09 outubro 2007

A METÁFORA ESPUMANTE

Hoje, como a espuma que desemboca pelo gargalo de uma garrafa de cerveja, irritei-me de vez com a utilização recorrente da metáfora da espuma, o tratamento repetitivo menosprezando a superficialidade como os assuntos podem ser tratados, que já li ou ouvi por dezenas de vezes. Ajudou à irritação o facto de ler a metáfora espumante nesta enésima vez empregue pela jornalista Helena Matos na sua crónica bissemanal a três colunas da última página do Público, no que seria um dos últimos lugares, pelos temas que ali são adequados e pelo espaço que lhes está disponível, onde se deveria censurar a superficialidade alheia...

Até parece que se instalou um campeonato em que ganha quem se antecipar a jogar espuma para cima dos outros, reforçando preventivamente a profundidade das próprias opiniões. Só que um jornal (como um blogue) apenas se presta a opiniões fundamentadas com espaço contado e para leitor rápido: espumantes... Quem não quiser tratar profissionalmente com espuma é preferível dedicar-se a outras actividades que não o jornalismo… Olhe, que faça investigação científica, como os galardoados com o Prémio Nobel das páginas 2 e 3 daquele mesmo jornal onde Helena Matos gasta ¾ da sua crónica a tratar de um assunto* que depois classifica de espuma

É que, objectivamente, o trabalho da sua colega de jornal naquelas duas páginas iniciais foi o de transformar as complexas investigações dos 3 laureados em espuma

* O assunto é o da disputa entre o laico e o religioso e a parte espumante a recente querela sobre a assistência religiosa nos hospitais. A componente erudita que suponho deva pairar acima dessa espuma é a referência ao calendário republicano francês...

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