24 junho 2020

O AMIANTO E AS PRIORIDADES DA EDUCAÇÃO

Se aqui há cinco meses o amianto, a remoção do mesmo nas escolas e as verbas destinadas para o efeito podiam ser uma bandeira da acção governativa agitada pelo ministro da Educação, com a alteração das circunstâncias causada pelo aparecimento da covid-19, aquilo que se passou a esperar do titular da pasta são outras prioridades, com o amianto a ser relegado para um secundaríssimo posto. Ver o ministro a aparecer por detrás do primeiro-ministro a insistir no amianto, agora com uma verba com uma rebaixa de 50% (60 de 111 milhões) , é ridículo, tanto mais que, na mesma ocasião, o mesmo ministro, lá do seu resguardo, aproveita para deixar cair, como se fosse uma curiosidade complementar, um tópico que realmente interessa: a data do início do próximo ano lectivo - 14 a 17 de Setembro. (Não se podia fazer diferente?) Mas não. A ideia parecia mesmo a de ofuscar as opções assumidas pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues... com a história do amianto que não tem nada a ver com educação, antes com obras públicas. E, claro e como é costume, houve na comunicação social quem embarcasse na cenografia. Eu tenho concedido muita latitude - quiçá demasiada - a este governo em tempo de pandemia, mas desconfio que estão a abusar. Ou, pelo menos, tendo a concordar com a frase citada mais abaixo de António Costa, que terá sido proferida durante a cerimónia do amianto: «É uma estratégia dois em um». Diz-se qualquer coisa para alimentar a comunicação social e, por outro lado, evita-se explicar o que é importante nestes tempos em que há a necessidade de rever tantos aspectos da educação pública: programas, calendários, exames, etc.

1 comentário:

  1. Achei alguma piada ao raríssimo momento da "latitude pandémica"...

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