26 março 2017

A REDESCOLONIZAÇÃO DE ALGUNS DESCOLONIZADOS?

26 de Março de 1971. Há 46 anos o xeque Mujibur Rahman (1920-1975) proclamava a independência do Bangladesh. A data tornou-se o dia nacional do país mas, à época, a declaração foi mais simbólica do que prática. Ao contrário de tantas outras cerimónias idênticas mas pacíficas a que o Mundo assistira depois da Segunda Guerra Mundial, o novo país permanecia ocupado por tropas paquistanesas e assim iria continuar pelos nove meses seguintes até à sua rendição perante uma ofensiva indiana que se desencadeou em Dezembro de 1971. Para além de se ter tratado da terceira guerra entre a Índia e o Paquistão nos primeiros 25 anos da existência dos dois países e do conflito arrastar consigo um delicado problema geoestratégico, com os Estados Unidos e a China a apoiar o Paquistão e a União Soviética a apoiar a Índia, a terceira perturbadora novidade na ordem mundial é que poderia estar a passar-se para uma nova fase de descolonizações, em que o alvo já não eram as tradicionais potências coloniais europeias, antes os antigos povos que haviam sido colonizados (os paquistaneses haviam-se tornado independentes do Reino Unido em 1947) e onde agora apareciam regiões a queixaram-se de outras discriminações também de cariz colonial. Era precisamente esse o teor das queixas dos bengalis em relação aos paquistaneses e havia ali um potencial de rectificação de fronteiras e de novos países (recorde-se o caso do Biafra 1967-70) que terá tornado os países recém-independentes do Terceiro Mundo muito mais moderados quanto aos discursos anti-coloniais que adoptavam.

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