01 março 2021

A SUSPENSÃO DA DEMOCRACIA POR SEIS MESES... OU MAIS

A banalidade como se noticiou a aprovação pela 12ª vez do estado de emergência lembrou-me, para contraste, o fuzué mediático que se gerou quando, certa vez, Manuela Ferreira Leite, em registo irónico, aventou que a democracia podia ser suspensa por seis meses para que se pusesse «tudo na ordem». Se, na altura (Novembro de 2008), a «máquina governamental socialista» de José Sócrates aproveitou aquelas declarações, para as tentar explorar criticamente distorcendo-as para o seu sentido literal, na conjuntura actual as sucessivas suspensões da democracia têm sido votadas sem que haja máquina ou maquineta que conteste, e agora são mais do que meras palavras, a radicalidade dos actos, quando eles são avaliados em função dos resultados. É que Manuela Ferreira Leite, na sua ironia, referia-se ao bem último e justificável de pôr «tudo na ordem». A actuação e os resultados do actual executivo socialista, apesar da democracia ter estado intermitentemente suspensa, é que não parecem ter contribuído para o sucesso do «ordenamento». Como se depreende pela redacção e conclusões do último relatório sobre o estado de emergência.

Mas, como isto é política, acaba por não haver um lado com «maus» e outro com os «bons». Não é o comportamento dos poucos «desalinhados» a uma tolerância excessiva a medidas restritivas que nos vem consolar. Tomemos o exemplo da deputada socialista Isabel Moreira que em Novembro passado produzia a declaração de voto que abaixo se pode ler. Mais, a referida deputada «avisava» que poderia «passar a votar contra eventuais renovações do estado de emergência». Cobradas as ameaças e como se constata mais abaixo, a décima segunda vez ainda não foi a primeira vez que Isabel Moreira votou contra. De um lado chove e doutro venta.

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