Na última revista The Economist de 2011 publicou-se um quadro onde se compara a evolução da economia chinesa com a norte-americana através de vários indicadores, alguns em que a primeira já ultrapassou a segunda, outros com uma previsão do ano em que isso virá a acontecer. Salvaguardando as reservas que se devem fazer quanto a essas previsões, que pressupõem o prolongamento dos ritmos de crescimento correntes, vale a pena acrescentar alguns comentários aos 15 indicadores escolhidos pela revista:1) Desde 1999 que a China ultrapassou os Estados Unidos no consumo de aço. Porém, trata-se de um indicador vetusto, evocativo dos Planos Quinquenais, das economias socialistas e planificadas da Guerra-Fria.
2) Também o número de telemóveis, onde a ultrapassagem se deu em 2001, deixou de ter significado a partir do momento em que eles se massificaram. Aqui, até a Índia já há muito ultrapassou os Estados Unidos.
3) Pelo valor das exportações começam os indicadores de significado económico. Mas, aqui o maior exportador mundial – também entretanto ultrapassado pela China em 2009 – era a Alemanha e não os Estados Unidos.
4) A ultrapassagem em termos de valores de investimento em capital fixo, que foi registada em 2009, tem ainda mais significado que os indicadores anteriores...5) ...assim como o valor da produção global dos produtos manufacturados, onde a China alcançou os Estados Unidos em 2010.
7) Seja aquele indicador mais prosaico que avalia a renovação do parque automóvel através do volume viaturas novas vendidas por ano – também aqui a China já ultrapassou os Estados Unidos em 2010.
8) O indicador respeitante ao número de patentes concedidas, cuja ultrapassagem dos Estados Unidos pela China se verificou também em 2010 dar-nos-á uma informação sobre a inflexão tecnológica da economia chinesa.9) Enquanto na evolução do comércio interno chinês, especialmente as suas vendas a retalho, só se espera que elas venham a ultrapassar em valor as norte-americanas em 2014.
10) O valor das importações equivaler-se-á previsivelmente nesse mesmo ano de 2014. Por essa altura, o peso da China no comércio mundial será já claramente superior ao dos Estados Unidos...11) ...quanto ao valor do Produto Interno Bruto (ajustado pela paridade do poder de compra), o ano de ultrapassagem será 2016. Mesmo aí, o rendimento teórico médio de um chinês será ainda apenas 23% do de um norte-americano.
13) …e as suas capitalizações bolsistas por volta de 2020. Isso não quererá dizer que Nova Iorque seja substituída de imediato por Xangai já que esta última praça sofre a concorrência fortíssima de outras praças históricas, como a de Hong Kong.
14) Como se esta lista fosse um enredo até à felicidade, os valores do consumo agregado da economia chinesa irão superar os da norte-americana em 2023...15) ...mas mais sombrios, os gastos com a defesa também atingirão a paridade em 2025. Será que, por causa disto, os Estados Unidos irão apostar num reforço da componente muscular da sua política externa?


Mais um excelente post.
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