16 junho 2007

ÁLVARO DE CAMPOS REINTERPRETADO

Há alturas em que visito blogues de autores por quem tenho consideração e lembro de imediato o poema de Álvaro de Campos Todas as Cartas de Amor são Ridículas*. Só que haveria que substituir a expressão Cartas de Amor pela de Postes sobre Política.

Porque fico com uma primeira impressão que todos os Postes sobre Política terão de ser
Ridículos.
Não seriam Postes sobre Política se não fossem
Ridículos.

Mas aí termina a analogia, porque escrevi, ainda escrevo e há muitos outros que escrevem Postes sobre Política que não são como aqueles,
Ridículos.

E os Postes sobre Política, mesmo sendo políticos
Não têm de ser todos
Ridículos...

Nem ridículas serão as criaturas que nunca escreveram Postes sobre Política
Afinal, quem escreve daqueles Postes sobre Política está a ser conscientemente
*Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).

3 comentários:

  1. Eu gostaria de não ser mauzinho, mas não resisto a dizer que o senhor Medeiros Ferreira vâ a política com outros olhos...

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  2. E não será porque a política (e os políticos!) são, cada vez mais... ridículos?

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