02 agosto 2014

OTÁRIO

Ainda a propósito do processo que culminou com a escolha de Carlos Moedas para ocupar um dos cargos de comissário em Bruxelas, não sei quantos ainda se lembrarão de que há coisa de três semanas António José Seguro foi recebido com pompa e circunstância em São Bento a pretexto de participar nesse processo. Acima, além do diploma que ele merece que lhe seja outorgado pelo seu papel naquela encenação, estão passagens das declarações que então prestou, de onde se realçava a prioridade dada à discussão das pastas que o futuro comissário poderia receber. Ora o encerramento do processo deixou claro que Jean-Claude Juncker só se mostrou interessado no género do(a) comissário(a) e que nunca se dispôs a discutir quaisquer pastas com Pedro Passos Coelho… Assim sendo, o que é que António José Seguro lá andou a fazer na reunião? Não poderia ter antecipado a armadilha de se dispor a avalizar um assunto que nem sequer seria discutido? E de que é os dois (ele e o 1º ministro) poderão ter falado - a havê-los - nos contactos posteriores? Convença-se Tó Zé Seguro que os ferrinhos e o quico abaixo podem não ser por si só ridículos: são-no quando se tornam simbólicos das figuras que ele tem estado a fazer à frente do partido socialista e da oposição.

ET: Em contraste, a Paulo Portas é que ninguém pode acusar de ingenuidade após esta notícia que o torna retroactivamente apoiante de uma escolha de Jaime Gama em vez de Carlos Moedas, mas a impunidade opinativa que a inverosímil notícia tem recebido, deixa perguntar se o jornalismo político já terá ido todo de férias para o Algarve?…

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