30 abril 2009

OUTRAS COISAS SOBRE AS QUAIS A MEMÓRIA NÃO SE DEVE APAGAR…

Agora a respeito daquele slogan de não deixar que se apague a memória e ainda da animada animosidade que me leva a discordar da avaliação que Sérgio Ribeiro faz do seu próprio mandato, mas sobretudo da investida dos seus camaradas que, ao acusarem-me de inumeráveis defeitos, desconfio que nem sequer repararam que eu também fiz um elogio ao desempenho dos outros dois eurodeputados comunistas, lembrei-me de um episódio que ocorreu há quase 33 anos e sobre o qual, infelizmente, não encontrei nem imagens, nem vídeos. Por isso, vale ainda mais a pena que a memória não se apague
Estava-se na campanha eleitoral para as presidenciais em Junho de 1976, quando a comitiva do candidato Ramalho Eanes entrou em Évora ou numa outra localidade desse distrito e, além da população que o foi receber e vitoriar, a comitiva foi também democraticamente recebida a tiro… Eanes deve ter reagido instintivamente com a galhardia que achava exigível a um oficial naquelas circunstâncias dando um exemplo de coragem… e subiu para o tejadilho do carro onde viajava (salvo erro um Peugeot), onde se manteve por um bocado, de pernas abertas e mãos à cintura, em atitude de desafio.
Diga-se que, muito anos depois deste incidente, ouvi a Eanes a confissão num registo bem-humorado que o verdadeiro perigo da situação foi a sua mulher que, discordando da atitude e querendo-o fazer mudar de ideias, de dentro do carro lhe puxava as calças, fazendo-o desequilibrar-se… Dessa vez e com as emoções ao rubro, o discurso do candidato que se seguiu deve ter sido um verdadeiro improviso e daqueles que não foi difícil improvisar. No seu inconfundível sotaque de Alcains o candidato dizia então: – É PRECISE QUE ELES SAIBAM QUE NÓS NÃO TEMES MEDE!

E, a propósito dessa evocação, é preciso que eles saibam, os de então e os novos que entretanto se lhes juntaram, apesar deste comportamento de ataque em matilha às opiniões alheias, que além de não termos medo, quanto às verdadeiras liberdades, não nos esquecemos de que lado é que eles estavam no 25 de Novembro...

29 abril 2009

A MEDIOCRIDADE E OS CLÃS QUE A CONFORTAM

Sérgio Ribeiro
(ex-eurodeputado comunista, avaliado em 718º lugar entre 920 eurodeputados nesta legislatura num sistema de avaliação que foi recentemente posto em rede mas que foi rapidamente retirado dela)
- Quem se mete com o PS, leva!
Jorge Coelho

Por causa de uma grelha de avaliação de desempenho dos eurodeputados (veja-se este poste) já tive oportunidade de constatar directamente que a classificação que dela resulta não deverá estar muito errada. De facto, quando um eleito se considera forçado a debater critérios de avaliação do seu desempenho com um eleitor sobre o cargo para que fora eleito, já não fica grande coisa para dizer. A não ser evidentemente aquilo que é dito pelas hostes do costume, as ovelhas da Quinta dos Animais... porque não é só quem se mete com o PS que tende a levar...

Primeira Adenda: ...e, como previsto, às 11H47 lá chegou a primeira ovelha à Caixa de Comentários. Desconfio que não vai ser a última...

Segunda Adenda: ... mas, para um contraste com substância com os balidos que se ouvem por esta Caixa de Comentários, leia-se o poste Do Comunismo no Defender o Quadrado.

O QUE O TEMPO TORNA IMPORTANTE E O QUE O TEMPO ESQUECE

No filme Jonas, que terá 25 anos no ano 2000 (1976) da autoria do suíço Alain Tanner, há uma cena em que um Professor de História tenta dar aos seus alunos uma explicação imaginativa do tempo, vincando-a com o batuque compassado no tampo da sua secretária e incentivando os alunos a fazer o mesmo – pode ver-se a cena descrita no vídeo acima, a partir dos 7:45. Evidentemente que ninguém percebeu patavina da explicação metafísica e demasiado hermética do Professor, mas aquela história de batucar o tampo da carteira até parecia baril e até se prestava a que houvesse um certo chavasco na aula…
Se o Jonas viria a ter 25 anos no ano 2000 e se estivesse estado presente naquela sala de aula, então actualmente teria ou estaria a fazer agora 34 anos mas continuaria sem perceber raspas da explicação que então recebera da relatividade da importância do tempo que passa. Ou da verdadeira importância que o tempo confere aos acontecimentos. Ainda ontem tive oportunidade de ler um poste – por sinal, excelente – num blogue a respeito dos hossanas recentemente dedicados a Jorge Nuno Pinto da Costa e o que do comentário que lá deixei mais parece ter impressionado foi o facto de ter qualificado o futebol de actividade acessória
O passado não teve muitos períodos em que se conjugassem níveis de concentração urbana com períodos de lazer das grandes massas populacionais para que pudessem dar origem a fenómenos sociais que se tivessem assemelhado àquilo que são os actuais clubes de futebol. Ou então, no caso dos espectáculos do famoso Coliseu de Roma, eles tendiam a ser dos que davam mais destaque às proezas individuais. Na Antiguidade, o facciosismo de equipa era coisa do Hipódromo, onde as quadrigas eram identificadas por quatro cores tradicionais a que, pelas mesmas razões inexplicáveis de hoje, os adeptos se afeiçoavam.
A história das corridas de quadrigas romanas, incluindo depois as bizantinas, perdurou por vários séculos. Mas hoje não se sabe quase nada delas. A única excepção foi a Revolta de Nika, que ocorreu em Janeiro de 532 em Constantinopla, durante o início do reinado do Imperador Justiniano (abaixo), quando os dirigentes dos dois clubes principais, os verdes e os azuis, que são descritos como uns líderes de gang, se coligaram e tiveram um pequeno delírio político contra o poder instituído que foi rapidamente esmagado. As fontes contemporâneas mencionam – o que é provavelmente um exagero – que cerca de 30.000 adeptos foram executados.
Artefactos como filmes – os dos golos do Eusébio no Mundial de 1966, por exemplo (abaixo) – poderão dificultar a compreensão aos adeptos, antigos alunos das aulas de História de que nada perceberam, do quanto o que aconteceu no estádio pôde ter de efémero e de irrelevante. Mas a realidade incontornável é que, apesar do interesse de muitos milhões, de se ter tornado um negócio que movimenta outros milhões e de ser pretexto para outras actividades que movimentam outros milhões, o futebol continua a não passar de um mero espectáculo…
As três gravuras acima são de Albert Uderzo e foram retiradas de Astérix e o Caldeirão.

28 abril 2009

AINDA A RESPEITO DO 25 DE ABRIL – 2

Se, como vimos no poste anterior, os diários tiveram que se resignar às fotografias dos blindados na baixa de Lisboa para enfeitarem as suas reportagens sobre o que fora o 25 de Abril, pior ainda estaria a imprensa semanal, limitada ao que já fora visto. A não ser se o que tivesse escapado à primeira escolha primasse pelo insólito. Foi assim que estas cuecas do PIDE(*) estiveram quase a ombrear em simbologia da data com os cravos vermelhos… Umas cuecas muito modernas, por sinal, nada representativas de um agente de um regime decrépito…
(*) – Os jornais são o Sempre Fixe (semanário publicado a 27 de Abril) e o Diário da Madeira de 4 de Maio.

27 abril 2009

AINDA A RESPEITO DO 25 DE ABRIL – 1

Já há 35 anos, qualquer acontecimento, para ser importante em termos informativos, tinha que ter imagens. E então se esse acontecimento fosse um Golpe Militar num país ocidental e da NATO mais essas imagens – boas imagens! – eram prementes. Contudo, a passividade de dois dos ramos das Forças Armadas (a Armada e a Força Aérea) durante a maior parte do Golpe (abaixo, uma fragata no Tejo junto ao Terreiro do Paço) fizeram com que as melhores fotografias com gadgets do 25 de Abril viessem a ser as com blindados.
Terá sido assim por causa do seu equipamento mecanizado que as unidades e os militares da Arma de Cavalaria acabaram por adquirir uma visibilidade desproporcionada em relação ao conjunto dos acontecimentos que tiveram lugar a 25 de Abril(*), factor que tanto se aplica para a boa imagem, protagonizada pela actuação da coluna da Escola Prática de Cavalaria, como para a má imagem, fazendo dos esquadrões do Regimento de Cavalaria 7 os últimos pretorianos que pareceram dispostos a defender o regime que então se desmoronava.
Agora observe-se a fotografia abaixo, tirada pouco antes do meio-dia na Avenida Ribeira das Naus, com dois carros de combate M-47 de Cavalaria 7 ao fundo e com o Capitão Salgueiro Maia (no centro do quinteto mais próximo) conferenciando com o oficial comandante da força atacante, o Tenente-Coronel Ferrand de Almeida (à direita). E observe-se como, dos quatro oficiais de Cavalaria fardados, Maia foi o único deles que não partiu para fazer uma Revolução, nem para defender um Regime, calçando as anacrónicas botas de montar com esporins
(*) Não havia nenhum oficial de Cavalaria no PC da Pontinha, por exemplo.

As fotografias acima são de Alfredo Cunha.

26 abril 2009

CELEBRIDADES EM PANTUFAS

Terá havido tempos em que se criou a ilusão entre os frequentadores da blogosfera – comigo incluído – que os políticos por cá presentes estavam mais próximos de quem os lesse aqui, como se na blogosfera houvesse a oportunidade de compartilharmos um pouco mais da sua intimidade porque eles teriam vindo para aqui um pouco mais despojados daquela sua tradicional carapaça. Foi uma ilusão!... Parafraseando Clausewitz, a quem se atribui a autoria da frase que a guerra é a continuação da política por outros meios, também nestes casos escrever num blogue parece ser, para aqueles que já haviam obtido visibilidade política prévia, a continuação dessa mesma actividade agora exprimindo-se através de outros meios, mas com o mesmo facciosismo inerente.

Dois exemplos recentes. O de José Pacheco Pereira que, em três artigos transplantados da revista Sábado para o seu blogue, nos pretende convencer que, como regra, os políticos do PS têm boa imprensa enquanto os do PSD não a têm. É uma generalização que dificilmente se sustêm quando se compara a imprensa do próprio com a do seu ex-colega de programa Jorge Coelho... Esquecendo PSD e PS, parece-me evidente que José Pacheco Pereira tem a boa imprensa que é tradicionalmente conferida aos intelectuais urbanos e Jorge Coelho a má imprensa dos labregos rurais... Outro exemplo é o de José Medeiros Ferreira, quando confessa quanto os cartazes da última campanha de Mário Soares (2006) lhe desagradaram, uma confissão que teria tido um outro valor se constasse do seu blogue na altura da própria campanha

Claro que estes exemplos são as versões benignas e inteligentes de intimidade, os blogues que ainda se prestam a dúvidas. Depois há os outros, os descarados, que nem a isso se prestam…

25 abril 2009

PORQUE HOJE É SÁBADO… E PORQUE FORÇARAM O BLOGUE PARLORAMA A FECHAR

O que aconteceu recentemente no site http://blog.parlorama.eu/en/ parece ser mais uma demonstração da tradicional falta de transparência que costuma estar associada ao funcionamento dos organismos da União Europeia. Só o saloismo nacional é que nos leva a classificar o defeito como português quando afinal é endémico e comum aos países europeus. A história começou há uns dias com a publicação naquele site de uma avaliação de desempenho abrangendo todos os eurodeputados desde as últimas eleições de 2004 até 31 de Dezembro de 2008. Por causa das substituições entretanto ocorridas, o número de eurodeputados avaliados revelou-se superior (920) ao número de deputados que actualmente compõem o elenco (785). Foi também esse o caso português, onde resultou a avaliação de um total de 27 eurodeputados, quando simultaneamente há 24 eleitos.
Os resultados da avaliação baseavam-se apenas em elementos objectivos e mensuráveis como sejam os casos da assiduidade às sessões e a produção de cada eurodeputado avaliada através da contabilização dos relatórios e resoluções elaborados, das questões orais e escritas colocadas à Comissão, do tempo das intervenções orais no plenário, etc. Sabe-se quanto o detalhe (que não a substância…) destas avaliações podem ser contestadas: um dos casos mais clássicos é o da crítica aos factores de ponderação atribuídos a cada um dos parâmetros. Também se sabe quanto os criadores destas grelhas de avaliação são os últimos interessados na rigidez das suas conclusões. E também se sabe que na fase de contestação que se segue, fica-se à espera de sugestões de aperfeiçoamento, que normalmente não vêm – lembremo-nos apenas do caso recente de Mário Nogueira e dos professores entre nós…
Só que neste caso, nem tempo houve, nem sequer paciência para essas encenações do faz-de-conta-que-concordo-há-apenas-um-pormenor... O site manteve-se em rede por umas escassas 48 horas, até que as ameaças de procedimento judicial (oriundas, imagina-se, dos eurodeputados mais mal classificados…) terem forçado o seu autor, o eurodeputado italiano Marco Cappato, a encerrá-lo preventivamente. Mais do que a análise detalhada da fórmula de avaliação, que já não tive oportunidade de fazer, os resultados da aplicação da fórmula resultam em tantas conclusões embaraçosas que me parecem apontar na direcção da honestidade com que foi elaborada. Aliás, os embaraços das conclusões parecem atingir de uma forma aleatória todas as famílias políticas e todas as nacionalidades. Além de que os resultados comprovam certas suspeitas enquanto ajudam a desmontar outras.
Quanto à avaliação dos eurodeputados portugueses, a sua classificação relativa aparece acima (recolhi-a antes que o site tivesse desaparecido…): temos a ordenação nacional, depois o nome, o partido a que pertence e a ordenação geral entre os 920 eurodeputados da lista. Vale a pena destacar como primeira e principal conclusão, e com orgulho (isto não é só o Cristiano Ronaldo…), que a sua classificação conjunta se situa nitidamente acima da média europeia: há 6 eurodeputados situados entre os 10% melhores e apenas 1 entre os 10% piores (estatisticamente seria de esperar que houvesse 2 ou 3 nos dois grupos). A segunda grande conclusão é que a ordenação está cheia de surpresas, sendo as maiores as que distinguem entre os que trabalham mais e melhor nos parâmetros que foram avaliados e os outros, mais políticos, que trabalham melhor na promoção doméstica da sua imagem…
Será o caso de Miguel Portas do Bloco, que ali aparece ligeiramente abaixo da média (479º) ou de José Ribeiro e Castro, tão incensado pelo seu desempenho pelos opositores internos de Paulo Portas, mas que está bem depois (597º) do seu colega de partido Luís Queiró (455º). A excelente prestação dos eurodeputados do PCP (9ª e 40º lugar) acaba apenas por ser ensombrada pela colocação embaraçosa de Sérgio Ribeiro (718º). Mas embaraço maior será para o PSD o facto do seu melhor eurodeputado (Carlos Coelho) aparecer depois de 8 do PS e de 2 do PCP... Nem mesmo o PS, para o qual estes resultados são lisonjeiros, se escaparia ao embaraço de explicar que critérios internos aplica para que não apresente à reeleição um dos melhores eurodeputados do hemiciclo, Paulo Casaca, classificado em 6º lugar, enquanto o faz com o que está classificado em 669º, Joel Hasse Ferreira…

24 abril 2009

OS PSEUDÓNIMOS E OS NOMES

O Vasco Valente Correia Guedes, chamando-se Guedes, prefere que não o tratem por Guedes e gosta mais que o tratem por Pulido Valente, embora ele não se chame Pulido e tenha a reputação terrível de não ser nada polido. A Maria Manuela Guedes Outeiro Pereira Moniz, também se chama Guedes (entre muitos outros apelidos) mas essa, ao contrário do Vasco Guedes, gosta que a tratem por Guedes enquanto, como acontece com ele, tendo tantos outros nomes para usar, ainda prefira que a tratem por um outro adicional que não é dela, Moura, para que que combine bem com o Guedes e fique a soar Moura Guedes. Ambos os Guedes, o Vasco que não gosta de ser Guedes e a Manuela que gosta de ser Guedes só que com mais qualquer coisa, participam numa série em que, em ritmo e estrutura de novela, denunciam aquilo que consideram ser as irregularidades de um tal de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que é mais conhecido socialmente como José Sócrates. Confuso(a)? Vai deixar de estar depois de mais esta sessão do Jornal Nacional desta Sexta-Feira…

«SIDESHOWS» DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (8) – A BATALHA DOS ALPES

A 10 de Junho de 1940, no meio do enorme caos representado pela segunda fase da Invasão de França pela Wehrmacht, a Itália aproveitou a ocasião para declarar guerra tanto à França como ao Reino Unido. Em Roma, Benito Mussolini chegou mesmo a encenar uma cerimónia de estadão (acima), mas nos cumes alpinos das regiões da fronteira franco-italiana as coisas decorriam com muito mais tranquilidade. Dois dias depois daquela gigantesca cerimónia, em que Benito Mussolini anunciou que a palavra de ordem era vencer e prometeu que se venceria (*), os franceses ainda assinalavam apenas os costumeiros contactos cordiais entre as patrulhas dos dois lados.
Perante a rapidez do avanço alemão, o Duce teve que espicaçar o Marechal Pietro Badoglio a tomar rapidamente a ofensiva comentando cinicamente que precisava de alguns milhares de baixas para que a Itália se pudesse sentar honrosamente à mesa da conferência de paz. Iniciada a 20 de Junho, a ofensiva italiana, abrangendo três exércitos (I, IV e VII) e 32 divisões revelou-se o primeiro de uma enorme colecção de fiascos que as armas italianas iriam coleccionar ao longo do conflito. Os dias decorriam e não havia maneira das unidades italianas conseguirem penetrar em profundidade no dispositivo defensivo do exército do General René Olry (acima).
Como se pode perceber no mapa acima (**), acabou por ser a ameaça de cerco por parte das unidades alemãs chegadas entretanto a Lyon (a rosa, do lado direito) a decidir verdadeiramente o desfecho da batalha. Um armistício entre franceses e italianos acabou por ser assinado no dia 24. As perdas italianas cifravam-se em 6.000, as francesas em 250. E também no campeonato das basófias, a França ganhara à Itália. Por uma vez, o vencidíssimo Maurice Gamelin (abaixo), revelara-se presciente: Se a Itália estiver contra nós – dissera – então vamos precisar de uma meia dúzia de divisões. Foram exactamente 6 as divisões à disposição de Olry…
(*) – Conteúdo do trecho do discurso de Mussolini:
La parola d'ordine, è una sola, Categorica! ed impegnativa per tutti Essa già trasvola, ed accende i cuori dalle Alpi, all'oceano Indiano: VINCERE!!! ...e VINCEREMO!!!
(**) – Contrariamente às convenções, este mapa encontra-se orientado com o Sul para cima.

23 abril 2009

MUCH ADOE ABOUT NOTHING (1)

Tendo este blogue um título algo pomposo e sendo cá duma erudição, por esta vez insisto em puxar o lustro aos dois quando dou um título em estrangeiro a este poste, título esse até com um cunho renascentista, e para mais copiado de uma das peças de Shakespeare!... Nem poderia ser de outra maneira, visto o tema do poste ser sobre Vasco Graça Moura, um intelectual activo conforme se pode ler numa das suas biografias. E a tradução daquele título – a tradução é, aliás, uma das actividades em que Graça Moura tem recolhido mais reconhecimentos – corresponde a: Muito Barulho para Nada. O barulho refere-se, claro, às sucessivas crónicas laudatórias à actual direcção do seu partido, o PSD, que semanalmente ele tem escrito para o Diário de Notícias.
Suponho que através delas se poderá observar uma tradição velha de séculos em que os brilhantes intelectuais activos como Vasco Graça Moura terão malbaratado o seu engenho e arte em textos incomodativamente encomiásticos em relação a quem detém o poder. E quantas vezes o fizeram em vão… Parece ter sido este o caso, quando se constata que da lista de candidatos a eurodeputados apresentada pelo PSD não consta o nome de Vasco Graça Moura. Neste caso, para Vasco Graça Moura, que parece ter investido tanto nessa recondução, a lição que lhe fica nem sequer me parece digna do intelectual activo que ele assume ser. A lição é afinal mais um daqueles prosaicos ditados que estabelece que, quanto mais a gente se inclina, mais se lhe vê o
De uma forma mais sóbria e mais séria, faço votos que os eurodeputados portugueses a eleger sejam, em média, ainda melhores e mais empenhados do que aqueles que agora saem... Confira-se esta avaliação de desempenho(*) de todos os eurodeputados publicada recentemente e onde Vasco Graça Moura figura num (para ele) desactivado 312º lugar entre 920 colegas.

(*) ADENDA do dia seguinte: O site a que este poste ligava foi desactivado preventivamente pelo autor, segundo se sabe devido às ameaças de procedimento judicial por parte do que se supõem ser alguns eurodeputados tornados subitamente activos depois da publicidade dada à sua (in)actividade durante o mandato… Como se vê, a relutância às avaliações de desempenho não dá apenas ao Mário Nogueira e aos respectivos órgãos sindicais da sua classe…

22 abril 2009

UMA HISTÓRIA DE AUTOCARROS PERDIDOS... E DE PRIMEIROS-MINISTROS TEIMOSOS

Arthur Neville Chamberlain (1869-1940) é mais um caso daquelas pessoas que foram projectadas para a ribalta da História mas que, quando o foram, estavam desencontradas dela. São poucos os que ousam questionar o mérito que o levou a tornar-se o Primeiro-Ministro britânico entre 1937 e 1940. O seu problema é que, aquilo que noutros casos passou por virtude, a firmeza das suas convicções, na carreira de Chamberlain e naquelas circunstâncias históricas veio a revelar-se fatal para a sua credibilidade. Preso a uma imagem por si construída, acabou por vir a apostar em excesso na via negocial para a resolução das reivindicações alemãs – a política de appeasement (apaziguamento).
O paradoxo dessa reputação é que, por detrás das aparências pacifistas, Chamberlain presidiu ao governo que foi o responsável pela fase final do rearmamento que o Reino Unido vai poder apresentar em 1940. Essa era também a opinião (insuspeita) do líder da oposição trabalhista, Clement Attlee, em Fevereiro de 1939: Aborrece-me que Neville argumente tanto em favor do pacifismo enquanto o país se arma cada vez mais(*). Mas as frases mais famosas associadas a Chamberlain foram proferidas pelo próprio, a começar pelo discurso proferido no aeroporto à chegada de Munique em Setembro de 1938: Peace for our time (Paz para os nossos tempos, no vídeo abaixo) – Um profético disparate!

Contudo, percebe-se muito melhor a capacidade de Chamberlain se auto-iludir quanto à forma como as conversações com Hitler haviam sido conduzidas numa outra afirmação posterior, quando, em apreciação ao que se obtivera com elas, concluía como se havia perdido ali a oportunidade de fazer um excelente negócio: Mantenho a opinião que sempre tive que Hitler perdeu o autocarro (a oportunidade) em Setembro de 1938. Ele podia ter-nos dado então, à França e a nós, um terrível golpe, talvez mesmo mortal. É uma oportunidade que ele não voltará a ter.(**) É que isto já foi escrito em Dezembro de 1939, mais de três meses depois da Segunda Guerra Mundial ter começado…
Este é o tipo de avaliação reveladora de uma teimosia obtusa que acaba por destroçar qualquer reputação de um político para a História... Pretender, à posteriori, que o tempo correra a favor dos Aliados enquanto a Alemanha destruía em seu proveito os equilíbrios que haviam sido erigidos na Europa Central, anexando no processo a Áustria, a Checoslováquia e a Polónia (mapa acima), mais do que um clamoroso erro de leitura estratégica, tem que se tratar de verdadeira desonestidade intelectual. Não admira que houvesse quem não perdoasse a Chamberlain e que, perante uma fotografia da Blitz londrina (abaixo), não resistisse à graçola de comentar: Ali está um autocarro que o Adolfo não perdeu… (***)
(*) Neville annoys me by mouthing the arguments of complete pacifism while piling up armaments.
(**) I stick to the view I have always held that Hitler missed the bus in September 1938. He could have dealt France and ourselves a terrible, perhaps a mortal, blow then. The opportunity will not recur.
(***) Com a tradução, perde-se o efeito de trocadilho, pois o mesmo verbo (to miss) pode ser empregue para perder o autocarro e falhar o autocarro como alvo, coisa que, visivelmente naquele caso, os bombardeiros alemães não fizeram…

21 abril 2009

A FOTOGRAFIA DA PARÓDIA DE GUERRA

Os franceses baptizaram-na de Drôle de Guerre e existem várias versões da tradução dessa expressão para português: desde Guerra Fingida até Guerra Esquisita. Preferi Paródia de Guerra e todas elas se referem àquele período inicial da Segunda Guerra Mundial que medeia entre Setembro de 1939 e Maio de 1940 em que, na Europa Ocidental, os exércitos dos aliados (franco-britânicos) e dos alemães se enfrentaram… não se confrontando. Foram cerca de nove meses de uma experiência bizarra, em que as unidades em contacto com o inimigo registavam nos seus relatórios as várias baixas que haviam tido por acidente, mas onde nenhuma havia sido em combate. Quanto aos generais…
...a 31 de Outubro de 1939 o General britânico Alan Brooke escrevia no seu diário: Almoço com champanhe. Ficámos à mesa até às três da tarde. Ostras, lagostas, frangos, foie-gras, queijos, gelados, fruta, licores, etc. Estes banquetes, além de me estragarem o estômago, perturbam-me o trabalho (…) É evidente que a dieta dos generais é irrelevante para o comportamento dos exércitos e para o desfecho dos conflitos, mas esta descrição de Alan Brooke é muito simbólica do espírito que então reinava e que também pode ser observado na fotografia que escolhi. Aliás, o ar satisfeito dos fotografados permite-nos especular com fundamento se ela não terá sido tirada depois de um desses almoços.
O local é o centro da cidade mártir de Verdun e, da esquerda para a direita, podem ver-se o General Giraud (o 2º) junto do General Huntziger (o 4º), diante de dois outros generais que, numa pose cortesã, parecem trocar entre si comentários que parecem ser bastante espirituosos; depois o General Blanchard (7º), apertando o seu capote, ao lado do que parece ser um zeloso coronel de pasta na mão (o seu quépi é mais sóbrio do que o dos generais). Sugestão de guerra, apenas a espingarda nas mãos do soldado que apresenta armas na ponta direita da fotografia, um dos membros da guarda de honra que se encontra disposta na rua e que, significativamente, todo o generalato presente parece ignorar…

20 abril 2009

O VELHO CAVALO E O TEDDY BEAR

A minha concordância com as opiniões que defendem a liberdade de opinar de Fernanda Câncio coexiste saudavelmente com a minha discordância com quase tudo o que ela escreve, normalmente engajado, excessivo, quando não superficial. Típico disso, foi um panegírico disfarçado de biografia que foi publicado faz mais de um mês no Diário de Notícias, dedicado a Vital Moreira, então revelado como cabeça-de-lista do PS para as próximas eleições europeias, e intitulado O Velho Cavalo que Volta à Corrida.
Como acontece com Luís Delgado, por exemplo, mas este do outro lado do Centrão, os engajamentos deste género pagam-se caro em credibilidade, por muito estilo com que se queira embrulhar depois a prosa, como aquela coisa das minúsculas e etc. Anunciados os outros cabeças-de-lista dos outros partidos, apetece perguntar aos responsáveis no DN, onde param as biografias-panegíricos equivalentes? Tenho uma sugestão: se o Vital Moreira da f. era o velho cavalo, Paulo Rangel pode fazer lembrar o ursinho de peluche

A PROPORÇÃO DO CASTIGO

A notícia era uma daquelas típicas matinais da TSF (8H33), destinada a acordar os estremunhados: Gestores Públicos Multados a Título Pessoal Pagam Coimas com Orçamentos dos Serviços. É uma daquelas notícias que, entre os cínicos em que me conto, desperta sobretudo a curiosidade para saber quando e como é que o assunto vai morrer… Passado pouco tempo, (10H13) através da mesma TSF ouvem-se as declarações do Secretário de Estado do Tesouro e percebe-se que é coisa para breve: segundo ele, os gestores que fizeram isso vão ser obrigados a devolver o dinheiro… Boa!

Claro que, se houver situações de infracção que dê lugar ao apuramento de outro tipo de responsabilidades, naturalmente elas não deixarão de ser apuradas… Claro que já se sabe o que é que esse apuramento quer dizer na prática, por muito que os recados que se lêem, vindos do Tribunal de Contas, insistam que a prática é ilegal e muito grave… É nestes momentos de tanta benevolência que me sinto tentado a endossar genericamente o castigo que o adepto do vídeo acima inflige àquele concorrente desonesto que derruba o rival: um banho forçado, depois de atirado do alto de uma ponte...

PS – Será que, como no caso raro da Gebalis, ainda se conseguirão vir a saber publicamente o nome dos prevaricadores?...

19 abril 2009

A BOMBA DE NEUTRÕES

A questão da bomba de neutrões parece estar há muito esquecida mas acabou por se tornar, conjuntamente com a Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI – mais conhecida por Guerra das Estrelas), num dos episódios mais significativos da fase tardia da Guerra-Fria. E, tal como a Guerra das Estrelas, era também um dispositivo tão brandido pela Administração Reagan como contestado pelas sucessivas lideranças soviéticas, mas cuja eventual utilidade em caso de conflito quente, ter-se-ia revelado praticamente nula…
Explicada de uma forma simplificada, uma bomba de neutrões é um dispositivo nuclear de fissão (uma bomba atómica clássica) que foi transformado para que uma parcela da energia libertada com a detonação o faça na forma de radiação. Mesmo assim, isso só acontece a cerca de 35% da energia libertada (são 15% nos dispositivos tradicionais), o que quer dizer que, mesmo assim, os efeitos destrutivos que uma bomba de neutrões produz através das ondas de choque e do calor continuam a ser impressionantes…
Concebida teoricamente em 1958 nos Estados Unidos (não se sabe em que data o terá sido na União Soviética...), a configuração só veio a ser experimentada cinco anos depois, mas demorou quase 15 anos depois disso a passar para a fase de produção. A questão inicial (que também se terá posto do lado soviético) é que não havia razões militares para o fazer. A única vantagem de uma bomba de neutrões sobre uma convencional é que, para a mesma potência, teria um alcance e uma capacidade superiores de destruição dos organismos vivos…
Até que houve alguém no Pentágono que conseguiu descobrir um cenário táctico que poderia justificar o seu emprego: a bomba de neutrões poderia ser mais vantajosa do que o armamento nuclear tradicional quando empregue contra as unidades blindadas numa eventual invasão da Europa Ocidental pelos exércitos do Pacto de Varsóvia. Nesse caso, a protecção constituída pelos blindados, mesmo quando eficaz contra o choque e o calor, seria ineficaz contra as intensas radiações da bomba. O equipamento sobreviveria, mas os tripulantes não…
Esta faceta cruel de uma arma que preserva (comparativamente) tudo o que é inanimado enquanto aniquila os seres vivos foi uma das mais exploradas pela campanha que foi desencadeada no países ocidentais – com o apoio evidente da União Soviética – contra a adopção da arma pelos arsenais da NATO. A Administração Carter ainda estabeleceu uma moratória em 1978, mas a de Reagan recomeçou a sua produção (1981). E entretanto, com menos espavento, também a França começou a produzir a bomba de neutrões (1982).
Tanto ou mais do que os protestos populares e das condições muito específicas em que a arma devia ser utilizada, terá havido duas razões para a rápida eliminação da bomba de neutrões dos arsenais nucleares. Uma delas relaciona-se com as condições de armazenamento. A bomba de neutrões usa um gás que é o isótopo radioactivo do hidrogénio (o trítrio, H³) que é relativamente instável (tem uma vida média de 12,32 anos). Isso obrigava a que houvesse um custoso sistema de manutenção para que o armamento permanecesse operacional.
A outra, está associada à descoberta da forma como o organismo humano reage perante certas dosagens maciças de radiação (acima Chernobyl). Depois de uma fase inicial de náuseas e apesar de uma morte certa, os organismos recuperam por um período que poderá chegar a ultrapassar as 24 horas, que é designada por fase de fantasma ambulante. Ora, ao contrário do que seria a intenção inicial do inimigo, adivinhar-se-ia como poderia ser a determinação fanática e suicida dos militares atingidos, após se saberem condenados a uma morte em agonia…

18 abril 2009

OS APELIDOS PORTUGUESES ESPALHADOS PELA ÁSIA

A fotografia tirada em 1996 aos dois premiados com o Prémio Nobel da Paz desse ano, os timorenses José Manuel Ramos Horta (à esquerda) e Carlos Filipe Ximenes Belo pode ser usada como uma boa base de partida para explicar como os apelidos portugueses se espalharam pelo Mundo. No caso de Ramos-Horta temos o exemplo da miscigenação, já que o seu pai era de origem portuguesa (tinha sido desterrado para Timor) e a sua mãe era de origem timorense. No caso do bispo Ximenes Belo, parece ser um caso de aculturação, em que alguns dos seus antepassados adoptaram nomes portugueses.
Neste segundo caso, e datando a presença dos portugueses na Ásia do longínquo Século XVI, nunca se pode excluir que tenha existido algum antepassado de origem europeia que tivesse sido o responsável pelo estabelecimento do nome que a família adoptou. Contudo, dada a pequena dimensão demográfica de Portugal, é improvável que isso seja muito frequente, tendo em atenção a profusão de apelidos portugueses registados em algumas regiões asiáticas: havia uma história (*) que dizia que havia mais páginas com Silvas nas listas telefónicas de Colombo, capital do Sri Lanka, do que nas de Lisboa…
Mas não há região asiática onde esse fenómeno seja mais complexo do que na Índia. Ali conjuga-se a presença dos portugueses por um período de mais de 450 anos com os seus esforços (pelo menos iniciais) de evangelização e a propensão tipicamente indiana para compartimentar a sociedade em estratos – as castas. Em Goa (acima), por exemplo, nunca houve possibilidade de confusão entre os descendentes, que, como o nome indica, reclamavam a ancestralidade de um longínquo antepassado português, com os restantes cristãos, que muito provavelmente haviam adquirido os apelidos portugueses aquando do baptismo.
Por outro lado, há que contar que uma coisa é a religião que se professa, outra são as fidelidades políticas. Houve muitos católicos goeses que, por pressão da Inquisição e por razões políticas abandonaram as regiões sob soberania portuguesa, vindo a estabelecer-se noutros locais (acima). A maior concentração situava-se junto à cidade indiana de Mangalore o que lhes fez ganhar a designação de católicos mangaloreanos. Muitos deles vieram a emigrar dali depois para Bombaim. Enquanto isso, a partir do Século XIX, a ascensão das elites goesas passou a estar aberto às das outras confissões religiosas.
É assim que actualmente podemos apreciar a situação, algo paradoxal, da coexistência de um político de destaque em Portugal de confissão hindu e de nome Narana Coissoró (acima, à esquerda), com a de um político de destaque na Índia de confissão católica que se chama George Fernandes (à direita). Mas a personalidade indiana de apelido português mais popular do momento deverá ser a nova coqueluche cinematográfica Freida Pinto (abaixo). Como acontece com George Fernandes, a família de Freida Pinto também é de ascendência mangaloreana, embora a própria Freida já tenha nascido em Bombaim.
Mesmo em cidades cosmopolitas, a comunidade parece permanecer endogâmica: o noivo de Freida, com quem ela recentemente rompeu (em Janeiro), chamava-se Rohan Antao (Antão). Como acontece com Fernandes, que começou a sua carreira política como sindicalista de esquerda, também com Freida Pinto a religião servir-lhe-á mais como referência identitária do que como elemento de prática social. É evidente que nenhum deles sabe uma palavra de português, mas basta olhar para a fotografia acima, para se ficar orgulhoso da centenária presença portuguesa na Índia, mesmo sem necessidade de ouvir a actriz…

(*) – Nunca tive uma lista telefónica cingalesa à mão para comparar. Mas a lista deve estar, de facto, cheia de apelidos portugueses e de corrupções deles facilmente identificáveis: Silva, Perera (Pereira), Zoysa (Sousa), Peiris (Peres), Mendis (Mendes), Fonseka (Fonseca), De Mel (de Melo), Corea (Correia), etc.

17 abril 2009

DOIS ESPERMATOZÓIDES PARA A EUROPA

Ainda pensei que tivesse sido a minha mente perversa e talvez excessivamente sofisticada a dar uma interpretação demasiado rebuscada - qual teste de Rorschach - àquelas duas coisinhas, patrióticas, de cor vermelha e verde com que os comunistas resolveram enfeitar o seu cartaz para as próximas eleições europeias que hoje divulgaram. Mas afinal descobri que não era o único a ver nelas dois espermatozóides, embora algo estilizados...

E a partir daí, é a especulação quem mais ordena, dentro de ti oh cidade... Será que os espermatozóides se preparam para fertilizar Ilda Figueiredo?... Será que o par de espermatozóides representam o mais do que provável par de eurodeputados que o PCP vai eleger nas próximas eleições europeias?... Depois do Festival RTP de 1976 se ter chamado Uma Canção para a Europa, temos agora o PCP a mandar dois espermatozóides para os mesmos sítios?

O PUTO

Eu bem tinha prometido a mim mesmo abster-me de comentar o causador de tanto orgulho neste blogue (ver o cabeçalho) mas… se Vital Moreira classifica de excitação juvenil os argumentos de debate empregues por um adversário político que tem 41 anos de idade, tenho de me perguntar que qualificativo teria ele empregue caso o adversário fosse substancialmente mais novo, digamos com menos uns dez anos? Infantil?... É que 31 anos era precisamente(*) a idade do próprio Vital Moreira quando foi eleito em 1975 deputado pelo PCP à Assembleia Constituinte, como defensor das mais amplas liberdades..., perdão, à luz destes insultos maduros, deverá escrever-se dos mais amplos giroflé-flé-flás democráticos
(*) Na verdade, nem sequer os tinha completado…