, Maria Luís Albuquerque.

    Trata-se de gente que, numa autêntica “funcionariofobia”, sempre teve um ódio patológico à função pública, por eles caricaturalmente reduzida ao escriturário laxista do balcão de atendimento de repartição, mas jamais - “et pour cause”… - aos lóbis privados e aos interesses rentistas que, através dos seus homens de mão nos aparelhos político-partidários, saquearam e saqueiam a coisa pública em proveito próprio pessoal privado… Trata-se, outrossim, de gente com uma crença autenticamente religiosa nas “virtudes” do chamado “mercado”, por eles percebido como um ser divino com propriedades de omnipotência e omnisciência, insusceptível de cometer erros e ainda menos de ser objecto de manipulações ou de influências interesseiras...

    De resto, sublinhe-se, o que se viu aplicado pelo anterior governo, ainda assim foi uma reduzidíssima quota-parte da ideologia que mencionei no parágrafo anterior. A título de mero exemplo, n”O Insurgente”, em tempos, alguém chegou a sustentar que o direito de voto em eleições deveria ser retirado aos funcionários públicos, sustentando assim, de modo nada sub-reptício, o sufrágio censitário oitocentista. Em suma, trata-se de gente implacável que não brinca em serviço, como todos bem sentimos nestes últimos quatro anos.

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