18 junho 2020

A VITÓRIA SURPRESA DOS CONSERVADORES NAS ELEIÇÕES BRITÂNICAS DE JUNHO DE 1970

18 de Junho de 1970. Eleições parlamentares no Reino Unido. O governo trabalhista parecia desfrutar de todas as vantagens. Escolhera a data. Vinha-se preparando desde há meses. O direito de voto fora baixado dos 21 para os 18 anos e os observadores eram unânimes em considerar que este eleitorado ainda mais jovem favoreceria os trabalhistas em detrimento dos conservadores. E chegara-se ao dia do acto eleitoral com o partido no governo confiante na vitória, com a sua confiança a ser propiciada por «um veredicto esmagador das últimas sondagens à opinião pública», como se podia ler no jornal. Contudo... não foi nada disso que aconteceu. Tenho com estas eleições britânicas uma relação emocional muito forte: foram elas que me ensinaram que, quando elas são a sério e como num jogo de futebol, nada está decidido até ao apito final do árbitro. Como num hipotético Benfica - Barreirense que estragara a chave do Totobola, os jornais do dia seguinte desdiziam tudo o que havia sido afirmado de véspera quanto às certezas da vitória dos trabalhistas. Há cinquenta anos, acompanhar as eleições dos países europeus através das emissões das suas televisões seria uma coisa do domínio da ficção científica, mas fico com uma pena enorme (e retrospectiva) de não ter podido acompanhar a emissão da BBC de que insiro abaixo com este pequeno vídeo (admitindo, já agora e também ficcionalmente, que compreenderia o inglês...). Como se vê, no estúdio haviam instalado um "variómetro" (swing), um dispositivo destinado a evidenciar a variação do voto em relação às eleições anteriores de 1966. Emblemático de que o escrutínio estava a divergir significativamente de tudo o que se antecipara, o ponteiro do "variómetro" já passara para lá das marcações...

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