30 abril 2011

AINDA SOBRE FOTOGRAFIAS ICÓNICAS...

Tenho que reconhecer que às vezes os temas para os meus postes se propagam de forma errática. Ainda a propósito da fotografia American Girl in Italytema do meu poste anterior – e reparando nas sandálias de Jinx Allen, a protagonista, umas sandálias de cabedal rasas, de remate bem romano por sinal, lembrei-me de uma outra fotografia de sandálias de outra mulher despachada que, fazendo (as sandálias) furor na época em que apareceram na blogosfera, nunca teve (a fotografia das ditas) a promoção merecida pela sua estética…
É evidente que, para além das semelhanças de estilo das respectivas sandálias, haverá uma enorme diferença entre a atitude tensa de Jinx Allen na fotografia inicial e aquilo que parece ser a atitude relaxada (conforme se pode interpretar pelas extremidades inferiores…) de Fernanda Câncio, que foi a modelo desta outra fotografia icónica acima. Mas a diferença mais marcante entre elas será a cor garrida do verniz das unhas – adequadíssima à prosa de Fernanda Câncio – conceptualizando toda uma estética aguerrida das mulheres do Século XXI…

GAROTA AMERICANA EM ITÁLIA

Datada de 1951 e da autoria da fotógrafa norte-americana Ruth Orkin (1921-1985), a fotografia acima, a que posteriormente se deu o título de American Girl in Italy tornou-se numa daquelas fotografias que se classificam como icónicas. A ocasião é o Verão de 1951 e o local uma das esquinas da Praça da Republica em Florença. A protagonista é genuinamente norte-americana, uma estudante de arte chamada Jinx Allen que Ruth Orkin conhecera no Hotel e que se dispôs a concentrar assim a atenção ostensiva de 15 italianos espalhados pelo passeio.
A fotografia foi encenada naquele sentido em que a cena foi repetida por duas vezes, mas foi espontânea no sentido em que não houve necessidade de dirigir os 16 actores para conseguir o efeito desejado… É uma fotografia com som: a postura corporal encolhida de Jinx, com um puxar do xaile como que protegendo-se, em conjunção com as poses dos dois transeuntes que lhe estão mais próximos à sua esquerda e também daqueles outros dois sentados numa tradicional Vespa deixam-nos adivinhar o som dos piropos que lhe são dedicados.
É frequente que se omita que a fotografia (com as outras que aqui incluo) fazia parte de uma reportagem publicada em Setembro de 1952 na revista feminina Cosmopolitan com dicas úteis destinadas às turistas norte-americanas que viajassem então sozinhas pela Europa. Meia dúzia de anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, ainda havia um olhar distante e sobranceiro do Novo Mundo sobre o Velho Continente de onde haviam vindo seus avós. Hoje, como se percebe por esta última paródia à fotografia inicial, tudo isso parece bem distante…

29 abril 2011

O PAPAGAIO DE CASTAFIORE

Será por mais do que essas razões, mas sobretudo pela incontinência e inconveniência verbal que Diogo Leite Campos me faz lembrar o papagaio que Bianca Castafiore ofereceu ao Capitão Haddock na aventura de Tintin que se intitula precisamente As Jóias de Castafiore (acima). Não sendo uma jóia, bem longe disso, ainda hoje estarei para adivinhar quem terá oferecido este vice-presidente a Pedro Passos Coelho a quem, como aconteceu com Haddock e com o papagaio, o mesmo Passos Coelho tem decerto uma eterna dívida de gratidão pela rica prenda

SIMETRIAS DE «ENTUSIASMOS POPULARES» COMO OS DE HÁ 75 ANOS ATRÁS

No passado dia 19 de Abril o Fórum, um programa matinal da TSF, teve como convidado Pedro Passos Coelho. E a máquina do PSD mostrou-se pronta a participar no programa, inundando a redacção de perguntas que possibilitassem que o seu líder brilhasse com as respostas, embora a dita máquina não se mostrasse assim tão preparada quanto isso, como se descobriu por pequenas indiscrições que os blogues indefectíveis do PS se apressaram a publicitar…

Ontem, 28 de Abril, foi a vez de José Sócrates ser o convidado daquele programa da TSF e a vez dos blogues indefectíveis do PSD publicitarem a gestão da espontaneidade das perguntas com que foi confrontado o líder socialista. Simétricas, está-se diante de manobras de um primarismo tal que apetece perguntar aos seus promotores se nada lhes ocorre de mais sofisticado do que aquilo que já se fazia há 75 anos atrás, com crianças de bandeirinhas na mão a vitoriar o Adolfo…
Adenda: a propósito da pertinência do exemplo que usei para blogue indefectível do PSD veja-se a Caixa de Comentários.

28 abril 2011

O BEATO CARLOS

A propósito da cerimónia da beatificação de Karol Wojtyla que terá lugar a 1 de Maio próximo em Roma vale a pena recordar o seu pontificado como Papa João Paulo II (1978-2005¹) em duas fotografias simbólicas: acima como polaco, num instantâneo em que parece repreender calado o primeiro-ministro da Polónia socialista de então (1983), o general Wojciech Jaruzelski (1981-1985), que baixa a cabeça; abaixo aparece como chefe supremo da Igreja Católica Romana, conhecido pelas suas constantes viagens pastorais pelo Mundo.

A fotografia foi tirada já no fim do seu reinado por Christopher Wahl, e já se nota o seu estado debilitado e o ritmo que consequentemente isso impõe à comitiva que o acompanha e que espera pacientemente que ele acabe de descer a escada do avião. O momento parece sintetizar tanto a sua inigualável capacidade de despertar as atenções mediáticas até ao fim como o seu conservadorismo e a sua outra capacidade, a de bloquear as reformas esperadas por todos aqueles que julgavam que o seu dinamismo era também ideológico…
¹ Foi, de entre os historicamente comprovados, o segundo reinado mais longo de um Papa, apenas superado pelo de Pio IX (1846-1878).

27 abril 2011

EMPREGOS DE MERDA E AMIGOS DA ONÇA

Ele há profissões arriscadas, não apenas segurar alvos em campos de tiro onde os atiradores se revelam zarolhos, como gerir as finanças de países que se endividam e vão a caminho da bancarrota. Dois dias depois de se ter tornado notada a ausência de Teixeira dos Santos das cerimónias oficiais do 25 de Abril, quando José Sócrates declarou que não tinha outra explicação para essa sua ausência senão a necessidade dele ter estado a trabalhar, torna-se eloquente o silêncio público do próprio Teixeira dos Santos em prol de quem, entretanto, também já se declarou tão seu amigo

PORTUGUESES QUE DISPENSAM GRANDES DISCURSOS PARA NOS ANIMAR – 1


Ao contrário de Kátia Guerreiro e doutros convidados solenes de Cavaco Silva, ainda há portugueses que nos conseguem animar sem se recorrer a discursos ou a musiquinhas: Manuel d'Oliveira – o outro

26 abril 2011

UMA PEQUENA HISTÓRIA COM CAVALOS

A História do Ocidente regista como um dos momentos de maior proeminência equina o episódio, que foi narrado originalmente por Suetónio no seu Doze Césares, em que o imperador romano Caio (n. 12 – f. 41 – ficou mais conhecido pela sua alcunha de Calígula) fez com que o seu cavalo favorito Incitatus se tornasse não só cidadão romano como até fosse eleito como membro do Senado de Roma – acima uma reconstituição do episódio feita durante a série televisiva Eu, Cláudio (1976).
A História do Oriente dá-lhe uma proeminência equivalente mas de forma diferente uns 750 anos depois, através daquela que se tornou talvez na mais famosa pintura da História da China: O Branco Resplandecente da Noite (acima) onde, apesar do título, o tema dominante é o retrato do cavalo favorito do imperador Xuánzong (n. 685 – f. 762) da Dinastia Tang. O autor do retrato foi Han Gan (715 – 781), famoso pelos retratos sobre aquele mesmo tema como o Apascentando Cavalos abaixo.
Note-se neste segundo retrato como na China já se haviam adoptado os estribos, mas sobretudo como a estética chinesa no Século VIII ainda se prefere acentuar a robustez dos animais – os animais retratados são cavalos gordos! – em contraste com os padrões contemporâneos de beleza e eficácia já então em vigor no Ocidente, onde se preferia a velocidade, a resistência e as formas esbeltas dos puros sangues árabes (abaixo), um dos segredos do sucesso da expansão do Islão então em curso.

25 abril 2011

036


De Juan Fernando Andrés Parrilla e Esteban Roel García Vázquez

O CRAVO NA ARMA ERRADA

A fotografia acima, pretendendo passar por uma fotografia do 25 de Abril, não pode ser considerada uma verdadeira fotografia simbólica do 25 de Abril. Mesmo que o cravo e a boa disposição manifestada pelos fotografados estejam adequados ao evento, a arma onde a rapariga deposita o cravo está errada – trata-se de uma espingarda Mauser e não de uma G-3 – e o soldado é afinal um graduado da Guarda Nacional Republicana (GNR). Recorde-se que foi entre a GNR, no Quartel do Carmo, que o presidente do conselho Marcelo Caetano se refugiou antes de se render. A GNR foi um dos vencidos do dia.

24 abril 2011

FOI PARA AÍ SETE E PICO, OITO E COISA, NOVE E TAL

Está escrito em tudo o que é Manual de Acção Política que as noticias inconvenientes devem chegar ao conhecimento da opinião pública quando esta última estiver o mais distraída possivel. Deve ser porque as contas públicas portuguesas afinal não são nada transparentes e porque há mesmo esqueletos no armário, precisamente ao contrário do que proclamava o ministro Pedro Silva Pereira há menos de duas semanas atrás (acima), que se escolheu precisamente o meio do fim-de-semana prolongado da quadra pascal para se dar a notícia que o deficit das contas públicas de 2010 sofreu uma revisão adicional em alta, passando a cifrar-se agora em 9,1% do PIB…

Recorde-se que o valor inicialmente anunciado para aquele deficit havia sido de 6,8% e que ele tem vindo a subir progressivamente até estes 9,1%, reflectindo, quer no rigor da atitude, quer nos próprios números envolvidos, o refrão de uma famosa canção popular portuguesa (acima): Era p´ra aí sete e pico, oito e coisa, nove e tal… Contudo, há que reconhecer um fundo de verdade na bravata de José Sócrates que se pode ler abaixo: quanto a contas do Estado ainda está para vir um primeiro-ministro que faça melhor que ele! Depois disto, melhor do que ele mesmo só um primeiro-ministro que, com um deficit, ainda venha anunciar à opinião pública que se registou um superavit

O TE DEUM DO MEU XARÁ


Por ser Domingo de Páscoa será adequado afixar aqui um trecho de um Te Deum barroco composto em 1734 por um compositor nacional que me suscita a simpatia adicional de ser meu homónimo… Reinava então D. João V e, estando-se no apogeu da prosperidade do ciclo do ouro brasileiro, parecia haver poderosas razões para se dar graças a Deus…

23 abril 2011

PLATEIA E BALCÃO

Ainda a propósito da forma como as manifestações de apoio aos partidos políticos perderam progressivamente a sua componente ideológica e cada vez mais se futebolizam, incondicionais e acríticas, insiro esta montagem fotográfica onde a plateia é um instantâneo do recente XVII Congresso do PS com o seu líder José Sócrates em destaque, e o balcão uma fotografia da claque benfiquista da época passada onde um grupo de sócios/militantes desfralda (apropriadamente) uma faixa onde se lê Abram Alas ao Líder!

Pormenor: enquanto na plateia se agitam bandeiras nacionais, as do balcão são vermelhas. Mas o único verdadeiro anacronismo da montagem será o patrocínio da Cerveja Sagres, dado que os patrocinadores dos Congressos partidários gostam de se manter discretos (neste caso, talvez a Mota-Engil entre outros, por causa da continuação com as obras do TGV?...) e preferem não fazer alarde desse seu estatuto. Quem sabe se no futuro, por causa da transparência, isso não pode vir a mudar?...

22 abril 2011

PAZ, AMOR E… PUDOR?

Alguém que, pelo à vontade, parece ser o dono daquele Mini Countryman dos anos sessenta(reconhecível como tal por causa das inserções em madeira), aproveitou o momento para, esticando um cobertor, dormir o que parece ser uma sesta em cima do seu tejadilho. Tal qual Deus o pôs no Mundo. Um mais do que provável adepto de um modo de vida pacífico (note-se o símbolo pintado na porta traseira do Mini), haverá quem atribua a essa filosofia a decisão de respeitar o pudor alheio e tapar os genitais com um chapéu enquanto dorme. Aí contudo, a doutrina divide-se: haverá aqueles que atribuirão a função do chapéu a uma precaução mais do que elementar de proteger as partes a um horrivelmente doloroso escaldão por exposição solar…

GOOOLO!!!

Estamos perante uma abordagem futebolística quando, num dos mais castiços blogues de claque político-desportiva, se consegue apresentar como positivo o resultado de uma sondagem como aquela que é sintetizada no gráfico abaixo. Futebolística equivale a dizer que não se pode colocar as hipóteses dos nossos estarem a jogar mal ou que a equipa adversária se está a superiorizar ou ainda que a culpa do resultado não seja do árbitro... Não se vai para uma claque para apreciar o jogo assim como quem lê estes blogues equivalentes não busca ali uma análise política justa…
À pergunta Em quem confia Mais?, menos de ⅓ da amostra responde em Nenhum deles, uma proporção semelhante responde em José Sócrates e pouco mais de ¼ em Pedro Passos Coelho. O resto é classificado como Não Sabe/Não responde e, pelos vistos, ninguém terá respondido que confia em Qualquer Deles, uma opção simétrica à mais votada e que, suponho, também deveria estar disponível no inquérito… O que interessa destacar é que, por péssimos que sejam os resultados absolutos, Sócrates está à frente de Passos Coelho e em recuperação!
Os membros de qualquer das claques (desta vez é a do PS) bem se podem congratular com a constatação que o merdas deles, sendo uma merda, é considerado uma merda menor que o merdas dos adversários. Contudo, o que se pode constatar para quem segue o campeonato de forma mais distanciada do que esses membros das claques – e os dois livros acima são prova do quanto a falta desse distanciamento pode imbecilizar os torcedores... – é que, pelos resultados acima, parece acentuar-se o distanciamento entre a sociedade e as claques político-desportivas.

21 abril 2011

ANATOMIA DE UM INSTANTE

Anatomia de um instante é um livro de Javier Cercas de 2009 sobre a tentativa de golpe de Estado que teve lugar em Espanha em 23 de Fevereiro de 1981 e que se costuma designar correntemente por 23F. O livro foi editado em Portugal em Janeiro deste ano. Este poste não é sobre o livro – que ainda não acabei de ler – nem sobre o golpe propriamente dito, trata-se apenas uma reflexão sobre o que nos separa dos espanhóis quando se comparam as capas das edições – a portuguesa e as espanholas.
Enquanto na D. Quixote, a editora em português, se preferiu usar para capa a fotografia consagrada do Tenente-Coronel Tejero Molina de pistola na mão e braço ao alto (acima), as duas edições espanholas, tanto em castelhano como em catalão, usam uma outra fotografia do momento do assalto às Cortes espanholas. Nessa outra capa pode ver-se a bancada do governo nas Cortes (a primeira fila, onde as cadeiras são de cor diferente) onde se vislumbra um Adolfo Suarez personificando a solidão…
Torna-se evidente que, por muito que os catalães insistam em passarem-se por distintos, também eles compartilham uma cumplicidade histórica com o resto da Espanha que a nós, portugueses, que até vivemos na mesma península, nos passa ao lado. Nós não nos apercebemos como o 23F foi muito mais complexo que um Tenente-Coronel aos tiros, assim como eles não se apercebem que o 25 de Abril de 1974 foi muito mais complexo que uns militares a passearem-se por Lisboa sem haver tiros e com cravos nas armas…

UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA E IRREPETÍVEL

Eu votei no BE nas últimas eleições legislativas, e eu teria muita coisa para dizer ao FMI. Não entendo por que não foi o BE à reunião com o FMI. Exijo ser representado.

Ao escrever o que escreveu acima, Rui Tavares mostra ter do seu mandato de eurodeputado eleito por aquele mesmo BE – e escrevo isto como um elogio – um entendimento que me parece assemelhar-se ao de um daqueles vouchers da organização A Vida é Bela: tratar-se-á de uma experiência única e irrepetível.

Ou isso ou então Rui Tavares é terrivelmente ingénuo e acredita que quando Francisco Louçã se refere à esquerda plural está a falar a sério. Como o demonstrou o episódio Sá Fernandes a pluralidade no BE equivale-se à disposição dos seus dirigentes em abordar os problemas financeiros do país quando isso é imperativo...

20 abril 2011

A TRICK OF THE TAIL


Aparecida em 1976 num álbum a que deu o nome, a letra da música A Trick of the Tail dos Génesis narra a história de um humanóide de aspecto diabólico, com cornos, cascos e crina, designado por A Besta (The Beast), oriundo de uma mítica cidade de ouro e que vem visitar o nosso mundo. Aqui é capturado e exibido numa jaula como A Besta que fala até que a sua discrição da sua cidade de ouro desperta a cobiça dos captores que o libertam para que a Besta lhes mostre a sua cidade. Contudo, a meio do caminho e por artes mágicas (daí o nome da canção – um truque da cauda) a Besta desaparece, restando apenas a sua voz cantando o refrão final.

Bored of the life on the city of gold
He'd left and let nobody know.
Gone were the towers he had known from a child,
Alone with the dream of a life
He travelled the wide open road,
the blinkered arcade,
In search of another to share in his life.
Nowhere.
Everyone looked so strange to him.
They've got no horns and they've got no tail
They don't even know of our existence.
Am I wrong to believe in a city of gold
That lies in the deep distance, he criedAnd wept as they led him away to a cage
Beast that can talk, read the sign.
The creatures they pushed and they prodded his frame
And questioned his story again.
But soon they grew bored of their prey
Beast that can talk?
More like a freak or publicity stunt.
Oh
No,They've got no horns and they've got no tail
They don't even know of our existence.
Am I wrong to believe in a city of gold
That lies in the deep distance, he criedAnd broke down the door of the cage and marched on out.
He grabbed a creature by the scruff of his neck, puinting out:
There, beyond the bounds of you weak imagination
Lie the noble towers of my city, bright and gold.
Let me take you there and show you a living story
Let me show you others such as me
Why did I ever leave?They've got no horns and they've got no tail
They don't even know of our existence
Am I wrong to believe in a city of gold
That lies in the deep distance, he cried
And wept.And so we set out with the best and his horns
And his crazy description of home.
After many days journey we came to a peak
Where the beast gazed abroad and cried out.
We followed his gaze and we thought maybe we saw
A spire of gold - no, a trick of the eye that's all,
But the beast was gone and a voice was heard:They've got no horns and they've got no tail
They don't even know of our existence
Am I wrong to believe in a city of gold
That lies in the deep distance, he criedHello friend, welcome home.

A Trick of the Tail é o primeiro álbum dos Génesis onde Phil Collins participa como o vocalista, substituindo Peter Gabriel mas a letra das canções da banda continuam a manter-se crípticas daquele género que se podem adaptar a variadíssimas circunstâncias - entre as quais aquelas que estamos a viver actualmente. A Besta tanto se ajusta a José Sócrates como ao FMI. Qualquer que seja a opção, com jeito e imaginação qualquer das duas metáforas encaixa e o seu conteúdo passa a valer por um daqueles textos tão gabados quanto herméticos e profundos da autoria de José Adelino Maltez…

19 abril 2011

O QUE PREGA O CAMARADA TOMÁS QUANDO ESTÁ NO PODER OU QUANDO NÃO O QUER ASSUMIR…

O Partido Comunista Português é, de entre os partidos políticos portugueses, aquele que possui a história mais antiga e simultaneamente a história mais vasta. A história mais antiga porque foi fundado em 1921, há já 90 anos, e a história mais vasta porque a sua história dos primeiros 70 desses 90 anos se conjuga com uma vasta rede de solidariedades cúmplices com os partidos-irmãos que, no resto do Mundo, professavam a mesma ideologia marxista-leninista. Será por ser assim tão exposta que os militantes comunistas gostam de tratar a história do seu partido com tanto desvelo. Mas às vezes vale-lhes a ignorância do passado…

Actualmente, têm sido divulgadas as posições radicais do PCP à formalização de um acordo com o FMI: O PCP rejeita o seu envolvimento num processo que constitui uma inaceitável atitude de abdicação e submissão nacional. Para eles, o resgate do FMI é um engano e uma ingerência e não é inevitável. Para sustentar esta última afirmação, certamente no PCP ter-se-ão descoberto várias soluções alternativas que, infelizmente, ainda não se conheciam há uns 30 anos atrás – adivinha-se como se modernizaram as teorias financeiras marxistas-leninistas num verdadeiro turbilhão fervilhante de actividade intelectual…

Se acima me referi a 30 anos foi porque em 1981, a Polónia, onde então estava no poder o POUP, um partido-irmão do PCP, pediu o seu reingresso ao FMI (que abandonara na década de 1950) para, fazendo de novo parte da organização, poder beneficiar de um plano de resgate financeiro¹ – um engano! Em 1982, foi a vez da Hungria e do partido-irmão nacional, o PSOH, beneficiarem da admissão e do seu próprio plano de resgate financeiro¹ – uma ingerência! Anteriormente, havia sido a Roménia e ainda mais outro partido-irmão, o PCR – o que era evitável! Que pena os partidos-irmãos não terem tido a lucidez deste nosso PCP actual…

Aparte as ironias, falando sério e embora hoje ande esquecido, sempre foi notório como a dialéctica marxista-leninista podia fazer com que os partidos comunistas preconizassem soluções antagónicas conforme fossem eles o governo ou estivessem na oposição. Falando com a seriedade que essas coerências sempre devem merecer (Não Apaguem a Memória!) e para empregar um ditado popular nacional conjugado com uma lógica ideológica internacional marxista-leninista: bem prega o camarada Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele fez

¹ Se tanto a Polónia como a Hungria não fossem países membros do Fundo Monetário Internacional as condições dos respectivos planos de resgate – a existirem – seriam necessariamente muito mais severas…

18 abril 2011

AS PEÚGAS DOS PODEROSOS

Quando da visita que Leonid Brejnev efectuou aos Estados Unidos em Junho de 1973 devem-se ter tirado milhares de fotografias do dirigente soviético, de entre as quais houve alguns instantâneos que saíram particularmente felizes como já terei mostrado e comentado em postes anteriores aqui no Herdeiro de Aécio.
As fotografias institucionais porém, evidentemente (mal) posadas, são quase todas medíocres. A insistência em fotografar Nixon e Brejnev em situações a sós em que se pretendia mostrar uma relação pessoal próxima entre os dois tornam-se ridículas quando se sabe que os conhecimentos de inglês de Brejnev eram maus e os de russo de Nixon nulos... Nessas circunstâncias, quando não há mesmo nada de interessante ou importante para relatar é que o jornalismo de topo costuma fazer maravilhas concentrando-se no supérfluo e dando-lhe a importância que ele nunca mereceria. Como a ideia que me ocorreu de baptizar poeticamente esta fotografia acima de As Peúgas dos Poderosos

À ESCALA… E À MERDA

Gostaria que se tornasse pública a identidade daqueles que mandaram plantar no noticiário de hoje a história dos mais de 600 milhões de Euros que perdemos (sic) se o TGV não avançar. Em primeiro lugar porque a notícia até pode vir camuflada como provocada por uma pergunta da TSF (que enredo e que argúcia!...), mas a resposta e o tratamento posterior das várias notícias não nos esclarecem quantos milhões adicionais teríamos de despender do nosso bolso para que não perdêssemos esses tais milhões à nossa disposição. Em segundo lugar, porque a notícia aposta no analfabetismo financeiro da audiência: os valores supostamente perdidos por causa do TGV são 600 milhões enquanto o valor do auxílio financeiro de que necessitamos e que está agora a ser negociada com o FMI rondará os 80.000 milhões de Euros… Veja-se a diferença no gráfico abaixo:
Os autores morais desta notícia do TGV bem podem ser mandados à merda que estes tempos são de crise e já não se adequam a mundanidades…

17 abril 2011

13 ANOS DURARAM AS GUERRAS EM ÁFRICA

Para quem já se tenha esquecido, porque já foi há muito tempo, a CRIL (Circular Regional Interna de Lisboa) foi um de vários projectos de circulação rodoviária de Lisboa que estavam englobados no megaprojecto que constituiu a Expo 98. A Expo 98 foi inaugurada a 22 de Maio de 1998 mas a CRIL ficou por concluir... Até ontem. O que raio se pretende discutir quando se elabora sobre qual deveria ter sido a cobertura noticiosa das cerimónias de inauguração, quando se está a concluir uma obra que se previu estar concluída há 13 anos atrás?? O que se quer celebrar, a incompetência?? É o típico episódio em que – seja quem for o 1º Ministro – mesmo se se dispensar o natural pedido de desculpas dos responsáveis, deveria passar desapercebido porque não passa de uma celebração a Santa Engrácia e às suas obras

AS FRONTEIRAS DE BENGALA

Foi a província de Bengala que serviu de núcleo para a agregação do Império Britânico das Índias. A sua capital, Calcutá (actualmente designada por Kolkata), foi também a capital do Império até 1911. Dentro do Raj, os bengalis concebiam-se e assumiam-se como uma vanguarda entre as várias culturas indianas: em 1913 foi um dos seus, o poeta Rabindranath Tagore, a receber o primeiro Prémio Nobel da Literatura atribuído a um não-europeu. Também representavam exemplarmente o que era a sociedade indiana na forma como, debaixo da identidade cultural, as confissões religiosas se misturavam. De acordo com o censo de 1931, 54,4% da população da província era muçulmana – nos dois mapas acima estão assinaladas a cinzento as regiões onde os muçulmanos estavam em maioria. Trata-se porém de uma representação que não mostrará toda a realidade: é que 25% da população de Calcutá também era muçulmana. Esses detalhes tornaram-se muito importantes em 1947, quando do fim do domínio britânico e da Partição do Império entre a Índia e o Paquistão. Separada geograficamente do resto dos territórios de maioria muçulmana da Índia (abaixo), também se traçaram fronteiras em Bengala (acima). As fronteiras então traçadas sob pressão, separando a Índia do que então se tornou o Paquistão Oriental, tornaram-se não só nas mais extensas como também nas mais complexas fronteiras do subcontinente. Na actualidade e como se vê acima, a Índia tem 3.400 km de fronteiras com a China, 2.900 com o Paquistão, 1.700 com o Nepal, 1.500 com a Birmânia e ainda 600 com o Butão. Porém, apesar das aparências geográficas, a fronteira mais extensa da Índia, por causa do seu formato sinuoso (mais de 4.000 km) é com o Bangladesh, o país que resultou da secessão do Paquistão Oriental em 1971.
O senso comum indicar-nos-ia que o traçado de fronteira tenderia a separar as regiões de maioria muçulmana das regiões onde a maioria da população pertencesse a outra confissão – predominantemente os hindus. As realidades do terreno obrigaram a que o traçado da fronteira tivesse que se ajustar e a realidade, bem diferente, pode ser apreciada no mapa acima. Metade da extensão da fronteira (51%) atravessa regiões onde há uma mesma maioria religiosa dos dois lados: 20% muçulmana, 16% hindu e 15% outras confissões¹. E em 120 km há até uma maioria hindu do lado do Bangladesh e muçulmana do da Índia!
À esta questão do traçado da fronteira junta-se ainda a existência de 197 enclaves – são 74 bangladeshis em território indiano e 123 indianos no do Bangladesh!… Numa fronteira tão complexa e, por isso, propensa a incidentes, o que será de surpreender é a ausência deles. Por estes dias completam-se 10 anos sobre o único grande incidente fronteiriço envolvendo a Índia e o Bangladesh (abaixo), e que custou a vida a 81 guardas indianos e a 2 soldados bangladeshis. Tendo em conta as rivalidades do subcontinente, sobretudo as entre a Índia e o Paquistão, este registo quase parece ser um verdadeiro milagre...
¹ Budistas, cristãs ou animistas.

16 abril 2011

CARPET OF THE SUN


Trata-se de um Sábado que amanheceu acolhedor e que, por causa disso, me deixa nostálgico. Transporta-me para o mês de Junho de há 32 anos atrás, de manhãs também primaveris assim como esta, onde alguém, que se tornara há pouco um aficionado dos Renaissance e que comprara recentemente em segunda mão o Ashes are burning (abaixo) saído meia dúzia de anos antes (uma eternidade!), o punha a tocar repetidamente no gira-discos da sala de leitura, deixando-me esta canção (do Lado B) no ouvido e no sentimento como um hino de despedida de uma fase da nossa vida (minha, do dono do disco e dos outros que lá estavam) que iria terminar em breve e de forma irreversível…
Come along with me
Down into the world of seeing
Come and you'll be free
Take the time to find the feeling
See everything on it's own
And you'll find, you know the way
And you'll know the things you're shown
Owe everything to the day

See the carpet of the sun
The green grass soft and sweet
Sands upon the shores of time
Of oceans mountains deep
Part of the world that you live in
You are the part that you're giving

Come into the day
Feel the sunshine warmth around you
Sounds from far away
Music of the love that found you
The seed that you plant today
Tomorrow will be a tree and living goes on this way
it's all part of you and me

See the carpet of the sun
The green grass soft and sweet
Sands upon the shores of time
Of oceans mountains deep
Part of the world that you live in
You are the part that you're giving

See the carpet of the sun
The green grass soft and sweet
Sands upon the shores of time
Of oceans mountains deep
Part of the world that you live in
You are the part that you're giving

See the carpet of the sun

See the carpet of the sun

See the carpet of the sun

See the carpet of the sun

15 abril 2011

AS SOCIEDADES SOCIALISTAS DE CONSUMO

Depois da morte de Staline (1953) e durante a fase de distensão que se seguiu, tornou-se claro para os dirigentes comunistas da União Soviética e dos países do seu Bloco que a subsistência política dos regimes só podia passar pela promessa de melhores condições materiais concretas para as populações. O Comunismo que Khrushchev, no XXII Congresso do PCUS de 1961, prometera atingir dali por 20 anos já não podia ser a abstracção concebida quase 100 anos antes por Karl Marx mas tornara-se implícito para as massas naquela promessa que se atingiria uma Era de plena satisfação material sem que existissem as assimetrias de distribuição que caracterizam o capitalismo.
A fotografia acima, tirada na Alemanha Democrática em data próxima do 1980 profetizado por Nikita Khrushchev, mostra-nos um resultado que foram as tentativas de satisfação desses objectivos materiais. Transversais às ideologias, as ambições das pessoas dos dois blocos assemelhavam-se, fossem elas adquirir um automóvel ou um casaco de pele de imitação… Mas então já não se pretendia chegar a estádio nenhum previsto pel´O Capital: Brejnev designou o que existia por Socialismo Desenvolvido ou então por Socialismo Real. Imperceptível para a maioria então, imperceptível para uma pequena minoria ainda hoje, fotograva-se o canto do cisne do marxismo-leninismo.

14 abril 2011

HAJA QUEM LHO DIGA NAS TROMBAS…

As circunstâncias actuais aconselham-nos a humildade de quem precisa de estender a mão e a contenção de aceitar sem reagir todo o género de responsos que nos dirigem vindos lá de fora. Mas entre família sempre estaremos mais à vontade e, por outro lado, há limites para o descaramento. Então se as recriminações vierem de um ex-primeiro-ministro famoso por se ter desenfiado a meio de um mandato a que se comprometera e que não cumpriu, incito a que haja quem lhe diga isso nas trombas, porque Durão Barroso já mostrou que tem uma cara de pau tão rija que resiste a tudo…

Teremos que aguentar as bocas de Olli Rehn, de Jean-Claude Juncker e até de Vaclav Klaus, um senhor checo cleptomaníaco recém-celebrizado no You Tube por gamar canetas, mas que haja alguém que mande justificadamente Durão Barroso à merda quando se puser com aquelas poses… Porque, para políticos portugueses de cara de pau, sem decência nem memória, já nos chega aqueles que cá estão, não precisamos dos que entretanto exportámos – Guterres, Barroso, Sampaio, Constâncio – e que são tão ou mais responsáveis pela situação presente como aqueles que cá ficaram…

13 abril 2011

ONDE É QUE ESTAVAS NO 23 DE FEVEREIRO (DE 2000)?

A pergunta tornou-se famosa com outra data (25 de Abril) quando colocada por Baptista Bastos, mas a questão da sua pertinência é suficientemente ampla para se aplicar noutras circunstâncias. António Nogueira Leite deu o título de Mentes Brilhantes a um poste com um trecho do discurso da posse de Vítor Constâncio como governador do Banco de Portugal em 23 de Fevereiro de 2000. É esta a citação que ele faz:

"...Sem moeda própria não voltaremos a ter problemas de balança de pagamentos iguais aos do passado. Não existe um problema monetário macroeconómico e não há que tomar medidas restritivas por causa da balança de pagamentos. Ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária...".

A totalidade do discurso de posse pode ser lida aqui e actualmente não só é evidente o disparate então proferido pelo recém-empossado como se torna irónico e mesmo aberrante que o autor daquela conclusão tenha acabado por vir a ser nomeado vice-presidente do Banco Central Europeu com o pelouro da supervisão bancária… Porém, se o poste de António Nogueira Leite se queda por aqui, a verdadeira história não acaba assim.

Regressando ao título de Mentes Brilhantes, passemos para a outra mente brilhante, a do próprio Nogueira Leite que, conforme o próprio confessa numa entrevista, Acabei por completar o primeiro semestre na Católica com 16 anos e, aos 21, já tinha terminado o curso. Andei depressa, para descobrir afinal que ele esteve presente a abrilhantar aquela tomada de posse nas suas funções de secretário de estado do Tesouro

Terei eu andado ofuscado nestes últimos 11 anos para ter perdido as justas críticas do secretário de estado às conclusões do governador (acima) ou terá sido o primeiro que, durante a cerimónia, não prestou a atenção devida ao brilhante discurso do segundo? É que em política, ter-se estado na cerimónia pode ser imperdoável, lembremo-nos do 25 de Abril e da reunião de generais da brigada do reumático que o precedeu (abaixo)… A fotografia inicial inclui Vitor Constâncio, Pina Moura e Nogueira Leite e data de inícios de Abril de 2000, pouco mais de um mês depois das pouco proféticas declarações do primeiro. É a mente de Pina Moura (también brillante) que irradia naquele momento mas os irradiados parecem não se desprezarem...

DESAFIO À AUTORIDADE

Pela pose manifestamente destemida da protagonista, este instantâneo só pode ter sido tirado num país que tenha uma cultura arreigadamente democrática. Só em Democracia é que se conjugam os factores indispensáveis para que aquele polícia seja dissuadido – ao arrepio da natureza humana – de reagir de forma igualmente emocional à provocação que está a receber da manifestante. É por isso que a Democracia é preciosa de tão frágil...

12 abril 2011

AQUILO QUE FALTA EXPLICAR SOBRE «MOUSELAND»


Insiro aqui um vídeo animado que circula pela Internet intitulado Mouseland – nas legendas lê-se Tierra de Ratones porque, infelizmente, no You Tube só está disponível a versão legendada em castelhano. É recomendável que o vejam, sobretudo agora que se aproximam eleições. Aquele que ouvimos como narrador e que popularizou a fábula no início dos anos 40 chamava-se Tommy Douglas, foi um político trabalhista canadiano.

O cerne da fábula é que, nas eleições, os ratos de Mouseland eram colocados perante uma falsa opção: votavam em gatos, fossem eles brancos ou pretos. E estes, ocupando o poder e como seria natural, preocupavam-se em resolver os problemas dos gatos, não os dos ratos. Até que um dia apareceu um rato com uma ideia original: - Porque não se elegiam ratos em vez de gatos? Este rato foi considerado comunista e acabou preso…

Por muito convincente que ela pareça ser, a solução tem uma grande lacuna, que veio a ser evidenciada por outro homem de esquerda dali por uma meia dúzia de anos, com outra fábula envolvendo animais: George Orwell e Animal Farm. Assim como os porcos desta última fábula viraram humanos, também os ratos de Mouseland depois de eleitos tenderiam naturalmente a tornarem-se em gatos e a comportarem-se como eles…

Ou não foi precisamente isso que acabou de acontecer com Fernando Nobre?...

MALANDRO É O GATO QUE COME PEIXE SEM IR À PRAIA

O contraste da notícia acima com outras que lemos por aí envolvendo o mesmo banco é que neste caso, desconhecendo-se a identidade do assaltante, conhece-se ao menos o montante roubado, enquanto nas outras notícias que tem saído associadas ao BPN, conhecendo-se a identidade do assaltante, ainda está por descobrir qual foi o montante roubado. Em ambos os casos o paradeiro do saque também é desconhecido…

11 abril 2011

A CASA DA PRAIA


Este vídeo foi-me apresentado por uma pessoa amiga – da onça, na perspectiva dos Delfins, que concorreram ao Festival RTP de 1985 com esta sublime canção onde tudo se conjuga para a tornar memorável – desde a afinação vocal de Miguel Ângelo à riqueza tautológica da letra que se pode seguir embaixo. Na votação final recebeu uns misteriosos 28 votos e classificou-se num imerecido 11º lugar entre 11 concorrentes…
AQUELA CASA JÁ NÃO TEM AMOR
OS AMANTES PARTIRAM E ESQUECERAM A DOR
ONDE ESTÁ ELA? ESCONDIDA NO VERÃO?
O AMOR É VERDADE, TU TINHAS RAZÃO!
É APENAS UM SENTIMENTO A EXPLODIR DENTRO DE NÓS
É APENAS UM SENTIMENTO A EXPLODIR DENTRO DE NÓS
E A CASA DA PRAIA JÁ NÃO TEM AMOR
PARTIR P'RA A MONTANHA, PARA ESQUECER A DOR
QUEM SE LEMBRA DE UMA HISTÓRIA CONTADA
ONDE NÃO HÁ HERÓI, NEM PAIXÃO PROIBIDA?
ONDE ESTÃO TODOS? É JÁ DE MADRUGADA
E A CASA DA PRAIA FICOU ADORMECIDA
É APENAS UM SENTIMENTO A EXPLODIR DENTRO DE NÓS
É APENAS UM SENTIMENTO A EXPLODIR DENTRO DE NÓS
E A CASA DA PRAIA JÁ NÃO TEM AMOR
PARTIR P'RA A MONTANHA, PARA ESQUECER A DOR
VOU LEVAR-TE AO MAR! – SÓ PARA TE MOLHAR
ELEVAR-TE AO CÉU! – SÓ PARA TE VIRAR
E FAZER-ME OUVIR, SÓ PARA GRITAR
DEIXEM SAIR ESSA GUITARRA
DEIXEM SAIR ESSA GUITARRA
A CASA DA PRAIA, A CASA DA PRAIA
A CASA DA PRAIA, A CASA DA PRAIA
O AMOR É VERDADE, TU TINHAS RAZÃO
O AMOR É VERDADE, É UMA CELEBRAÇÃO!
RAPARIGAS DA PRAIA, ONDE É QUE ESTÃO?
CAMPAINHAS AZUIS, TOCAM NESTA CANÇÃO!




























الجمهورية العربية السورية

República Árabe da Síria

Desde há cerca de um mês para cá que, a cada semana que passa, parecem aumentar os protestos populares na Síria contra o regime do Partido Baath, instalado no poder desde 1970 e que foi liderado inicialmente por Hafez al-Assad (1970-2000), e depois da sua morte, pelo seu filho Bachar (abaixo). A acumulação de incidentes já terá provocado mais de 170 vítimas mortais porém, no painel de destaques das notícias internacionais, aquilo que se passa na Síria mantêm-se noticiosamente marginal quando em comparação, por exemplo, com a situação na Líbia, que parece manter-se como o destino predilecto dos enviados especiaisEmbora os dois regimes tenham uma antiguidade semelhante (41 e 42 anos) e sejam igualmente impiedosos para com os seus opositores (recorde-se o esquecido episódio do Massacre de Hama tratado neste blogue), as raízes da sociedade síria são muito mais antigas e ela é muito mais sofisticada e complexa do que a líbia. Assim, o protagonismo multifacetado de Gaddafi na Líbia é substituído na Síria pela especialização: enquanto o Líder Bashar al-Assad acena com a cenoura prometendo reformas, o Ministro do Interior, General Saeed Mohammad Samour ameaça com o bastão aqueles que quiserem protestarContudo, aquilo que parece ser mais espontâneo e genuíno – e por isso mais simpático... – nestas manifestações dos sírios é também aquilo que, paradoxalmente, estará a dificultar a sua cobertura noticiosa para o exterior: a esmagadora maioria dos cartazes empunhados aparecem normalmente escritos em árabe (acima e abaixo) e não no inglês de que os vídeos e as fotografias da informação mundial se habituaram a ser alimentadas… No caso desta criança curda, ela até pode exibir bem alto a queixa que a restituição da minha nacionalidade não põe fim aos meus sofrimentos¹, mas quantos de nós ocidentais a sabem ler? ¹ Um dos actos conciliatórios recentes foi o de restituir a nacionalidade síria à minoria curda.