09 março 2018

O SALÃO INTERNACIONAL DA AGRICULTURA FRANCÊS

O Salão Internacional da Agricultura, que se realiza anualmente em Paris e de que hoje se celebram os 54 anos da abertura da sua primeira edição, tornou-se um evento incontornável e muito específico não só do sector, mas também da vida política francesa. Se, desde as primeiras edições, a inauguração do certame era abrilhantada (como acontecia com tantos outros) com a presença do Presidente da República - de Gaulle em 1964, depois os seus sucessores, Pompidou, Giscard, etc. - terá sido o amor pela especificidade agrícola francesa, que se consubstancia na PAC (Política Agrícola Comum), surgida em 1962, que tornou o certame praticamente obrigatório para todos os que se reclamam de alguma preeminência na vida política francesa.

Neste vídeo, de uma edição da Feira de há 20 anos, podemos identificar, para além do Presidente Jacques Chirac, e pela mesma ordem de entrada em cena, o primeiro-ministro (socialista) Lionel Jospin, aquele que fora o antigo primeiro-ministro, também ex-candidato presidencial e líder da UDF Édouard Balladur e ainda o líder comunista Robert Hue, todos em audição interessada e atenta sobre o pedigree de algumas vacas expostas.

A temporada de Inverno da política francesa (o Salão costuma decorrer entre a segunda quinzena de Fevereiro e a primeira de Março) não costumava estar completa sem as tradicionais visitas de que é exemplo esta acima do mesmo Chirac em 7 de Março de 1999. A cenografia era a de sempre, com as vacas e as provas dos lacticínios, dos enchidos e dos vinhos, mas repare-se como a notícia e o presidente não se esqueciam de dar relevo àquilo que era verdadeiramente importante: a PAC.

Mas os tempos têm mudado: a cordialidade como Chirac era acolhido no certame não passa hoje de uma lembrança. À medida que a União Europeia se foi alargando e que a capacidade negocial da França na União se teve que ir subordinando à da Alemanha, assim os benefícios da PAC e a disposição dos agricultores se iam modificando. Esta visita acima de Nicolas Sarkozy, o sucessor de Chirac, já decorre num indisfarçável clima de tensão.

Em menos de uma geração passou-se de uma ambiente em que se preleccionava sobre pacíficas vacas para um outro de verdadeiras boiadas hostis aos visitantes, mesmo (ou sobretudo desde?) que se trate do presidente da República. As manifestações hostis que acolheram François Hollande durante as suas visitas não tardaram a tornar-se numa tradição anual (acima) e quanto a Emannuel Macron a sua estreia deste ano começou no mesmo estilo (abaixo).

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