11 junho 2018

A CAPITULAÇÃO DE PANTELÁRIA

Situada entre África e a Europa, constituindo um monte vulcânico que sobressai 836 metros acima do nível do mar e reputada como inconquistável, a ilha de Pantelária, com os seus 83 km²,era uma cópia, em escala menor e em sentido táctico contrário, à ilha de Malta. Os Aliados decidiram-se a conquistá-la ainda antes do assalto à Sicília. A guarnição da ilha, cifrada em cerca de 11.800 soldados dos quais 78 são alemães, superava a população civil que rondaria os 10.000 habitantes. A intenção dos Aliados foi desgastá-los através de bombardeamentos aéreos contínuos de saturação. Para o efeito, dedicou-se-lhes dois esquadrões de B-25, três esquadrões de B-26, quatro esquadrões de B-17. 11 de Junho de 1943. Quando a frota de desembarque, transportando a 1ª Divisão de Infantaria Britânica do general Walter Clutterbuck, se apresenta ao largo da ilha, esta sofrera um tratamento continuado durante os doze dias precedentes. Nesse dia de há precisamente 75 anos, a ilha aparecia envolta numa coluna de fumo como se o seu vulcão estivesse activo. O destroyer HMS Laforey, uma das unidades navais ocupadas a cobrir o desembarque das lanchas com o fogo da sua artilharia, assinala uma bandeira branca. A chegada dos britânicos a terra confirma as intenções italianas: o almirante Gino Pavesi que comanda a guarnição local está disposto a assinar a sua rendição, tudo muito célere, a questão estará terminada por volta da hora de almoço. Tanto assim, que a rendição de Pantelária ainda pôde ser despachada nas notícias desse dia, como se comprova pela edição abaixo do vespertino Diário de Lisboa. Os atacantes haviam sofrido apenas uma baixa, pormenor acintoso pela descrição de como ocorrera: o cabo Sanderson do 2º Batalhão dos Sherwood Foresters, fora atingido pelo coice de uma mula... Porém, o ridículo tem percursos sinuosos. Aos italianos, faltara tanto o empenho em resistir quanto o empenho em deixarem-se matar. Protegidos pelos abrigos escavados dentro da montanha, apesar da intensidade e da meticulosidade dos bombardeamentos, as baixas italianas militares e civis haviam-se ficado pelas 58, ou seja 5 por cada dia de bombardeamento e um outro disparate se se comparar a tonelagem das bombas despejadas (6.200) e os efeitos. Porém, os relatórios da Força Aérea aliada atribuíram vaidosamente à sua actividade o comportamento acobardado dos defensores. Nem mesmo o ridículo episódio que acontecerá dois dias depois, quando a guarnição de uma outra ilha italiana próxima, a de Lampedusa, se renderá a um aviador britânico que ali aterrará em catástrofe, conquistador involuntário de uma ilha, abrirá os olhos ao estado-maior aliado sobre o que acontecera: os italianos haviam simplesmente abdicado de combater, por um lado, ou por outro. O que acontecera era uma predisposição da população italiana e não uma consequência dos bombardeamentos. A sobrestimação quanto ao impacto que os bombardeamentos aéreos poderão ter no moral dos defensores ir-lhes-á custar muito caro no futuro, como no caso de Monte Cassino.

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