15 outubro 2018

A DESTITUIÇÃO DE LIU SHAOQI

15 de Outubro de 1968. Um canto da última página do Diário de Lisboa informava o leitor da destituição de Liu Shaoqi (escrevia-se então Liu Shao-Chi). Liu era o presidente da República Popular da China, embora o poder na China, como era tradicional em todos os países comunistas, pertencesse a quem dirigisse o partido, e o partido era dirigido por Mao Zedong (Mao Tse Tung). Como também era comum com as modificações políticas importantes ocorridas nos países comunistas, esta notícia fora obtida indirectamente, captada em Hong Kong através de uma transmissão da rádio Pequim, a leitura de um editorial do jornal Bandeira Vermelha, artigo onde se anunciava que «todos os elementos anti-revolucionários, dirigidos pelo Khrushchev da China» (forma elíptica de o insultar, por referência ao antigo dirigente soviético que fora o oponente de Mao durante a fase da cisão sino-soviética), «haviam sido descartados e jogados no caixote do lixo da história». Liu (cujo nome nunca fora mencionado) «deixara de ter poder e autoridade tanto no partido quanto no governo. E a proclamação da grande vitória proletária constitui mais do que uma afirmação, tornou-se num facto». As imagens da China daquela época da Revolução Cultural, livrinhos vermelhos brandidos ferozmente e palavras de ordem declamadas como invectivas (na foto abaixo o visado é Liu Shaoqi ) são um desafio para a compreensão das gerações que se seguiriam.

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