27 junho 2018

O MANIFESTO DAS DUAS MIL PALAVRAS

27 de Junho de 1968. Publicação na Gazeta Literária (Literární Listy, acima) e em outros três jornais checos de um manifesto intitulado Duas Mil Palavras (Dva Tisíce Slov), comentando o processo de transformação por que estava a passar a Checoslováquia desde o princípio daquele ano de 1968, após a eleição de Alexander Dubček para a direcção do partido comunista checoslovaco. O autor do manifesto chamava-se Ludvík Vaculík (1926-2015). Pelos padrões de hoje, o conteúdo do manifesto revela-se contido, consagrando, por exemplo, o axioma comunista da manutenção do papel dirigente do partido na condução dos destinos do país, apelando apenas para que houvesse um mais amplo e mais transparente escrutínio à actividade dos seus quadros, escrutínio para o qual se tornaria indispensável a existência de uma imprensa livre (aqui pode consultar-se uma versão condensada do manifesto - em inglês!). Mas o que se publicara era apenas ilusão e teoria. Na prática, para os sectores conservadores dos comunistas checos, assim como para os seus aliados soviéticos, a publicação do manifesto foi interpretada convenientemente como uma indicação de que o processo de liberalização da Checoslováquia, a denominada Primavera de Praga, estava a escapar ao controle dos quadros que haviam assumido o KSČ com Dubček. Hoje, e apesar da moderação que o tempo lhe veio conferir, o Manifesto das Suas Mil Palavras é considerado como um dos estopins da invasão da Checoslováquia de Agosto de 1968. É que quando a vontade de prevaricar está enraizada - e aqui a prevaricação é invadir o país vizinho! - os pretextos para o fazer nem precisam de ser consistentes.

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