03 setembro 2019

O «MARACANAZO» DA SELECÇÃO CHILENA

3 de Setembro de 1989. No estádio do Maracanã no Rio de Janeiro disputava-se um jogo entre as selecções do Brasil e do Chile. Aos 67 minutos de jogo, uma adepta brasileira disparou um very-light para o campo que foi cair junto, mas a alguma distância, do guarda-redes chileno. Em certas condições, o emprego daqueles engenhos pode provocar danos pessoais e mesmo fatalidades (como aconteceu em 2006 em Portugal), mas não foi, felizmente, o que aconteceu naquele caso. Isso não obstou a que o jogador chileno, Roberto Rojas, se aproveitasse da ocasião para encenar uma lesão, daquelas que são, infelizmente, costume no futebol. Pior, dadas as circunstâncias do que a causara, a lesão de Rojas tinha que parecer grave. E assim, para o parecer, teve que contar com a cumplicidade dos membros da sua equipa médica e, por inerência, dos responsáveis que representavam a selecção chilena naquele encontro. Os chilenos, que estavam a perder mas que precisavam de vencer o jogo, abandonaram o campo invocando falta de segurança, consubstanciada no que acontecera ao guarda redes da sua equipa. O vídeo acima mostra uma das inúmeras e detalhadas coberturas noticiosas dadas ao acontecimento pelos brasileiros, denunciando o que se percebia ter sido uma falcatrua óbvia, que, ainda por cima, acontecera à frente de milhares de pessoas. Mas a indignação não era apenas monopólio dos brasileiros: em Santiago do Chile, os torcedores chilenos vieram para a frente da embaixada do Brasil protestar, partindo as janelas do edifício. Em suma, como em quase tudo que mete futebol, a crise entre Brasil e Chile parecia exuberante mas não grave, embora a cena de Rojas depressa tivesse sido desmontada pela profusão de imagens existentes do acontecimento. Por uma vez, as sanções foram severas: Roberto Rojas, o protagonista, foi irradiado, mas também receberam penas o presidente da federação chilena de futebol, o treinador e o médico da selecção, mais uns verdugos da equipa técnica da selecção chilena, etc. Foi (semi)consolador constatar que não era apenas em Portugal que o futebol era controlado por pessoas que não tinham quaisquer escrúpulos.

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