17 maio 2018

MAZAMET, A CIDADE PETRIFICADA

17 de Maio de 1973. Há 45 anos teve lugar na cidade francesa de Mazamet uma acção espectacular de sensibilização em prol da prevenção rodoviária. A cidade contava então com 16.610 habitantes, que corresponderiam, grosso modo, ao número de mortos registados nas estradas de França no ano anterior: 16.545. Ao som de uma sirene e sob o título de Mazamet, Cidade Morta, organizou-se um evento em que os cidadãos foram convidados a sair à rua e a fingirem-se de mortos durante um quarto de hora enquanto equipas de fotográficas e cinematográficas exibiam o impacto condensado numa cidade das perdas humanas devidas a acidentes de trânsito. Como se percebe pelas fotos, a iniciativa foi acolhida com entusiasmo pela população daquela pequena cidade occitana, houve mesmo quem se deixasse "atropelar" ou feito outras alusões explícitas aos acidentes rodoviários. A imaginativa ideia terá tido um grande impacto: uma reportagem sobre a cidade desaparecida do mapa for transmitida pela televisão francesa, acompanhando legislação sobre a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança e sobre novos limites de velocidade. A curto prazo, o impacto do documentário terá sido grande. Outra coisa se poderá concluir no médio e longo prazo: o número de mortos nas estradas decresceu em mais de 75% nestes 45 anos (3.700 mortos em 2017), mas esse resultado dever-se-á tanto ao comportamento dos condutores, quanto a melhores métodos de construção das vias (evitando cruzamentos e outros pontos nevrálgicos, por exemplo), como também ao melhoramento dos sistemas de protecção passiva das viaturas (airbags, abs, etc.).

Curiosamente, e regressando às imagens de Mazamet, cá em Portugal e por essa mesma altura, a revista Tintin andava a publicar semanalmente as pranchas de uma história intitulada A Cidade Petrificada, uma aventura em que uma cidade inteira era atacada com um mega aparelho de ultra-sons, deixando todos os seus habitantes inanimados e prostrados pelas ruas, com a mesma aparência da encenação de Mazamet.

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