
Tory era a designação original dos salteadores fora-da-lei de confissão católica que actuavam então na Irlanda. E actualmente tory tornou-se a muito distinta designação de um daqueles membros clássicos do Partido Conservador britânico… Por sua vez, e regressando a 1678-81, o grupo dos que então insultavam os tories recebia em troca o epíteto de Whig. E a fama dos whigs originais não era muito melhor do que a dos tories: tratava-se do nome dado aos ladrões de cavalos presbiterianos que viviam na Escócia…
Os Whigs iam governar a Inglaterra nas décadas seguintes, dominar a política britânica durante quase todo o Século XVIII, transformarem-se no Partido Liberal no Século XIX, até que a universalização do direito de voto os transformou num partido charneira entre os conservadores e os trabalhistas, representantes da classe operária industrial. A última vez que os Whigs estiveram no poder foi com David Lloyd George (1916 -1922). Mas, lendo o título, o que é que tudo isto terá a ver com Abrantes e Pachecos pequeninos?
Algumas daquelas cabecinhas que parecem ter a certeza que a Imaginação Humana terá progredido imenso com o nascimento das suas pessoas, deram em baptizar quem se manifeste a favor do governo na blogosfera por Abrantes, por analogia com Miguel Abrantes, que é um pseudónimo entretanto tornado mítico, usado por um hipotético autor (podem ser vários...) totalmente dedicado à causa socrática, e cuja investigação sobre a existência real seria um excelente tema actual para uma hipotética tese de mestrado sobre Ciência Política…
A todos aqueles rapazes imaginativos faltar-lhes-á talvez o lastro para perceberem que podem estar apenas a repetir uma história velha de 330 anos. Porque à graça de darem uma alcunha aos antagonistas, sujeitam-se à resposta graciosa de receberam outra alcunha dos Abrantes, como a de Pachequinhos (só pode haver um Pacheco e para isso é preciso possuir uma robusta barba grisalha…), aqueles que escrevem em todo os sítios onde podem (blogues, jornais, revistas, televisão...), queixando-se que o governo os asfixia e não os deixa escrever…
Este post, como é hábito, está excelente.
ResponderEliminarO António Costa ainda tentou pôr alguma racionalidade desse discurso de Pacheco, no último Quadratura do Círculo. Mas não pode estender-se muito, quer pela partilha de espaço que o seu partido faz da Televisão, quer pelo sectarismo histórico do PS na RTP, pelo menos nos tempos longos de Mário Soares. Como soi dizer-se: «quem não chora, não mama». Embora chorar não baste.
ResponderEliminarQuanto ao "Abrantes", eu começaria por comparar a caligrafia (passe a ironia) com a de Vital Moreira - se um ou o outro merecessem o trabalho.
Teixeira
ResponderEliminarNão me leve a mal mas é caso para dizer tanto deste post como do anterior mas "O meu amigo é terrível."