A participação do Corpo Expedicionário Português (CEP) nos combates na Flandres, durante a Primeira Guerra Mundial, foi implementada contra o interesse dos nossos Aliados e perante o desinteresse da opinião pública doméstica. Na Europa nunca houve ameaças tangíveis aos interesses estratégicos portugueses, ao contrário do que acontecia em África, onde Angola e Moçambique possuíam fronteiras comuns com colónias alemãs. Terá sido para fortalecer a convicção dessa opinião pública que a participação do CEP parece ter tido esta cobertura de uma exuberância não propriamente marcial, que aqui se procurou simbolizar na escolha dos temas para estas fotografias dos militares do corpo, desde a banda de música que acima marcha de capote vestido (em condições meteorológicas não muito amenas, supõe-se), até esta encenada e bem disposta prova do rancho abaixo. Sabemos como tudo acabou, a 9 de Abril de 1918, quando os alemães desencadearam a Operação Georgette (conhecida entre nós por Batalha de La Lys). Recriminações à parte, que os britânicos foram injustamente pródigos nelas, em algumas horas, o CEP perdeu 7.000 homens (400 mortos e 6.600 prisioneiros) e o elan para continuar. A partir daquele dia, a participação directa de Portugal no conflito europeu tornou-se virtual.
Nicolas Sarkozy faz-me lembrar aqueles alunos aplicados que conseguem sempre notas espectaculares nos exames, sejam eles sobre temas tão díspares quanto teologia, química ou astronomia. O seu objectivo último é sempre a nota e nem é preciso que dominem ou gostem da matéria do exame: onde eles são bons é mesmo a ser examinados. Os exames dos políticos são as eleições e há políticos como Sarkozy que mostram ter aquela mesma virtude quando as disputam.
Aí, dizem tudo o que for preciso para as ganhar independentemente das suas convicções pessoais – se a ideia é, nesta primeira volta das presidenciais francesas, ganhar votos à direita, então o seu discurso é xenófobo, propondo a saída da França do Espaço Schengen. Mas na segunda volta, onde a disputa será pelos votos do centro, preparemo-nos para o ver moderar-se. Do outro lado, François Hollande poderá ser a mesma merda, mas há umas merdas que são mais nojentas que outras…
Quando da libertação de França no Verão de 1944, houve guarnições alemãs que não conseguiram retirar-se a tempo, ficando para trás, cercadas pelas unidades aliadas. O comando alemão preferiu concentrá-las na defesa dos portos franceses do Atlântico, para que elas impedissem a utilização desses portos pelos Aliados. E a conquista do porto de Brest pelo VIII Corpo de Exército dos Estados Unidos – já aqui contada – veio a demonstrar quanto as operações de cerco se viriam a revelar caras em custos humanos mas ineficientes nos resultados, por causa das sabotagens que os alemães aplicavam às instalações portuárias antes da derrota final. Por isso, do lado dos Aliados, decidiu-se não desencadear mais operações ofensivas contra os portos franceses que ainda estivessem em poder do inimigo. Foi assim que perduraram por mais nove meses (até ao fim da guerra, em Maio de 1945), bolsas de resistência alemãs em território francês que estavam concentradas à volta dos portos atlânticos de Lorient, Saint Nazaire e La Rochelle (acima, assinalados a azul). Mas não eram apenas pequenas parcelas do território francês a permanecer sob ocupação germânica: também as Ilhas do Canal (britânicas – acima assinaladas a vermelho) encontravam-se na mesma situação com um problema semelhante ao das bolsas do continente: os alemães não tinham tido os meios navais suficientes para evacuarem as guarnições das ilhas e os britânicos não se mostravam interessados em gastar recursos para montar complicadas operações anfíbias para recuperar a sua soberania, numa guerra cujo desfecho parecia próximo.
As condições de vida para os civis aprisionados dentro dessas bolsas de resistência eram precaríssimas, mesmo pelos padrões de guerra. A mais povoada era a de Saint Nazaire (mapa acima) onde 120.000 civis coabitavam com 25.000 militares que, naturalmente, tinham todas as prioridades em termos de abastecimentos. A proporção entre militares e civis era ainda mais pesada noutros locais: em La Rochelle os militares eram 22.000 para apenas 40.000 civis. E os sitiantes viam-se divididos entre a aplicação de bloqueios – os britânicos podiam fazer um naval, total, ao redor de Jersey, Guernsey e das outras Ilhas do Canal – ou permitirem a passagem de alguns meios de subsistência que aliviassem os sofrimentos dos seus compatriotas. Os franceses mantiveram a rede eléctrica das cidades sitiadas, por exemplo.
Mas a melhor forma encapotada de socorrer essas populações era através da intervenção de terceiros, fossem eles a Cruz Vermelha ou então países neutros como a Espanha. Os acordos prévios entre as partes permitiram a passagem desses navios de reabastecimento cuja carga era depois distribuída de uma forma considerada aceitável entre militares alemães e civis franceses ou britânicos. Porém, para outras partes esses acordos não interessavam nada. Por essa época, os cartazes do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), partido anti-franquista recentemente conduzido ao exílio, recordava aos franceses (acima) para que não se esquecessem que os alemães que resistem ainda nas costas francesas do Atlântico são reabastecido por Franco. Franco que, no fim da Guerra, até estava agora empenhado em mostrar-se prestável…
Com uma fotografia tirada deste plano, percebem-se imediatamente as razões para o sucesso da adopção da consoante dupla BB para nos referimos a Brigitte Bardot…
A fotografia acima data dos princípios dos anos 80 e nela identificam-se (da esquerda para a direita): Sam Nujoma da Namíbia (1929- ), o único dos presentes que, à data da fotografia, ainda não era chefe de estado nem de governo, Kenneth Kaunda (1924- ), que era então o Presidente da Zâmbia, Samora Machel (1933-1986), o Presidente moçambicano, Julius Nyerere (1922-1999), o Presidente da Tanzânia, Robert Mugabe (1924- ), então ainda 1º Ministro do Zimbabwe e finalmente o Presidente angolano José Eduardo dos Santos (1942- ).
O bloco representado por aqueles cinco países (mais a SWAPO namibiana) designava-se por Estados da Linha da Frente – assinalados a vermelho no mapa abaixo. O inimigo comum era a África do Sul (a azul), que era então dirigida pelo regime dos africânderes. Assinale-se a cor amarela dos países que estavam geograficamente mesmo à frente, como o Botswana, a Suazilândia ou o Lesoto que, por causa das represálias do poder militar e económico dos sul-africanos, não se podiam dar ao luxo de ser tão radicais quanto os vizinhos da frente mais resguardados…
Poucos leitores reconhecerão de imediato a fotografada. Trata-se de Mitsuko Uchida (1948- ), uma consagrada pianista clássica britânica de ascendência nipónica e o autor da fotografia foi o incontornávelRichard Avedon. Fazendo uma comparação que não primará pela correcção política, considero-a bastante parecida – pelo menos na época em que a fotografia foi tirada – com a actriz canadiana (mas de ascendência coreana) Sandra Oh (1971- ), que é uma das estrelas da série televisiva Anatomia de Grey.
Adicionar uma referência a Mitsuko Uchida costuma ser uma excelente forma de testar a consistência da opinião de alguém que esteja a tecer rasgados elogios à nossaMaria João Pires (1944- ). Pelas suas idades próximas e pelos respectivos reportórios favoritos, e mesmo que não se queira falar de rivalidade, é exigível que quem elogie as interpretações de Maria João Pires daquela forma incondicional como os elogios lhe costumam ser endereçados conheça a concorrência, o que nem sempre acontece…
Por curiosidade, insiro aqui interpretações de uma mesma peça que é tocada pelas duas pianistas. Trata-se de um trecho curto (tem menos de quatro minutos e meio de duração) que retirei do YouTube: o 1º movimento da Sonata para Piano nº9 em Ré Maior de Mozart. Patriotismos à parte, e como se percebe facilmente se o quiserem experimentar, torna-se mais complicado classificá-las relativamente do que uma escolha – que seria decerto seguríssima! – entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi…
Adenda: Por ter sido removida do You Tube a que inserira originalmente, a versão de Maria João Pires inclui agora a sonata completa. Adenda2: Como também retiraram a versão completa da peça quando tocada por Maria João Pires, fica assim, sem nada para comparação. Também começo a achar coincidência a mais que as interpretações de Maria João Pires sejam regularmente removidas do You Tube e as de Mitsuko Uchida por acaso não...
Ainda a propósito de Francisco Rolão Preto (1893-1977), que considero o verdadeiro rosto do fascismo durante o período do Estado Novo, leio na sua biografia da Wikipedia um pormenor que desconhecia: que Mário Soares, enquanto Presidente da República, o condecorou em 1994, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo seu entranhado amor pela liberdade… O agraciado tem os seus méritos como opositor ao Estado Novo, mas havemos de concordar que a farda, a braçadeira e sobretudo o bigode curto(…) da fotografia mais acima nos dificulta a tarefa de o conceber como um democrata apaixonado pela liberdade… Aliás, sabiamente, o presidente escolheu uma outra condecoração que não a da Ordem desse mesmo nome (Liberdade) para evitar equívocos. Dez anos passados, o seu sucessor Jorge Sampaio pareceu mostrar que a sabedoria se perdera e que no seu tempo já não se percebia nada dessas diferenças subtis entre as evocações da liberdade e a outorga de condecorações da Ordem com esse nome, quando da atribuição de uma a Isabel do Carmo (1940?- ), a antiga dirigente histórica do Partido Revolucionário do Proletariado – Brigadas Revolucionárias.
Não estando de modo algum em causa as capacidades de quem conferiu a distinção nem as qualidades da distinguida, ressalve-se uma enorme falta de tacto do primeiro ao escolher-se um grau da Ordem da Liberdade. Como a farda, a braçadeira e o bigode de Rolão Preto, também os comunicados, cartazes e acções a que associamos Isabel do Carmo nunca farão dela um exemplo da democrata apaixonada pela liberdade…
Não há duas ondas iguais e por isso qualquer fotógrafo pode escolher a beira-mar que terá aí o infinito por limite de tema. Desde aquela enorme onda acima, fotografada quase como de uma pintura oriental se tratasse por Hengki Koentjoro, até a este instantâneo de praia, que quase parece um primeiro banho ou qualquer outra espécie de ritual iniciático que nos é mostrado pela objectiva de Dean Dempsey.
À sua maneira, Anthony Neil Wedgwood Benn (1925- ), mais conhecido pela forma de tratamento muito mais proletária de Tony Benn, foi um fenómeno muito próprio na política britânica da segunda metade do Século XX. Como tal, foi um dos poucos políticos reais a ser digno de uma referência expressa nesse reverenciado Tratado de Ciência Política que dá pelo nome de Yes, Minister:Político da esquerda radical que se tornou proeminente durante os anos 70 e início dos anos 80, filho de um Par do Reino, educado em Westminster e Oxford, principalmente recordado¹ por falar de forma ceceada, pelos seus olhos esbugalhados e pelos seus esforços empenhados para disfarçar as suas origens privilegiadas bebendo canecas de chá com membros das cooperativas operárias. (p. 275) Tony Benn e a hard left chegaram a ser levados suficientemente a sério para que Frederick Forsyth fizesse dele(s) uma personagem da sua novela de espionagem O Quarto Protocolo de 1984. Mas Benn perdeu o seu assento parlamentar de vez em 1983 e depois disso, mantendo-se engajado em várias causas, não deixa de ser simbólico que o seu website oficial prometa remodelar-se… durante esteano de 2005. Porque é que me lembrei de Tony Benn? Por associação de ideias. Vinha no carro esta tarde a ouvir na rádio a intervenção - radical, como sempre - de Francisco Louçã na Assembleia da República e deu-me para aqui…
Quanto à atenção que é dada às designações empregues na política portuguesa, nunca houve como os comunistas. Por exemplo, foram eles que, depois de 1976, persistiram durante bem mais de meia dúzia de anos em continuarem a referir-se à sua organização rival pela sua sigla original de PPD (acima) em vez da de PSD que fora adoptada em Outubro daquele ano. Outro exemplo dessa mesma época foi o da Reforma Agrária, a única que houve em Portugal (no sentido em que houve uma real redistribuição de terras de latifúndios para a posse de camponeses), que os comunistas sempre persistiram em designar por Lei Barreto (acima), por contraste com o seu processo de ocupação e colectivização das terras, à soviética. Mas o seu maior sucesso terá sido a adopção corrente da qualificação de fascismo para designar o regime do Estado Novo. Porém, quem se dispuser a conhecer a história e o percurso político de Francisco Rolão Preto (abaixo), dirigente dos camisas azuis do nacional-sindicalismo, em conflito com Salazar, percebe que se trata de mais outra fraude semântica induzida…
Depois das filmagens em flagrante de uma operação de fraude eleitoral terem corrido o mundo, quando das eleições parlamentares russas que tiveram lugar há três meses atrás (acima), desta vez o regime encabeçado por Vladimir Putin montou para estas eleições presidenciais de Março uma operação de charme, para melhorar a sua reputação.
Procedeu-se à colocação de webcams em milhares de assembleias de voto para que houvesse assim uma espécie de controlo on-line e via internet das operações do acto eleitoral. Claro que o gesto foi de utilidade reduzida. Existem muitas outras maneiras de viciar os resultados eleitorais sem que isso se perceba a partir de uma câmara fixa... A verdade é que se tornaram disponíveis na net as imagens de milhares de assembleias de voto espalhadas por todos os recantos da Rússia, normalmente localizadas naqueles locais públicos do costume, como este caso de ginásios de estabelecimentos de ensino que aparecem nas duas fotografias acima. Mas à novidade da instalação das webcams…
…juntou-se o pormenor das ditas webcams terem sido activadas prematuramente. A decisão produziu algumas imagens insólitas e, mesmo se não se tratasse de um país com uma tradição de décadas de desrespeito pela privacidade – lembremo-nos do KGB... – haveria cenas apanhadas pelas webcams que se tornariam de todo o modo num sucesso...
Porém, se tivesse de eleger a minha cena favorita, ela seria doutro género, como esta assembleia de voto abaixo, localizada na Rússia profunda. Observe-se o quadro à direita, onde um assertivo Lenine discursa e um atento Estaline escuta. Do outro mundo, sem web, um e outro propiciarão ao acto eleitoral uma das vigilâncias revolucionárias mais atentas…
Houve alguns jornais mais atentos que, este Verão e a propósito da morte da segunda, realçaram a coincidência da idade da morte de Janis Joplin (acima) e Amy Winehouse (abaixo): 27 anos. Normalmente esqueceram-se de referir que havia mais de 40 anos de distância entre os dois óbitos... Embora seja pertinente encontrar semelhanças no estilo das duas intérpretes quando se ouvem os dois exemplos de versões suas que escolhi para aqui inserir (Me and Bobby McGee por Janis e Tears Dry on Their Own por Amy), o seu estatuto de marginais é de marginalidades em relação a dois mundos que são tão completamente diferentes que nem se confundem e isso torna-se evidente na forma como as duas foram fotografadas nestas duas fotografias suas, bem conseguidas. A de cima é de Richard Avedon e a de baixo de Hedi Slimane.
Segundo o que nos relata a comunicação social, o capitão do navio que naufragou na costa italiana – e a fotografia acima demonstra o quanto a expressão, além de geográfica, é literal… – não usava os seus óculos na noite do acidente. Porém, a acreditar nessa mesma comunicação social, o homem já devia estar tão aquecido que, mesmo se os tivesse postos, as lentes estariam tão embaciadas que o desfecho teria sido provavelmente o mesmo… Não fora a perda de um navio avaliado em 450 M € mas sobretudo as 25 mortes já confirmadas (a que se acrescentam as 7 prováveis) que o desastre terá causado e valeria a pena fazer uma comparação pela palhaçada inclusa entre este capitão de verdade, Francesco Schettino de seu nome (acima, à esquerda), e o seu homólogo Merrill Stubing o, apesar de tudo, muito mais eficaz (no duplo sentido...) capitão do Pacific Princess da série Love Boat…
As duas fotografias deste poste foram tiradas quando da conquista de Viena pelos soviéticos em Abril de 1945. Por motivos distintos, é improvável que qualquer delas viesse a ser promovida naquela época para aparecer em local de destaque na imprensa.
Na de cima, numa das ruas da cidade aparecem-nos dois blindados em plano próximo. Embora ao serviço do Exército Vermelho, trata-se de M-4 Sherman, dois dos cerca de 4.000 carros de combate daquele tipo e de origem norte-americana que haviam sido enviados para a União Soviética ao abrigo do Programa Lend-Lease. E, como aqui já tive ocasião de explicar, não era do interesse dos utilizadores dar visibilidade a esse material emprestado em vez do de concepção e construção soviética, como o rival T-34. Nesta outra, um oficial soviético desarmado descobre-se, num gesto que parece ser um preito diante do túmulo de Ludwig van Beethoven (1770-1827), falecido em Viena e ali enterrado no Zentralfiedhof (cemitério central - apesar do seu nome, o cemitério situa-se nos arredores ao sul da cidade...). Por muito que se reconhecesse a universalidade da música do grande compositor alemão, a guerra ainda estava em curso e não era conveniente publicitar esta simpatia com medo que o inimigo dela se pudesse aproveitar.
Eu bem sei quanto pode ser ingrato – e sobretudo mal sucedido… – tentar extrair o humor de situações delicadas quando estas podem não o suscitar na maioria dos leitores. Mas tentem apreciar então esta conjugação das duas fotografias que aqui insiro de um ponto de vista artístico, como se tratasse de uma metáfora da evolução da nossa situação recente. Desde um período de relativa abundância e conforto (acima) para a constatação súbita que se acabou o papel higiénico onde temos que pedir auxílio ao exterior. Creio que poucas imagens haverá mais sugestivas do que é a dependência material de terceiros (coloquialmente: ficar à rasca) do que a de um rolo de papel higiénico que acabou quando apanhado do plano próximo desta fotografia abaixo…
Quem fiscaliza os que fiscalizam? A expressão, originalmente latina, costuma ser atribuída a Juvenal, um poeta cínico que viveu em Roma nos dois primeiros séculos da nossa Era. E uma outra Era, nova, esta agora sobre essa mesma vigilância aos vigilantes terá começado há precisamente 21 anos atrás, a 3 de Março de 1991, quando um civil, utilizando uma então inovadora câmara vídeo VHS (acima, um exemplar pioneiro datado de 1985), filmou as cenas do espancamento que um grupo de polícias aplicava a um condutor que fora detido e que estava no chão (vídeo abaixo).
A partir desse momento histórico, numa sociedade como a norte-americana, há muito assente na televisão e nas imagens que ela transmite, a polícia percebeu ter perdido a impunidade de Séculos que gozara no tratamento abusivo aos detidos. Além desta, a sequência dos acontecimentos veio a possibilitar uma outra lição histórica para o aparelhodo Estado quando, querendo beneficiar também da sua benevolência, o sistema judicial absolveu todos os polícias acusados de agressão naquele vídeo, desencadeando o ultraje geral e os distúrbios de Los Angeles de 1992.
Começados a 29 de Abril de 1992, dia do anúncio público da absolvição dos quatro réus, os distúrbios, muitas vezes filmados em directo a partir de helicópteros (acima), duraram seis dias, causaram 53 mortos, milhares de feridos e prejuízos estimados em quase mil milhões de dólares. Por imposição da razoabilidade política, o assunto dos polícias teve que ser reapreciado, acabando com condenações, comprovando que, para parafrasear Clemenceau, há assuntos que são demasiado graves para os deixar entregues apenas nas mãos de juízes, procuradores e advogados…
O encadeamento de espelhos criteriosamente dispostos permite que numa mesma fotografia apreciemos a mesma (e sempre única!) Marilyn Monroe numa combinação de poses ou até mesmo como se ela se tratasse de um produto industrial...
Este cartaz de uma Nazaré pitoresca de há uns 50/60 anos atrás, mais este vídeo Le Portugais cantado por Joe Dassin, de há outros 40, são dedicados aos responsáveis da Câmara Municipal de Aveiro que foram os autores da queixa à Comissão Europeia relativa a uma questão técnica acessória respeitante à cobrança das portagens nas antigas SCUTs e que, aparentemente, lhe irá permitir - à Comissão - que emita mais uns palpites sobre as formas de gerirmos a enrascada onde nos metemos . Se na Grécia se impõe a intervenção externa, em Portugal nem parece precisa essa imposição, porque haverá entre nós quem a solicite de bom grado e mesmo quem se regozije com ela, apenas porque circunstancialmente conveniente...