11 abril 2018

HARRY TRUMAN DEMITE DOUGLAS MACARTHUR

Há 67 anos, e com um estardalhaço que faz com que até um jornal português dê à notícia as honras de quase toda a primeira página, o presidente dos Estados Unidos demite o general de todos os comandos que exercia. O impacto da demissão era tanto mais surpreendente quanto, entre aqueles, se contavam o comando militar das forças das Nações Unidas (norte-americanas na sua esmagadora maioria), que permaneciam então engajadas na Guerra da Coreia (1950-53). Ao longo da sua carreira, MacArthur nunca fora um subordinado muito respeitador e o estatuto de herói que construíra para si durante a Segunda Guerra Mundial tornara as relações com superiores ainda piores. McArthur tivera uma ascensão distinta e precoce na carreira, fora promovido a oficial general ainda durante a Primeira Guerra Mundial, com apenas 38 anos. E tornara-se no mais novo chefe de Estado-Maior do exército em 1930, com apenas 50 anos. É óbvio que uma carreira tão fulgurante como esta não se construiu apenas por causa do - indiscutível - mérito de MacArthur, para ela foram precisas também preciosas conexões políticas que ele usou habilmente. Em 1935 MacArthur reformara-se do exército americano e tornar-se-á no ano seguinte, ainda devido às suas conexões, marechal das Filipinas! Será reincorporado no exército americano em 1941, e a propaganda de guerra transformá-lo-á num herói. Depois, numa espécie de vice-rei do Japão. Os efeitos da auto-promoção e da idade (71 anos em 1951) ter-se-ão feito sentir quando, a respeito da condução do conflito coreano, MacArthur resolveu comprar uma briga com o presidente Harry Truman. Truman, um democrata, não pertencia naturalmente ao mesmo círculo das conexões políticas de MacArthur e para além disso e ao contrário do que a fotografia abaixo pretende sugerir, os dois homens não se estimavam reciprocamente. As cautelas de Truman, demonstradas por este exercício abaixo de relações públicas, tiveram contudo que ser ultrapassadas quando a Casa Branca descobriu que MacArthur estaria a desenvolver uma diplomacia paralela e a tomar atitudes deliberadamente provocatórias para arrastar abertamente a China para o conflito. A decisão de Truman provocou alguma agitação, especialmente entre a ala republicana conservadora, a popularidade de Truman afundou-se, mas o episódio acabou por se saldar por uma reconfirmação da proeminência do poder político sobre as chefias militares. Há 67 anos estava-se bem longe de antecipar que um dia Donald Trump haveria de ocupar a presidência quando as relações de poder sejam as que foram construídas... Numa reviravolta irónica da História, hoje há muito quem deseje que os subordinados militares se insubordinem na eventualidade de o poder político legítimo - o presidente - se decidir franquear certas fronteiras da agressividade...

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