04 maio 2024

UMA DISCRETA GUERRA COLONIAL E CIVIL EM CURSO

4 de Maio de 1964. No New York Times (acima, à esquerda, clique em cima da imagem para a ampliar e poder ler) e no Diário de Lisboa do dia seguinte (embora esta de forma mais sucinta) dá-se conta do agravamento da situação militar na colónia britânica de Aden, no Iémen do Sul. Já aqui neste blogue se falou desta guerra esquecida. E também já aqui se mencionou a capacidade britânica de disfarçar pela semântica e por uma atitude política distanciada - a famosa fleuma britânica - da gravidade das situações em que aquele país se envolve. No caso da nomenclatura, volto a lembrar aquela constante de que as guerras coloniais de libertação que envolveram as colónias britânicas nunca se chamaram... guerras coloniais: esta era uma insurgência (abaixo), na Palestina fora outra insurgência, na Malásia uma emergência, em Chipre outra emergência, no Quénia uma revolta (uprising). Em suma, os britânicos nunca travaram nenhuma guerra colonial e por isso, ao contrário de franceses, portugueses ou holandeses, eles nunca perderam nenhuma guerra colonial. Esse discurso político não é lá muito compatível com os relatos da actividade militar porque, não tendo havido guerras, torna-se difícil explicar porque é que terá havido campanhas e operações militares, como se pode ler abaixo... Quanto à famosa fleuma britânica, ela está patente no desprendimento constante da notícia do Diário de Lisboa, a disponibilidade veiculada pelo jornal londrino Times para que os britânicos abandonassem Aden e o Iémen do Sul. Era ainda mais uma maneira de desviar atenções daquilo que estava verdadeiramente em disputa. É que as guerras coloniais não se travam apenas para manter a autoridade política nas colónias, as potências coloniais também as travam para gerirem o processo de transferência de poderes e o futuro regime do novo país independente. Era o que os britânicos pretendiam para o Iémen do Sul, e que hoje se sabe, então guardado para dali a três anos e meio de distância no futuro, que os britânicos falharam redondamente. (Já aqui me referi mais longamente no Herdeiro de Aécio a esta guerra colonial com outro nome)

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