14 novembro 2022

A DEFESA DA GUINÉ FEITA PELA FRAGATA «NUNO TRISTÃO»

Bissau, 14 de Novembro de 1962. A pequena notícia do Diário de Lisboa dá conta da chegada àquela cidade da fragata Nuno Tristão (abaixo), que vinha render a sua congénere Diogo Gomes, até aí estacionada em missão nas águas da então Guiné Portuguesa. A guerra subversiva já eclodira naquela província, embora o episódio esteja hoje um bocadinho esquecido, já que a história oficial da Guiné-Bissau só privilegia a narrativa da fase insurreccional da sua luta de libertação a partir do momento em que essa veio a ser assumida pelo PAIGC de Amílcar Cabral, em Janeiro de 1963. Mas um movimento denominado FLING começara já a actividade subversiva. E a questão que aparece subjacente a esta notícia discreta de há 60 anos é o papel que a Armada portuguesa poderá protagonizar na actividade de contra-subversão, tanto mais que o governador da Guiné é (era) um oficial de Marinha (Peixoto Correia) que não tardará, antes do fim desse ano de 1962 a ser substituído por outro (Vasco Rodrigues).
A existência de um meio de combate tão poderoso quanto uma fragata na Guiné teria tido um outro significado quando dos tempos da diplomacia da canhoneira. Porém, em 1962, e mesmo reconhecendo as condicionantes geográficas da Guiné portuguesa, que a tornam terreno propício para as operações de marinha de brown water e operações anfíbias, para os conflitos coloniais como aquele para onde agora Portugal se estava a ver arrastado, não parecia haver grande utilidade para navios com a dimensão da fragata Nuno Tristão. O que estava em disputa eram acções de guerrilha e a conquista da simpatia e da submissão das populações. Não havia espaço para navios clássicos da Armada. As tentativas, que foram feitas dali por um ano, para conferir ao navio uma capacidade aeronaval, com um pequeno helicóptero Alouette II (abaixo), foram gestos mais empenhados do que produtivos, e, por isso, abandonados.
Como tantas vezes acontece nestes casos, esta notícia da chegada da fragata à Guiné serviria mais para confortar amigos, do que para intimidar inimigos.

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