Uma destas notícias tem de ser falsa. Senão mesmo as duas. Não há subjectividade que justifique apresentar a existência de três manifestantes num mesmo local onde outros viram apenas um. E a discrepância dos números de cada título já não tem nada a ver com a verdade e o rigor. Só nos serve para aferir onde se situarão as simpatias do órgão de comunicação social na causa em causa. Isto não tem nada a ver com informação, apenas com propaganda. Comunistas e fascistas designavam os seus órgãos de contacto com a comunicação social de Informação e Propaganda: para os totalitarismos tudo não passa de uma e apenas a mesma coisa. Os dois totalitarismos do século XX parecem irrecuperavelmente ultrapassados mas, neste caso específico, tinham razão e guardaram-se para esta cruel resposta... Agora, não nos chateiem que a comunicação social está em crise.
08 outubro 2017
UM EPISÓDIO «À GOVERNO SOMBRA» DURANTE O PRÓPRIO GOVERNO SOMBRA
Os mais populares programas de televisão acabam por cunhar uma assinatura própria. No Governo Sombra de ontem, e no meio das paródias aos episódios caricatos da noite das eleições autárquicas, os autores teriam deixado uma larga franja dos seus espectadores habituais desapontados (incluindo o que se subscreve...) se não tivessem feito uma referência ao assistente que, pela exuberância das suas expressões fisionómicas, conseguiu roubar para si a cena do discurso da vitória de Isaltino Morais. O irónico da situação é que, enquanto por ali se mofava de Isaltino, o mesmo estava a acontecer com João Miguel Tavares, que, não parecendo mais inspirado ou desinspirado do que aquilo que lhe é costume, estava a conseguir arrebatar expressivas e impressivas manifestações de divertimento de uma bonita assistente do programa que parecia sentada imediatamente atrás de si, ofuscando-lhe a argumentação.
O PREÇO DE UM ENORME «BLUFF» DE CAMPANHA
8 de Outubro de 1970. Quando quase se completavam dois anos após as eleições que o haviam eleito (em 5 de Novembro de 1968) com a promessa de que trazia consigo um "plano secreto" para acabar com o envolvimento norte-americano na guerra do Vietname, o presidente Richard Nixon comparecia diante dos seus concidadãos através de um discurso televisionado para todo o país apresentando um plano de "cinco pontos" para acabar com a guerra. Finalmente!, que os bluffs de campanha também têm de ser pagos. Mas a efeméride aqui não é para assinalar esse discurso dessa estranha diplomacia triangular - Estados Unidos, opinião pública americana, Vietname do Norte - que teve lugar a 7 de Outubro (acima). A efeméride deste dia de há 47 anos destina-se a assinalar foi a surpresa pela celeridade e agressividade como a proposta norte-americana foi ostensivamente rejeitada do lado dos norte-vietnamitas. A superpotência do Ocidente, que entretanto instara a sua homóloga do outro lado (União Soviética) a usar os seus bons ofícios durante esta tão bem preparada e encenada manobra diplomática, não contaria (porque não estava habituada) de forma alguma a ser tratada diante de todo o Mundo daquela forma tão humilhante.
OS LOUROS DE CÉSAR (40)
Para quem já se tenha esquecido, a receita completa do prato que cura das ressacas é: um frango por depenar, sabão de Massília, rins, compota, pimenta, sal, figos, mel, chouriço, pepinos de Granada, ovos e pimentos. O frango nem se depena e é tudo cozido ao mesmo tempo num panelão - nada daquelas reduções e/ou emulsões amaricadas da actualidade...
07 outubro 2017
SÓ PODE SER A GOZAR CONNOSCO...
A minha primeira dúvida - e que não aparece esclarecida em lado algum - foi o que esteve por detrás desta rajada de entrevistas dadas por Jean-Claude Trichet a órgãos de comunicação portugueses. Os títulos escolhidos por estes últimos para as encimar, esses são mais do que previsíveis: "Portugal tem de avançar nas reformas estruturais", “Não é hora de complacência, ainda há muito trabalho a ser feito”, “Estou confiante, sem ser ingénuo” ou então este acima: "Se Portugal tivesse cumprido as regras europeias não tinha havido crise". Como o vinil voltou e é agora trendy, creio que também se pode recuperar a metáfora do disco riscado, que é o que o discurso de Trichet parece, mais a sua conversa das reformas estruturais para as quais já não há pachorra depois de seis anos e meio à espera de um programa concretizando em que é que elas consistem (quatro e meio de Passos Coelho e dois anos de Costa). Sobretudo custa ouvir a um francês atribuir as culpas da crise ao incumprimento das regras europeias por Portugal, quando há nove anos que o seu próprio país não as cumpre! (O gráfico acima assinala os défices orçamentais da França desde 2007. O risco a vermelho assinala a fronteira de 3% do incumprimento que se prolonga desde 2008 - e a França tem escapado às sanções porque, como disse Jean-Claude Juncker: a França é a França. Dita por Trichet ou por outro palerma qualquer, dispensa-se a hipocrisia...)
06 outubro 2017
DESVIO COLOSSAL
Sou surpreendido com o anúncio do falecimento do autor do blogue Desvio Colossal. Sou apenas um leitor e apreciador daquilo que ele escrevia porque também interessado pelos temas sobre os quais escrevia: Macroeconomia, Finanças Públicas e Economia Portuguesa. Fiquei a saber também pela nota necrológica que, para além de jornalista do Diário Económico e do Jornal de Negócios, fora assessor do grupo parlamentar do CDS e da fundação Francisco Manuel dos Santos. E, no entanto, a esmagadora maioria das suas análises continham o distanciamento necessário para que as simpatias ideológicas não afectassem o conteúdo a ponto de o tornar imprestável para consumo. Se calhar, seria por isso mesmo, porque aquilo sobre o qual escrevia não ter utilidade prática imediata, que não seria trendy citá-lo, assim como às suas análises. Mas eu, que já despendi se calhar tempo em excesso a denunciar aqui falso «jornalismo económico», confesso ficar muito contristado com esta grande perda para o verdadeiro jornalismo económico. Àqueles jornalistas que, imodestamente, se consideram tão grandes que estão habilitados a falar de tudo, eu recomendaria que, quando (e se) forem mesmo grandes, aprendam a sê-lo como Pedro Romano o foi, no estudo, no conhecimento, na contenção e na modéstia...
OS LOUROS DE CÉSAR (39)
Reconhece-se, pela aproximação da letra, que a canção entoada pelo ébrio são os versos finais do refrão de Quand Madelon, uma célebre canção francesa da Primeira Guerra Mundial:
Quand Madelon vient nous servir à boire
Sous la tonnelle on frôle son jupon
Et chacun lui raconte une histoire
Une histoire à sa façon
La Madelon pour nous n'est pas sévère
Quand on lui prend la taille ou le menton
Elle rit, c'est tout le mal qu'elle sait faire
Madelon, Madelon, Madelon!
Sous la tonnelle on frôle son jupon
Et chacun lui raconte une histoire
Une histoire à sa façon
La Madelon pour nous n'est pas sévère
Quand on lui prend la taille ou le menton
Elle rit, c'est tout le mal qu'elle sait faire
Madelon, Madelon, Madelon!
Um exemplo canónico que, para se produzir traduções com qualidade, não basta saber só o idioma, é preciso conhecer-se também alguma cultura do país de origem.
05 outubro 2017
QUEM É QUE SOUBE O QUE FOI, QUEM É QUE AINDA SE LEMBRA DA «GUERRA DOS DEZ DIAS»?
25 de Junho de 1991. Numa cerimónia sóbria em Liubliana (acima), a Eslovénia procede à declaração unilateral da sua independência da Jugoslávia. A coreografia da cerimónia procura realçar a tensão política e militar do momento, com os soldados envergando camuflados em vez dos tradicionais trajos de gala para estas ocasiões. A própria data do evento, que fora anunciada inicialmente para 26 de Junho, foi súbita e inesperadamente antecipada de 24 horas, no que constituiu mais uma demonstração do conflito latente com as autoridades federais jugoslavas, uma finta de última hora às eventuais contramanobras de Belgrado. O caminho que conduzira a Eslovénia até à situação de ruptura tem algumas semelhanças, ainda que longínquas, com aquilo que mais recentemente está a acontecer na Catalunha. Também na Eslovénia se havia convocado um referendo em Dezembro do ano anterior. Os resultados haviam sido uma esmagadora maioria de eslovenos (88,5%) a pronunciar-se pela independência, com a afluência às urnas a ultrapassar os 90%. As reacções a esse referendo que foram então assumidas pelo governo e exército federais sedeados em Belgrado assemelham-se às atitudes a que temos vindo a assistir em Madrid: como se pode ler num despacho da Associated Press da época, o governo federal jugoslavo «rejeitava», ainda antes da sua realização, «o referendo na Eslovénia e anunciava a adopção de medidas (não especificadas) para assegurar a preservação da integridade do país».
Contudo, demonstrando o que parece ser uma tolerância (fraqueza?) superior à de Mariano Rajoy, as autoridades eslovenas apareciam nessa notícia em condições de assegurar que o governo federal jugoslavo se comprometera com elas a não accionar o exército para que este tentasse impedir a realização da consulta eleitoral. Apesar desse compromisso, em pleno parlamento jugoslavo o vice-ministro da Defesa, almirante Brovet, anunciava que as forças armadas estavam prontas para agir «de acordo com a Constituição jugoslava» e que aqueles que, na Eslovénia, «pensam de forma diferente, estão enganados». (Disto ainda não se assistiu em Espanha: altas patentes militares a aproveitar a ocasião para engrossarem a voz.) O paralelo com a situação catalão completa-se com o acolhimento unânime e contrário da comunidade internacional à secessão eslovena: a posição formal dos Estados Unidos e dos países da União Europeia iam no sentido da preservação da unidade jugoslava. Como é recorrente nestas ocasiões, o argumento económico era o mais evocado: há sempre o caso das consequências do seccionamento do comércio interno que passa a externo e as previsões pessimistas do impacto disso no padrão de vida do país secessionista, neste caso esloveno estimado numa queda de 20 a 30%. (Acrescente-se que as previsões nunca incidem sobre o padrão de vida daqueles que ficam...) Ao fim e ao cabo, o menos importante de todo o processo de secessão da Eslovénia terá sido mesmo a guerra, denominada Guerra dos Dez Dias.
Causou algumas dezenas de mortos, umas centenas de feridos, mas percebe-se que não foi travada com muito empenho do lado jugoslavo. Mas, se há muitos aspectos que assemelham os exemplos esloveno e catalão, há também alguns outros aspectos que os distinguem, a começar pela consistência da expressão do referendo, a terminar pela conjuntura internacional. A secessão da Eslovénia (a que se seguirá a da Croácia e das outras repúblicas da Jugoslávia) aconteceu sob a dinâmica da própria desagregação da União Soviética que estava, por si só, a provocar uma reconfiguração das fronteiras do Leste da Europa. A Jugoslávia que então se desagregava era um regime comunista, sem qualquer tradição de práticas democráticas, ao contrário do que agora acontece em Espanha. Onde ontem apareciam os generais e os seus blindados, aparecem agora os juízes e as normas constitucionais. Mas parece-me que existiu uma certa ingenuidade das democracias da Europa ocidental ao promoverem a reconfiguração das fronteiras do Leste da Europa (além deste caso jugoslavo, o caso da União Soviética ou então o caso da Checoslováquia) mas acreditando que as consequências iriam ficar por ali. Os exemplos da Bélgica, da Escócia ou agora da Catalunha (para já) mostram o quanto estavam errados. Acresce a isso que estes precedentes passados servem também para compreender que o que hoje parece tremendo pode ter tendência para cicatrizar rapidamente: a Eslovénia é membro da União Europeia desde 1 de Maio de 2004. Sobre a situação catalã actual, em concreto, só não é possível acrescentar mais nada porque, por detrás da irritação dos catalães em não os deixarem ser consultados (culpa de Rajoy), torna-se difícil perceber qual será a sua vontade (que bem poderá não ser a de Puigdemont).
«LOVE ME DO» e «DR. NO»
5 de Outubro de 1962. É editado o primeiro grande sucesso discográfico dos The Beatles: Love Me Do. Por coincidência, nesse mesmo dia (Sexta-Feira) estreava em Londres Dr. No, o primeiro filme de James Bond.
04 outubro 2017
SOBRE MONARCAS, ALGUNS DOS SEUS SÚBDITOS E AS VISITAS REAIS
Quando a rainha Elizabeth II realizou uma visita ao Ulster em 2012 houve quem se apressasse, como de costume, a qualificá-la de histórica. Mas dessa vez, havia motivos que sustentassem que a visita seria diferente das dezanove visitas precedentes: foi a primeira vez em quarenta anos em que não houve razões de segurança que impedissem que a agenda da visita real fosse conhecida com uma certa antecedência. Muitas das cerimónias em que a rainha participou (acima) puderam assim ser engalanadas em conformidade. Concebida com a intenção de sarar as feridas dos The Troubles (1968-1998), dessa agenda constou até um encontro com Martin McGuinness, o vice-presidente por parte do IRA do governo regional da Irlanda do Norte. A comunidade católica do Ulster também terá reagido com a cortesia de quem não culpava a monarca pela descriminação de que se tinha sentido vitima e que terá estado na raiz dos trinta anos de conflitos.
Porque é que eu me lembrei deste episódio já com cinco anos, agora quase esquecido? Foi ontem, quando ouvi o discurso que Filipe VI proferiu a respeito do problema catalão. Sobre ele, o problema, nem tenho a pretensão de prognosticar aqui como vai ser o desfecho, embora creia que a declaração de independência é um excesso que acabará atrapalhando a manobra original de Carles Puigdemont. Sobre ele, o discurso do rei, e quanto às consequências do que Filipe VI disse ontem, fiquei com a nítida sensação que, durante os próximos anos e enquanto a memória do teor do discurso perdurar, se Filipe VI realizar alguma visita ou visitas à Catalunha, elas hão de ser muito parecidas com aquelas que Elizabeth II fazia ao Ulster antes de 2012... Vai ser praticamente impossível formar e formatar uma audiência complacente, sem risco de vaias. O que é irónico, porque há pouco mais de um mês havia sido assim:
SPUTNIK-1
4 de Outubro de 1957. Há sessenta anos a União Soviética lançava o primeiro satélite artificial, ao qual deu o nome de Sputnik-1. Tão importante terem sido os soviéticos a fazê-lo foi a reacção dos americanos por terem sido outros que não eles próprios a fazê-lo. A competição científica pela exploração espacial decorrera até aí com saudável desportivismo e longe das atenções gerais até aos responsáveis norte-americanos se terem apercebido subitamente a 4 de Outubro de 1957 que haviam sido ultrapassados. O vídeo abaixo é uma reacção imediata da sua propaganda para formar a sua opinião pública do quão importante era afinal o assunto. Algumas das deduções que ali se fazem estão redondamente erradas: estimam, por exemplo, que o foguetão pesaria, à partida, cerca de umas cinquenta toneladas, quando na verdade o R-7 (um descendente longínquo do A4/V2 ontem evocado) pesaria mais do que o quíntuplo disso...
Etiquetas:
60º Aniversário,
Astronáutica,
Rússia
OS LOUROS DE CÉSAR (38)
Esta é uma prancha apropriada para chamar a atenção para o número invulgar de cenas nocturnas da história...
03 outubro 2017
AS ARMAS, MAS NÃO O MOTIVO...
Muito curial, este título escolhido pela Sky News quanto às perguntas que ainda estão por responder a respeito do massacre que teve lugar em Las Vegas: encontraram-se armas, por sinal muitas (42), mas ainda não se encontrou o motivo... Porém, e em vez de se entreterem com a irrelevância da filiação criminosa do autor do massacre, ficam ainda por responder àquelas perguntas que ainda não vi ninguém fazer: como é que se levam 23 armas para um quarto de hotel sem que ninguém do hotel tenha dado por isso e/ou estranhasse? Num estojo de violoncelo?... É que, se o franco atirador fosse um daqueles inimigos do ambiente e tivesse acendido um cigarro durante a sua estadia, tenho quase a certeza que dispararia o alarme de fumo... Adenda: «...acartou com pelo menos dez malas e vinte e três armas para o 32º andar do Mandalay Bay Resort and Casino de Las Vegas (sem que o feito) tivesse levantado uma sobrancelha desconfiada.»
FOI VOCÊ QUE PEDIU UM PORTO FERREIRA?... (7)
3 de Outubro de 1977. Numa das páginas interiores de um dos vespertinos da capital anuncia-se, quase que casualmente, que será a RTP a transmitir as aulas do novo ano vestibular de acesso ao ensino superior que virá substituir o fracassado Serviço Cívico. Apesar de evocado hoje com saudade por alguns, a análise crua do anúncio da época não conseguirá esconder o carácter improvisado da iniciativa. Simbólico do cepticismo como se sabia que a medida viria a ser acolhida, a notícia recorre ao tradicional bordão tranquilizador do que vem lá de fora: «Programado com base em experiências estrangeiras, o curso tem o apoio de diversas embaixadas». Que experiências?... Quais embaixadas?... Eram pormenores que parecia não interessar explicar por agora. Como também não era despiciendo esclarecer que a legislação que enformaria o novo Curso Propedêutico ainda se encontrava a uma certa distância de se tornar legal: o Decreto-Lei 491/77 só virá a ser publicado a 23 de Novembro, ou seja, sete semanas depois desta singela notícia. E no entanto, o formato destas (outras) aulas pela televisão, esta nova telescola sofisticada para pobres e para ricos, vai ser o figurino oficial para este e para os próximos dois cursos daqueles que haviam terminado o liceu, antes da adopção de um 12º ano mais estruturado em 1980. Deixou uma impressão indelével entre aqueles que haviam nascido à volta de 1960 a 1962. Se foi um dos abrangidos, de certeza que você pediu um Porto Ferreira...
Etiquetas:
40º Aniversário,
Nostalgia,
Televisão
O PRIMEIRO ENSAIO BEM SUCEDIDO DA V2
3 de Outubro de 1942. Há precisamente 75 anos no campo de pesquisas de Peenemünde tinha lugar o primeiro ensaio bem sucedido do foguetão A4. Tratava-se do quarto teste e, na ocasião, o foguetão atingiu a velocidade de Mach 5 e a altitude de 84 km. Mas o valor do feito é simbólico. O programa deparava-se ainda com múltiplos problemas. Depois de ultrapassados os de concepção (este A4, de tão bem desenhado, vai ser, aliás, a base de quase todos os misseis modernos), colocaram-se problemas de fiabilidade: até ao final de 1942 e durante o ano de 1943, os ensaios bem sucedidos vão constituir a excepção e não regra. Será só a partir de 1944 que a taxa de sucessos dos lançamentos alcançará o nível satisfatório para que o foguetão A4 venha a ser convertido numa arma militar - a V2 - através da adição de uma ogiva de 960 kg de explosivos. Lançada contra as cidades inimigas, Um problema suplementar da equipa de pesquisas foi a de adoptar uma configuração que, ao contrário dos inúmeros protótipos que haviam sido até aí ensaiados e cuidadosamente montados, permitisse que a nova V2 pudesse ser produzida em série e, ainda por cima, que o fosse por mão de obra escrava, de baixo grau de qualificação e de (muito) pior índice de motivação. Até ao fim do conflito, em Maio de 1945, irão ser produzidos, mesmo assim, 5.200 V2. Utilizadas desde princípios de Setembro de 1944 como arma de bombardeamento indiscriminado contra as cidades do inimigo, o ataque mais mortífero de uma V2 virá a ter lugar em 16 de Dezembro de 1944 e contra a cidade belga de Antuérpia. Um destes misseis irá acertar num dos cinemas da cidade precisamente na altura em que decorria a sessão de Sábado à tarde, quando a sala se achava cheia, estima-se com 1.100 pessoas. Morreram 567, entre as quais 296 soldados aliados e 271 civis belgas. Só se sabem quantos foram os feridos militares: 194.
Etiquetas:
75º Aniversário,
Astronáutica,
Segunda Guerra Mundial
02 outubro 2017
A PRIMEIRA TIRA DE «PEANUTS»
2 de Outubro de 1950. Era publicada a primeira tira de Peanuts no Washington Post (com mais outros oito jornais). Comprovando toda a sua actualidade e a razão do seu sucesso, apesar dos 67 anos entretanto transcorridos, imagino perfeitamente esta sua primeira tira (acima), a aplicar-se na noite de ontem a Pedro Passos Coelho, pensada por um qualquer membro da comissão política nacional do PSD, apesar (ou especialmente por causa) da reflexão aprofundada...
EU CÁ SOU DO TEMPO EM QUE O PSD ERA UM PARTIDO CHEIO DE «BARÕES» AMBICIOSOS
Há qualquer coisa de profundamente irónico quando vemos o discurso da inexistência de alternativas, que foi a coluna vertebral da argumentação política do PSD aquando da passagem de Passos Coelho e da sua equipa pelo poder, a ser recuperado mas agora para os combates na frente interna. Aquilo que não passa de um estratagema escolástico, ao admitir-se a pretensa discussão de um tema cujo único argumento que se apresenta é a sua não discussão (não há alternativa!), transbordou entretanto para outros campos da sociedade caso do futebol (abaixo). Eu cá sou do tempo em que o dirigente de um partido político era apenas um primus inter pares e não um deus ex machina. Assim, para o caso concreto acima, e antes de Paula Teixeira da Cruz chegar à conclusão acima, conviria que explicasse porque é que Rui Rio não é alternativa, Paulo Rangel também não, Luís Montenegro tão pouco, Nuno Morais Sarmento ainda menos e José Eduardo Martins não é hipótese a considerar. É que, como se costuma dizer, parodiando tais assertividades sobre os indispensáveis, os cemitérios estão cheios de insubstituíveis - mas isso talvez seja um argumento mais pertinente para desmascarar as inanidades que, a respeito de Pinto da Costa, abaixo defende Manuel Serrão...
QUE GRANDE CACHOLA!
Mas não vai ser por causa dessa cachola que vou deixar de discordar dos 34.264 oeirenses que não atribuíram importância ao facto de terem reeleito um ladrão (teoricamente regenerado...) para o cargo de que se aproveitou para cometer os roubos... Ao contrário de várias ideologias, a Democracia nunca pretendeu para si, nem neste mundo, nem muito menos no outro, o estatuto de resposta perfeita aos nossos anseios.
01 outubro 2017
OS LOUROS DE CÉSAR (37)
É apenas uma coincidência, mas a enorme confusão registada à saída do Circo Máximo faz lembrar o ambiente da assembleia geral do Benfica de ontem à noite (mais abaixo)...
O 68º ANIVERSÁRIO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA POPULAR DA CHINA
1 de Outubro de 1949. Na praça Tiananmen de Pequim Mao proclama a criação da República Popular da China. Os detalhes da cerimónia e da reportagem cinematográfica só aparentemente são casuais: quem acompanha Mao Zedong à sua esquerda enquanto este caminha para o local da proclamação é o general Zhu De, a mais alta patente do exército de libertação popular (ELP), num reconhecimento do papel indispensável dos militares para alcançar o poder; mas, durante a proclamação propriamente dita, quem ocupa esse lugar de destaque é o primeiro ministro Zhou Enlai.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






















