29 outubro 2016

«CARA A LA SOMBRA, ¡ Y CON LA CAMISA VIEJA !»

Há precisamente 63 anos o regime franquista enchia um estádio com falangistas para cantarem o hino Cara al Sol dedicando-o a Francisco Franco (abaixo). Passados todos estes anos, o pressuposto do homem providencial parece persistir e dominar a Espanha conservadora como acontecia nesses tempos maduros do franquismo, pois a resolução de uma arrastada crise política, com uma obrigatória abertura ao centro moderado, nunca pareceu poder passar - nem valia a pena sugerir o assunto... - pela substituição da pessoa de Mariano Rajoy, apesar dos variados escândalos que o tinham vindo a rodear.

Em contraste, a Espanha constitucional tem o precedente de Adolfo Suárez, que se demitiu da chefia do governo em Janeiro de 1981. Mas o actual PP, Mariano Rajoy e também o seu antecessor José Maria Aznar representam uma direita tão retrógrada, que nem me parecem gentes dispostas a reclamarem-se herdeiros de quem procedeu a Transição (não o são, de facto). Resignaram-se a aceitá-la e há até momentos em que quase se fazem passar por suas vítimas...

3 comentários:

  1. O chato é que os eleitores insistem em escolhê-lo, e ele lá vai ganhando eleições umas atrás de outras, e com votações crescentes...

    Isto da democracia é uma porra...

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  2. A porra não é, nem nunca foi, a democracia.

    A porra é o parlamentarismo e as suas regras: quem terá inventado aquela ideia estúpida que "ganhar as eleições" não serve para nada se não se conseguir fazer passar o executivo no parlamento com mais votos a favor do que contra?

    Anda um gajo "a ganhar eleições" para ser assim enxovalhado? Que desaforo o dos perdedores que se podem reunir todos numa maioria negativa e dizer no local e momento apropriado: "Eu não quero!" Querem ver que constituir governos com sólido apoio parlamentar deixou de ser uma virtude?

    Sabe-se como Lenine e Mussolini acabaram com essas impertinências por volta de 1920. Para eles, aquilo da democracia é que era verdadeiramente uma porra.


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  3. Mas agora está tudo bem. O que era impossível de equacionar fazer no PP acabou por ser feito no PSOE.

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