04 março 2007

O REVISIONISMO NO PREC?

É de saudar a edição de Os Dias Loucos do PREC, um conjunto de crónicas que acompanham através da imprensa diária da época os oito meses e meio de Processo Revolucionário Em Curso que medeiam entre o 11 de Março de 1975 e o 25 de Novembro de 1975. Se bem me lembro, as crónicas foram publicadas quotidianamente no Público ao longo de 2005, foram compiladas e editadas em livro em Abril de 2006, mas só recentemente o comprei.

Mas a intenção deste modesto poste é a de assinalar um pormenor que, embora possa ser de somenos importância, parece indiciar um descarado processo de revisionismo histórico no PREC, associado ao real significado das siglas do partido na altura designado por PRP-BR. Pelos vistos, de acordo com a menção no referido livro, suportada pelo actual site da organização, o significado do acrónimo quer dizer Partido Revolucionário do Proletariado – Bases pela Revolução.
Eu posso aceitar, e até saúdo, que Isabel do Carmo tenha deixado de prescrever processos violentos de apropriação do poder para se dedicar a prescrever processos mais suaves para a perda de peso. Não compreendo é que se queira renegar o passado da organização dando um significado à sigla BR que ela nunca teve: BR sempre correspondeu a Brigadas Revolucionárias, em concordância total com a metralhadora empunhada que constituía o símbolo do partido, reputado na época pelo seu desprezo pelas eleições burguesas.

Melhor que isso, é importante dar o relevo que compete ao blogue TóColante, que neste caso representa um verdadeiro serviço público de uma outra maneira de dizer Não apaguem a memória…, e de onde retirei os autocolantes de época que afixei neste poste e que comprovam, para além de qualquer dúvida, a farsa revisionista que se pretendeu montar. Porque, pior do que ter pretendido no passado endireitar a sociedade à metralhadora, é pretender agora que isso nunca aconteceu…
E é incompreensível que tanto José Pedro Castanheira (n. 1952) como, sobretudo, um veterano do jornalismo como Adelino Gomes (n. 1944), que têm, de certeza, memórias próprias de todo o período, se deixem embalar por uma tentativa tão canhestra de reescrever um pequeno episódio do passado próximo de que muitos milhares ainda se devem lembrar. É sobretudo para isso que o livro que lançaram devia existir…

Não são demais os meus agradecimentos ao TóColante e à Sofia Loureiro dos Santos.

6 comentários:

  1. Os agradecimentos devem ir todos para o TóColante, verdadeiro blogue de serviço público, como muito bem assinalaste.
    "Brigadas Revolucionárias" soam perigosamente a luta armada e a terrorismo o que, nos tempos que correm, não é aceitável. Tal como se substituiu o cigarro de Lucky Luke por uma palhinha, pretende-se transformar as "Brigadas Revolucionárias" em "Bases pela Revolução", mais light e soft, a bem do politicamente correcto. Como diria o Diácono Remédios: não havia necessidade...

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  2. paciente FP 2505 março, 2007 11:33

    Adelino Gomes não é propriamente um modelo de isenção jornalística.
    Mas a Esquerda goza desse extraordinário privilégio que é a tolerância por essa boa rapaziada.
    O pior é quando a boa rapaziada chega ao poder.
    Valha-nos S. Otelo e o seu retiro idílico do campo Pequeno...

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  3. Não creio que os crimes de completa falta de isenção que Adelino Gomes cometeu, enquanto jornalista, durante o PREC sejam de gravidade bastante para não prescreverem.

    Contudo, tenho que confessar que me irrita a forma como ele procura iludir o seu engajamento descarado de outrora quando esse assunto vem à baila, rigorosamente o mesmo estilo, aliás, do revisionismo soft das “Bases pela Revolução”, num caso em que eu apostaria que Gomes está “podre” de saber qual foi o significado de sempre das BR…

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  4. Cristina Loureiro dos Santos05 março, 2007 23:37

    O artigo está muito bom. Além disso, o teu blog está muito mais giro. Acho que o template melhorou bastante.

    Beijinhos :)

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  5. Essas "Bases pela Revolução" são tanga. É apenas uma página dum partido fictício...

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