
Discretamente, no meio de outras notícias de mais impacto, foi anunciado há uns dias o primeiro teste de lançamento do foguetão
Ares I (acima). Enquadrado no
Projecto Constellation, trata-se de um dos novos lançadores da classe
Ares programados pela
NASA para a próxima geração, em que entre os objectivos também se conta o retorno à Lua. Novo projecto esse que, para os mais atentos ou para aqueles que ainda se lembrem dos gigantescos foguetões do
Projecto Apollo dos anos 60, parece um regresso ao passado, abandonando
o conceito STS dos vaivéns espaciais dos últimos 30 anos.

Conforme se pode observar pela gravura acima onde se emparelham (da esquerda para a direita) as silhuetas do
Saturno V (o antigo foguetão do programa lunar
Apollo), o lançador do vaivém espacial e as configurações previstas para o
Ares I (agora testado) e o
Ares V (destinado às futuras missões lunares), o conceito de nave que reentra em voo na atmosfera em voo e que é reutilizável para as missões seguintes parece ter sido abandonado em benefício da configuração antiga das cápsulas que regressavam à Terra da forma tradicional (abaixo) – como continua a acontecer com as dos russos e chineses.

A notícia era curta, podia e devia ser sóbria, mas basta conjugar uma preocupação excessiva com um título apelativo com ignorância demasiada sobre o assunto sobre o qual se está a escrever para que a jornalista conseguisse arranjar um título disparatado para ela, como aconteceu no
Público,
ao descrever em título o Ares I como um mega-foguetão por causa dos seus 94 metros de altura. Veja-se outra vez a gravura mais acima e, constate-se a figura de
trinca-espinhas que o
Ares I (o segundo foguetão da direita) quando comparado com o antigo
Saturno V (à esquerda) e o futuro
Ares V (à direita).

A explicação para tal até era simples de encontrar: como as necessidades de potência para colocar uma nave em órbita terrestre (o objectivo do
Ares I) são muito inferiores às de colocá-la em órbita lunar e como se pretende, por questões de economia, que os foguetões para os dois tipos de missões utilizem rampas de lançamento comuns, o seu
design tem de sofrer adaptações. O antigo
Saturno IB usava o espaço concebido para o
Saturno V embora parecesse
empoleirado de um banquinho (acima). O
Ares I, para que caiba no mesmo espaço do
Ares V, acabou por ficar com o
formato de um lápis (abaixo).
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