08 maio 2018

«JE SUIS CHARLIE»

7 de Maio de 1973. Haviam decorrido apenas cinco anos depois dos memoráveis acontecimentos de Maio de 1968, mas uma das edições do princípio daquele mês do (hoje famoso) Charlie Hebdo (dos atentados de Janeiro de 2015) denunciava em capa os cuidados de muitos dos protagonistas dos acontecimentos em se fazerem agora esquecidos: «Maio de 68, que é que lhes aconteceu?»; «Há cinco anos o papa ocupava a Sorbonne», grita a criança inconvenientemente, enquanto o papa visado, engravatado, desabafa «Puto estúpido!». «Ser-se Charlie» é fazer-se humor à custa destas reviravoltas que também abundaram em Portugal nos anos imediatamente a seguir a 1973, mas que infelizmente não foram tratados por nós com tanto humor. Ainda em Maio, mas três anos depois, a 5 de Maio de 1976, depois das primeiras eleições legislativas portuguesas, o Comité Central do MES (que elegera zero deputados e recebera 31.000 votos nessas eleições) produzia um extenso comunicado onde o Diário de Lisboa destacava para título a passagem: "Democracia burguesa não tem viabilidade em Portugal". Ora, não é engraçado lembrar que o actual presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, militava e, salvo erro, integrava mesmo o Comité Central de tão presciente organização política? Às vezes dá gozo recordar estas coisas e ser-se um «petit con»...

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